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Blog do Bertoni

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Inventor do termo petralha reconhece que sua turma passou dos limites

14 de Setembro de 2017, 23:48, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Nem Reinaldo de Azevedo, o jornalista liberal que na juventude foi trotskista e militante da Liberade e Luta, a Libelu, se conformou com o medonho comportamento da procuradora de Curitiba que se irrita com o tratamento carinhoso do ex-presidente Lula, quem Azevedo detesta e combate.

Até Reinaldo, vejam só, o Azevedo, cravou: arrogância de classe!

Na verdade é pior, pois a procuradora não é a elite que imagina ser. É apenas uma serviçal de classe média que não entende que está sendo usada para fazer o serviço sujo contra os brasileiros e depois será descartada como lixo da história. É uma capitã do mato, um objeto que se pensa sujeito.

Confira!

 

A “formalista” procuradora que rejeita “querida” já gravou vídeo incitando o povo contra o Senado

Um vício de linguagem do ex-presidente vira suposta manifestação de desrespeito a uma representante do MPF. O nome disso: arrogância de classe!

Por: Reinaldo Azevedo

Claro, né? Se eu não fosse eu; se eu fosse outro, não iria aqui confrontar alguns fatos, digamos, insólitos.

Cristina Groba Vieira, a procuradora que interrogou Lula nesta quarta, pertence ao núcleo militante mais radical da Força Tarefa. É da turma de Deltan Dallagnol e Carlos Fernando — a dupla que tomou chá de sumiço em tempos de Marcelo Miller. E, como veremos, ela vai fundo na militância, a exemplo dos outros dois. Já volto ao ponto.

Nesta quarta, em Curitiba, aconteceu algo que tem a sua graça. E que só pode ser explicado pela arrogância — traços de arrogância de classe mesmo, temperada pelo tal espírito militante, além de zelo corporativista.

Num dado momento do depoimento, a douta doutora Cristina, lídima representante do MPF, Senhora Procuradora, fez uma pergunta realmente insólita a Lula. Quando o petista respondeu que a diretoria do Instituto Lula resolvera não ficar com o tal terreno que abrigaria a entidade — e que, segundo a acusação, seria propina paga pela Odebrecht —, ela quis saber se havia algum documento formalizando a recusa.

Bem, digam os de bom senso, os advogados, os especialistas: que sentido faz isso? Seria um caso de exigência de produção de prova negativa? Isso já não é prova diabólica, mas do capeta, rsrs.  Ela já tinha perguntado se Lula se ocupara de reunir os recibos evidenciando que pagava aluguel pelo apartamento contíguo ao seu, em São Bernardo, já que o MPF sustenta que o imóvel é seu. A douta doutora e sábia senhora procuradora quis saber, em suma, se, depois da acusação, ele se ocupara de provar que é inocente.

E se tem, então, o seguinte diálogo:
Lula – “Não, eu não tenho, querida, eu não tenho.”
Groba Vieira – “Também pediria que o senhor ex-presidente se referisse ao membro do Ministério Público pelo tratamento protocolar devido.”
Lula – “É, como é que seria? Doutora?”
Moro – “Sei que, evidentemente, o senhor ex-presidente não tem nenhuma intenção negativa em utilizar esse termo “querida”, mas peço que não utilize, tá? Pode chamar de “doutora”, “senhora procuradora”, perfeito?”

Perfeito!

Uma nota: todos sabem que Lula tem o hábito de chamar interlocutores de “meu querido”, “minha querida”. Dois dedos de prosa, e ele já opta pela informalidade. Ok. Se a doutora, douta procuradora, ilustre representante do Parquet, Senhora dos Mundos, não queria, então não. Mostrava-se, assim, uma formalista empedernida.

