Vicente Aguiar: O mundo da Virtualidade Real

13 de Abril de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Em 2005, desnudando uma nova realidade social embrionária, Manuel Castells escreve sobre a "Cultura da Virtualidade Real", num dos mais interessantes capítulos da sua grande obra "A Sociedade em Rede". Confesso que, logo que li o livro, passei desapercebido sobre a relevância dessa questão. Porém, quando voltei para universidade para fazer doutorado, li sua palestra sobre “Redes sociais e transformação da sociedade”, eu pude perceber o quanto esse conceito é muito relevante ainda hoje, pois...      


"(…) Havia gente que dizia que a internet era um lugar alienante, onde as pessoas se ilhavam, mas, pelo contrário, onde há sociabilidade é na internet. Onde há cada vez menos sociabilidade é na vida física individual, porque as pessoas só correm, não têm tempo para nada. Há uma cultura individualista de competição no trabalho e na vida familiar, e onde as pessoas realmente se articulam socialmente é na internet e, a partir daí, desenvolvem sua própria vida. Passamos não ao mundo virtual, mas ao mundo do que chamo de virtualidade real. Não da realidade virtual, mas da virtualidade real.

A virtualidade é uma dimensão básica de nossa realidade, e é nesta articulação que se constrói nossa sociedade. E se constrói autonomamente. As pessoas constroem suas próprias redes sociais. Na internet, constroem seus próprios processos de ativação política e profissional. Não é um lugar para somente chat-chat. As redes sociais são para todos: para o profissional, político, intelectual, cientistas, acadêmicos. É aí que se as pessoas se expressam e articulam suas próprias relações." 1


1 Manuel Castells, em sua palestra “Redes sociais e transformação da sociedade”, proferida no Centro Ruth Cardoso em 16 de setembro de 2010.



Jonh Wendell: Shell script that updates itself

9 de Abril de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Recently I needed to write a shell script that updates itself, and, surprising, I found it an easy job to do. I will share the recipe here.

In my use case, I’m developing a kind of software updater and, before updating the system packages, I need to check if there is a new version of this software updater. If there is, then I update myself and run my new copy on-the-fly.

Enough talk, show me the code. I’ll paste here a simple shell script that talks by itself:

#!/bin/sh

SCRIPT_NAME="$0"
ARGS="$@"
NEW_FILE="/tmp/blog.sh"
VERSION="1.0"

check_upgrade () {

  # check if there is a new version of this file
  # here, hypothetically we check if a file exists in the disk.
  # it could be an apt/yum check or whatever...
  [ -f "$NEW_FILE" ] && {

    # install a new version of this file or package
    # again, in this example, this is done by just copying the new file
    echo "Found a new version of me, updating myself..."
    cp "$NEW_FILE" "$SCRIPT_NAME"
    rm -f "$NEW_FILE"

    # note that at this point this file was overwritten in the disk
    # now run this very own file, in its new version!
    echo "Running the new version..."
    $SCRIPT_NAME $ARGS

    # now exit this old instance
    exit 0
  }

  echo "I'm VERSION $VERSION, already the latest version."
}

main () {
  # main script stuff
  echo "Hello World! I'm the version $VERSION of the script"
}

check_upgrade
main

To try this script:
1) save it somewhere
2) save a copy of it at /tmp/blog.sh (as pointed at line 5)
3) modify the variable “VERSION” (line 6) of that copy, to, say, “2.0″.
4) run the original script (not the one at /tmp)

You will see that the script updated itself and ran the “new” 2.0 version.

Try running again the original script (step 4 above). See the difference? It doesn’t update itself anymore, because it is the “latest” version.

A small thing you might notice: at line 19, I deleted the “new file”. That’s merely for this educational example, that we check if there’s a new version of the script by just checking if a file exists in the disk. On real life (with apt/yum or any smarter process) this is not needed as our check for a new version (line 13) will naturally fail.

This was tested with bash, dash and busybox’s ash. Worked fine.

I hope it’s useful to someone. Comments are welcome!



Og Maciel: Castálio Podcast: Everaldo Canuto: Toca do Canuto

19 de Março de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

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Eu conheci o Everaldo em uma tarde super calorenta durante a abertura do evento GUADEC nas Ilhas Canárias. O mais interessante foi que não demorou mais que um dia para que nossa amizade se tornasse igual aquelas amizades que fazemos quando criança… aquelas pessoas que não importa o tempo ou a distância, você sempre fica feliz de encontrar e bater um papo!

