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Montagem Experimental >> Figueira

11 de Outubro de 2010, 0:00 , por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Escultura:  Alissa Gottfried

Texto, Foto e Montagem: FelipeF Nunes

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Figueira

 

O verão se extinguia, os minutos passavam; lentamente a paisagem transformava-se e as flores -- tão belas e vistosas daquela estação -- já aguardavam anciosas o apito do trem.

Do alto da velha Figueira -- lugar de belos pássaros ao cair da tarde -- pode-se ver no céu ao longe, o sol despedindo-se e sumindo rapidamente atrás da coxilha; mas foi ainda quando o último raio de luz apontava no horizonte e a velha Figueira agradecia a Mãe Terra por mais um dia, que a própria pode ouvir toda a conversa das duas belas flores aos pés de seu enorme e centenário caule; uma era  Ripa e a outra era Chulipa.

Ripa com sua fala decidida explica à amiga o seu desejo de passar o inverno ao pé da velha Figueira." Diz ser um lugar protegido; outras flores que já tentaram passar o inverno aqui dizem isso; ao menos foi o que ouvi de duas borboletas que passavam tais como fractais vivos deslizando em suas cores ligações infinitas de possibilidades."

Ela sabe que flores de sua espécie não costumam florir no inverno, e que a maioria despede-se para ressurgir na próxima primavera; mas praticamente em vão tenta mostrar à Chulipa -- que se põe contra o tempo inteiro -- que não precisam ser exatamente iguais as outras, pois são livres e podem fazer o que quiser.

Ripa sempre foi cheia de desejos, de planos; adora o vento frio que vem da das cordilheiras, experimentar novas sensações e sobretudo desafios. Chulipa porém era mais cautelosa, pensava muito e não se deixava levar por  desejos aparentemente absurdos e sem propósito;  além do mais, adora o inverno pra tirar uma sonequinha.

As duas amigas se completavam; havia o equilíbrio:

Uma era o sim

Outra era o não

Uma era o céu

Outra era o chão 

Por isso Ripa não sabendo mais o que fazer para tentar convencer sua amiga à passarem o inverno -- e com ele suas dificuldades juntas -- propõe que perguntem à velha Figueira o que acha de tudo isso e somente ai chulipa concorda, afinal a velha figueira é muito sábia e terá certamente algo inteligente à dizer.

Dona Figueira disfarça, Chulipa pergunta:

-- O que a senhora sábia Figueira que durante anos viu tantas coisas acontecerem pensa de duas flores tentar passar o inverno inteiro acordadas sem pétalas, secas e sem cor -- aparentemente sem propósito algum, por capricho -- sendo que não é natural de nossa espécie esse tipo de atitude?

Dona Figueira então calmamente responde fazendo logo uma outra pergunta:

-- Vocês pequenas, podem me responder o que é de natural que existia antes do céu e da terra?

As duas flores se olham e não sabem o que responder; assim a figueira continua...

-- A mãe universo!

“ Insondável como o mar, maravilhosamente terminando apenas para começar outra vez, animando toda a criação sem se exaurir.”

Ela fez tudo perfeito!

“O céu não pode deixar de ser alto.

A terra não pode deixar de ser larga.

O sol e a lua não podem deixar de girar.

Toda a criação tem de florecer.”

Portanto exercitem suas livres – vontades, respeite a opinião dos outros (ela importante) e extraiam o melhor da vida sempre; demais espero poder passar o inverno com vocês, e saibam, que embaixo de meus galhos ficaram muito bem protegidas. Agora se me dêem licença preciso ir dar um pouco de conforto à alguns pássaros que acabaram de chegar de muito longe e terão certamente algo de novo para contar da viagem; boa noite para as duas.

Aquela noite quase as duas flores não conversaram; ficaram mais foi pensando nas palavras da velha figueira que ecoou em suas mentes a noite toda.

O dia nasceu, e tão Logo a Velha Figueira despertou, rapidamente percebeu a ausência das duas belas flores suas amigas. Por algum instante ficou triste, mas de tanto ver a vida começando outra vez todos os dias – sol a sol – sempre tudo tão natural e perfeito, sorriu e saudou de forma solene mais um tempo-no-tempo mais um dia.

As flores na próxima primavera voltaram com certeza

Realeza em cores

Onde o belo e simples

Sobretudo aquilo que chamamos de amor

Será o que move o mundo

Ontem, hoje e sempre

Tudo em sua constante renovação

 

 

 

 

 

Sem -- Fim --


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