Uma das coisas que me fazem ser eu é a memória. E não posso esquecer que a doutora deixou todo formalismo de lado quando, em companhia de Deltan Dallagnol e Carlos Fernando, gravou um vídeo incitando a população a se mobilizar contra o Senado, que votaria o necessário e correto projeto que muda a lei que pune abuso de autoridade. O vídeo segue abaixo. Vejam. Volto em seguida:


Cabe perguntar: a lei, e não apenas o formalismo, não obriga a doutora, senhora procuradora, sábia, ilustre e inigualável a se dispensar de fazer política? Será que lhe é permitido incitar a população contra o Senado? A minha pergunta é apenas retórica. A resposta é “não”. Cabe, inclusive, punição para tal ato, não estivesse o MPF mergulhado na anarquia.

Com a devida vênia, há quem ache que manifestações de arrogância e prepotência contra Lula estão justificadas por si mesma. Eu não acho. Contra ninguém!

Como esquecer?
No primeiro depoimento de Lula, no dia 10 de maio do ano passado, algo parecido aconteceu.

O representante do MPF era Roberson Pozzobon, o segundo mais espevitado, depois de Dallagnol, entre os “new kids on the block” do direito achado no alarido. O próprio Moro tomou o cuidado de tratar Lula, então como agora,  por “sr. ex-presidente”. O rapaz, sei lá, deve ter achado que era formalidade indevida a um criminoso e escolheu “sr. Luiz Inácio”. O juiz ficou impassível. Só lhe recomendou mais solenidade depois que a defesa reagiu.

Lula tratou, em regra, antes e agora, por “doutor (a)” e “senhor” o juiz e os membros do MPF. Na única vez, lapso claro, em que deixou escapar um “você” ao responder a Pozzobon, foi de pronto repreendido por Moro: nada de “você”! Tem de ser “senhor”.

Escrevi então:
“O que esse processo tem a nos ensinar? Infelizmente, nada. Digamos que Lula venha a ser condenado nesse caso. Pode até ser justo moralmente, mas os motivos estarão, dado o que se tem até agora, errados.  E isso, em vez de fortalecer a Justiça, só concorre para degradá-la. E os protagonistas dessa corrosão são os “viciados em si mesmos”.

O que está em curso em Brasília, com a evidência de que setores do MPF mergulharam de cabeça no crime, prova que eu estava certo.



Maníaco do Parque delata Lula e pede redução da pena

8 de Setembro de 2017, 12:09, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Oglobo08092017

Do Perfil Companheiros_PT



Chineses recebem efusivamente o Mister Fora Temer

1 de Setembro de 2017, 0:18, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

O golpista Temer é recebido na China com todas as honras protocolares que o momento exige.

#ForaTemer

Fora temer foto china visita



Músicas mostram que o Brasil não muda!

31 de Agosto de 2017, 23:18, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Tem horas que eu adoraria que uma música do passado fosse apenas um clássico a nos lembrar tempos remotos que já não voltam mais.

O problema é que na música brasileira há canções do passado que permanecem atualíssimas em tudo, nos esfregando na cara que o Brasil é um país que não muda e que nós seguimos empurrando os problemas com a barriga.

Eis aqui duas canções que nos lembram que precisamos ter mais coragem e mudar a realidade do Brasil de vez.

Chega de remediar, de empurrar com a barriga.

HOJE

Compositor: Taiguara Silva

Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero, a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo
 
Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Cores, viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos
Mas hoje,

As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas
Na solidão das noites frias por você
 
Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo, acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte
 
Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte
 
Ah, sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim como eu te amei
 
Ah, sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim como eu te amei
 

 

E Se...

Compositores? Chico Buarque e Francis Hime
 
 
E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o Botafogo for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
E se o pantanal virar pirão
E se o Pão-de-Açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se à meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la para dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então
De mim


Ação de araponga de rede digital faz com que MP indicie ativistas

29 de Agosto de 2017, 16:10, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Quando a esquerda vai aprender a não confiar nas redes digitais norteamericanas?

Quando os que se dizem revolucionários apostarão de fato nas alternativas tecnológicas nacionais e soberanas?

