Ir para o conteúdo
ou

Software livre Brasil

Tela cheia
 Feed RSS

Liberdade na Fronteira

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

A arquitetura de compartilhamentos do Telegram para mitigar as fake news no WhatsApp

17 de Outubro de 2018, 16:19, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Fake News já se tornaram o tipo de problema que teremos que enfrentar de alguma maneira o quanto antes, ou veremos democracias sendo destruídas uma a uma. Se o caso Trump nos chamava atenção mas ainda parecia distante, as eleições brasileiras de 2018 vieram pra mostrar que o tiozão gente boa pode se converter no mais odioso dos seres após ser alimentado com uma série de notícias que, por mais bizarras que sejam, toca nele a ponto de mobilizá-lo.

Certamente acabar com elas será dos maiores desafios, e desconfio que mais social do que técnico. Mas talvez, ao menos para mitigar, a maneira como a arquitetura de compartilhamento do Telegram é implementada poderia ser um primeiro passo para dissuadir um tanto as correntes de mentiras que povoam o WhatsApp.

No Whats, um encaminhamento de mensagem modifica o autor. Assim, uma fake news escrita por um completo desconhecido num grupo subterrâneo da rede chega ao grupo da sua família com o nome da sua tia porque foi ela quem compartilhou. O laço de afeto e confiança pesa na hora que algum membro do grupo vai ler o texto, afinal foi a tia que enviou.

O apagamento do autor original reduz consideravelmente o fator dúvida de alguém que lê uma mensagem caindo numa tela de celular. Afinal, quem é ele? Que tipo de interesse o mobiliza? São questões muito difíceis de serem formuladas para um “autor” conhecido que é próximo a você.

Exemplo de mensagem encaminhada no WhatsApp

Enquanto estava na fila de votação, tive uma pequena discussão com uma moça que votaria no Bolsonaro após ela falar em voz alta na fila: “mermã, vê só essa minha amiga mora lá em Goiânia e olha o que ela colocou no grupo! Tão digitando o número do candidato lá e não está aparecendo! Absurdo!”. Para ela, a mensagem era mesmo da amiga dela, e não mais uma mentira produzida de forma irresponsável para se propagar e alimentar as bases do candidato – e em consequência, derrubar um pouco mais a democracia.

No Telegram as mensagens encaminhadas mantém o autor original, colocando-o em destaque na parte superior do texto. Não apenas isso, mas a mensagem também guarda um link para o perfil que o escreveu.

Exemplo de mensagem encaminhada no Telegram

Se o compartilhamento de mensagens no WhatsApp fosse implementado dessa forma, para além de criar um pouco mais de dúvida na cabeça de quem lê um texto encaminhado para algum grupo, seria possível também identificar quem escreveu aquela mensagem, responsabilizando o autor por propagar mentiras e outras coisas tão ou mais criminosas quanto (pedofilia, para citar uma).

Portanto, talvez um primeiro passo nessa guerra contra as fake news, que no Brasil tem como veículo principal o WhatsApp, seria exigir a implementação dessa arquitetura de compartilhamento no software. Não podemos impedir que qualquer um escreva o que queira, mas ao menos identificá-lo e responsabilizá-lo já seria alguma coisa – como acontece no mundo físico, aliás.

(Meu canal no Telegram: @monolipe)



Ciro em frente!

28 de Setembro de 2018, 4:53, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Faltando poucos dias para o 1º turno das eleições, aproveito o momento para declarar meu voto em Ciro Gomes e convido amigos e amigas a ponderarem e também votarem no candidato.

Em um conceito bastante generoso de partidos políticos, tratam-se de organizações estruturadas em torno de uma ideia de ordenamento social e que tentam, através do jogo democrático, disputar o poder para implementar essa visão. Portanto, além da estruturação ideológica em si, um partido também está necessariamente voltado para a peleja eleitoral de forma a conquistar cargos ou apoios para implantar as políticas que acreditam serem as “mais corretas” dada sua ideologia.

Dos partidos políticos brasileiros, certamente o PT é dos mais importantes. Com uma história de fundação sem igual e duas passagens memoráveis pela presidência que modificaram de verdade o país para melhor, há diferentes justificativas para se votar novamente no partido. Em que pese tudo isso, entretanto, nos últimos anos o PT afundou em problemas dos mais diversos tipos e levou o Brasil junto.

