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Conheça Peter Salus, o Historiador do Movimento Livre

3 de Junho de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Peter Salus, já foi vice-presidente da Free Software Foundation.Ele participará no Fórum Internacional Software Livre 2002.Confira a sua entrevista.*************Peter Salus, o Historiador ALS (Annual Linux Showcase) tratou muito bem a imprensa. Eles nos forneceram uma sala e publicaram um cronograma com as pessoas que estariam disponíveis para entrevistas. Neste cronograma estava o nome de Peter Salus, listado como o Historiador do USENIX. Eu sempre assisto à palestras de historiadores, como todos aqueles que tendem a esquecer história ... Antes de chegarmos à entrevista, devo dizer-lhes que Peter é um ex-Vice Presidente da Free Software Foundation, o autor Peter Salus, o Historiador ALS (Annual Linux Showcase) tratou muito bem a imprensa. Eles nos forneceram uma sala e publicaram um cronograma com as pessoas que estariam disponíveis para entrevistas. Neste cronograma estava o nome de Peter Salus, listado como o Historiador do USENIX. Eu sempre assisto à palestras de historiadores, como todos aqueles que tendem a esquecer história ... Antes de chegarmos à entrevista, devo dizer-lhes que Peter é um ex-Vice Presidente da Free Software Foundation, o autor de "A Quarter Century of UNIX" (Addison-Wesley 1994) e "Casting the Net" (mesma editora, 1995). Atualmente é diretor do consórcio Tcl/Tk. Mesmo sendo um homem ocupado, ele ainda é o CKO (Chief Knowledge Officer, "Presidente do Conhecimento") da Matrix.Net. Você provavelmente vai querer saber o que é a Matrix.Net, como eu. A Matrix.Net avalia o tráfego de informações na Internet. Assim, eles: 1. Detectam problemas de latência (atrasos); 2. Encontram gargalos; 3. Encontram rotas alternativas. A Matrix.Net usa sensores e injetores. Eles chamam os injetores de "beacons" (faróis, balizas). Os "beacons" são colocados estrategicamente em vários pontos da rede. Usando programas de análise matemático/estatística eles analisam continuamente os pacotes enviados ou detectados pelos "beacons", formando uma espécie de "imagem de sonar" da Internet -- onde a informação trafega com velocidade ou lentidão. Eles também usam listas de "ping" para avaliar a rede. Feito isto, a Matrix.Net consegue detectar problemas de lentidão em áreas da Internet em 15 minutos, e estão trabalhando para diminuir este tempo para 5 minutos. Se você trabalha em uma grande empresa cujos negócios dependem da velocidade da comunicação entre seus clientes e parceiros de negócios você pode contratar a Matrix.Net para avaliar seu desempenho. Mas não apenas o desempenho de seus computadores, sua rede ou suas linhas de acesso à Internet - isto qualquer um pode fazer. A Matrix.Net avalia a *totalidade das rotas* que sua informação percorre da origem até seus destinos. Descobrindo os gargalos eles podem lhe dizer como eliminá-los ou traçar rotas alternativas. Em um mundo onde os internautas desistem depois de 10 segundos de espera na frente de um browser, e um minuto perdido em uma negociação de ações podem custar milhões e dar origem a processos legais, este é um serviço absolutamente vital. Minha outra observação sobre Peter é que ele é um cara legal, muito divertido e com um papo interessante. Agora que você já sabe alguma coisa sobre o Peter e os vários chapéus que ele usa, vamos à entrevista: Troubleshooting Professional Magazine: Eis minha questão. Eu gostaria de ouvir sua perspectiva sobre o Linux, para onde ele está indo sob um ponto de vista histórico, e, extrapolando, vejo o que acaba de acontecer com a Microsoft e a Corel (Nota do Tradutor: A MS havia investido um bom dinheiro na Corel, fazendo com que a empresa abandonasse sua estratégia de suporte ao Linux). Vejo também como alarmante as mudanças na licença do Python. Claro que estas são as minhas opiniões, mas gostaria de ter sua perspectiva sobre o que está acontecendo. Peter Salus: Primeiramente vou dizer que o que aconteceu com a Corel é alarmante. O que está acontecendo com o Python não. A analogia que eu vou fazer é como algo que aconteceu há pouco mais de 20 anos, em junho de 1979, em uma reunião do USENIX, na verdade. A