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Brasil está muito atrasado em relação a banda larga

18 de Fevereiro de 2010, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Enquanto se discute a criação de um Plano Nacional de Banda Larga, o Brasil ainda vai levar mais de três décadas para atingir os níveis atuais da Suécia, onde 37,1% da população têm internet fixa em alta velocidade. E mantido o atual ritmo de crescimento, todos os 192 milhões de brasileiros só terão acesso à rede em... 104 anos – ou seja, em 2114. Na 60ª posição, o maior país da América Latina tem apenas 5,8% das pessoas com acesso à banda larga, tecnologia essencial para o crescimento econômico e uma maior inserção do país no cenário internacional, dizem analistas do setor.

A abrangência da banda larga nos países faz parte de levantamento feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados do Banco Mundial.

De 2004 a 2008, a banda larga fixa avançou em média 35% ao ano no Brasil, número menor que em outras nações da América do Sul e em países desenvolvidos.

Especialistas, no entanto, lembram que Brasil e Suécia são bem diferentes, a começar pela dimensão territorial e pela alfabetização de 100% da população sueca, assim como em outras nações ricas. Para ampliar o acesso à banda larga no Brasil, analistas lembram que é preciso mais competição, já que, por exemplo, as empresas de TV por assinatura via satélite não podem oferecer internet, como acontece em outros países.

Além disso, a carga tributária também emperra o avanço, pois os tributos representam 43% do preço do serviço.

Novas tecnologias podem facilitar acesso à banda larga

Segundo Guilherme Mercês, chefe da Divisão de Estudos Econômicos da Firjan, o objetivo do trabalho é mostrar que é preciso empenho para se criar um plano para o desenvolvimento da internet em alta velocidade no Brasil.

– A média de crescimento no país entre 2004 e 2008 foi de 0,9 ponto percentual. O número é menor que em países como Uruguai, que avançou dois pontos percentuais no período, Argentina (1,7 ponto) e Chile (1,4 ponto). Nos Estados Unidos, a alta média nos últimos anos foi de 3,3 pontos – diz Mercês.

Segundo João de Deus, diretor de Planejamento Executivo da Oi, o Brasil ainda é novato em internet por uma questão histórica.

O executivo lembra que, enquanto as empresas privadas no país começaram a investir em telefonia fixa em 1998, com a privatização do Sistema Telebrás, os países desenvolvidos já aplicavam em banda larga.

– Antes de 2004, as empresas ainda estavam pagando o investimento móvel. Então, o Brasil está atrás porque começou depois. Mas agora a diferença tende a ser reduzida. Apesar dos desafios de renda, o Brasil é um dos países que mais navega na internet – diz João de Deus.

Segundo dados do Banco Mundial, diz o executivo da Oi, a cada dez pontos percentuais de avanço da banda larga no Brasil – o que deve levar cinco anos – o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todas as riquezas produzidas no país) ganha impulso de R$ 300 bilhões.

Na avaliação de Virgilio Freire, consultor e ex-presidente da Vésper e da Lucent, a falta de ação da Anatel impede o avanço da rede. Para ele, governo e empresas "devem alinhar interesses": – Se a agência exercesse seu poder, o cenário seria outro. E as companhias têm de investir mais, principalmente em capacidade nos grandes centros.

Sobre o Plano Nacional de Banda Larga, o consultor diz que o projeto só terá sucesso se a expansão do serviço tiver como meta um prazo de até quatro anos. Para isso, o melhor caminho seria usar o sistema de fios das estatais:

– O ideal é que a Telebrás alugue sua rede para as operadoras.

Com isso, as empresas poderão oferecer mais capacidade aos clientes. E nas cidades onde não há viabilidade econômica o governo entraria oferecendo o serviço.

Atrás da Rússia e China

Segundo a consultoria Teleco, a banda larga chegou a 5,8% da população no Brasil no fim de 2009, uma alta de meio ponto em relação ao ano anterior. Eduardo Tude, presidente da Teleco, lembra que apesar de a internet estar presente em 88% dos municípios brasileiros, é preciso investir em capilaridade das redes.

Ele exemplifica: nos grandes centros, não há infraestrutura para atender a todos; e no interior não há rede.

– O mundo está fazendo seu plano para incentivar a banda larga. É preciso que seja feito um estímulo para as empresas investirem – pontua Tude.

A jovem Luana Dantas, de 19 anos, e que trabalha na central de atendimento em um shopping na Barra da Tijuca, reclama dos altos preços para se ter internet banda larga.