Dos vários amigos petistas que tenho e que ecoam a tese de que Lula foi tirado da corrida presidencial por uma orquestração que envolveu a direita, a mídia e a justiça (“foi golpe” – eu também acho que foi), acredito que nenhum deles há de duvidar que o partido realmente se refestelou na corrupção. Há vários dirigentes presos e muita história ainda a ser explicada.

O que poderia ter motivado a tão falada “autocrítica” do partido, acabou não servindo para nada. O atual governo é tão ruim, e mostrou uma face da direita que maltrata tanto o trabalhador mais pobre, que o PT acaba servindo de porto para toda população revoltada com as políticas do governo Temer e/ou que tem lembranças dos bons tempos de Lula. Com a impossibilidade do ex-presidente disputar a eleição, coube a Fernando Haddad fazê-lo.

O problema é que a estratégia do PT reuniu tantas questões discrepantes, além de sentimentos tão complicados, que pessoalmente fico muito desconfortável em nesse momento votar no partido. Aparentemente, todos os problemas nos quais o partido se envolveu não mereceram qualquer reflexão sobre as condutas tomadas. Haddad, que é um bom quadro e no qual muitos de nós que acompanhamos sua gestão enquanto prefeito de São Paulo nutrimos um “meu futuro presidente!”, acabou rebaixando sua carreira para um tipo de proxy (máscara) do Lula. Haddad será o presidente ou será Lula? Os votos são de Haddad ou Lula? Confesso certa decepção pois sempre vi Haddad como o futuro e a renovação do partido e da esquerda brasileira como um todo, mas o papel que ele tomou para si nessa eleição parece tê-lo diminuído. Para não me alongar demais, destaco mais dois pontos que me fazem refletir sempre que penso na candidatura petista: 1) o PT não se sente minimamente responsável pela atual crise econômica que atravessa o país? Dilma sofreu com pautas bomba, mas algumas decisões econômicas desastrosas somadas ao boicote do próprio partido também estão na conta de uma reflexão ainda não realizada; 2) como resolver esse antipetismo visceral que remói boa parte da sociedade brasileira?

Tudo isso, que são questões graves e que merecem respostas claras, poderiam ser até forçosamente colocadas de lado em uma situação onde a esquerda se visse sem alternativa diante de uma direita forte e cruel. Mas não é isso o que acontece – há boas alternativas na centro-esquerda e na esquerda na disputa que assistimos hoje.

Dentre elas, com certeza, Ciro Gomes é a melhor. Ciro mostra preparo, inteligência. Já foi deputado, prefeito, governador e ministro. É nítido seu conhecimento sobre os temas que fala, sua postura firme e vontade de fazer aquilo que acredita. Tendo disputado diversas eleições presidenciais, em todas mostrou um projeto de centro-esquerda comprometido com a redução das desigualdades sociais e com o avanço tecnológico e industrial do país.

O mais interessante é que boa parte das propostas já foram implementadas em menor escala por Ciro e seu grupo político no seu reduto eleitoral, o Ceará. O estado melhorou significativamente seus níveis de ensino e emprego; obras estruturantes estão por todos os lados; a população tem um acesso melhor que a média nacional à saúde. Nos cargos executivos em que esteve, Ciro foi bastante responsável com a economia – uma crítica que no geral os liberais fazem para a esquerda.

Ciro seria capaz de construir um governo de “concertação nacional”, reunindo partidos e movimentos sociais dos diversos espectros políticos passando ao largo do antipetismo hidrófobo, além de evitar uma situação de um possível governo petista se vendo às voltas com os problemas internos que o partido terá que se defrontar.

Muitas são as críticas dos simpatizantes petistas a Ciro apontando contradições da campanha, como a vice ser Kátia Abreu ou a proximidade com certos setores mais alinhados com a direita. Acho curioso como as contradições do próprio PT desaparecem durante essas análises, fazendo do partido o único com o monopólio de recorrer a esses tipos de acordo. O fato de Kátia Abreu ter sido ministra de Dilma e do arco de alianças do antigo governo ser composto por vários partidos do “centrão” não eram problema suficiente para a  militância repudiar o partido.

Nada leva a crer que Ciro não fará um governo de centro-esquerda com uma pegada social democrata e desenvolvimentista em bons trilhos para tirar o país da crise, voltar com empregos para a população, derrubar a verdadeira selvageria que as reformas de Temer trouxeram para os trabalhadores, além de afastar o fascismo que o antipetismo está gestando na sociedade brasileira.

