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Moradores de rua lutam para manter escola de portas abertas em Porto Alegre

10 de Novembro de 2014, 17:09 , por Gabriel Galli - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A notícia caiu como uma bomba na vida dos estudantes: a Prefeitura quer encerrar o trabalho realizado pela Escola Municipal Porto Alegre. Dedicada à educação de pessoas em situação de rua, a EPA é referência nacional e internacional na área e está mobilizando a cidade pela sua manutenção. Este foi o tema do programa [AÇÃO DIRETA] desta segunda-feira.



Fundada há 19 anos, atualmente a EPA atende mais de 100 alunos. São jovens e adultos que encontraram neste colégio a oportunidade de aprender e buscar uma vida melhor. Em nome disso, eles estão determinados a manter a EPA de portas abertas e organizaram diversas manifestações nas últimas semanas. De acordo com o estudante Edisson José, o movimento tende a aumentar. "A gente tá provando que tem condições de lutar. A gente quer uma explicação da Secretaria Municipal de Educação. Estão tratando a gente como bicho e não como ser humano. Para tratar como ser humano precisa ter conversa", desabafou.

A professora Carla Almeida explica que a escola não é exclusiva para a população de rua, mas conta com uma proposta pedagógica especial para este público. "Contamos com um acolhimento diferenciado. Muitas vezes, o morador de rua não possui documentos ou endereço fixo. Para a maioria dos colégios, isso é uma exigência. Na EPA, facilitamos a entrada do estudante, encaminhamos para a assistência social, resgatamos o projeto de vida dele, investigamos quais são os seus sonhos e estimulamos que eles corram atrás destes sonhos".

Na vida do aluno Deivyd Soares, a EPA é mais que uma escola. "Através da EPA eu passei a acreditar mais em mim. Eu voltei a ser gente. A EPA é nossa casa e os professores, colegas e funcionários são a nossa família", destacou o estudante. Para Deivyd, a possibilidade de compartilhar o que aprende é o maior estímulo para seguir estudando. "Eu gostaria de trabalhar com publicidade, vídeos, imagens. Eu quero mostrar para as pessoas a realidade do morador de rua. Eu quero estudar para levar conhecimento para outras pessoas".

Fechar uma para abrir outra?

A ideia da Prefeitura é transformar a EPA em uma escola infantil. Com isso, os alunos da EPA seriam transferidos para a CMET Paulo Freire, que possui outro perfil pedagógico, além de estar distante do local atual. "Esta outra escola fica do lado de uma boca de craque. Se for transferido pra lá, só um e outro vai continuar estudando", ressaltou Edisson.

Outro receio dos estudantes é o preconceito. "Muitas vezes um morador de rua não tem um chinelo para ir para a aula e na EPA isso é tratado como normal. Às vezes a gente não tem onde tomar banho e na EPA isso é visto como normal. Lá nesta outra escola não vai ser assim", pontuou Deivyd.

Na avaliação de Carla, tratar o caso da EPA como "transferência" revela um desconhecimento da Prefeitura acerca do trabalho realizado ali. "Não é uma transferência, é um fechamento. É um desconhecimento da dinâmica desta população e sua relação com o território".

A EPA funciona na rua Washington Luiz e também oferece oficinas de cerâmica e papel reciclado, no turno inverso, além de atividades de inclusão digital ao meio-dia.

A próxima manifestação está marcada para quarta-feira (12), às 13h30, em frente a escola.

Acesse a página da escola no Facebook.

OUÇA a entrevista completa:

 


 


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