O Everaldo teve uma das oportunidades que eu sempre sonhei em ter: trabalhar lado a lado com o Miguel de Icaza, um dos fundadores do Projeto GNOME, figura quase que mitológica do mundo do software livre e hoje empresário com várias companhias de sucesso em seu histórico! Ele também trabalhava com a tecnologia .NET numa época quando qualquer coisa que fosse remotamente relacianada à Microsoft era motivo para perseguição e “trollage” pelos apoiadores mais zelosos do Linux. Durante grande parte de nosso bate-papo, conversamos sobre como que ele foi parar na Novell trabalhando para a equipe do Miguel, como era o dia-a-dia lidando com o sentimento anti- Microsoft, quais tecnologias ele recomenda para quem está começando a trabalhar na área de TI, o “problema” do Java, e sobre seu mais novo projeto,Toca do Canuto.

Assista o vídeo da entrevista aara ver a nossa conversa na íntegra, sem edição e escutar algumas coisas que não foram incluídas no podcast.

Escute agora: [MP3] [Ogg] [AAC] [Youtube]



Og Maciel: Castálio Podcast: Alexandre Gaigalas: Yahoo

3 de Março de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

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Seja bem-vindo à mais um episódio, desta vez com o Alexandre Gaigalas que trabalha como engenheiro de software da Yahoo no Brasil! Durante nosso bate-papo conversamos sobre o que ele faz na Yahoo, em quais projetos que trabalha, e acabei descobrindo que ele é mais um exemplo de uma pessoa que teve seu trabalho perante uma comunidade de software livre reconhecido, levando-o a ser indicado para trabalhar em uma companhia de nome! Conversamos sobre o recente anúncio que a CEO Marissa Mayer fez, declatando que não se poderá mais trabalhar remotamente na Yahoo, sobre o efeito que isso teve na moral dos empregados, e como que a sua vinda está transformando a companhia em uma empresa mais moderna e com mais atenção à qualidade de seus produtos e bem-estar de seus empregados.

Mais uma coisa bacana que aconteceu durante a gravação foi um commit que o Alexandre fez ao-vivo para o código do Respect Doc em homenagem ao podcast! :)

Também falamos de programação RESTfulweb semântica, o Respect Project e seu Top 5!

Escute agora: [MP3] [Ogg] [AAC] [Youtube]



Gustavo Noronha (kov): Discussões sobre a Petrobrás

25 de Fevereiro de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Assim que a Petrobrás divulgou os resultados do ano calendário de 2012 houve um sem número de controvérsias a respeito. Eu participei de algumas discussões e fiquei animado pra escrever um post explicando de forma mais detida minhas opiniões a respeito. Vou tentar abordar cada um dos argumentos usados nas discussões de que participei.

Está tudo bem, compre Petrobrás!

Vou começar tratando de um post do Paulo Henrique Amorim. O teor do post pode ser dividido em 2 partes: a primeira parte é uma nota oficial da Petrobrás em que ela diz o seguinte:

Em 2012, o lucro líquido foi 36% inferior ao apurado em 2011, refletindo os efeitos da depreciação cambial, maior participação de derivados importados no volume de vendas e aumento das despesas operacionais com maiores baixas de poços secos e subcomerciais;A segunda parte é um comentário feito pelo jornalista em que ele dá a entender que os jornais O Globo, Folha e Estadão deram um viés de má notícia em suas manchetes (que focam na queda de lucro recorde), enquanto a “publicação especializada” InfoMoney dá uma manchete que cita o valor auferido em lucros e indicando que o lucro superou as estimativas. Ele termina sugerindo ao leitor que compre ações da Petrobrás.

Eu considero esse post do Paulo Henrique Amorim uma tentativa pífia de dar um giro positivo numa notícia que não tem nada de positiva. O fato é que o lucro da Petrobrás caiu em 36% – mais que um terço! – em relação a 2011. As expectativas em relação ao lucro da Petrobrás estavam baixas por várias razões (algumas até listadas no texto da Petrobrás, acima) e o fato de o lucro ter superado essas expectativas não ajuda muito.

Valor das ações da Petrobrás de 2008 a início de 2013

As expectativas em relação à saúde financeira da Petrobrás e ao nível de interferência política sofrida pela empresa não é coisa nova. A Petrobrás perdeu mais de 66% do seu valor de mercado desde 2008, como se pode ver no gráfico acima, obtido no Yahoo! Finance. Isso significa que alguém que comprou 100 reais em ações da Petrobrás em 2008 hoje não vende as mesmas ações por mais do que 34 reais. Faz sentido, então, recomendar a compra, como fez PHA? Antes, vamos tentar entender as razões por trás da queda.