AT&T anunciou sua estrutura de preços e restrições nas suas licenças, empurrando para as instituições acadêmicas uma etiqueta de preços que chegava a ser de 7.500 dólares por CPU, o que na época significava uma absurda quantidade de dinheiro. O resultado disto foi, de fato, a proliferação de coisas como o Berkeley Unix e outros a fim de sair fora das restrições impostas pela AT&T. Neste aspecto encaixo o que está acontecendo com o Python. Imagino que isto causará que opções como perl, tcl e outras linguagens de script, outras formas de obter resultados, tenham maior sucesso, colocando o Python de lado. O movimento tem a ver com o uso de ferramentas -- você não será capaz de patentear uma chave-de-fenda ou um martelo. As ferramentas existem para que as pessoas as usem, e a implementação de ferramentas é importante para a comunidade. Mas deixe-me voltar. Você pediu por história e é por isto que cheguei a 1979. Este fato de 1979 acabou dando um impulso para o Linux em geral. Claro que mais uma década se passou, mas a influência foi direta pois uma das pessoas que estavam nesta reunião do USENIX em Toronto era Andy Tannenbaum, que estava planejando usar o UNIX no ensino de sistemas operacionais na Universidade livre de Amsterdã. Ele sabia que jamais conseguiria fazer com que a administração da Universidade pagasse por 30 ou 40 licenças de 7500 dólares cada. Assim, ele voltou para casa e escreveu uma réplica do UNIX, livre de licença, chamada Minix, que rodava em uma máquina 286 e em um certo número de outras plataformas, e que foi uma ferramenta de ensino de muito sucesso por uma década. Foi com o Minix que o Linus Torvalds estava insatisfeito em 1991, o que fez com que ele escrevesse o Linux. Assim note que a restrição estúpida de uma licença levou a uma corrente que implicou a criação de outras coisas. Acho que é importante reconhecer que garotos brilhantes -- e eu os chamo de garotos pois sou uma pessoa velha neste campo -- que estão nas escolas, faculdades, universidades, trabalhando como voluntários para uma série de projetos -- Apache, Perl, Linux de uma maneira geral, para o pessoal do GNU, para a Free Software Foundation -- estão muito mais interessados em criar coisas interessantes do que se preocupando sobre quem é dono da licença X, Y ou Z. Acho que os garotos são mais brilhantes do que os engravatados que se preocupam com as outras coisas. O resultado disto é que os garotos vão sempre descobrir jeitos diferentes para fazer as coisas e a restrição das licenças não vai causar a falta de inovação. Gazilhões de dólares continuam a ser movimentados mesmo quando observo na internet que as ações caíram mais de 50% em um ano, no ano passado, e ainda assim, este mercado é um negócio bastante lucrativo. Quando se vê quem tem o controle dos desktops e seus aplicativos, eles ainda não conseguiram uma penetração muito grande. Mas o interessante é que quando se observa os grandes "web surfers" nota-se um enorme fluxo em direção ao Linux, UNIX é o segundo na forma de um de seus derivados (normalmente Solaris, mas podem ser outros também) e a Microsoft tem cerca de 20% deste mercado, longe dos 90% que eles têm no desktop. A razão disto é estabilidade e confiança. Não há soluções para problemas que não sejam encontradas em um sistema operacional livre, uma vez que temos 10.000 pessoas "pisoteando bugs" a cada minuto em todas as partes do mundo. E isto significa que mesmo existindo o controle econômico de um segmento como o de desktops, é impossível ter o controle econômico sobre todos os sistemas. Agora você pergunta. Já falei demais. TPM: Seus comentários sobre o negócio Corel-Microsoft. Peter: É uma merda. (risos) Eu não sei mais o que dizer. TPM: Você imagina que isto pode ser o começo do que é chamado extensão, extinção e esqueci, mas há três "E""s"... Peter: Sim, quer dizer, imagino que seja isto. Durante o último século tem sido comum que corporações bem grandes comprem e ajudem pequenos concorrentes apenas para pisar neles e moê-los até que virem pó. Penso que é exatamente desta forma que a Microsoft tem tido sucesso. Ela comprou um número muito grande de outras corporações, mas dificilmente incorporou o software destas empresas em seus produtos, apenas sentaram