Quantos mais precisarão ser presos, indiciados ou condenados para que se aprenda que não há democracia em rede digital controlada pelo capital financeiro?

O araponga do exército se infiltrou nos movimentos através das redes digitais norteamericanas!

Araponga de rede digital



Privatiza!

25 de Agosto de 2017, 20:54, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

A privatização é sempre a melhor solução!

Para o patrão!

Quem a paga a conta é o povão!

Privatizaçaoxestatização

Ilustração enviada por MidiaCrucis Maria Info, via e-mail, publicada no perfil de @GringaBrasilien



Petrobras, 'mal' administrada pelo Estado Brasileiro é mais lucrativa que 'bem' administrada pelo mercado

25 de Agosto de 2017, 0:57, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Deixa-se enganar quem quer. Os números deixam claro:

Petrobras, "mal" administrada pelo Estado Brasileiro é mais lucrativa que "bem" administrada pelo mercado

Lucro da petrobras

Imagina que lucro daria se fosse bem administrada pelo Estado Brasileiro.

Já estaríamos todos a frente do chamado mundo desenvolvido.

Mente quem diz que a Petrobras precisa ser privatizada.

Para dar lucro para o povo brasileiro, ela precisa ser bem adminsitrada pelo Estado Brasileiro.



Jamais se esqueçam disso: Lula sem povo não existe!

22 de Agosto de 2017, 16:52, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Lula sem povo não existe

Extremamente a importante a frase de Lula pronunciada durante a caravana #LulapeloBrasil.

Ela nos lembra a todos, trabalhadores e trabalhadoras, intelectuais e intelectualóides, estrategistas da vitória e da derrota, governantes e governados, politicos e politiqueiros, revolucionários e conservadores, burros e inteligentes, coxinhas e mortadelas, ricos e pobres, que Lula não existe em si, a priori, Lula é fruto da Luta da Classe Trabalhadora Brasileira e Mundial e nela existe, pois sem ela é apenas mais uma pessoa física, como outros bilhões que existem no planeta.

Para destruir Lula é preciso destruir todo o povo. Luis Inácio pode deixar de existir, mas Lula só deixa de existir quando não mais houver povo.

Então, estrategistas da governabilidade sem povo, jamais se esqueçam disso. Lula só existe porque existe o povo e o PT foi feito para governar para este povo, que é quem faz o PT ser o Partido dos Trabalhadores, não aquela coisa igual aos demais que se lambuzou nos esquemões do financiamento eleitoral.

E se não concordam comigo, que digam ao Lula que a frase dele está errada e que o mesmo está equivocado.



Isso sim é Zuera!

18 de Agosto de 2017, 1:20, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Antecipação de salários atrasados. Isso sim é que é Zuera.

Esse Pezão e seus jornalistas de aluguel são uns gozadores.

Vivem a tirar sarro da cara dos cariocas...

E de todos nós que habitamos este país...

Antecipação de salarios atrasados



Sem Ciência não tem viagra, diz protesto contra Temer

18 de Agosto de 2017, 0:53, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

O corte de verbas pelo governo de facto de Michel Temer para a Ciência e Tecnologia resultou num protesto inusitado contra o golpista.

Sem ciência não tem viagra

“Sem ciência não tem Viagra”, diz o cartaz que está divulgado nas redes sociais.

A iniciativa é de um grupo de cientistas que protesta contra da fusão do Ministério da Ciência e Tecnologia com o Ministério das Comunicações.

A galera solicita aos colegas da comunidade científica que troquem as fotos de seus currículos Lattes por imagens com a expressão #FicaMCTI e pressione senadores e deputados por e-mail e nas redes sociais.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações sofreu contingenciamento de verba de R$ 103,6 milhões (44%) sob o atual governo, ameaçando seriamente a área de pesquisas, a soberania e o futuro do país.