E por quê essa perda gigantesca?

As intervenções do governo e as mágicas fiscais

Em 2010 a Petrobrás fez o que o ex-presidente Lula chamou (com razão) de a maior capitalização da história do capitalismo mundial. O que foi isso? A Petrobrás precisava de dinheiro em caixa pra fazer investimentos na extração do pré-sal. Para conseguir esse dinheiro, a Petrobrás aumentou o número de ações que a compõe e as ofereceu na bolsa. Trabalhadores brasileiros puderam usar o dinheiro do FGTS para adquirir ações – e muitos fizeram isso!

Como parte do processo a União fez o que se chamou de cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo que se encontravam em lotes do pré-sal. O petróleo que está em território brasileiro é do Estado brasileiro, para que seja extraído de lá e usado comercialmente, a União faz leilões de concessão. Na capitalização a União concedeu, com antecedência, à Petrobrás os direitos sobre esses 5 bilhões de barris e ganhou, em troca, R$ 74,8 bilhões. Desses, R$ 42,9 bilhões foram usados para compra de ações da capitalização da Petrobrás, aumentando a participação da União na empresa. Note que até hoje esses barris estão lá embaixo da terra. O que foi feito foi uma transação sobre direitos futuros.

Com que propósito isso foi feito? Em primeiro lugar para viabilizar a capitalização, claro, mas em segundo lugar, esses bilhões foram usados para fazer o superávit primário de 2010. Esse é um dos exemplos de como o governo tem usado a Petrobrás politicamente, para fingir que cumpre as metas que define para si mesmo. Esse foi um dos fatores que levaram as ações da Petrobrás a continuarem em queda, mesmo depois de ter feito a maior capitalização da história. Vamos falar de outra: o subsídio à gasolina.

O subsídio à gasolina

Outra das razões para a queda do valor de mercado está na nota da Petrobrás citada acima: “maior participação de derivados importados no volume de vendas”. Em 2006, ano eleitoral, Lula foi a um campo de exploração de petróleo da Petrobrás pintar as mãos de preto e anunciar a nossa auto-suficiência em petróleo. Os mais atentos também devem se lembrar de como Lula fazia discursos ufanistas quando falava do etanol brasileiro, de como era o mais eficiente do mundo e coisa e tal.

Acontece que demanda por combustíveis aumentou consideravelmente desde então, em parte impulsionada pelo subsídio dado pelo governo para venda de automóveis, através da redução do IPI, e o setor produtivo brasileiro simplesmente não teve condições de atender à demanda. Resultado: milhões e milhões de barris importados tanto de etanol quanto de gasolina. A auto-suficiência durou bem pouco.

Por si só, o fato de termos que importar etanol e gasolina não seria tão problemático. Acontece que o governo, através da Petrobrás, adotou uma postura de não repassar ao preço local da gasolina os ajustes sofridos pelo preço do petróleo no mercado internacional. Essa postura funcionava quando a auto-suficiência em petróleo era um fato, mas a partir do momento em que nós começamos a importar, a Petrobrás estava pagando muito mais pela gasolina que comprava do que cobrava pela gasolina que vendia, o que levou a uma situação inusitada: quanto mais gasolina vende, mais a Petrobrás perde dinheiro! Como pode ser visto no post linkado, calcula-se que depois do reajuste da gasolina dado no começo de 2013 a Petrobrás está perdendo 1,2 bilhões de reais por mês. Essa é nossa situação atual.

Mas o subsídio à gasolina é do interesse nacional!

Assumindo que faça sentido a Petrobrás destruir sua saúde financeira para estabelecer um subsídio de interesse do país (falo disso mais adiante), resta somente a questão de se é interesse do país o subsídio à gasolina. Será que é? Eu acho difícil decidir sobre uma coisa complexa dessas assim de supetão; Uma das questões que servem como base pra essa é se é do interesse do país o subsídio ao IPI, dado anteriormente, e que levou à alta da demanda.

A redução de IPI para automóveis foi uma medida adotada pelo governo para aquecer a economia e impedir que a crise de 2008 nos atinge com mais força, reduzindo o emprego e a renda. É louvável essa tentativa, mas por quê a indústria automobilística? Uma das razões é possivelmente que essa é uma indústria que emprega muito e que tradicionalmente trabalhou com o governo para evitar reduções de postos de trabalho. OK, até aqui tudo bem. Mas será que não existem diversas outras indústrias que poderiam absorver os trabalhadores que perdessem o emprego nas montadoras? Quem dirá os serviços e indústrias de suporte que certamente surgirão em volta de empreendimentos desse porte?

