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Gil: um Ministro fora do comum

8 de Agosto de 2008, 0:00 , por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A saída do Ministro-hacker gera expectativa

/pub/Blogs/BlogPostMarceloBranco20080808123023/Gil_castells_eu_CP.jpg Foto: Gilberto Gil, Manuel Castells, eu e Cláudio Prado no Fórum Social Mundial 2005

Eu conheci pessoalmente o Gil "Ministro" em 2003 e conheci mais profundamente o Gil "intelectual" e "ativista" no V Fórum Social Mundial em Porto Alegre onde organizamos um grande debate e muitas atividades paralelas. Posteriormente tivemos alguns encontros e armações conjuntas em outras partes do mundo e ele sempre demonstrou um compromisso político e ético de tocar, com toda energia que o caracteriza, os temas do software livre, da cultura livre e de questionar a chamada propriedade intelectual caduca.

Acompanhei diálogos e atuações de Gil com Richard Satallman - hacker criador do movimento software livre - , acompanhei papos com Manuel Castells (no Brasil e Barcelona) e papos com tantos outros que estudam e vivem intensamente as novas práticas sociais criadas pela Internet e suas conseqüências. Vi ele ser ouvido por ter o que falar, por sacar o que tá acontecendo, elaborar sobre o tema e ser uma referência pros caras.

Qualquer brasileiro deveria ficar orgulhoso de ter um ex-Ministro deste gabarito e "fora do comum" em relação ao perfil burocrático dos Ministros convencionais. Em todo mundo, integrantes das comunidades da Internet, do Software Livre e da Cultura livre sempre me falavam com admiração, e uma certa inveja, pelo fato de termos Gil de Ministro e comparando com os burocratas conservadores de seus países.

Respeito sua decisão pessoal e ao mesmo tempo sinto que ele esteja deixando o Ministério com uma grande obra realizada e uma maior ainda por realizar.

Mas respeito os desejos do seu coração...afinal ele é artista...

O MINC, liderado pelo Ministro e artista Gilberto Gil, desenvolveu programas e ações públicas de estímulo e experimentação das formas criativas proporcionadas a partir das novas possibilidades criadas pela revolução digital. Esta iniciativa do poder público está fortemente enraizada nas bases da sociedade civil de internautas brasileiros e tem sido o norte dos programas de inclusão digital liderados pelo MINC.

Os Pontos de Cultura do programa Cultura Viva, são um bom exemplo de como se estabelece uma relação de apropriação das tecnologias e do controle do processo num programa, inicialmente governamental, mas que vem estimulando e transferindo a cada dia que passa uma maior autonomia para os gestores sociais que transformaram o programa em um projeto da sociedade.

Além de estimular as novas práticas criativas, o programa questiona e abriu um debate nacional e internacional sobre o atual ordenamento jurídico da gestão autoral, copyright e da chamada propriedade intelectual. Questiona e afirma, na prática, que o atual ordenamento jurídico internacional está ultrapassado. Defende que temos que construir, com muito debate, um novo marco legal – moderno e democrático – que incorpore estas novas práticas de forma afirmativa. Acredita que esta é uma grande oportunidade para o Brasil, na perspectiva de que este novo ordenamento jurídico atue a como motor do processo criativo e da inovação tecnológica e não como um freio, um bloqueio ou como algo considerado criminoso.

Este exitoso programa e o apoio social que ele vem ganhando junto à sociedade e as demais práticas inovadoras do MINC na gestão Gilberto Gil esperam, com grande expectativa, uma continuidade e aprofundamento.

Na contramão de tudo isso o projeto de Cibercrimes, recentemente aprovado pelo Senado, se choca com todas estas iniciativas porque algumas práticas e idéias estimuladas pelo Gilberto Gil e pelo MINC estariam sendo contidas, reprimidas ou colocadas na ilegalidade penal pelo Projeto do senador Eduardo Azeredo. A aprovação da lei dos cibercrimes, em pleno mandato do Presidente Lula e do ex-Ministro Gilberto Gil, trariam também um grande desgaste político internacional para o Brasil e para as propostas defendidas pelo MINC e pelo próprio ministro Gil. Os milhares de agentes sociais dos pontos de cultura estão profundamente contra a aprovação da lei dos cibercrimes e são lideranças importantes da resistência que se manifesta através da rede.

Gilberto Gil, como Ministro e intelectual, tem contribuído no time dos grandes pensadores mundiais sobre este tema e colocado nosso País em destaque neste debate, como uma referência positiva e moderna.

Que o Gil "artista" continue sendo político, falando de política, falando de software livre, cultura livre...cantando "máquina de ritmo"...

...até a próxima armação.

Gil no Estadão: 'Sou hacker. Um ministro hacker’

Hacker não é Cracker (ver a diferença)
Fonte: /bin/view/Blogs/BlogPostMarceloBranco20080808123023

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