– Além disso, onde moro, na Zona Oeste do Rio, a velocidade não é muito alta. Deveriam existir mais empresas oferecendo o serviço – diz Luana.

As políticas públicas são essenciais para o avanço da banda larga no país, segundo analistas. Enquanto o governo tem dificuldade para implantar telecentros comunitários, o Programa Banda Larga nas Escolas chegará ao fim deste ano a 64.800 instituições de ensino. No fim do ano passado, eram 42.900 escolas.

Segundo César Rômulo, superintendente da Telebrasil, associação que reúne empresas de telecomunicações, é preciso baixar a carga tributária.

– Hoje, há cerca de 99 mil lan houses no Brasil. É preciso, antes da banda larga, ter computador nas casas das pessoas.

E incentivo é fundamental. Mas vale destacar que países diferentes não podem ser comparados.

A Suécia, por exemplo, não tem os problemas de renda e escolaridade que tem no Brasil – diz Rômulo.

Estudo mostra Brasil atrás de China e Rússia Lucas Pestalozzi, diretor da consultoria TNS, diz que o crescimento vai depender também da implantação de novas tecnologias, que podem reduzir custos, como a internet por meio da energia elétrica. Rogerio Takayanagi, diretor de marketing da TIM, pondera que o crescimento da banda larga virá de várias formas, como a rede sem fio, as ondas de rádio e até a terceira geração da telefonia móvel. A TIM pretende usar a rede da Intelig para oferecer soluções de banda larga fixa.

– Estamos nos preparando para melhorar a oferta. A ampliação da banda larga no Brasil passa pelo celular. O país é muito complexo. É preciso esforço – ressalta Takayanagi.

O levantamento da Firjan constatou ainda que Brasil está atrás de países emergentes, como Rússia e China. Segundo Mercês, a Rússia alcançaria o mesmo nível da Suécia em 2028 e a China em 2036, enquanto o acesso a toda população seria atingido em 2070 e 2094, respectivamente.


Por Bruno Rosa em 16/2/2010
Reproduzido de O Globo, 14/2/2010; título original "Brasil levará mais de três décadas para internet rápida atingir o topo mundial"

Fonte Observatório da Imprensa


Tags deste artigo: plano nacional banda larga suécia brasil mundo américa latina

22 comentários

  • F6d5a605df582ab9ea419ebef9f400b7?only path=false&size=50&d=404Caio Carrara(usuário não autenticado)
    18 de Fevereiro de 2010, 13:21

    A realidade é dura, mas é contornável!

    Primeiramente parabéns pela matéria, de primeiríssima qualidade!

    De fato a realidade brasileira não só no quesito internet, mas telecomunicação, de um modo geral, é desesperadora perante aos outros países até mesmo os vizinhos latinos. Há pouco tempo o presidente da VIVO, Roberto Lima, disse que o Brasil faz um trabalho de primeiríssima qualidade no setor de telecomunicações e banda larga ( bit.​ly/b​v7mR​7). Isso mostra o tamanho da ignorância dos mandatários do setor em relação ao que é um serviço de qualidade. O Brasil tem um dos serviços mais caros do mundo, acarretado tanto pela abusiva carga de impostos quanto pela baixa concorrência, fato esse que também gera comodismo por parte das empresas que só pensam em aumentar o número de clientes e se esquecem de ampliar a infra-estrutura da telecomunicação no país.

    Acredito que esses rumores sobre a reativação da telebrás, no mínimo, irá fazer com que o setor privado se preocupe em melhorar o serviço... Aliado a isso o setor público deve aumentar o incentivo as empresas, diminuindo imposto ou criando programas de redução fiscal (como a banda larga popular em São Paulo, que não é o melhor caminho, mas é uma alternativa) bem como permitir que mais empresas entrem na briga por esse setor de banda larga, como foi falado muito bem na matéria...

    Acessem meu blog anal​isev​irtu​al.w​ordp​ress​.com​/ participem dos tópicos por lá, opinem!

    Obrigado...


  • Bd9b6afd125035f2643a3661b8f07d7a?only path=false&size=50&d=404felipe augusto(usuário não autenticado)
    19 de Fevereiro de 2010, 13:25

    ritmo de crescimento

    é claro que o ritmo de crescimento não será para todo o sempre como o atual, haverá tempos de maior e menor crescimento, e estagnação, com um política correta e vontade dos orgãos para fazer acontecer, não demora 15 anos para a história da internet brasileira mudar completamente e se tornar referência.


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