Estes cortes de orçamento em áreas estratégicas só comprovam o que já se dizia antes do Golpe de 2016. Trata-se de um golpe contra o Brasil, seu povo e sua Soberania e Independência, deferido por corruptos que odeiam o país e buscam de todas as formas doá-lo aos estrangeiros e devolvê-lo à época da colonização.



Bossalnazi atinge ovo. Nossas condolências à galinha!

17 de Agosto de 2017, 23:09, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Bossalnazi e o ovo

Imagem enviada por Luiz Skora via Telegram



Chegou o Dórinha, porque ser prefeito é brincadeira!

16 de Agosto de 2017, 18:50, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Do perfil de O Soldadinho de Chumbo, sugerido por Luiz Skora, via twitter.

Dorinho



O delírio da elite: Gleisi bolivarina

14 de Agosto de 2017, 14:47, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Doidera da quantoé Há anos não dou a menor pelota para a Istoé, aquela revistinha semanal da Editora Três conhecida nos meios jornalísticos por QuantoÉ, já que publica qualquer coisa se receber por isso, seguindo à risca a lei do mercado de prostituição "Pagando bem, que mal tem?".

Pois bem, esta semana a QuantoÉ mostra mais uma vez quão delirante é a elite brazuka e seus jornalistas a soldo.

A capa do panfleto com Gleisi Hoffmann de boina vermelha como se fora uma revolucionária bolivariana é além da conta. Ultrapassa todos os limites da inteligência e do bom senso, coisa que parece em falta à elite escravocrata brasileira.

A esquerda considera Gleisi moderada demais. Já os mais radicais a chamam de Barbie do PT e até mesmo de Beto Richa de saias, maldosamente comparando-a ao governador tucano do Paraná...

Gleisi Hoffmann é no máximo uma social-democrata, modelo europeu anos 1970. Bolivariana, jamais.

Só mesmo o ódio de classe e a sanha de vincular os revolucionários a bandidos pode explicar tamanha sandice de QuantoÉ.



A Era do Capital Improdutivo – e como superá-la

13 de Agosto de 2017, 3:01, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Capital improdutivo

Em seu novo livro, Ladislau Dowbor oferece chaves preciosas para decifrar a metamorfose do sistema e suas novas formas de dominar e concentrar riquezas. Também sugere: é possível vencê-lo – mas com outros métodos…

Antonio Martins*

 

A Era do Capital Improdutivo, de Ladislau Dowbor é o primeiro livro editado por Outras Palavras, em parceria com a editora Autonomia Literária. Já está à venda (em breve, lançamentos). Veja aqui o que este passo representa para o site e quais os nossos próximos projetos

Cinco famílias lideradas por homens brancos agora concentram mais riqueza que metade – 3,5 bilhões – dos habitantes do planeta. Em todo o Ocidente, a democracia declina e perde apoio porque é vista, cada vez mais, como um regime dos ricos e corruptos. O aquecimento global já se materializa na forma de mega-icebergs desprendendo-se da Antártida (sem falar nas primeiras levas de refugiados climáticos), mas os governantes permanecem desinteressados ou impotentes. No Brasil, os bancos privados multiplicam seus lucros em meio à maior recessão da História – e são o setor mais bem representado em todos os governos, antes e depois do golpe. Apesar da imensa concentração de riquezas, o sistema vai mal, deparando-se com taxas de crescimento medíocres e o risco crescente de uma nova crise financeira, que seria ainda mais devastadora e possivelmente incontrolável. Capa31jul e1501543447502 300x450