Além de pensar sobre isso, temos que pensar também nos outros resultados que advem de uma política dessas. Uma delas é óbvia: a quantidade de carros nas cidades aumentou vertiginosamente, aumentando a poluição e os engarrafamentos. Essas são o que a economia chama de externalidades negativas. Imagine se ao invés de incentivar a compra de carros o governo federal tivesse iniciado investimentos consistentes em obras de mobilidade urbana em todo o território brasileiro. Canteiros de obra para metrôs, BRTs, trens poderiam não só absorver os trabalhadores que eventualmente fossem demitidos nas montadoras, mas gerariam uma externalidade positiva significativa. Melhoria na qualidade de vida das pessoas.

Do meu ponto de vista, o incentivo à compra de carros foi um erro. Mas suponhamos que tenha sido uma boa ideia. Voltemos à questão do subsídio à gasolina: o subsídio vem da Petrobrás, que é uma empresa de capital misto, o que significa que parte dela é do Estado brasileiro, parte de entes privados e indivíduos. Por isso mesmo, parte do dinheiro investido nesse subsídio é público. Ou seja, é dinheiro da pessoa pobre que recebe Bolsa Família, meu e seu.

Faz sentido usar esse dinheiro para beneficiar quem usa carros a gasolina? Eu consigo ver o benefício pra mim, que tenho carro e uso gasolina, mas que benefício à sociedade esse subsídio dá, que justifique usar dinheiro da pessoa pobre que recebe Bolsa Família pra me ajudar? Os argumentos que eu ouvi são de que um aumento na gasolina acarreta aumento de custo e portanto um aumento de preços em cascata no resto da cadeia produtiva. Será? Caminhões e ônibus usam diesel, por exemplo, então não vejo como o custo de transporte de cargas e passageiros seria afetado. Quem tiver alguma ideia, poste aí nos comentários.

A Petrobrás é uma empresa estatal/pública e portanto tem o dever de proteger os interesses nacionais!

Eu argumentei antes que o subsídio à gasolina não é necessariamente do interesse nacional. Acho o mesmo quando se trata de usar mágica contábil… mas vamos supor que fossem interesses nacionais. A Petrobrás tem o dever de protegê-los? Gostaria de voltar à questão da capitalização. Os mais atentos lembrarão que a Petrobrás é uma empresa de capital misto, ou seja, a União é um dos acionistas, mas há outros. Quem são esses outros? Grandes capitalistas que especulam na bolsa? Certamente há. Mas os mais atentos lembrarão que também há inúmeros trabalhadores, que usaram seu rico dinheirinho do FGTS para comprar ações da capitalização. São mais de 70 mil trabalhadores que tem mais de 2 bilhões aplicados na oferta original em 2000 ou na capitalização de 2010. Sem contar investidores individuais, que podemos ser eu e você. Quem comprou 100 reais em ações em 2010 hoje vende por 70. E não há sinal de que a trajetória de queda vai mudar.

É justo a Petrobrás tocar o foda-se para União, trabalhadores e outros acionistas e perseguir o que alguém tirou do Cadastro Único ser do interesse nacional? Eu diria que não. Se for o caso, e acho que, como qualquer outra política pública, o mérito dessa tem sim que ser avaliado, o ideal é fechar o capital da empresa, ou seja, tirá-la da bolsa de valores e trazer o orçamento da empresa pra dentro do orçamento geral da União. Por quê? Porque se vamos usar dinheiro público para fazer subsídio de interesse nacional é essencial que fique claro e transparente para todos que esse subsídio é feito ao invés de outros investimentos. O dinheiro que iria para subsidiar a gasolina poderia talvez ser melhor gasto na educação, por que não?

Conclusão

Respondendo à pergunta original: e aí, faz sentido recomendar a compra de Petrobrás? Do jeito que a coisa está hoje, não acho que faça sentido. É necessário que a empresa e o governo demonstrem que a Petrobrás será gerida como uma empresa séria de novo antes que seja possível confiar nela. Mas eu sou otimista e acho que a Graça Foster foi colocada lá com essa condição: de que ela poderia colocar a empresa nos trilhos. O aumento da gasolina do começo de 2013, apesar de não acabar com a defasagem do preço, é um passo na direção certa. Se você acredita que as intervenções políticas vão acabar e que a empresa vai parar de tomar decisões estúpidas como a de subsidiar a gasolina, compre. Se não acha, não faz sentido comprar.

