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Musica: Brasil do disco “ideologia” 1989

Autores: Cazuza, George Israel, Nilo Romero.

Interprete: Agenor de Miranda Neto (Cazuza)

Letra:

Não me convidaram                                               
Prá esta festa pobre
Que os homens armaram
Prá me convencer
Apagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Prá gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Prá gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...(2x)

Confia em mim
Brasil!!

Não me convidaram
Prá essa festa pobre
Que os homens armaram
Prá me convencer
Apagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me sortearam
A garôta do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer \"sim, sim\"

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Prá gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...


Análise

 Os autores da musica “Brasil” procuraram retratar o período em que o Brasil vivia a transição da ditadura militar (1964-1985) para a possível democracia - que vai até a eleição de Collor.

Essa música, que faz parte do rock nacional dos anos 80, tem seu auge paralelamente com a campanha das diretas-já, que em 1985 mobilizou todo o país, com o plano Cruzado e seu acaso na era Collor e também com as eleições indiretas para presidente em 1985 que elegeu Tancredo Neves para a presidência da república, este faleceu antes de tomar posse por motivos de doenças estomacais, deixando a presidência para seu vice José Sarney.

O rock oitentista e especialmente essa música, andou lado a lado com as esperanças de transformação do país com a abertura democrática e permitiu também desenvolver uma temática mais vinculada a questões sociais buscando “mostrar a cara do Brasil”. Anos se passaram e essa canção continua extremamente atual. O eu lírico dessa música pode ser um menor abandonado ou uma pária dessa sociedade injusta. Para conseguir o que quer, usa a violência como sugere nos versos “meu cartão de credito/ é uma navalha”.

A expressão “festa pobre” sugere um desdém a esse estado de coisas. O fato de ele ficar na porta reflete a sua exclusão social. A televisão colabora para que as pessoas não se rebelem contra o que está acontecendo, transformando-as em robôs.

O trecho “não me sortearam a garota do fantástico/ não me subornaram” nos faz refletir um pouco mais sobre a corrupção que assola o Brasil desde os velhos tempos. No trecho “ grande pátria desimportante/ em nenhum estante eu vou te trair” passa um sentimento de desilusão devido ao caos que se encontrava o Brasil entretanto, mostra-se resistente e disposto a lutar por mudanças. Portanto, a música faz uma análise crítica e associa imagens narrativas de uma voz excluída remetendo o nosso olhar em direção ao país que vivemos.

http://softwarelivre.org/glecia-rac/cazuza-brasil3.mp3