O que estes fatos, aparentemente díspares, têm a ver uns com os outros? Mais importante: como decifrar os mecanismos que impulsionam em conjunto todos eles? Será possível revertê-los e escapar de uma armadilha que parece aprisionar tanto a humanidade quanto a própria ideia de emancipação social? Encontrar as respostas tem sido, desde a virada do século, o desafio difuso que persegue ativistas em todo o mundo – e que mobiliza um punhado de pensadores ligados às lutas sociais. Em A Era do Capital Improdutivo, Ladislau Dowbor revela que o crescimento abissal das desigualdades, a ausência de limites para a depredação da natureza e o esvaziamento da política podem ser faces de um só fenômeno. Uma nova metamorfose do capitalismo (para usar expressão de Celso Furtado) criou um sistema que já não pode ser compreendido – muito menos superado – manejando apenas as chaves analíticas do passado. O autor não se contenta em constatar o déficit teórico: ele adianta pistas para ultrapassá-lo, ou seja: para tramar um novo projeto pós-capitalista.

* * *

A natureza mutante do capitalismo já havia sido destacada por Karl Marx. Mais recentemente, François Chesnais formulou, em A mundialização do capital (1988) e em obras posteriores, a hipótese do declínio do industrialismo e o surgimento de um “regime de acumulação sob dominância financeira”. Ladislau está de acordo, e oferece farta documentação e dados a respeito. Para dar ao leitor noção das dimensões do cassino financeiro global, mostra, por exemplo, que só as transações financeiras com “derivativos” – aquelas em que não se negociam mercadorias, mas apenas índices (a taxa de inflação, o preço de uma moeda, a cotação de uma commodity) atingiram 710 trilhões de dólares em 2013 – ou 9,6 vezes o PIB mundial naquele ano.

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Mas A Era do Capital Improdutivo situa esta transição num conjunto de outras transformações civilizatórias marcantes, que se acentuam a partir dos anos 1950. A primeira delas é uma drástica mudança na arquitetura do poder mundial. Pela vez desde a Paz de Westphalia (1648), os Estados-Nações estão deixando de ser os atores centrais. Em seu lugar, emergem as megacorporações globais – grupos financeiros gigantescos; conglomerados industriais ligados e eles; um punhado de dealers que controlam o grosso do comércio de alimentos, minérios e combustíveis no planeta.

A passagem de bastão se dá por dois motivos. Primeiro, a concentração empresarial, mais intensa que nunca. Apoiado num vasto estudo do Instituto Federal Suíço para Pesquisa Tecnológica – o renomado ETH –, Ladislau demonstra que 147 grandes corporações (75% delas financeiras) controlam hoje, sozinhas, 40% do PIB do mundo. Numa espécie de “núcleo do núcleo” estão 28 “instituições financeiras sistematicamente importantes” (SIFIs, em inglês), cada uma das quais tem capital médio de US$ 1,8 trilhão (superior ao PIB do Brasil, a sétima economia do planeta).

O problema não é só o gigantismo. As megacorporações atuam em todo o mundo, enquanto os Estados-Nações são limitados por fronteiras. Todas mantêm sedes e filiais em “paraísos fiscais” (um capítulo do livro é reservado a examiná-los), onde podem articular oligopólios, evadir impostos ou praticar fraudes “livres” do constrangimento de governos ou Judiciários. Mais recentemente, diversos acordos comerciais permitem-lhes formar tribunais paralelos (Investor-State Dispute Settlement, ou ISDS, em inglês), nos quais podem exigir indenizações de Estados que adotem normas consideradas hostis a seus interesses (por exemplo, a redução da jornada de trabalho ou uma nova lei de proteção da natureza…).

O resultado é o esvaziamento rápido da democracia. Porque surgiu – acima dos Estados e com força superior à deles – uma nova esfera global de poder. Está inteiramente colonizada: em seu interior, o capital reina absoluto; não há eleições, parlamentos, governos escolhidos pela sociedade, transparência. Quem conhece a agenda do FMI, ou sabe como votam os representantes brasileiros na Organização Mundial do Comércio? Como frisa o autor, “o poder mundial realmente existente está nas mãos de gigantes que ninguém elegeu e sobre os quais há cada vez menos controle”.