Atualização (3 de março de 2013)

Só no primeiro bimestre de 2013 o valor de mercado da Petrobrás caiu mais do que em todo o ano de 2012. O aumento insuficiente para corrigir a distorção do preço da gasolina é uma provável explicação.



Gustavo Noronha (kov)

25 de Fevereiro de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Assim que a Petrobrás divulgou os resultados do ano calendário de 2012 houve um sem número de controvérsias a respeito. Eu participei de algumas discussões e fiquei animado pra escrever um post explicando de forma mais detida minhas opiniões a respeito. Vou tentar abordar cada um dos argumentos usados nas discussões de que participei.

Está tudo bem, compre Petrobrás!

Vou começar tratando de um post do Paulo Henrique Amorim. O teor do post pode ser dividido em 2 partes: a primeira parte é uma nota oficial da Petrobrás em que ela diz o seguinte:

Em 2012, o lucro líquido foi 36% inferior ao apurado em 2011, refletindo os efeitos da depreciação cambial, maior participação de derivados importados no volume de vendas e aumento das despesas operacionais com maiores baixas de poços secos e subcomerciais;A segunda parte é um comentário feito pelo jornalista em que ele dá a entender que os jornais O Globo, Folha e Estadão deram um viés de má notícia em suas manchetes (que focam na queda de lucro recorde), enquanto a “publicação especializada” InfoMoney dá uma manchete que cita o valor auferido em lucros e indicando que o lucro superou as estimativas. Ele termina sugerindo ao leitor que compre ações da Petrobrás.

Eu considero esse post do Paulo Henrique Amorim uma tentativa pífia de dar um giro positivo numa notícia que não tem nada de positiva. O fato é que o lucro da Petrobrás caiu em 36% – mais que um terço! – em relação a 2011. As expectativas em relação ao lucro da Petrobrás estavam baixas por várias razões (algumas até listadas no texto da Petrobrás, acima) e o fato de o lucro ter superado essas expectativas não ajuda muito.

Valor das ações da Petrobrás de 2008 a início de 2013

As expectativas em relação à saúde financeira da Petrobrás e ao nível de interferência política sofrida pela empresa não é coisa nova. A Petrobrás perdeu mais de 66% do seu valor de mercado desde 2008, como se pode ver no gráfico acima, obtido no Yahoo! Finance. Isso significa que alguém que comprou 100 reais em ações da Petrobrás em 2008 hoje não vende as mesmas ações por mais do que 34 reais. Faz sentido, então, recomendar a compra, como fez PHA? Antes, vamos tentar entender as razões por trás da queda.

E por quê essa perda gigantesca?

As intervenções do governo e as mágicas fiscais

Em 2010 a Petrobrás fez o que o ex-presidente Lula chamou (com razão) de a maior capitalização da história do capitalismo mundial. O que foi isso? A Petrobrás precisava de dinheiro em caixa pra fazer investimentos na extração do pré-sal. Para conseguir esse dinheiro, a Petrobrás aumentou o número de ações que a compõe e as ofereceu na bolsa. Trabalhadores brasileiros puderam usar o dinheiro do FGTS para adquirir ações – e muitos fizeram isso!

Como parte do processo a União fez o que se chamou de cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo que se encontravam em lotes do pré-sal. O petróleo que está em território brasileiro é do Estado brasileiro, para que seja extraído de lá e usado comercialmente, a União faz leilões de concessão. Na capitalização a União concedeu, com antecedência, à Petrobrás os direitos sobre esses 5 bilhões de barris e ganhou, em troca, R$ 74,8 bilhões. Desses, R$ 42,9 bilhões foram usados para compra de ações da capitalização da Petrobrás, aumentando a participação da União na empresa. Note que até hoje esses barris estão lá embaixo da terra. O que foi feito foi uma transação sobre direitos futuros.

Com que propósito isso foi feito? Em primeiro lugar para viabilizar a capitalização, claro, mas em segundo lugar, esses bilhões foram usados para fazer o superávit primário de 2010. Esse é um dos exemplos de como o governo tem usado a Petrobrás politicamente, para fingir que cumpre as metas que define para si mesmo. Esse foi um dos fatores que levaram as ações da Petrobrás a continuarem em queda, mesmo depois de ter feito a maior capitalização da história. Vamos falar de outra: o subsídio à gasolina.

