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Um mestre, por favor!

2 de Agosto de 2011, 0:00 , por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Onde foi que deixei meus mestres? Fiquei velha. Velhos tem que ser mestres, mas eu não sou, eu preciso urgente de um mestre.

Tive vários mestres, alguns poderosíssimos. O mais importante deles se foi pra outra dimensão há mais de dez anos e até hoje ele aparece, igualzinho nos filmes do Skywalker, com suas revelações. Claro que antes de ir pra lá ele era bem mais compreensível (nem todos concordavam), agora eu confesso que seus ensinamentos não estão muito ensinantes… Ou será que os meus problemas é que ficaram mais complexos, de modo que respostas diretas não ajudam mais?

Preciso de um mestre.

Entrei num bar e pedi: um mestre, por favor! O garçom perguntou gentilmente se isso era marca de alguma cerveja nova. Troquei o mestre por uma malzebier. Por alguns instantes, serviu para acalmar a alma. Respostas? Bom, tem gente por aí procurando respostas no fundo dos copos. Se alguém achar me avise, passei anos olhando pra fundos de copo e o máximo que encontrei foi o vazio sujo do copo, às vezes meio embaçado pelo efeito da transferência de conteúdo.

Depois de brigar por uma hora e meia com meu 3G que não funcionava ( lembrete: passar na loja mais tarde), voltei pra casa atrás de uma conexão segura.

Entrei no chat e pedi: um mestre, por favor! Chat errado: lá sou a moça do pos-doc, se peço um mestre, o que vem? Saltanto um título fresquinho aqui pra moça do nick andrógino! mmm não, wrong place. Problemas de comunicação são tão frequentes em chats quanto em conversas face to face…

Pensei no amigo google, mas ele, coitado, está corrompido pelos próprios scrips que dão aos usuários as respostas que eles mesmos escolhem. Ele analisa o que costumamos buscar e nos dá como resposta sempre algo dentro desse escopo, certo de que vai nos satisfazer. Como certas pessoas (a maioria?), fala o que pensa que você quer ouvir. A primeira entrada: Mestrado – Wikipedia, a enciclopédia livre.

Isso me fez lembrar dos meus tempos de rata de biblioteca, fuçando enciclopédias atrás de qualquer coisa interessante, lendo física, química, engenharia, literatura, biologia e outras coisinhas mais… Eu era bem mais livre naquele tempo. Ok, amigo google, forgive me, hoje não é esse o tipo de agrado que eu desejo.

Preciso de um mestre e ainda não fabricaram oráculos eficientes na internet.

E os mestres vivos? Aqueles que passaram tintas de belas cores na minha vida fluída e ficaram em margens do meu passado como belas paisagens que merecem ser lembradas?

Percebo o dilema. Preciso de um mestre, mas não qualquer mestre. Preciso de um mestre que não precise de mim para coisa alguma. Preciso de um mestre que não goste (nem desgoste) de mim. Que ouça minhas dúvidas sem conseguir fazer qualquer relação das dúvidas com as suas próprias. Preciso de um mestre que não queira me salvar ou passar a mão na minha cabeça, que não venha dizer o caminho a seguir, mas apontar as falhas de todos os caminhos existentes.

É, minha cara, você está velha! Esse mestre que você procura é o mesmo que você tenta ser praqueles que chegam no teu boteco e pedem: um mestre, por favor! O que será que ofereço de volta, malzebier?

A todos que querem um mestre, meu respeito. Diferentemente de duendes ou outras criaturas mágicas, mestres existem. Geralmente estão por aí, nos bares, nos chats, em sistemas de busca pedindo, sem sucesso: um mestre, por favor!

Rio (fonte: http://riosdesonhos.wordpress.com/2011/08/02/um-mestre-por-favor)


Tags deste artigo: mestre professor educação texto livre

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