Ir para o conteúdo
ou

Software livre Brasil

Tela cheia
Mapa binario
 Feed RSS

Blog do Sady - Opinião por opinião, essa é a minha!

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
Licenciado sob CC (by-sa)

Aqui você encontra um fantástico, maravilhoso exemplo de ficção humana: pensamos ser mais exclusivos que todos os outros e acabamos mais universais do que sequer poderíamos imaginar!

 

"A palavra mais importante da minha vida é solidariedade.”     Oscar Niemeyer, 104 anos de vida concluídos em 05/12/2011.

 

http://softwarelivre.org/sady

Cel.: (51) 8213 5999 (51) 9913 3213


Aos integrantes deste colégio eleitoral do Terceiro Setor, no Comitê Gestor da Internet no Brasil

24 de Abril de 2017, 3:34, por Sady Jacques - 0sem comentários ainda

Car@s integrantes deste colégio eleitoral do Terceiro Setor, no Comitê Gestor da Internet no Brasil:

Após as renúncias recentes de Carlos Eduardo Moreira, do IIDAC – Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Cidadania, em favor de Thiago Tavares, da SaferNet Brasil e renúncia de Joana Varon Ferraz da Coding Rights, em favor de Flávia Lefèvre Guimarães, da PROTESTE - Associação de Consumidores, quero manifestar uma preocupação com relação a nossa frágil democracia: que ela precisa ser fortalecida com nomes e propostas.

As propostas parecem claras, consistentes e bem definidas pela Coalizão Direitos na Rede, signatária da "Plataforma para uma Internet Livre, Inclusiva e Democrática", com a qual temos integral acordo, não apenas conceitual, mas de defesa prática. Da mesma forma, os nomes apresentados estão entre os melhores e mais qualificados para a defesa em questão.

Nossa fraterna divergência, contudo, é em relação ao quórum: se de uma lado precisamos estar no CGI.Br para termos voz, de outro precisamos ser um grupo significativo, capaz de conseguir maiorias eventuais em favor de itens relevantes, ou contrários a ideias que não digam respeito ao interesse coletivo da sociedade brasileira.

A Associação Software Livre.Org foi uma das instituições que defendeu "com unhas e dentes" a rearticulação do CGI.Br a partir de 2003, inclusive neste novo formato que amplia a participação popular e tenta desburocratizar um debate árido porque complexo, sobre a tecnologia da informação que determina nosso presente e recomenda prudência sobre o nosso futuro.

Somos "braço executivo" de um movimento chamado Projeto Software Livre Brasil, enraizado nos 27 Estados da federação, mobilizado em favor do compartilhamento e da colaboração para a construção e fomento do conhecimento livre em todas as áreas humanas, pois todas demandam código e todas são a cada dia mais determinadas por ele.

Em nosso Fórum Internacional Software Livre, realizado a quase duas décadas, ano após ano desde 2000, fizemos e fazemos discussões formidáveis sobre temas que sequer são de domínio público, ainda. Foi lá que, em 2009, durante o FISL10, discutimos e lançamos a necessidade imperativa de construção do Marco Civil da Internet, na presença do então presidente da república Luís Inácio Lula da Silva, acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Por lá já circularam muitos milhares de profissionais, educadores, alunos, empreendedores, oriundos do país inteiro e dispersos por milhares de instituições relevantes que atuam de modo intenso e qualificado sobre a rede, como usuárias ou como provedoras de serviços qualificados em todos os níveis de aplicação das TICs.

Os tempos atuais são severos, e convocam à luta. Precisamos realizar mais um FISL, como um espaço de debate qualificado que contribui para a reflexão, entre outros temas, sobre qual a rede que queremos, qual a que dispomos e o que necessitamos fazer para viabilizá-la, enquanto movimento "tripartite", de modo a garanti-la como ferramenta para o desenvolvimento econômico e social do país, não apenas para alguns poucos grupos, mas para todos.