O subsídio à gasolina

Outra das razões para a queda do valor de mercado está na nota da Petrobrás citada acima: “maior participação de derivados importados no volume de vendas”. Em 2006, ano eleitoral, Lula foi a um campo de exploração de petróleo da Petrobrás pintar as mãos de preto e anunciar a nossa auto-suficiência em petróleo. Os mais atentos também devem se lembrar de como Lula fazia discursos ufanistas quando falava do etanol brasileiro, de como era o mais eficiente do mundo e coisa e tal.

Acontece que demanda por combustíveis aumentou consideravelmente desde então, em parte impulsionada pelo subsídio dado pelo governo para venda de automóveis, através da redução do IPI, e o setor produtivo brasileiro simplesmente não teve condições de atender à demanda. Resultado: milhões e milhões de barris importados tanto de etanol quanto de gasolina. A auto-suficiência durou bem pouco.

Por si só, o fato de termos que importar etanol e gasolina não seria tão problemático. Acontece que o governo, através da Petrobrás, adotou uma postura de não repassar ao preço local da gasolina os ajustes sofridos pelo preço do petróleo no mercado internacional. Essa postura funcionava quando a auto-suficiência em petróleo era um fato, mas a partir do momento em que nós começamos a importar, a Petrobrás estava pagando muito mais pela gasolina que comprava do que cobrava pela gasolina que vendia, o que levou a uma situação inusitada: quanto mais gasolina vende, mais a Petrobrás perde dinheiro! Como pode ser visto no post linkado, calcula-se que depois do reajuste da gasolina dado no começo de 2013 a Petrobrás está perdendo 1,2 bilhões de reais por mês. Essa é nossa situação atual.

Mas o subsídio à gasolina é do interesse nacional!

Assumindo que faça sentido a Petrobrás destruir sua saúde financeira para estabelecer um subsídio de interesse do país (falo disso mais adiante), resta somente a questão de se é interesse do país o subsídio à gasolina. Será que é? Eu acho difícil decidir sobre uma coisa complexa dessas assim de supetão; Uma das questões que servem como base pra essa é se é do interesse do país o subsídio ao IPI, dado anteriormente, e que levou à alta da demanda.

A redução de IPI para automóveis foi uma medida adotada pelo governo para aquecer a economia e impedir que a crise de 2008 nos atinge com mais força, reduzindo o emprego e a renda. É louvável essa tentativa, mas por quê a indústria automobilística? Uma das razões é possivelmente que essa é uma indústria que emprega muito e que tradicionalmente trabalhou com o governo para evitar reduções de postos de trabalho. OK, até aqui tudo bem. Mas será que não existem diversas outras indústrias que poderiam absorver os trabalhadores que perdessem o emprego nas montadoras?

Além de pensar sobre isso, temos que pensar também nos outros resultados que advem de uma política dessas. Uma delas é óbvia: a quantidade de carros nas cidades aumentou vertiginosamente, aumentando a poluição e os engarrafamentos. Essas são o que a economia chama de externalidades negativas. Imagine se ao invés de incentivar a compra de carros o governo federal tivesse iniciado investimentos consistentes em obras de mobilidade urbana em todo o território brasileiro. Canteiros de obra para metrôs, BRTs, trens poderiam não só absorver os trabalhadores que eventualmente fossem demitidos nas montadoras, mas gerariam uma externalidade positiva significativa. Melhoria na qualidade de vida das pessoas.

Do meu ponto de vista, o incentivo à compra de carros foi um erro. Mas suponhamos que tenha sido uma boa ideia. Voltemos à questão do subsídio à gasolina: o subsídio vem da Petrobrás, que é uma empresa de capital misto, o que significa que parte dela é do Estado brasileiro, parte de entes privados e indivíduos. Por isso mesmo, parte do dinheiro investido nesse subsídio é público. Ou seja, é dinheiro da pessoa pobre que recebe Bolsa Família, meu e seu.

Faz sentido usar esse dinheiro para beneficiar quem usa carros a gasolina? Eu consigo ver o benefício pra mim, que tenho carro e uso gasolina, mas que benefício à sociedade esse subsídio dá, que justifique usar dinheiro da pessoa pobre que recebe Bolsa Família pra me ajudar? Os argumentos que eu ouvi são de que um aumento na gasolina acarreta aumento de custo e portanto um aumento de preços em cascata no resto da cadeia produtiva. Será? Caminhões e ônibus usam diesel, por exemplo, então não vejo como o custo de transporte de cargas e passageiros seria afetado. Quem tiver alguma ideia, poste aí nos comentários.

