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Helio Costa - hlegius : Pulando para fora da caixa: a bicicleta como meio de transporte em São Paulo

30 de Agosto de 2014, 9:45 , por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Desde minha infância, quando eu pedalava tranquilamente pelas ruas dos bairros próximos, eu enxergava tudo aquilo como uma enorme aventura. Aventura não como alguns vêem atualmente pedalar hoje em São Paulo, mas uma aventura no sentido de conhecer novos lugares de uma forma mais plana.

Fora da Caixa

Quando comecei a trabalhar na cidade de São Paulo, comecei a perceber que havia pessoas que utilizavam bicicletas para fazer coisas úteis - Na minha infância, a causa mais nobre era eu ir buscar carne no açougue do bairro para minha mãe, veja só! - Tudo aquilo para mim era visto como impossível, pois ora, bicicleta no meio da rua, vê se pode uma coisa destas!?

Na época, eu até li sobre cicloativismo e tudo mais que acontecia em alguns sites e para ser bem honesto via aquilo com muito ceticismo, pois as ruas estavam cada vez mais violentas e no meu caso, por percorrer grandes quilômetros por dia, não via aquilo como algo viável e cheguei a questionar o uso da bicicleta na rua.

A mudança...

... pra São Paulo deu um novo start sobre o tema na minha cabeça. Obviamente, por ter se passado dois anos, era possível ver mais adultos com propósitos nobres pedalando suas bicicletas pelas ruas, vielas, becos e avenidas da cidade. Isso me fez lembrar da época em que eu utilizava a minha magrela para a Nobris Causa e pude começar a entender o que levara àquelas pessoas a se aventurar pelos caminhos de São Paulo.

Isso me fez lembrar de pessoas que não vão à padaria sem o carro (meu pai é um deles - literalmente) e analisando friamente, não faz sentido algum isso! Do ponto de vista da engenharia, o motor rodava 3 minutos e era desligado. Depois, mais 3 minutos e pronto. Isso é chamado de uso severo do motor, pois você nem consegue curtir um ar quente que vem do motor de tão rápido que era seu uso - pior: eu estava exatamente no mesmo cenário. Mercado? Carro; Padaria? Carro; Hospital? Claro, que de carro; Trabalho? Errr... o carro serve pra isso, oras!

O aplicativo que gerencia o carro era taxativo: média de 76km/dia com o carro incluindo finais de semana/feriados. O que para mim no começo era uma vitória, pois vinha de 115km/dia, passou a ser um tormento. Foi então que tomei a decisão: vou achar um bairro que tenha comércio próximo. Quero um bairro mais de velho - pois vou fazer as coisas a pé. Exatos dois meses depois, me mudei para um bairro plano, de velho que tem no raio de 800 metros: padaria, mercado, mercadinho, feira-livre(s), drogaria(s), brechó, barbeiro, bancos, escola, igreja (quermesse - hmmm!), ponto de ônibus, loja de roupa, loja de chinelo até uma Subway e Lojas Americanas!

A vida saltou de 76km/dia motorizados para: Ops, preciso ligar o motor do carro pois faz uma semana que não ligo ele, pobre coitado!

Na época, estava em homeoffice o que pode ser considerado uma desculpa para isto - até que:

Fim do homeoffice

Dadas minhas constraints (ser perto de casa, flexível, proposta adequada a minha linha de estudo/pesquisa), fechei contrato de trabalho na empresa cuja a sede (e local de trabalho) ficam a 7 km de casa. Perto? Aaaaah, mais ou menos. Meu limite eram 10km pelo menor caminho possível.

Ok, há uma estação de trem aproximadamente 1 km de casa e a empresa fica na mesma linha deste trem 6 estações depois da "minha". Mesmo assim, resolvi colocar meu segundo plano em ação: bicicleta como meio de transporte.

Bicicleteiro, bicicletista, bicicleísta, ...

Ciclista! Escolhi uma bicicleta urbana e confortável - como não andava há pelo menos 10 anos e o trajeto seguro de bicicleta são de aproximadamente 11 km, optei por uma elétrica (pedal assistido) - que em miúdos, pode aliviar a força necessária no pedal - mas não anda sozinha, afinal é uma bicicleta e não uma moto. O pode é simplesmente por haver a opção de pedalar com isso desativado.

