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7 de Dezembro de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | 3 pessoas seguindo este artigo.

Carta Aberta aos Candidatos nas Eleições 2018 no Estado da Bahia

18 de Outubro de 2018, 19:00, por Laços Ecourbanos - 0sem comentários ainda

Membros do forum a cidade tambem e nossa

 

Em meio ao processo eleitoral em curso O Fórum – A Cidade Também é Nossa, movimento parceiro da Laços Eco Urbanos, reforça para os candidatos eleitos o compromisso que devem firmar com a democracia direta, que estabelece a participação popular nas decisões de políticas, programas e projetos, segundo estabelece o art.2° do Estatuto das Cidades (Lei 10.257/01).

O Fórum – A Cidade Também é Nossa foi criado em 2008 com o intuito de defender dos interesses coletivos, e propor soluções focadas na responsabilidade social, no debate das políticas públicas do Município de Salvador, Região Metropolitana e do Estado da Bahia. Ele é formado por 38 entidades, dentre elas o CREA-BA, CRCBA, CREMEB, OAB-BA, CAU-BA, SINJORBA, CORECON-BA, SENGE-BA, IAB-BA, e funciona como um fator de proteção das comunidades locais, ao questionar, sugerir e intervir em pautas das administrações municipais, como: meio ambiente, mobilidade social, segurança, urbanismo e questões sanitárias.

Em meio ao processo eleitoral de 2018, o Fórum reafirma a importância do planejamento regional e urbano participativos para que o Estado da Bahia se desenvolva de uma maneira socialmente justa e sustentável. Por isso, são elencadas diversas propostas em uma Carta Aberta, direcionada aos candidatos eleitos do estado da Bahia, que trazem soluções para os temas Planejamento e Gestão com Participação Popular, Eficiência da Gestão Pública, Educação de Tempo Integral para a Cidadania, Segurança Pública, Habitação Social, Patrimônio Cultural e Ambiental, Mobilidade e Meio Ambiente.

Que tal ler e, caso concorde com as propostas, divulgar para que mais pessoas tenham acesso. Quanto maior for a visibilidade da Carta, maior será a pressão sobre os candidatos para implementação das propostas sugeridas. Não concorda com alguma delas ou possui alguma proposta que não foi citada na carta? Então vamos praticar o planejamento participativo, deixe seu comentário abaixo e vamos discutir soluções para o nosso estado.

Para acessar a Carta Aberta escrita pelo Fórum a cidade também é nossa basta clicar no link: Carta-Aberta-aos-Candidatos-nas-Eleições-2018-no-Estado-da-Bahia



O Mar e a Paz Mundial

4 de Outubro de 2018, 19:00, por Jason Daniel Lang Achermann - 0sem comentários ainda

Imagem de capa o mar e a paz mundial 04.10

A Assembleia Geral da ONU se reuniu mais uma vez neste mês de setembro para reafirmar compromissos com a paz e a justiça globais. Além de tolerância, respeito mútuo, compreensão e prevenção de conflitos, os estados membro reiteraram a importância da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: “O desenvolvimento sustentável não pode ser realizado sem paz e segurança, e a paz e a segurança estarão em risco sem desenvolvimento sustentável.”, afirma a resolução adotada na 73ª. sessão da Assembleia, nomeada Cúpula da Paz de Nelson Mandela, em homenagem ao grande líder.

A afirmação parte do simples reconhecimento de que, enquanto seres viventes nesse planeta, nossa espécie é inteiramente dependente dos bens naturais e, portanto, a privação do acesso a esses bens é condição para a exclusão, injustiça e conflitos entre populações humanas. Garantir o acesso e estabelecer como dispor desses bens, necessários à geração de energia nos sistemas vivos e para a produção de outros bens de consumo, passa, necessária e estrategicamente, pelas políticas públicas ambientais.

Como então, promover a paz sem contemplar o mar?

Dos ambientes que abrigam bens naturais, o mar talvez seja o elemento de maior expressão no planeta, seja pelo volume, extensão, significados, pela condição particular para a origem da vida como a conhecemos e até por propiciar o isolamento necessário para a sua diferenciação evolutiva. Porém, para a humanidade, mais do que estabelecer limites e fronteiras, o mar sempre representou a possibilidade de aproximação, trocas, conectividade.