A terceira grande transformação está ligada às novas relações entre a natureza, ser humano e conhecimento; ao advento do que passamos a chamar de Antropoceno. Ladislau insere-se claramente entre os autores que o vêem como resultado do predomínio das lógicas mercantis. O livro resgata, à página 24 um gráfico desconcertante e pouco conhecido, em que está representada a evolução de fenômenos normalmente não relacionados: aumento da população humana, PIB, concentração de CO² na atmosfera, número de automóveis, consumo de papel, extinção de espécies, destruição das florestas e outros.

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As curvas são coincidentes: tudo dispara a partir de 1950, num claro sinal de que entramos em outra fase. O autor analisa: “todos querem consumir mais, cada corporação busca extrair e vender mais, e tecnologias cada vez mais potentes permitem ampliar o processo (…) Para a maioria dos economistas, o crescimento é tão necessário quanto o ar que respiramos”. Duas consequências dramáticas, já visíveis, são o declínio abrupto da vida marinha e os sinais de uma sexta extinção em massa das espécies: “em apenas quarenta anos, de 1970 a 2010, destruímos 52% da fauna do planeta”.

A devastação da natureza é facilitada pelo “avanço” tecnológico, mas em mais de um trecho o livro demonstra: esta mesma técnica ameaça, perigosamente, criar uma sociedade cada vez mais desigual e alienada. A concentração de riquezas é possível, em escala nunca vista, porque um pequeno número de corporações controla e processa informações sobre os mercados e inclusive sobre nossas vidas. O sinal mais evidente de que as questões social e ambiental se entrelaçam está expresso numa formulação ao mesmo tempo feliz e terrível: “estamos destruindo o planeta (…) de forma muito particular para o proveito do 1%”.

Em muitos de seus textos recentes, Immanuel Wallerstein tem sustentado que o capitalismo, tal como o conhecíamos, vive em crise terminal; mas que não é possível saber, o que o substituirá – e não se deve afastar a hipótese de que seja um sistema ainda mais desigual, mais hierárquico, mais alienante e menos democrático. Em seu novo livro, Ladislau Dowbor parece sugerir que este cenário de pesadelo está sendo montado agora, diante de nossos olhos.

* * *

O próprio livro fornece, porém, elementos para enxergar como tal construção é instável; como resta, portanto, espaço para a resistência e a busca de alternativas. O livro trata, em especial, de duas vulnerabilidades. A primeira é o declínio do próprio crescimento econômico – objetivo essencial da lógica mercantil –, acompanhado de riscos novos de terremotos financeiros avassaladores.

A concentração de riquezas, explica o autor, acaba convertendo-se num obstáculo à reprodução do ciclo do capital. Sob o regime de dominância financeira, cresce o rentismo – a capacidade de apropriar-se da riqueza social sem nada produzir. O Brasil (a que Ladislau dedica dois capítulos) é um exemplo extremado. O sistema financeiro estende seus tentáculos tanto sobre o orçamento público (de onde são desviados R$ 400 bilhões, ou cerca de treze programas Bolsa-Família ao ano) quanto sobre as famílias e empresas (reduzindo a capacidade de consumo e as margens de lucro). Em meio ao terceiro ano seguido de recessão, os lucros dos bancos não cessam de crescer.

Mas o resultado desta punção é, em todo o mundo, a economia estagnada. Desde os abalos de 2008, não houve recuperação efetiva. O autor explica, dando tintas atuais às ideias de Marx sobre as crises de superprodução: os mais ricos entesouram seu dinheiro; são as maiorias que gastam quase tudo o que recebem – mas se elas são atingidas pela desocupação e pela queda dos salários, quem manterá a economia girando? Que empresários ousarão investir, se os consumidores finais estão quebrados?