A Petrobrás é uma empresa estatal/pública e portanto tem o dever de proteger os interesses nacionais!

Eu argumentei antes que o subsídio à gasolina não é necessariamente do interesse nacional. Acho o mesmo quando se trata de usar mágica contábil… mas vamos supor que fossem interesses nacionais. A Petrobrás tem o dever de protegê-los? Gostaria de voltar à questão da capitalização. Os mais atentos lembrarão que a Petrobrás é uma empresa de capital misto, ou seja, a União é um dos acionistas, mas há outros. Quem são esses outros? Grandes capitalistas que especulam na bolsa? Certamente há. Mas os mais atentos lembrarão que também há inúmeros trabalhadores, que usaram seu rico dinheirinho do FGTS para comprar ações da capitalização. São mais de 70 mil trabalhadores que tem mais de 2 bilhões aplicados na oferta original em 2000 ou na capitalização de 2010. Sem contar investidores individuais, que podemos ser eu e você. Quem comprou 100 reais em ações em 2010 hoje vende por 70. E não há sinal de que a trajetória de queda vai mudar.

É justo a Petrobrás tocar o foda-se para União, trabalhadores e outros acionistas e perseguir o que alguém tirou do Cadastro Único ser do interesse nacional? Eu diria que não. Se for o caso, e acho que, como qualquer outra política pública, o mérito dessa tem sim que ser avaliado, o ideal é fechar a empresa, tirá-la da bolsa de valores e trazer o orçamento da empresa pra dentro do orçamento geral da União. Por quê? Porque se vamos usar dinheiro público para fazer subsídio de interesse nacional é essencial que fique claro e transparente para todos que esse subsídio é feito ao invés de outros investimentos. O dinheiro que iria para subsidiar a gasolina poderia talvez ser melhor gasto na educação, por que não?

Conclusão

Respondendo à pergunta original: e aí, faz sentido recomendar a compra de Petrobrás? Do jeito que a coisa está hoje, não acho que faça sentido. É necessário que a empresa e o governo demonstrem que a Petrobrás será gerida como uma empresa séria de novo antes que seja possível confiar nela. Mas eu sou otimista e acho que a Graça Foster foi colocada lá com essa condição: de que ela poderia colocar a empresa nos trilhos. O aumento da gasolina do começo de 2013, apesar de não acabar com a defasagem do preço, é um passo na direção certa. Se você acredita que as intervenções políticas vão acabar e que a empresa vai parar de tomar decisões estúpidas como a de subsidiar a gasolina, compre. Se não acha, não faz sentido comprar.



Lucas Rocha: UI improvements in Firefox for Android

25 de Fevereiro de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Now that we’ve landed all the major changes for our next UI iteration, it’s probably a good time to spread the word about it and get some more feedback.

The goals with these changes are: keeping a clear distinction between different types of tabs; making better use of the screen real estate on different form-factors and orientations; and being more compliant with Android’s design language. So, what’s new?

Tab types

With the introduction of private browsing support in Firefox 21—now in Aurora—came the need for a clear distinction between regular and private tabs. We’ve done two UI changes to accomplish that.

First of all, the tabs tray is now divided into sections for each type of tab—regular, private, and remote—so that you always keep things separate and organized. Furthermore, once you select a private tab, the main toolbar becomes dark as a clear sign that you’re in a different browsing mode.

Two-way tabs tray

We now use a horizontal scrolling tabs tray whenever it improves our use of the screen space. This is achieved with a TwoWayViewannounced a few days ago.

On phones, the tabs tray is vertical in portrait mode and horizontal in landscape mode. On tablets, the tabs tray is a vertical scrolling side bar in landscape mode and a horizontal strip in portrait mode. Small tablets (7″ or so) now share the exact same tabs UI than large tablets.

Holo-ish

The Firefox UX team has been working on streamlining the Firefox UI across all platforms—both on desktop and mobile. The idea is that Firefox should feel like the same product wherever you use it. Finding the right balance between cross-platform design consistency and native platform compliance can be tricky but I think we’re getting there.

We’ve recently landed a new skin for Firefox for Android that is more aligned with Android’s Holo design language. Almost all textures and gradients were replaced by flat colors giving a much lighter feel to the browser. I love it!