É nesse sentido que afirmamos nosso desejo de compor novamente o Conselho do CGI.Br (Mário Teza nos representou de 2008 a 2010), bem como nossa preocupação em constituirmos um grupo com tamanho suficiente para sermos ouvidos dentro e fora do Conselho, uma vez que sem o apoio da população teremos dificuldades para empreender a boa luta não só pela preservação, mas pela ampliação de direitos sociais que podem decorrer de uma infraestrutura adequada de internet.

Sady Jacques
Coordenador-geral

Associação Software Livre.Org



O Possível e o Necessário

25 de Junho de 2015, 17:45, por Sady Jacques - 0sem comentários ainda

Segundo Saul Kripke (1963), que construiu uma semântica de mundos possíveis para os enunciados modais, retomando uma antiga concepção de Leibniz, a idéia central é que as proposições têm valores de verdade não só no mundo atual [actual world], no qual vivemos, mas também em diferentes mundos possíveis. Logo, dizer que uma proposição é necessária é dizer que ela é verdadeira em todos os mundos possíveis; dizer que ela é possível é dizer que é verdadeira em algum mundo possível.

O Software Livre é um conceito. Talvez um dos mais generosos conceitos já inventados, capaz de se replicar infinitamente, desde que aceito e fomentado. Seu benefício principal é a produção e reprodução de conhecimento, de forma livre, para todas as pessoas e todos os fins. Ele serve exclusivamente a dois propósitos, o de garantir o software (e portanto, o “saber”) a qualquer um; e o de referendar a genialidade da síntese de Richard Stallman.

A natureza replicativa e distributiva do Software Livre, com sua construção possível com base em compartilhamento e colaboração, o faz melhor do que qualquer outra alternativa existente, porque o torna capaz de crescer de modo indefinido, ou de retomar o crescimento sempre que fomentado, com seus resultados sempre colocados à disposição de todos, portanto em favor da humanidade em geral, e não apenas de projetos ou propósitos particulares, por melhores que eles sejam. Um curioso detalhe: ao fazer isso, ele opera em favor de si mesmo, já que quanto mais inteligência for colocada nele, maior e melhor serão suas respostas!

Mas ele faz mais do que isso. Ao crescer indefinidamente, crescem também as possibilidades de quem precisa de soluções tecnológicas para fazer nascer, crescer e desenvolver negócios, serviços e funções humanas de toda ordem. O mundo que vem pela frente, o da internet das coisas, precisará de milhões de linhas de código escritas todos os dias, para dar conta de cada novidade, de cada superação.

E precisará incluir quase três bilhões de pessoas, habitantes deste planeta, e de nossas vidas. Sim, porque elas estão nas sinaleiras, nas marquises, em toda parte. Refiro-me aos que sequer comem, sequer dormem, sequer estudam, sequer sonham. Se um outro mundo é possível, uma outra economia é necessária, e ela precisará de ferramentas livres para ser construída em toda a sua extensão. É por este motivo que precisamos lutar pelo Conceito, porque ele é absolutamente Necessário.

Hoje, ainda estamos muito longe deste cenário. Um dia, talvez em uma década ou duas, o mundo estará compartilhando todo o seu conhecimento e colaborando para aperfeiçoá-lo e distribuí-lo. Enquanto isso, há muito código aberto que nos ajuda a perceber essa generosa possibilidade. E continua havendo muita gente interessada em fechá-los!

Nossa estratégia deve continuar a mesma: precisamos ver códigos abertos como primo-irmãos dos softwares livres. Eles representam milhões de linhas de código em aplicações proprietárias, apesar de terem sido construídos de forma igualmente generosa. Precisamos continuar convencendo-os a migrar suas licenças OSI para licenças FSF

Apenas isto, não é suficiente. Também precisamos voltar a nos debruçar – com todo o espírito hacker – sobre todos os códigos essenciais que nos fazem falta, e construir as versões livres que sempre fizemos, pois creio que “relaxamos” em relação a isso… Isto é Possível, foi assim que chegamos até aqui e será somente desta forma que criaremos uma condição para não sermos “parcialmente” generosos, se podemos ser generosos por inteiro!

http://www.fflch.usp.br/df/opessoa/TCFC3-06b-Loux-5.pdf



Escolhas, escolhas

25 de Outubro de 2014, 2:54, por Sady Jacques - 0sem comentários ainda

Nasci em 1963, um ano antes do golpe militar, tendo sido adotado aos dois anos por uma professora e um oficial da reserva que desejaram que eu fosse alguém na vida.

