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Projetos colaborativos na Web ganham visibilidade na investigação de documentos secretos

13 de Abril de 2010, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Wl_hour_glass_smallNa primeira semana de abril, o pequeno site Wikileaks publicou em seu blog um post pedindo a ajuda de leitores para decodificar um vídeo criptografado pela segurança militar norte-americana sobre um bombardeio no Iraque onde morreram 12 civis, entre eles dois jornalistas contratados pela agência Reuters.Logo do Wikileaks

Esta surpreendente aplicação da investigação coletiva, uma variante do princípio da crowdsourcing, gerou um número recorde de acessos ao site e o vídeo de 38 minutos foi decodificado por cerca de mil colaboradores em menos de uma semana. A Reuters tentava, infrutiferamente, havia dois anos e meio obter uma cópia do vídeo por meios legais.

O site Wikileaks publicou numa página chamada Collateral Murder tanto a versão integral como uma edição condensada de 17 minutos que foram acessadas por mais de dois milhões de pessoas, só nos dois primeiros dias após a inserção na Web. Os vídeos mostram a tripulação de um helicóptero norte-americano disparando contra um grupo de civis em atitudes aparentemente inocentes. Os dois repórteres iraquianos foram mortos quando tentavam se proteger.

O episódio mostrou tanto a força da colaboração coletiva numa investigação como o poder de um pequeno site que desafiou o Pentágono, ao publicar um vídeo que estava sendo protegido como segredo militar estratégico. O Wikileaks disse que o vídeo lhe foi entregue por fontes anônimas. O Pentágono confirmou a autenticidade das imagens, mas  alegou que a versão editada sofreu manipulação.

Incidentes como este não são inéditos na internet. Antes deste vídeo, o Wikileaks já tinha divulgado documentos secretos sobre transferências clandestinas de lixo tóxico europeu para países africanos, depoimentos de presos árabes nas prisões norte-americanas em Guantánamo e emails pessoais de Sarah Palin, ex-candidata a vice-presidente da república dos Estados Unidos, nas eleições de 2006.

Os arquivos do site estão espalhados por servidores nos Estados Unidos, Bélgica, Suécia e Islândia. Até agora a única ação legal vitoriosa contra o Wikileaks foi promovida por uma corte distrital de justiça da Califórnia, atendendo a um pedido de um banqueiro suíço cujas contas secretas foram publicadas na Web. Mas a ação foi anulada logo em seguida porque o juiz descobriu que os documentos já tinham sido publicados noutras páginas da Web.

O site diz estar decodificando um novo vídeo filmado no Afeganistão também envolvendo ataques militares norte-americanos contra civis, mas não divulgou quando e nem como vai publicar o material.

O Wikileaks surgiu em 2006, tem uma equipe de 15 pessoas, cerca de mil colaboradores cadastrados e afirma já ter publicado cerca de 1,2 milhão de documentos considerados secretos envolvendo governos, empresas, personalidades públicas e organizações clandestinas. O site está na lista oficial do Pentágono sobre organizações que são uma ameaça aos Estados Unidos.

A visibilidade obtida pelo site está encorajando grupos de jornalistas nos Estados Unidos e na Europa a desenvolver projetos de reportagens investigativas baseadas em informações fornecidas pelo público bem como no processo de produção colaborativa de conteúdos, o popular crowdsourcing.  Nos Estados Unidos funciona há dois anos, na Califórnia, o projeto Spot Us, no qual profissionais sugerem reportagens cuja investigação é financiada por comunidades e indivíduos.

por Carlos Castilho

Fonte Observatório da Imprensa



Tags deste artigo: jornalismo colaborativo vídeo decodificar criptografia

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