All these UI changes are now available in the Nightly build. Give it a try and let us know what you think—ideally in form of bug reports!



Lucas Rocha: Introducing TwoWayView

21 de Fevereiro de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

We’ve been working hard on a new iteration of the tabs UI for Firefox for Android. The new UI includes a horizontal scrolling tabs tray to make better use of the screen real estate on phones and tablets in different orientations.

Unfortunately, the Android platform doesn’t provide any AdapterView with horizontal scrolling support nor could I find any non-naive open source implementation out there.  Enter TwoWayView.

TwoWayView is an AdapterView that can be scrolled either vertically or horizontally. Just set the orientation of the view and it will do the right thing for you. In its current state, it supports all the usual AdapterView APIs (selection handling, adapter, item click and long click listener, etc), view recycling, list selector, choice mode (single and multiple), edge glow, and scrollbars. Have a look at the sample app to see it in action.

The code is based on various bits and pieces of Android’s AdapterView, AbsListView, and ListView. It uses the necessary wrappers from Android’s Support Library in order to keep backwards compatibility.

The big missing features right now are focus handling, keyboard navigation, and accessibility. I’ll be working on those in the next few weeks besides all the necessary bug fixes—I don’t recommend using TwoWayView on production code just yet.

For now, feedback, bug reports, and patches are very welcome! Enjoy!



Vicente Aguiar: PNUD abre dados de mais de seis mil projetos usando plataforma livre

19 de Fevereiro de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou, no final de 2012, uma plataforma digital que permite o acesso público a dados de projetos em 177 países e territórios, com o compromisso de transparência total até 2013, em conformidade e até além de padrões internacionais.

“A transparência é uma prioridade para o PNUD, além de ser um elemento fundamental para a manutenção da confiança depositada em nós pelo público em geral e por nossos parceiros. Este portal on-line permite acompanhar as doações e ajuda nossos parceiros a gerenciar de maneira mais efetiva seus recursos”, disse Helen Clark, diretora mundial do PNUD.

“Estamos comprometidos em trabalhar de forma transparente e vamos continuar aumentando a quantidade, qualidade e intemporalidade de nossos relatórios para que nossos parceiros possam monitorar seus investimentos no combate à pobreza, no apoio ao desenvolvimento humano e nos processos que asseguram um futuro sustentável para todos”, disse. O novo portal, open.undp.org, possui ampla gama de informações programáticas – desde receita e gastos até atividades e resultados – sobre mais de 6 mil projetos do PNUD em andamento pelo mundo, assim como aqueles que foram encerrados financeiramente em 2011, além de mais de 8 mil produtos e resultados.

Para publicação  dos dados no mapa, o portal utilizou a plataforma livre Open Streat Map (no lugar do Google Mpas) por meio do serviço MapBox. Além disso, todos os dados do portal podem ser usados por meio da licença Creative Commons’ Attribution License (CC-BY). Os usuários podem ordenar os projetos por área de atuação, fontes de financiamento e área geográfica para extrair dados detalhados sobre orçamentos, agências implementadoras e produtos esperados em áreas como governança e justiça, prevenção de crises e recuperação e meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

O PNUD, como membro fundador da IATI, assumiu o compromisso de adesão total aos padrões de transparência até 2013, garantindo a publicação de dados financeiros e informações de projetos da maneira mais transparente e acessível possível.


Fonte: http://www.pnud.org.br/Noticia.aspx?id=3682



Og Maciel: Castálio Podcast: Og Maciel: Red Hat

19 de Fevereiro de 2013, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

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Passados 51 episódios, neste último sábado o Castálio Podcast completou 2 anos! Foram muitas entrevistas super divertidas, animadas e prá lá de  interessantes com pessoas representando vários projetos e áreas de trabalho! Para comemorar, decidi atender aos pedidos de alguns ouvintes e fazer mais uma entrevista… comigo mesmo! A primeira vez foi quando ainda não havia um formato definido e, para falar a verdade, eu não pesava que ia conseguir levar o projeto para frente por tanto tempo.

Então eu pedi ao meu amigo KurtKraut (que também já foi entrevistado) para fazer as perguntas sobre os tópicos que não foram abordados na primeira vez, como sobre a origem do meu nome, como que vim parar nos Estados Unidos, sobre minha carreira na rPath e Red Hat, dentre outras coisas que somente um amigo de muitos anos saberia perguntar.

Espero que vocês gostem deste episódio, e espero poder celebrar com vocês mais um ano de entrevistas e bate-papo!

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