Até os 16, não sabia o que seria, e comecei um caminho que segue até hoje, tempo em que tento concluir minha formação acadêmica em administração, após estudar engenharia civil, arquitetura, psicologia, filosofia, ciência da computação e psicanálise.

Cresci sob o manto abafado da ditadura. Pouco ou nada sabia até meus 16, idade em que passei a frequentar cinemas, teatros e colóquios e comecei a entender a história. Após completar meus 21, soube-me pai. E busquei dar o melhor de mim para garantir sustento e amor ao meu primeiro filho, Tiago. Aprovado em três concursos diferentes, escolhi em 1987 o que me pareceu melhor e ao qual permaneço vinculado até hoje, a PROCERGS.

Em 1989 percorri todas as seis regionais no Estado, integrando um grupo orientado a falar de uma proposta de plano de cargos e salários. Em 1990, fui convidado a fazer parte da comissão de trabalhadores e em 1992, fui eleito diretor sindical, atuando no movimento até 1998, quando – mesmo bem antes de saber os resultados das urnas – decidi que retornaria para a empresa. Antes disso, perderia o direito de acesso por enfrentamento direto à direção, ao questionar em auditório, os procedimentos informados para iniciar a operação do famoso “printcenter” de São Leopoldo.

Ao retornar, fui convidado pelo novo presidente Marcos Mazoni, indicado pelo Governador Olívio Dutra, a colaborar com um projeto político transformador, que priorizava as pessoas, as instituições públicas e a ética. Fui gerente da maior divisão da empresa, com mais de 200 colegas sob minha gestão, revertendo a migração do printcenter, criando o serviço de avisos a advogados, a equipe de baixa plataforma, a primeira sala de gestão do Estado; depois fui coordenador da área operacional inteira, que representava um terço dos cerca de 990 funcionários à época e, por último, gerente de recursos humanos, criando em 2002, pela primeira vez em 30 anos de empresa, um espaço formal para a comissão de trabalhadores, que até então nunca havia sido disponibilizado.

Saí por dois anos em 2003, após o nascimento de meu segundo filho, Lucas, para auxiliar o Secretário da SMIC, Adeli Sell, a gerenciar a Supervisão de Desenvolvimento Tecnológico, área responsável pelas politicas de inovação e gestão de polos e parques tecnológicos, de cadeias produtivas e regiões de potencial tecnológico (REPOT’s). Fui o titular da SMIC no Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia e na Coordenação dos Telecentros de Porto Alegre, quando criei os telecentros temáticos do Mercado Público e da Associação Comercial da Azenha, para geração de trabalho e renda. Ainda naquele ano, passei a integrar a coordenação da Associação Software Livre. Org, entidade responsável pela realização de um dos cinco maiores eventos mundiais de tecnologia, neste segmento, na qual permaneço militando e colaborando até hoje.

Em 2008, por outros dois anos, fui convidado a assessorar a presidência nacional do SERPRO, nas questões relativas às comunidades de software livre. Quando iniciou o governo Tarso, em 2011, assumi uma vaga no Conselho de Administração da PROCERGS e a assessoria da presidência, até ser indicado Diretor de TI&Telecom, da Secretaria Geral de Governo, respondendo cumulativamente pelas funções de presidente do CGTIC e do CETIC, comitês responsáveis pela definição e controle das políticas de TIC em toda a administração direta, além de balizador da indireta.

Destas funções fui destituído à revelia, ao final de 2012, quase ao tempo em que recebia a adoção de meu terceiro filho, Andriele. No início de 2013, reassumi a assessoria no SERPRO, novamente a convite do Diretor-presidente, Marcos Mazoni e onde permaneço até hoje.

Durante todo o tempo que estive na PROCERGS, exerci as funções de estagiário, programador treinee, programador júnior, programador sênior, programalista, analista de sistemas e consultor, sempre com zelo e dedicação, com profundo respeito aos meus colegas e com o senso do dever próprio de todo servidor público sério e bem intencionado.