O processo de construção do conhecimento marítimo, porém, ocorreu de maneiras diversas pelo mundo continental e foi um fator de configuração de disputas e conquistas de territórios. Por isso, a necessidade de se estabelecerem estratégias para assegurar o justo acesso aos recursos marinhos. A discussão sobre o regramento de seu uso e da navegação, passando pelas questões de pesquisa e segurança, rebatem na definição de territorialidade e são um marco do Direito Internacional. O interessante é que desde o início dessa discussão as questões de conservação e de conhecimento científico fundamentam as discussões e todas as normas relativas à segurança e ao uso dos recursos vivos e não vivos encontrados seja na malha hídrica, no solo ou no subsolo marinhos, refletindo uma preocupação mundial com a exploração e poluição desse ambiente.  

A disponibilidade dos recursos marinhos, entretanto, está relacionada à dinâmica do que acontece em terra e, como todo rio corre para o mar, políticas de saneamento, gestão de águas, resíduos, áreas protegidas, uso e ocupação do solo incidem diretamente na manutenção da quantidade e qualidade desses estoques. E mais, sobre os limites de áreas para usos restritos e usos comuns, a Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar, assinada pelo Brasil em 1982, condiciona o exercício da jurisdição dos países sobre sua plataforma continental à caracterização da margem continental que a limita. E conhecer a margem continental e os processos que ai se desenvolvem requer um conhecimento sobre o que acontece na zona costeira.

No Brasil, a zona costeira é definida como a zona de interface entre o ambiente terrestre e marinho e está entre as mais extensas do mundo. Historicamente, foi uma região de ocupação intensa e tal configuração significou uma imensa descaracterização do ambiente costeiro natural, do qual talvez o resultado mais expressivo seja a perda de cobertura nativa da Mata Atlântica, que hoje representa somente algo em torno de 12% de sua cobertura original. Essa descaracterização representa também perdas enormes de biodiversidade e outros bens, que, por sua vez, impactam os modos de vida sustentáveis a eles ligados, como o das populações tradicionais, e até mesmo perdas relativas a possibilidades econômicas que poderiam provir de pesquisa e uso sustentável desses bens.

Apesar dos desdobramentos e avanços das políticas globais e nacionais sobre os recursos do mar, o ritmo de descaracterização da nossa zona costeira e de poluição do mar continua muito mais intenso do que as ações de conservação e é, portanto, de grande importância a implementação do Gerenciamento Costeiro. Cabe deixar claro e destacado que este instrumento de planejamento tem como embrião a Política Nacional de Recursos do Mar, além da própria Política Nacional de Meio Ambiente, e vem para assegurar, sobretudo, a salvaguarda dos recursos marinhos com base num planejamento que respeite a zona costeira como Patrimônio Nacional, como está reconhecida por nossa Constituição, incluindo ai os atributos naturais, culturais e paisagísticos que a compõem.

Estabelecer critérios para que a ocupação e uso desse espaço territorial seja feita dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente trata, portanto, de uma estratégia econômica e de segurança nacional. E mais, é ponto primário para a redução da vulnerabilidade de nosso litoral a eventos extremos causados pelas mudanças climáticas e que impactam mais exata e injustamente as populações já excluídas do acesso aos bens naturais. É exatamente a degradação e perda de territórios que leva tais populações a compor o crescente grupo de refugiados ambientais, vítimas e alvo, cada vez mais comuns, dos conflitos que se configuram no mundo.

Por Maíra Azevêdo[1]

 

[1] Bióloga e Consultora em Gestão de Informação Ambiental e Planejamento, com foco em águas e adaptação às mudanças climáticas. Facebook: Salve o Rio Jaguaribe.

 



Ecovilas, Inspiração Para a Vida Urbana: O exemplo de Lebensgarten Steyerberg

20 de Julho de 2018, 0:35, por Jason Daniel Lang Achermann - 0sem comentários ainda

 Capa 3

As ecovilas têm suas origens no movimento de contracultura da década de 1960, sendo comunidades intencionais, formadas por pessoas que buscam experimentar e vivenciar novas formas de organização da vida social, tendo em vista a sustentabilidade como base para esse processo. Em muitos casos são idealizadas por integrantes de organizações não governamentais; ativistas ambientais, sociais e políticos. Essas experiências podem ser também entendidas como um exemplo prático dos movimentos ecologistas da década de 1980. Nesse período surgem, nos EUA e Europa, diversos movimentos atuantes em relação à conservação ambiental, qualidade de vida, políticas ecologicamente corretas, etc[1].