Ciclocomputador

Um dos momentos que praticamente me escorreu uma lágrima foi quando comprei meu Ciclocomputador. CARA, era meu sonho ter um daqueles trequinhos que marcava sua velocidade. Eu nunca tive grana pra comprar um, mas vivia babando neles nas bicicletarias do bairro. Depois de mais de uma década, consegui ter um treco que marca a velocidade da bicicleta. Pode parecer tolo, mas toda minha infância veio em mente naquele momento.

Eu li e reli sobre regras de trânsito específicas para bicicletas, direitos, deveres e como elevar minha segurança na via. Item aliás muitíssimo importante antes de pedalar pelas ruas de uma cidade movimentada. Entender que andar na contra-mão é perigoso e que andar na calçada é totalmente errado por colocar em risco pedestres também fazem parte, por exemplo.

Mesmo sendo este meu sexto mês utilizando bicicleta como meio de transporte - não só para o trabalho, mas no geral, ainda assim consigo afirmar que a vida como ciclista em São Paulo tem melhorado desde quando comecei. Talvez pelas recentes ações da prefeitura e mais ainda pelo aumento do uso da bicicleta nas ruas. Vejo diariamente gente de todas idades/estilos pedalando bicicletas das mais variadas formas, tamanhos e modelos. Uma coisa que eu percebi de imediato foi meu humor. Depois, a percepção das coisas ao meu redor. Comecei a valorizar mais o comércio local e o de rua, evitando sair de uma caixa para entrar em outra (Shopping Center). Quando uso o carro, tornei-me mais paciente e gentil com todos no trânsito - não me tornei um semi-deus, apenas bem mais tranquilo. Falando em carro, utilizo-o quase toda semana quando vou ao interior do estado assistir aulas. Com isto, pude também perceber que andar de carro não é isso que as pessoas vivem aqui na cidade, mas sim, percorrer quase 300 km livre de trânsito curtindo paisagens diferentes, morros e colinas é tão proveitoso quanto andar 10 km de bicicleta na cidade.

Hater de carro ?

Muito pelo contrário. Quem me conhece, sabe o quanto gosto de engenharia, especialmente aeronáutica e automobilística. Leio, pesquiso e pratico coisas referentes à direção defensiva, mecânica e engenharia automobilística. Tenho minhas preferências é claro - o que aconteceu foi apenas uma nova percepção sobre o quão mal utilizamos o carro seguida pela minha decisão de utilizá-lo para uma causa nobre e não para ir e vir do trabalho/padaria.

É possível mesmo ?

Entenda que nada será mais cômodo do que sair da casa, ir na garagem coberta, entrar no carro, ligar o ar-condicionado, apertar dois ou três pedais, sair através de seu portão automático até a garagem do prédio onde trabalha, descer protegido do sol/chuva pela laje do estacionamento e entrar no lugar. Na bicicleta/transporte público/etc você não terá isso como vantagem. Os valores destes modais de transporte são outros e você precisa ter isso bem claro em tua mente se pretende adotá-la para algumas de suas tarefas.

Já fui e voltei para o trabalho de bicicleta debaixo de uma chuva torrencial. O meu tempo de ida e volta foi exatamente o mesmo de um dia sem chuva ou/e véspera de feriado ou/e invasão alienígena. Enquanto pessoas reclamavam de estar há 2 horas no trânsito eu já estava em casa, escrevendo isto :P

O tempo é um dos fatores. O outro é não se preocupar. A facilidade de locomover-se com a bicicleta é enorme, pois trata-se de um item leve, pequeno e dobrável (se a tua dobrar) - dá para estacionar em qualquer lugar que tenha onde prender e resolvido. Custo de manutenção é baixíssimo e você mesmo consegue aprender a resolver os itens mais corriqueiros.

Por fim, é importante lembrar que a bicicleta não é a solução de todos os problemas da galáxia. Ela é uma das opções viáveis para aqueles que estivem dispostos a utilizá-la. A grande mudança dar-se-á com a melhoria e expansão do transporte público, principalmente sob trilhos.

Continuará

Não vou me alongar com dicas, segurança, itens, modelos de bicicleta, etc, pois existem sites excelentes sobre o tema na internet a fora. Vou abordar sobre a ótica da vida sob duas rodas na cidade de São Paulo. Aos poucos, vou citar problemas/soluções que encontrei no caminho para tornar a locomoção ainda mais agradável e tranquila.

Anda de bicicleta em sua cidade? Comentaí ;)


Fonte: http://hlegius.pro.br/post/pulando-para-fora-da-caixa-a-bicicleta-como-meio-de-transporte-em-sao-paulo

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