Isto, é apenas um depoimento. Falo isto, para que seja possível entender a experiencia de vida que acumulei até aqui e as razoes pelas quais posso afirmar, sem sombra de dúvidas: não há outro caminho a não ser continuar apostando em um projeto de transformação social como o de Lula, Dilma e Tarso!

Atrás de todo o discurso, não há concessões para a maior parte da população, por aqueles que acumulam riquezas e poder a gerações e gerações, porque é da nossa exploração que vem a abundancia que eles exibem.

O projeto de Lula , Dilma e Tarso não é perfeito. Para melhorá-lo, é preciso participação e engajamento. Engajamento às oportunidades que uma administração popular oferece o tempo todo, generosamente. E participação permanente na reivindicação e no controle social sobre o Estado.

Não haverá isso com Aécio, Sartori, Ana Amélia, Lazie, Rigotto ou Yeda. Porque eles representam a ideia de Estado mínimo, de custo Brasil mínimo, portanto de direitos mínimos. Sim, estes direitos que já são poucos e que devem diminuir ainda mais, na visão deles, porque “tornam caros os negócios”.

Neste domingo, consulte seu coração, mas vote com a razão. O Coração não trabalha, não paga contas, não vai ao supermercado. O coração é emoção, mas a vida é realidade, e realidade depende sempre de boas escolhas.

Aqui no Rio Grande do Sul, dia 26 de outubro de 2014, vote 13 – Tarso, 13 – Dilma, e confirme que você entendeu o que eu disse.



Feliz aniversário, ASL.Org!

11 de Setembro de 2014, 16:55, por Sady Jacques - 0sem comentários ainda

Sobraram alguns minutos e me senti na obrigação de fazer um comentário sobre os 11 anos da Associação Software Livre.Org…

Não porque institucionalmente seja necessário fazê-lo: de fato é, e a Coordenação deverá tecer as suas palavras!

Mas pela simples razão de que dedico a maior parte do meu tempo em favor desta causa – promover o uso, a difusão e o desenvolvimento do software livre – e deste nosso projeto, o Projeto Software Livre Brasil.

E faço isso isso com o maior prazer, pelo sentido de inovação tecnológica, de transformação social, de promoção do conhecimento para todos, através da colaboração e do compartilhamento, de forma sempre inovadora, com uma vasta quantidade de pessoas maravilhosas como vocês.

Na verdade, todos nós fazemos isso. Cada um a seu jeito, a seu tempo, com as suas limitações e avanços. E nós avançamos! Apesar de termos uma visão crítica sobre as perdas de espaço ocorridas em muitos lugares, tenho certeza de que o saldo é muito positivo.

Mas há muito, mas muito mais por ser feito! A luta continua e é preciso ampliar a tropa, agregar mais e mais voluntários, promover mais e mais eventos, desenvolver mais e mais empreendimentos com foco no software livre e de código aberto.

Essa tarefa é quase impossível… E é exatamente isso que a torna maravilhosa: o seu semblante de utopia!

O mundo precisa e precisará cada vez mais de código qualificado e esse código terá que ser livre, se desejarmos que as pessoas – para as quais todas as ações humanas deveriam estar voltadas, também o sejam.

Parabéns, ASL.Org! Vida Longa para o Software Livre!

Abraços,

Sady Jacques

Embaixador



O próximo passo: Desenvolvimento Econômico Nacional com Software Livre

2 de Julho de 2014, 10:53, por Sady Jacques - 33 comentários

A primeira década: promovendo o uso, o desenvolvimento e a difusão do software livre