As ecovilas têm surgido em todas as partes do mundo, em sua grande maioria no meio rural, uma vez que a problemática ambiental nas cidades tem crescido e se aprofundado cada vez mais, com a escassez de recursos naturais não poluídos, inviabilizando o desenvolvimento de experiências sustentáveis mais profundas[2]. Ainda assim, mesmo que em minoria, as experiências urbanas têm crescido associadas a processos de revitalização de espaços abandonados na cidade, a exemplo da ecovila Lebensgarten, na Alemanha, ou a princípio pela mudança de hábitos de moradores de determinada comunidade, fazendo surgir os ecobairros como núcleo de novas práticas socioambientais dentro da cidade. Assim, as ecovilas também podem ser entendidas como uma metamorfose de determinadas localidades em busca da sustentabilidade, emergindo uma nova identidade, com sentimentos, tradições e história própria.

A ecovila de Lebensgarten Steyerberg, criada em 1986, fica numa área onde no passado existia uma fábrica de munições da Segunda Guerra Mundial. Fica localizada próxima à Vila de Steyerberg, na Alemanha (figura 1 a 3). Por volta de 1939 existiam cerca de 27 edifícios, que eram habitados principalmente por trabalhadores soviéticos e poloneses. Depois da guerra o local passou a fazer parte das forças de ocupação britânicas. Atualmente vivem cerca de 100 pessoas na Ecovila de Lebensgarten, algumas delas já viviam lá antes da fundação[3].

Figura 1 a 3 1

Figura 1 a 3 – Localização geográfica da Ecovila de Lebensgarten Steyerberg[4].

 

A área da ecovila possui 30 hectares e hoje conta com 63 residências, onde a maioria das que já existiam foram reformadas com materiais ecológicos (figura 4 e 5). O passado obscuro do local trouxe desafios e proporcionou aos novos moradores a experiência de cura, onde todos buscaram ao seu modo, uma forma de afastar as energias negativas ligadas ao passado, fortalecendo também seus laços enquanto comunidade, na medida em que se apoiavam cotidianamente. Esse contexto levou à proximidade e integração entre eles, sendo determinantes para o que chamaram de “processo de cicatrização”[5].

 Figura 4 e 5

Figura 4 e 5 – Edificações e pessoas na ecovila Lebensgarten [6].

 

A Ecovila foi criada por Declan Kennedy, arquiteto, design permacultor e ex-presidente da GEN (Rede Global de Ecovilas), com o objetivo de permitir que as pessoas convivessem em harmonia dentro de um estilo de vida mais saudável. A palavra “Lebensgarten” significa jardim da vida. Segundo Declan Kennedy, a ecovila é baseada na filosofia de que o mundo é um espelho do que as pessoas são. Dessa forma adota o princípio de que a mudança externa parte de uma mudança interna, através da consciência individual. Esta é a ideia base de desenvolvimento sustentável presente na ecovila. Buscam um estilo de vida em que todos se apoiam mutuamente para o desenvolvimento de seus talentos e habilidades, além de cooperação com a Natureza. A comunidade foi baseada em Findhorn, não possui religião, respeitando todos os caminhos espirituais, e as decisões são tomadas coletivamente por consenso através de reuniões [7].

Como em muitas outras experiências sustentáveis, a ecovila de Lebensgarten também vive economicamente de workshops e cursos. Cada membro é responsável por si, possuindo independência financeira. Alguns deles possuem atividades externas e contribuem com a comunidade através de doações. Os outros trabalham internamente, através de oficinas de artesanato, escritório de arquitetura e planejamento ecológico, livraria, comércio de materiais de construção ecológicos, contabilidade, serviços pessoais, dentre outros. Os idosos da comunidade realizam trabalhos internos e recebem pensão do governo. A alimentação segue a dieta vegetariana, e parte dos alimentos consumidos são cultivados no próprio local em parceria com os bioagricultores da região (figura 6 e 7).

Figura 6 e 7

Figura 6 e 7 – Produção de alimentos na ecovila Lebensgarten [8].

