De 13 a 16 de junho de 2012 estaremos reunidos aqui no município de Sousa, um estrato do Semiárido no alto Sertão da Paraíba, em torno de ideias e ações sobre Colaboração em Rede entre Ciência e Inovação Social, na Conferência Internacional em Gestão Ambiental Colaborativa – Cigac.
Sousa é um município do Sertão Paraibano a 427Km da capital. Localidade central no sertão nordestino, polo de conhecimento e produção agroecológica e que possui um dos sítios arqueológicos mais importantes do país, o Vale dos Dinossauros, infelizmente ainda não tratado como deveria. Isto é inclusive uma das questões sugeridas por Daniel Duarte Pereira, do Instituto Nacional do Semiárido – INSA, para discussão na Cigac.
Há certamente muitas questões locais que perpassam potencialidades e desafios, o Vale é apenas uma delas. Acredito que uma das coisas que precisamos fomentar, para trazer à tona potencialides e desafios destes espaços e realidades, são vivências complexas nestes estratos do Semiárido. Vivências que se relacionem, assimilem, integrem diferentes perspectivas em micro partes dessas realidades.
É preciso que diversos olhares se juntem num projeto comum de compreender o local junto com o local e traçar, quem sabe colaborativamente, alternativas e ações para um Semiárido melhor. Esta busca precisa se desfazer de imaginários pejorativos e irreais e assimilar progressivamente o que de fato pode ser aquilo que não sabemos.
Sousa, provavelmente como vários outros estratos do Semiárido, reflete uma mistura de narrativas globais em convivência seu próprio tempo interno, enraizado nos hábitos “tradicionais”. A contemporaneidade proposta em partes do seu no visual urbano é resultado naturalmente das imposições dos padrões globais, mas que contém nelas mesmas os territórios das tradições de antanhos que não conseguimos compreender à primeira vista.
O encontro inicial com as estruturas locais que remetem ao global pode nos levar a querer operar com o que consideramos hábitos globais e quase que automaticamente, inconscientemente, como entendo que opera o plano cultural, trazer à tona nossas exigências pessoais, que em vários momentos irão se chocar com a complexidade local, que é muito maior do que a padronização de comportamentos globais imposta pelo sistema econômico mundial. Por conta disto, podemos deixar de perceber, assimilar, compreender como lidar com muitas das potencialidades e desafios locais, que não se tornarão acessíveis para nós senão com convivência, resignação e despertar para este nosso impulso interior de querer ver sempre “o mesmo” como “o outro” e “o outro” como o “o mesmo”.
0sem comentários ainda