Desde a organização do núcleo PSL-RS (Projeto Software Livre RS), em 1999, o qual viria a estimular a formação de núcleos PSL por praticamente todos os estados brasileiros e vertebraria o que conhecemos hoje por Projeto Software Livre Brasil, muito se fez. Criou-se a Associação Software Livre.Org, realizadora do fisl – Fórum Internacional Software Livre, um evento de referência mundial (é considerado o maior evento de comunidades de software livre do mundo); criou-se o Latinoware; criou-se o CONSEGI – Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico e mais uma grande lista de excelentes eventos de software livre pelo país (Criou-se também um Portal de Rede Social, veja a lista aqui: link dos eventos!!!). Todo este esforço de milhares de pessoas, com o objetivo principal de promover o uso, o desenvolvimento e a difusão desta idéia na sociedade, entre governantes, empresários, acadêmicos, estudantes e população em geral, integrando um imenso ecossistema. Estamos em 2013 e após 14 anos, com numerosas corporações fazendo uso massivo de softwares livres, com a internet (construída graças aos softwares e padrões livres) sendo notícia mundial e com milhões de celulares funcionando a base de um sistema operacional baseado em software livre, queremos crer que esta etapa foi alcançada, o ecossistema sobreviveu (e cresceu) e nos cabe dar agora, um próximo passo.

Transição: do computador de mesa, para o celular e para a nuvem.

Ainda neste período, algumas transformações mudaram radicalmente nossos conceitos: a mobilidade e a nuvem reorientaram ferramentas e serviços, de modo que “smartphones” e “tablets”, turbinados por “APP’s”, permitem comunicação, produtividade e interação em tempo real. E vem mais por aí: óculos e pulseiras “espertas” já não são novidade, mesas e murais digitalizados estão se tornando comuns. Neste mundo complexo, heterogeneo e de muita velocidade, é preciso cada vez mais padrões, colaboração, compartilhamento… e este é o ambiente por natureza do software livre.

A próxima década: do ecossistema para os arranjos produtivos nacionais.

Na verdade, desde 2009 há preocupações manifestas no sentido de dar um passo adiante neste processo. No primeiro CONSEGI, conversas internacionais com os membros de organizações do terceiro setor de países como Cuba, Equador, Argentina e Índia, já apontavam a necessidade de novos graus de organização. Em 2009, durante o fisl10, foi assinado acordo de cooperação com Moçambique, África do Sul. Em 2010, a primeira rodada de negócios com software livre, ocorre com quarenta participantes no CONSEGI em Brasília. Também em 2010, assinado o Tratado Atlânticocom entidades de Portugal e Galicia e Catalunha, Espanha. Em 2011, criada a Rede Internacional do Software Livre – RISoL e em 2013, realizado o I Parlamento das Américas, promovido pela Rede. Em todos os fóruns, locais ou internacionais, a preocupação crescente é a mesma: é preciso dar um passo adiante na articulação do mercado para o software livre, pois o nível de maturidade de produtos, serviços e redes já foi alcançado. Deste momento em diante, a tarefa fundamental consiste em elaborar uma estratégia com a envergadura necessária para viabilizar o nascimento institucional do software livre como uma possibilidade concreta para a geração de trabalho, conhecimento, renda e riqueza, numa contribuição efetiva ao desenvolvimento da nação.

Elementos fundamentais da cadeia produtiva do Software Livre: demandas, soluções, comunidades, clientes, serviços e mão de obra, articulados em um modelo de negócios específico.

Demandas

O mundo moderno é indissociável das tecnologias da computação em rede. Todos os processos podem ser agilizados, gerando economia e resultados surpreendentes, quando são suportados por sistemas inteligentes e integrados. Cada vez mais o empreendedor, o cliente e o cidadão reivindicam agilidade, precisão e confiança no trato da informação. Somos 7 bilhões de pessoas no mundo, mais de 200 milhões no Brasil. A maior parte desta população começa a ter acesso à internet e, portanto, a potenciais serviços por toda a parte. São XXX mil empresas de micro, pequeno e médio porte, as PME’s, que representam um mercado imenso de serviços informáticos, de redes, a sistemas locais e serviços em nuvem.