Há mais de 10 anos os moradores da ecovila também vêm desenvolvendo cada vez mais a permacultura (recuperando espaços que antes foram usados com monocultura) através do projeto Permakulturpark am Lebensgarten Steyerberg (PaLS), que tornou-se uma ONG em 2013 e tem envolvido também aqueles que visitam o local através de educação e atividades práticas. A comunidade também adotou tecnologias de baixo impacto e práticas cotidianas mais ecológicas. Hoje conta com sistemas fotovoltaicos, sistemas de captação de água da chuva e compartilham os carros usados [9].

As ecovilas são consideradas pela ONU “modelos de excelência de vida sustentável”. No ano de 1998 a ecovila Lebensgarten, assim como Findhorn, entrou para a “Lista das 100 melhores práticas” editada pelo Programa Habitat. É também uma das fundadoras da GEN, participando desta rede desde 1994, mantendo contato com comunidades alemãs e de outras nacionalidades. Iniciativas como a ecovila Lebensgarten além de transformarem seus próprios espaços, contribuem para fortalecer movimentos de transição para a sustentabilidade, que crescem cada vez mais de diversas formas em todo o mundo.

Por Lays Britto[10].

 

[1] CASTELLS, Manuel. El reverdecimiento del yo: el movimiento ecologista. La factoría, n. 5, p. 135-158, 1998.

[2] Rede Global de Ecovilas. Disponível em: < http://gen.ecovillage.org> Acesso: julho, 2015.

[3] [5] [7] [9]LEBENSGARTEN STEYERBERG e. V. Disponível em: <http://lebensgarten.de/> Acesso: 14/03/2016.

[4] [6] [8]  BRITTO, Lays. Eco-urbanismo: As práticas das Ecovilas no Brasil atual. Salvador: FAPESB, 2013. (Termo de outorga No.: 1008/2012. Pedido No.: 4783/2012).

[10] Arquiteta e Urbanista, Mestra em Desenvolvimento Regional e Urbano.

 

 

 



Resenha sobre o documentário In Transition 2.0

3 de Julho de 2018, 19:00, por Jason Daniel Lang Achermann - 0sem comentários ainda

Foto transition

O movimento "Cidades em Transição", ou Transition Towns foi criado pelo inglês Rob Hopkins e pretende transformar as cidades atuais em localidades menos dependentes de combustíveis fósseis, mais integradas a natureza e as necessidades das suas comunidades. Tornando-as mais resistentes a crises externas, tanto econômicas como ecológicas.

Os principais fatores que motivaram a criação do movimento foram às mudanças climáticas, devido à emissão de CO2, a dependência do petróleo, a economia distorcida e o mito da infinita expansão, ou seja, a ideia de que a expansão econômica infinita é sempre uma coisa boa, ou mesmo possível em um planeta finito. O movimento, portanto, se baseia em criar soluções alternativas e criativas a esses problemas apresentados, inspirando, treinando e dando suporte para conectar comunidades na construção de uma vida melhor.

A ideia principal é fortalecer o crescimento da comunidade, através do bem-estar, da justiça social e da resiliência, pois o global tem que ser um reflexo do local, e não o contrário. O principio é que cada sociedade use a criatividade para fazer a mudança. Para as grandes cidades, uma alternativa é fazer a transição pelos bairros, reforçando as comunidades locais.

O documentário In Transition 2.0 [1] aborda essa temática e mostra os fundamentos desse movimento, suas fases e comunidades ao redor do mundo que já aderiram a ele, mostrando as iniciativas de cada comunidade, que utilizaram-se da criatividade para transformar o meio urbano em que estão inseridas, aumentando o emponderamento das pessoas sobre o local.

O grupo Transition Towns defende modos mais sustentáveis de produção, baseado em fontes de energia renováveis, estímulo de negócios locais e consumo consciente. De acordo com Rob Hopkings, mentor do movimento, existem quatro fases de Transição, sendo que elas são crescentes em nível de complexidade. A primeira etapa do movimento é chamada por Hopkings de Starting out, ou seja, o início, que é uma fase animada, cheia de energia, onde se projeta filmes, se organizam eventos, e se colocam cartazes, para sensibilizar, criando as bases que se tornarão a iniciativa de transição. A área de Moss-side, em Manchester (Reino Unido), é apresentada no documentário por possuir um projeto de transição nessa fase, onde jovens se motivaram para iniciar o movimento.