em cima dele. Não é ilegal fazer isto. O fato é que a Corel serviu como uma entidade interessante no mercado, e não acredito que ela continuará nesta posição no futuro, e acho que a Microsoft vai simplesmente espremê-la. TPM: Você antevê a Microsoft tentando usar a Corel como um ataque às fronteiras do restante da comunidade de código aberto, atacando uma iniciativa após a outra, uma espécie de teoria do dominó? Peter: Não acho. Quer dizer, esta é uma hipótese interessante mas eu não acho que esta é a maneira Microsoft de agir. Se a Microsoft quisesse, eles simplesmente derrubariam todas as peças de uma vez. Eles não necessitam usar o que você chamou de efeito dominó. O problema é que muitas destas peças não podem ser tomadas. Como alguém conseguiria derrubar a Free Software Foundation e o Richard Stallman? Como eles chegariam até a SuSe, por exemplo, que concentra seus negócios na Alemanha e não em algum outro lugar onde a Microsoft é prevalente. Além disto, a comunidade européia não toleraria as espremidas da Microsoft como nós toleramos nos Estados Unidos. Então, eu não acho que isto irá acontecer. TPM: Acho que você respondeu a todas as minhas questões. Peter: Ótimo, era isto que eu queria. *A análise da entrevista pelo editor* Nada como uma perspectiva histórica. Aqueles que se esquecem da história podem repetir isto. Como você pôde imaginar pelas minhas perguntas eu estava bastante incomodado com esta história da Corel. O Peter fez com que eu me acalmasse. Se há uma coisa que eu descobri analisando esta entrevista é que "um só macaco não pode parar o show" (Nota do Tradutor: ou uma andorinha só não faz verão). Tudo o que a Microsoft tem tentado já foi tentado antes. Em 1979 a AT&T tentou extorquir seus fiéis seguidores com uma etiqueta de preço de 7.500 dólares, mas isto não acabou com o UNIX ou a comunidade acadêmica que utiliza o UNIX, ou ainda a comunidade hacker que usa o UNIX. Na verdade, o assalto ao dinheiro dos usuários da AT&T deu início ao Minix e ao GNU, que então deu início ao GNU/Linux e a comunidade tornou-se mais forte do que nunca. O que eu levo desta entrevista é que, como uma lei da natureza humana, é impossível eliminar o compartilhamento de código e o software livre. Lembre-se das palavras do Peter: "Acho que é importante reconhecer que garotos brilhantes -- e eu os chamo de garotos pois sou uma pessoa velha neste campo -- que estão nas escolas, faculdades, universidades, trabalhando como voluntários para uma série de projetos -- Apache, Perl, Linux de uma maneira geral, para o pessoal do GNU, para a Free Software Foundation -- estão muito mais interessados em criar coisas interessantes do que se preocupando sobre quem é dono da licença X, Y ou Z. Acho que os garotos são mais brilhantes do que os engravatados que se preocupam com as outras coisas." Deixemos que a Microsoft leve a Corel. Azar da Corel mas não da comunidade de software livre". Um só macaco não para o show. Mesmo que a Microsoft compre a Red Hat, a Caldera e a Slackware - opa! - ainda há a Debian e seu rebento, Progeny (Nota do Tradutor: A Progeny encerrou suas operações em outubro de 2001, mas a Microsoft não comprou a RedHat, a Caldera ou a Slackware...). Deixemos que a Microsoft faça seus Linuxes específicos para o Windows, nos ataque com medo, incerteza e dúvidas, criem vaporware e nos encham de incompatibilidades. Deixe que eles se expandam e desapareçam. Sim, a Microsoft é grande e suas ações podem atrasar a conquista do mundo pelo software livre. Mas não se engane -- não podemos ser vencidos e vamos eventualmente triunfar, desde que mantenhamos nossa fé e o suporte de nossa comunidade. Vamos escapar de qualquer prisão que os "bandidos" tentem nos colocar. Nós vamos vencer. Este é um imperativo histórico! Steve Litt (slitt@troubleshooters.com) entrevistou Peter Salus. Steve é o autor de "Samba Unleashed" Cesar Brod traduziu esta entrevista com o consentimento de Peter Salus e Steve Litt. Cesar é consultor de tecnologia da Univates. O artigo original se encontra em: http://www.troubleshooters.com/tpromag/200011/200011.htm#_petersalus


Tags deste artigo: fisl2002
Fonte: http://www.softwarelivre.org/news/361

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