Soluções

Já existem softwares livres de boa qualidade para a maior parte das demandas usuais. Além deles, há uma infinidade de ótimas soluções em código aberto que podem servir de base para um conjunto maior ainda de respostas eficientes em tecnologia para a sociedade, em todas as áreas de atuação humana. Além disso, pela possibilidade de modificação do código dos programas, aplicações e sistemas livres, é possível qualificá-los ainda mais, corrigindo e complementando suas funcionalidades, de maneira coletiva para o compartilhamento de todos. Bancas de revistas, chaveiros, padarias, cafés, confeitarias, farmácias, bares, restaurantes, livrarias, escolas, petshops, lojas, salões de beleza, estéticas, cabeleireiros, miscelâneas em geral, são potenciais usuários de soluções livres, com custos competitivos de serviços e mão de obra potencialmente abundante.

Comunidades

São elas as responsáveis pelas principais soluções livres disponíveis. Muitas vezes, programadores habilidosos mantém aplicações em pequenos grupos, os quais podem ser ampliados. Esperam, via de regra, pelo interesse de outros programadores, mas também as comunidades maiores precisam e desejam parceiros voluntários que as ajudem a traduzir, testar, desenvolver, documentar, integrar, publicar e comunicar as melhorias evolutivas que acontecem de maneira dinâmica o tempo todo. Serão estes mesmos parceiros que irão se utilizar de todas estas soluções aperfeiçoadas para a prestação de serviços a quem quer que precise deles, remunerando desta forma, o esforço coletivo.

Clientes

Toda e qualquer pessoa física ou jurídica é potencial usuária de serviços de informática livre, mesmo que já faça uso de produtos proprietários. As soluções livres são estáveis, escaláveis, seguras e adaptáveis. Toda a eventual dificuldade conhecida no uso delas, decorre da multiplicidade de padrões existentes em um mundo hegemonizado por soluções proprietárias. Quando a maior parte da população estiver utilizando soluções livres, a integração ocorrerá de modo muito natural, pois o respeito a padrões e a natureza aberta do código, permitirão isso. Este processo pode iniciar por grandes clientes como o movimento sindical, movimentos sociais e esferas de governo, desde que esclarecidos da importância do uso de softwares livres para a ampliação da base de conhecimento da sociedade. O uso intensivo na educação, saúde e no trabalho, certamente impactará de modo decisivo na formação de um novo mercado.

Serviços

Lançar mão de ferramentas de software pode ser trivial, como quando instalamos com alguns cliques, alguma aplicação em nosso celular. Pode exigir pontualmente algum conhecimento, para substituir o sistema operacional proprietário de nossas máquinas por sistemas livres. E pode precisar de conhecimento técnico avançado, para a instalação, configuração ou parametrização de sistemas mais complexos. Além disso, este mesmo nível de conhecimento será necessário para ofertar manutenção e suporte por longo período ou de modo permanente a novos clientes. Estes serviços já existem, mas ainda sem a articulação empresarial necessária, sem a divulgação adequada, portanto sem constituir-se como um portfólio ou menu disponível, que facilite e promova sua contratação imediata.

Mão de Obra

Segundo o IBGE, estima-se meio milhão de PME’s no Brasil, atuando com TIC, com 1,5 milhões de profissionais com média e alta capacidade para a execução deste conjunto de serviços. A esmagadora maioria deste conjunto, ocupa-se hoje apenas com a venda de licenças (ou produtos), representados por “caixinhas” cujo conteúdoé, via de regra, uma mídia (um DVD, uma pendrive ou um cartão de memória). Jovens, em sua maioria, com formação técnica ou superior (no mínimo em curso), desempenham quase sempre o papel de vendedores, e raramente o de analistas ou programadores para os quais foram vocacionados… e instruídos. A opção pelosoftware livre permitiria animar um novo e inovador mercado nacional e projetar o Brasil no mercado internacional, em uma década, como o maior país desenvolvedor de softwares no mundo. Mesmo que todo esse código fosse livre, teríamos a inteligência sobre milhares de processos, sistemas e ferramentas, o que nos permitiria inclusive prestar serviços a outros países, modificando nossa participação na balança de exportação deste segmento, sem a obrigatoriedade de perdermos nossos profissionais para o mercado exterior, de modo similar ao que a Índia utiliza para atender boa parte dos “call centers” do mundo.