O segundo estágio se chama Deepenig (Aprofundamento), nesse momento se cria a percepção de que as ações coletivas colocam a localidade em transição. Organizações são criadas e as ações do movimento passam a acontecer de um modo mais estruturado. O documentário traz como exemplo desta etapa os moradores da Whitney Avenue (Pittsburg), que transformaram terrenos abandonados da sua comunidade em hortas comunitárias. Eles passaram a plantar seus próprios alimentos e com isso fortaleceram os laços e a altoestima comunitária. Além disso, crianças foram retiradas da rua para participar do projeto.

A terceira fase é chamada de Conecting (conectando). O Conecting é um estágio de profunda incorporação do projeto na comunidade, e acontece quando a iniciativa de transição começa a atingir novas pessoas e organizações como câmara municipal, empresas locais e comunidade em geral. Em Monteveglio, na Itália, dois participantes do movimento de transição conseguiram alcançar cargos de administração pública e, em conjunto com a população local, conseguiram aprovar políticas de preservação ambiental, redução do consumo de petróleo e incentivo a fontes de energia limpa.

O quarto e último estágio é o building (construção), ele acontece quando um conjunto de ideias vão em direção da criação de uma nova infraestrutura local. Nessa fase são a criadas moedas locais, empresas sociais e outras iniciativas do gênero. Isso foi possível em Marsden, West Yorkshire no Reino Unido, onde a comunidade local implementou uma empresa comunitária em que vários os moradores contribuíam com o abastecimento do empreendimento, fortalecendo o negócio local e a comunidade. E em Brixton, também no Reino Unido, foram criadas moedas digitais para facilitar as transações e fortalecer o comércio local.

 O documentário aborda diversas cidades e comunidades que estão aderindo ao movimento “Cidades em Transição”, hoje ele se faz presente em 14 países do mundo. Já são mais de 321 Iniciativas Oficiais de Transição (em cidades, bairros e até ilhas) e 227 iniciativas em formação. No Brasil também existem iniciativas deste movimento, para mais informações acessem o site do Transition Towns Brasil e do Transition Network.

Por fim o documentário deixa uma mensagem que transmite o espírito do movimento, e eu gostaria de deixar aqui para reflexão: "A transição é um experimento social em uma escala massiva. Não sabemos se vai funcionar, mas estamos convencidos de que se esperarmos pelos governantes, vai ser tarde demais. Se agirmos como indivíduos, será muito pouco, mas se agirmos em comunidades, talvez seja o suficiente e a tempo".

 

[1] Documentário disponível em https://www.youtube.com/watch?v=FFQFBmq7X84



A Importância do Metabolismo Urbano para as Cidades Contemporâneas

20 de Junho de 2018, 20:00, por Jason Daniel Lang Achermann - 0sem comentários ainda

Onu ma metabolismo urbano 2

 

A abordagem do Metabolismo Urbano foi desenvolvida por Abel Wolman (1965)[1], engenheiro sanitarista norte americano que, motivado pela deterioração da qualidade do ar e da água das cidades do seu país de origem, desenvolveu um modelo de análise do metabolismo de uma hipotética cidade americana  com 1 milhão de habitantes. Ele utilizou dados nacionais sobre a utilização dos recursos naturais, o autor partiu do princípio que o estudo e quantificação dos fluxos de matéria e energia que entram e saem das fronteiras cidades, permite a compreensão do seu funcionamento. Todos os metabolismos são sistemas abertos, ou seja trocam matéria e energia com o meio em que estão inseridos, e necessitam de energia exterior para manter o seu funcionamento. E nas cidades não é diferente, isso pode ser visto nas residências, ruas e bairros, que necessitam de energia para funcionamento dos eletrodomésticos, sinais de transito, iluminação das vias etc. Em todo e qualquer ambiente urbanizado ocorrem processos constantes de extração, transferência, acumulação e disposição de matéria e energia provenientes de ambientes naturais, sendo água, matérias primas, energia e nutrientes os quatro fluxos fundamentais analisados nos metabolismos urbanos.