A segunda debilidade crucial é a ineficiência das empresas. Para desenvolver o tema, Ladislau recorre a seus estudos e experiência como gestor e planejador – algo raro entre a esquerda. A intensa concentração empresarial, explica, criou conglomerados enormes e disformes, movidos cada vez mais pela lógica única da rentabilidade financeira, incapazes de atender às demandas sociais e mesmo de evitar fraudes e tragédias. O exemplo emblemático é o do desastre de Mariana: “entre o engenheiro da Samarco que sugere o reforço na barragem e a exigência da rentabilidade da Vale, Billiton e Bradesco, a relação de forças é radicalmente desigual”. O resultado é o soterramento do distrito de Bento Rodrigues.

Os exemplos de ações fraudulentas entre as grandes corporações, aliás, multiplicam-se. O sistema financeiro é líder, mas a Justiça garante blindagem: “Praticamente todos os grandes grupos [internacionais] estão com dezenas de condenações, mas em praticamente nenhum caso houve sequelas judiciais como condenação pessoal dos responsáveis (…) Basta a empresa fazer, enquanto pratica a ilegalidade, uma provisão financeira para enfrentar os prováveis custos do acordo judicial”. A velha mídia cumprirá seu papel, ocultando sempre que possível os crimes e construindo, contra todas as evidências, a imagem de corporações responsáveis e de famílias saltitantes, felizes com seu banco. Mas as enxurradas de publicidade não apagam os fatos: tem futuro um sistema que não é capaz sequer de cumprir sua promessa de crescimento e eficiência?

* * *

Por outro lado, é possível enfrentar este capitalismo metamorfoseado com as ideias e personagens dos séculos passados? Ladislau Dowbor tem pistas também para esta questão. Em certo trechoele recomenda “aos sindicatos e movimentos sociais” examinar melhor as novas formas de extração de mais-valia. Explica: “A forma tradicional – o patrão que produz mas paga mal, ensejando lutas por melhores salários – foi brutalmente agravada por um sistema mais amplo de extração do excedente produzido pela sociedade”. Nos novos tempos, “todos somos explorados, em cada compra ou transação, seja através dos crediários, dos cartões, tarifas e juros abusivos, seja na estrutura injusta da tributação”. Há aqui uma fraqueza por excesso: “O rentismo é hoje, sistematicamente mais explorador, e pior, um entrave aos processos produtivos e às políticas públicas. (…) Sua grande vulnerabilidade está no fato de ser improdutivo, de constituir dominantemente uma dinâmica de extração sem contrapartida à sociedade”.

“Quem serão os atores sociais” aptos a enfrentar este poder? Pergunta Ladislau em outro ponto, que talvez merecesse ser mais destacado no livro. Ele mesmo responde: “Os partidos, os governos – mesmo democraticamente eleitos – e até os sindicatos estão fragilizados e sem credibilidade. O que era uma classe trabalhadora relativamente homogênea e com capacidade de articulação (…) é hoje extremamente diversificada pela multiplicidade e complexidade de inserção nos processos produtivos”. A esperança estaria numa espécie de novo proletariado, já entrevisto por autores como David Harvey e Toni Negri: “Os prejudicados do sistema são a imensa maioria, e não faz sentido o 1% pesar mais que o 99%”.

Como inverter a balança – ou seja, como abordar a luta pela emancipação social na Era do Capital Improdutivo? Aqui, Ladislau destoa tanto do pensamento econômico tradicional quanto de grande parte dos economistas de esquerda, tão autolimitados pelo mito segundo o qual “não há orçamento” para atender às demandas sociais. É preciso, mostra o livro, opor, às lógicas contábeis da “austeridade” e dos “ajustes fiscais”, outras realidades.

“Se há uma coisa que não falta no mundo são recursos”, lembra Ladislau – e aqui ele parece atualizar a ideia de Marx sobre a contradição entre a técnica (as “forças produtivas”) que avança, e o sistema social (as “relações de produção”) que se vê obrigado a limitá-la – porque podem ser uma ameaça aos privilégios. O livro ressalta: “O imenso avanço da produtividade planetária resulta essencialmente da revolução tecnológica que vivemos. Mas não são os produtores destas transformações que aproveitam. Pelo contrário, ambas as esferas, pública e empresarial, encontram-se endividadas nas mãos de gigantes do sistema financeiro, que rende fortunas a quem nunca produziu e consegue nos desviar radicalmente do desenvolvimento sustentável, hoje vital para o mundo”.