Ele tem o perfil correto de um candidato de esquerda com foco exclusivo no Brasil. Meu voto é dele.

É da natureza dos partidos disputar o poder, da maneira que for. Articulistas e comentaristas políticos em geral parecem ser muito ingênuos quando falam sobre o “PT fazer autocrítica”, porque isso não é o que um partido faz. A única hipótese disso ocorrer é quando um partido perde as eleições – nesse caso ele se propõe a fazer uma análise do que o levou a derrota e, nesse ponto, pode surgir uma autocrítica. O PT não vai desistir do poder por vontade própria, mesmo tendo uma excelente candidatura alternativa de esquerda disponível.

Cabe a nós entendermos que o partido não monopoliza a esquerda, que os problemas do partido não são os problemas da esquerda, e que há sim, alternativas de verdade e viáveis para trazer a esquerda de volta ao poder em um projeto político voltado ao emprego e redução das desigualdades. Essa alternativa é Ciro 12.

Sigo em frente!

Ciro em frente!

Ciro enfrente!



Akademy 2018

9 de Setembro de 2018, 15:17, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Look for your favorite KDE contributor at Akademy 2018 Group Photo

This year I was in Vienna to attend Akademy 2018, the annual KDE world summit. It was my fourth Akademy after Berlin’2012 (in fact, Desktop Summit ), Brno’2014, and Berlin’2016 (together with QtCon). Interesting, I go to Akademy each 2 years – let’s try to improve it next year. 🙂

After a really long travel I could meet gearheads from all parts of world, including Brazil, old and new friends working together to improve the free software computing experience, each one giving a small (and someone, giant) parts to make this dream in reality. Always I meet these people I feel me recharged to continue my work on this dream.

I loved the talk of Volker about KDE Itinerary, a new application to manage passbook files related to travels. It think an app just to manage all kind of passbook files (like tickets for concerts, theaters, and more) like this could be a interesting addition to KDE software family, and a step behind KDE Itinerary. Anyway, waiting for news from this software.

The talk about creating transitions in Kdenlive make me think on how interesting could be a plugin to run bash (or python, maybe) in order to automate several steps in some works performed by editors in this software. Maybe use KDE Store to share it… well, ideas.

I know Camilo during the event. His talk about vvave give me hope for a new and great audio player application for our family, as we had in the past.

The last talk called my attention was Nate about some ideas to improve our ecosystem. Nate is doing a great work at the usability side, polishing our software in several ways. I recommend his blog to follow this work. Despite I agree in general – like, we need improve our PIM suite – I have some disagreements with others, like the idea of KDE developers contributing to LibreOffice. LibreOffice is a completely different source code with different technologies and practices, there are several (and for most of us, not mapped) influences from different organizations inside the LibreOffice Foundation directing the development of the suite, and in the last we have Calligra Suite – the idea sounded as “let’s drop Calligra”. But it was just a disagreements for a small suggestion, nothing more.

After the talk sessions, Akademy had a plenty of BoFs sessions for all kind of preferences. I attended to KDE and Qt (it is always interesting to keep eyes on this topic), KDE Phabricator (Phabricator is an amazing set of tool but suffers because the competitors are much better known and the usability must be improved), and MyCroft (I like the idea of integration between MyCroft and Plasma, specially for specific use cases like assistant to disabled people – I am thinking about it since some months).

This year Aracele, Sandro and me hosted a BoF titled “KDE in Americas”. The idea was present some of our achievements for KDE in South America and discuss with fellows from Central and North America about a “continental” event, bringing back the old CampKDE to a new edition together with LaKademy (the secret name is LaKamp :D). This ideia must be matured in the future.

This year I tried to host a BoF about KDE in Science and Cantor, but unfortunately I didn’t have feedback on potential attendees. Let’s see if in future we can host some of them.

Akademy is an amazing event where you can meet KDE contributors from different tasks and cultures, discuss to them, get feedback for current projects and build new ones. I would like to thanks KDE e.V. for the sponsorship and expect see you again next year (let’s try to insert a disturbance in this biannual sequence) at Akademy or, in some weeks at LaKademy!