Com o passar dos anos e aprimoramentos da metodologia de análise, a abordagem do Metabolismo Urbano se tornou uma ferramenta poderosa de gestão da água, da energia, dos materiais e dos nutrientes que entram e saem das fronteiras das cidades, pois a ajuda à evitar os desperdícios desses recursos. Entender o metabolismo de uma cidade, ver a sua evolução com o tempo e comparar com o de outras cidades permite criar diretrizes voltadas à redução dos impactos ambientais. Metabolismo mais eficientes consomem menos recursos naturais buscar maior eficiência energética nas cidades é fundamental no contexto de crescentes escassez de recursos que estamos vivenciando nos dias atuais. Uma cidade que se situa em um deserto é quase inteiramente dependente de insumos externos e portanto tem um metabolismo muito custoso. Através da Análise do Fluxo de Materiais (AFM) e da Análise do Ciclo de Vida (ACV), estuda-se as interações existentes entre as cidades e os outros ambientes do planeta terra, já que a biosfera nada mais é do que vários sistemas e subsistemas que interagem entre si. Essa relação de sistemas pode ser cooperativa ou competitiva, dilapidadora ou simbiótica e portanto, em geral, quanto mais harmônicos são os processos, mais favorável é o metabolismo.

A AFM e ACV são as metodologias mais utilizadas e fundamentais, dentro da abordagem teórica do metabolismo urbano, para avaliar a sustentabilidade das cidades.  A AFM tem como propósito tem a contabilização e a análise dos fluxos e estoques de materiais, substâncias, necessidades energéticas e das emissões das cidades. O princípio base é a conservação da matéria, isto é, os fluxos que entram num subsistema são iguais aos fluxos que saem. Com os dados de entrada e saída de materiais e energia de um determinado sistema são geradas as equações de balanço traduzem o funcionamento do sistema. Já a Análise do Ciclo de Vida (AFM), nada mais é do que, uma metodologia de construção de modelos que representam os fluxos de entradas e saídas de energia, água, produto, alimento ou serviço em todo seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima, transporte, fabricação, uso, até sua destinação final.

Diversos países e instituições internacionais já perceberam que pensar em soluções para consumo exagerado de recursos naturais da nossa sociedade não é mais uma questão de opção. Em 2008, instituições de nove países da União Europeia lançaram o Sustainable Urban Metabolism for Europe (SEMA)[2] com o intuito de desenvolver soluções integradas, através da abordagem do Metabolismo Urbano, para o consumo de recursos nas cidades europeias. Mais recentemente, em dezembro de 2017, a ONU Brasil lança um vídeo[3] explicativo sobre o atual ritmo acelerado de consumo dos recursos naturais no mundo e a importância do metabolismo urbano nesse contexto.

Além da energia que se usa efetivamente, todos os sistemas perdem, ou dissipam, quantidades significativas de energia durante seu funcionamento. As transferências energéticas do sistema são feitas com perdas e esse fenômeno é compreendido na física como uma tendência à “desordem”, ou entropia. Esse tendência à entropia é a base da Segunda Lei da Termodinâmica que diz que todos os sistemas tendem à se desorganizar e para se manterem ordenados gastam muita energia. Aqui entra uma coisa interessante: tender à desorganização é uma lei dos nossos corpos, nossas casas, nossas cidades e do Universo inteiro. Os seres vivos e as cidades são sistemas que necessitam de grandes quantidades de energia para não entrarem em desordem. Já percebeu o caos que se instaura na sua cidade quando falta luz e água ou quando faltam alimentos e produtos básicos para sobrevivência em locais atingidos por guerras ou desastres naturais? Já imaginou como seria o funcionamento do sistema de transporte da sua cidade se as reservas de petróleo do mundo se esgotassem?

Historicamente, as sociedades sempre usaram os recursos naturais para produzir instrumentos, mercadorias, alimentos, abrigo, etc. Porém, com as revoluções industriais, o desenvolvimento das máquinas e a utilização dos combustíveis fósseis as sociedades intensificaram exponencialmente o uso de matéria e energia, pois as descobertas tecnológicas diversificam e acentuam a produção. A economia antes baseada no trabalho humano passou a se basear nas máquinas, o comercio de produtos foi intensificado, e com isso as atividades exercidas pelos humanos passaram a depender mais do que nos períodos anteriores do consumo de matéria e energia. É praticamente impossível imaginar o funcionamento das nossas cidades hoje sem a utilização de fontes energéticas não renováveis como os combustíveis fósseis.