O autor resgata dados desconcertantes – mas sempre ocultados, porque incômodos. “Se arredondarmos o PIB mundial para 80 trilhões de dólares, chegamos a um produto per capita médio de 11 mil dólares. Isto representa 3.600 dólares por família de quatro pessoas, cerca de 11 mil reais por mês. É o caso também no Brasil, que está exatamente na média mundial em termos de renda. Não há razão objetiva para a gigantesca miséria em que vivem bilhões de pessoas, a não ser justamente o fato de que o sistema está desgovernado, ou melhor, mal governado e não há perspectivas no horizonte”.

Mas como ir além do sistema? Ladislau frisa, desde o início, que sua experiência o ensinou a passar ao largo das ideologias – os “ismos”, como ele as chama. Quer saídas práticas. Porém, a radicalidade do que propõe, sempre com base em um imenso volume de dados articulados, convida a especular: tais respostas não cabem no sistema a que estamos submetidos. Por isso, talvez não haja heresia em dizer que o autor pratica um “pós-capitalismo discreto”. É como se dissesse, à moda de Leminsky: não se afobem: “distraídos, venceremos”.

O livro termina com o “Esboço de uma Agenda”, um brevíssimo ensaio construído em co autoria com Ignacy Sachs – um dos propositores do conceito de “ecossociodesenvolvimento – e Carlos Lopes – pesquisador africano, ex-subsecretário-geral da ONU.

Proposto em 2010, o rascunho chama a atenção por sua atualidade. Nele, propostas estruturais – como a instituição Renda Básica da Cidadania, a redução da jornada de trabalho, a reorganização do sistema financeiro, a reorientação dos sistemas tributários e a livre circulação do conhecimento (em oposição à “propriedade intelectual” e aos sistemas de “copyright”) – figuram lado a lado com mudanças de atitude decisivas (como a “moderação do consumo” e a “generalização da reciclagem).

É pouco, certamente – e é ótimo que seja assim. Reconstruir um projeto de emancipação social será obra de multidões e exigirá décadas de imaginação, sondagens, tentativas, erros, novas reflexões e criações. O que o livro de Ladislau Dowbor reitera é que o esforço começou; que já somos capazes de nos perceber submetidos à Era do Capital Improdutivo – mas também de buscar as saídas; que, em oposição ao futuro distópico que hoje nos ameaça, podemos tatear o pós-capitalismo.

Fonte:

http://operamundi.uol.com.br/dialogosdosul/a-era-do-capital-improdutivo-e-como-supera-la/09082017/



Que espécie de seres somos nós, os tais humanos?

11 de Agosto de 2017, 13:49, por Feed RSS do(a) Bertoni - 0sem comentários ainda

Em que espécie de seres nos transformamos?

Acreditamos na mentira, chamando-a de pós-verdade.

Brigamos com os amigos, mas não temos coragem de lutar contra os inimigos.

Mesmo que insconscientemente, atacamos os pobres (humanos, trabalhadores e trabalhadoras) e defendemos os ricos (capital).

Desprezamos o que é nosso e cobiçamos o que é dos outros.

E fazemos um país onde canções escritas há décadas seguem atualíssimas como se nada tivessemos feito para mudar nossa realidade.

Que espécie de seres nunca deixamos de ser?

O Teatro dos Vampiros
Legião Urbana

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos

Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos

Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa, envelhecemos dez semanas

Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite, ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas, esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar

Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei, não sou perfeito
Eu não esqueço

A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir

Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa, envelhecemos dez semanas

Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas e mesmo assim
Não tenho pena de ninguém