Modelo de Negócios

Um modelo baseado na prestação de serviços com softwares livres nas áreas de sistemas, banco de dados, aplicativos e redes, dentro do mercado nacional, pode ser organizado em médio prazo através de algumas iniciativas estratégicas:

1. diálogo com as instituições de classe (FENAINFO e sindicatos filiados; ASSESPRO e regionais; FENADADOS e sindicatos filiados; SOFTEX e afiliadas), mostrando a importância de constituição de um Arranjo Produtivo Nacional, com apoio do Governo Federal, para fortalecimento da “indústria de software local”, com base em softwares livres. A participação de centenas de empresas filiadas a estas instituições de classe permitirá ativar rapidamente o APN do Software Livre, com vantagem para todos: empreendedores, cidadãos e governos.

2. envolvimento das instituições de negócio (ASL.Org, Propus, Solis, Colivre, 4Linux, etc.), com o mesmo propósito anterior, convocando a todas e às comunidades desenvolvedoras, a um processo de inserção produtiva formal, através de: filiação às entidades de classe; estabelecimento de articulações empresariais; definição de padrões de qualidade na prestação dos serviços; elaboração de mecanismos de certificação; constituição de redes de qualificação técnica e de redes de qualificação para o empreendedorismo.

3. diálogo com SEBRAE, SENAC e SOFTEX nacionais, para estruturar os aspectos formacionais necessários à visão empreendedora e à ação técnica, primeiramente com foco no mercado nacional e posteriormente vislumbrando o mercado externo.

4. diálogo com MCTI, MIC e MDS, apresentando números iniciais que corroboram a existência latente das condições de possibilidade deste Arranjo Produtivo Nacional, para o qual é preciso constituir uma estratégia e uma política específica, capazes de serem agregadas ao Programa TI MAIOR. É preciso também apresentar o cenário econômico futuro, projetando investimentos moderados, receitas expressivas, aumento quantitativo e qualitativo da empregabilidade e recolhimentos de impostos potencializados, com natureza distributiva altamente favorável à microeconomia.

5. criação de uma empresa âncora capaz de concentrar profissionais e PME’s em torno de um portfólio de aplicações e serviços relacionados, articulados de modo colaborativo para oferecer este menu em qualquer estado da federação. Isto permitirá a rápida popularização e atendimento dos serviços e também o atendimento imediato de demandas governamentais, através de editais que se aplicam a um conjunto de municípios, a Estados inteiros, a vários Estados ou a toda a extensão doterritório nacional.

6. diálogo com grandes comunidades internacionais (Canonical, Mozilla, Suse, CloudStack, Pentaho, PostgreSQL, Linux, KDE, Gnome, etc.) e estabelecimento de parcerias de negócios, cujo braço nacional será impulsionado por esta empresa.

7. diálogo com BNDES, Bancos regionais e estaduais de desenvolvimento, bem como com fundos de pensão e de participações, buscando investidores parceiros, públicos e privados, para a viabilização de uma rede nacional de serviços em softwares livres.

Conclusão

Todas as condições de possibilidade estão dadas. Todos os atores são conhecidos. E todos os interesses legítimos da sociedade brasileira são contemplados e beneficiados nesta ambiciosa e necessária iniciativa. Necessária, porque o desenvolvimento econômico alavancado nesta última década já dá sinais de esgotamento… O mercado de massas interno ganhou vigor, reduziu a pobreza extrema e estabilizou a economia no pior cenário mundial do século. Mas é preciso crescer mais e mais rápido. O Brasil continental talvez nunca venha a perder sua condição de país agrícola, produtor de alimentos. No entanto, é preciso agregar valor muitas vezes a cada real que temos, e a única forma de conseguirmos isso, é trabalhando com inteligência, nos dois sentidos da palavra. Para cada real de investimento em softwares, outros 7 ou 8 retornam, sendo que a relação custo-benefício deste setor é baixa e o retorno, alto. Desenvolvimento de código é uma arte que requer conhecimento, mas que pode alcançar padrões impensáveis com colaboração e compartilhamento. E é essa capacidade técnica que pode tornar o desenvolvedor brasileiro, a indústria de software nacional e o Brasil, uma referência mundial, ao custo de algumas boas políticas, um pouco de coragem e doses decisivas de inovação e ousadia.