Basicamente, os metabolismos das cidades possuem dois tipos de funcionamento: o linear e o circular. O Metabolismo Linear consiste em um sistema composto por fluxos unidirecionais, em que a maior parte da matéria e energia incorporada ao interior do sistema, é utilizada e ejetada depois como resíduos. Nesses metabolismos muito pouco é reaproveitado, por isso eles precisam de grandes quantidade de recursos e energia para manter o seu funcionamento. A quantidade de energia que precisa entrar nos metabolismo lineares é elevada, bem como a quantidade de resíduos e emissões produzidos, com desperdício de energia e matéria. Já o Metabolismo Circular, imita (mimetiza) os ecossistemas naturais e biológicos que possuem ciclos fechados, nesses metabolismos o que é resíduo para uma atividade é matéria prima para outra e as fontes de energia costumam ser renováveis, assim como na natureza. Os princípios fundamentais dos metabolismos circulares são conservação, recuperação e reutilização.

 

METABOLISMO LINEAR

Diagrama

METABOLISMO CIRCULAR

Diagrama metabolismo circular

Apesar do número crescente de estudos e pesquisas desenvolvidas na área, a maioria dos estudos em Metabolismo Urbano costumas ser teóricos e ainda não saíram do papel, por ser um conceito ainda em fase de desenvolvimento e aprimoramento, e também pela falta de interesse público e da sociedade em geral. Porém, existem alguns casos de aplicação prática dessa metodologia. Em Estocolmo (Suécia), por exemplo, um projeto foi desenvolvido para revitalizar a área industrial e portuária de Hammarby Sjöstad. O objetivo do projeto foi criar sinergias entre abastecimento de energia, água e gestão de efluentes e resíduos. Os fluxos metabólicos foram reduzidos por causa de um sistema integrado de infraestrutura, foram usadas células de combustíveis, painéis solares, fornos de biogás e telhados verdes. Como resultado se conseguiu reduzir em pelo menos 20% o consumo energético de toda área de Hammarby Sjöstad.

 

Imagem Aérea de Hammarby Sjöstad [4]

 

Barrio hammarby sjöstad foto

As cidades contemporâneas de todo o mundo possuem em sua maioria metabolismos lineares abertos, consomem muito de outros lugares, possuem uma taxa de reutilização de resíduos muito baixa e altas taxas de desperdício. Exemplos como o de Estocolmo ainda são pontuais e pouco comuns, porém diante do cenário atual de destruição ambiental, mudanças climáticas e esgotamento de recursos naturais, não podemos mais sustentar nossos modelos de cidades e economia. Nesse sentido é fundamental que o planejamento e a gestão das nossas cidades incorporem princípios e metodologias sustentáveis. Diante da crescente destruição do nosso planeta por que não aprender com os sistemas naturais, que se sustentam a bilhões de anos na terra?  As cidades precisam tornar seus metabolismo mais circulares e sustentáveis, reduzindo os impactos ambientais. Precisamos que as políticas, planos e ações urbanas imitem – mimetizem - os ecossistemas naturais e biológicos, e dessa forma incorporem resíduos de cadeias produtivas como matéria prima para outras, utilizem fontes de energia renováveis de baixo impacto, melhorem a eficiência metabólica em relação ao consumo de água e energia, para assim reduzir os impactos globais. Não é uma questão de opção, não há como escapar da tendência natural a deserdem que rege o nosso universo, precisamos de matéria e energia para manter o funcionamento do nosso corpo e do local em que vivemos. É preciso que as cidades e sociedades se transformem para que se sustentem, no contexto atual a abordagem do metabolismo urbano assume um papel fundamental e não pode ser excluído do processo de planejamento e gestão das cidades atuais.

 

[1] WOLMAN, Abel. The metabolism of cities. Scientific American, Volume 213, Pages 179--190 1965.

[2] Metabolismo Urbano Sustentável para Europa

[3] Link: https://youtu.be/ky_x63U57nA

[4] Disponível em: https: //www.archdaily.com.br/br/800186/estocolmo-ja-tem-seu-primeiro-bairro-sustentavel-desde-os-anos-90