Brazilians at Akademy 2018: KDHelio, Caio, Sandro, Filipe (me), Tomaz (below), Eliakin, Aracele, and Lays



De quando falei sobre ficção científica com minha psicóloga

17 de Junho de 2018, 13:19, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

— Então Amanda, sabe, as vezes penso que uma das coisas que me faz assim foram essas quantidades de ficção científica que li na infância e na adolescência… mas não qualquer ficção, digo apenas daquelas sobre viagens no tempo e realidades alternativas. Meu filme preferido é De Volta Para o Futuro, as histórias que mais gosto dos X-Men são aquelas onde eles viajam no tempo e bagunçam toda a realidade… acho que isso somado a minha personalidade extremamente analítica faz com que eu sempre revisite meu passado, tente entender quais consequências e encadeamento de acontecimentos teriam ocorrido se naquele momento eu tivesse feito diferente… como seria minha vida se eu tivesse tomado decisões diferentes nos momentos chaves que passei, nas circunstâncias que, ora se apresentavam a mim, ora eu as construí… a vida que levo, as pessoas que me rodeiam, a cidade onde moro, o trabalho que realizo… meu eu que vive em uma linha de tempo alternativa, ele está melhor que o eu do aqui e agora? Me sinto refém dessas constantes reavaliações que nunca tem fim, dessa construção narrativa que me permite navegar pelas minhas vidas enquanto vou me castigando tanto pelo que vivi quanto pelo que não vivi a partir das escolhas que fiz… e eu não consigo não fazê-las, dia após dia…

— Quer dizer que você não cresceu lendo Harry Potter?

— Eu detesto Harry Potter.

— Olha só! Bate aqui!



A greve pelo ponto biométrico

3 de Junho de 2018, 22:04, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Poucos dias atrás, Belém saiu de uma greve dos rodoviários que colocou a cidade de joelhos. Por 5 dias Belém ficou sem qualquer ônibus, com o sindicato descumprindo a determinação ditada pela justiça do trabalho de 80% da frota na rua. Encarando pesadas multas por conta disso mas ainda assim firmes, essa situação demonstrou como a categoria é forte e estava unida em torno de suas pautas.

Antes de prosseguir, um adendo: como usuário de transporte coletivo, todo apoio ao movimento. Os ônibus em Belém são terríveis, sem qualquer manutenção, barulhentos e sem segurança. Em uma cidade tão quente e com uma passagem tão cara, já era hora de termos ar-condicionado nos coletivos. Infelizmente, não ajuda termos um sindicato patronal que só pensa em maximizar os lucros investindo o mínimo possível, a uma elite tacanha que sonha com Miami, e uma prefeitura que não enxerga que uma regulação mais criteriosa sobre o transporte poderia atrair atuais usuários de carro, reduzindo o fluxo no trânsito, a poluição do ar e sonora.

A pauta dos grevistas incluía a melhoria do transporte público mas também tinha as demandas típicas dos movimentos sindicais: aumento salarial, do ticket alimentação, redução da carga horária de trabalho. Mas, dentre as pautas, uma chamou atenção: a greve pedia a implantação do ponto biométrico.

Em Belém, trabalhadores do setor viário registram suas presenças de forma manual em planilhas que ficam nos pontos finais e garagens. Nas reivindicações os rodoviários apontaram que esse sistema é muito suscetível a fraudes, em especial para o registro das horas extras. Finalizada a greve, os trabalhadores receberem a promessa de que as máquinas estariam disponíveis em todos os pontos finais no prazo de 10 meses.

Chama atenção essa pauta. O ponto biométrico é, em geral, relacionado ao controle abusivo de patrões sobre o horário de serviço dos trabalhadores. Sabe-se de casos onde esses relógios tem tolerância de poucos minutos, fazendo com que empregados que chegam muito cedo tenham que ficar de prontidão esperando a janela de registro iniciar, ou, por outro lado, funcionários que se atrasam alguns minutos precisam passar pelo constrangimento de explicar o motivo do atraso para o supervisor.

O uso do ponto biométrico pode servir a diferentes fins, com uns e outros ganhando e perdendo a depender da situação. Lembro do caso onde uma funcionária do SAMU foi pega com 6 dedos de silicone, para registrar a presença de médicos e enfermeiros que deveriam estar de plantão mas não se encontravam no local. Nesse caso, claramente a tecnologia tinha o objetivo de garantir o atendimento de saúde para as pessoas que necessitavam. Penso que poucos de nós achariam exagerado esse tipo de controle.

Nesse aspecto, ver o ponto biométrico como ponto de pauta de movimento grevista chama atenção e leva a reflexões de que, ao final, nem sempre há uma interpretação única sobre os impactos dos usos que se fazem das tecnologias. É sempre necessário avaliar o contexto em que as mesmas são aplicadas.