Ir para o conteúdo
ou

Software livre Brasil

 Voltar a Notícias do ...
Tela cheia

Como é difícil ser livre!

20 de Março de 2015, 10:54 , por Barbara Tostes - 77 comentários | 2 pessoas seguindo este artigo.
Visualizado 129 vezes
Licenciado sob CC (by)
Kubuntu botoes

Kubuntu botões

  

Enquanto estudava jornalismo, tinha um site de notícias e procurava um sistema de postagens que facilitasse as atualizações. Comecei a fazer sites em 1996, era tudo feito à mão, digitando códigos html num editor de textos para depois salvar e enviar ao servidor e agora queria um sistema automatizado, ágil. Foi só depois de 2002 que começaram a difundir e se espalhar os CMS/Sistemas de Gerenciamento de Sites. Conheci o phpnuke primeiro e quando fiquei apavorada com as invasões que recebia nos sites que produzia, fui convidada a conhecer o e107, em 2005. Foi aí que conheci a filosofia do Software Livre, ouvi falar de GNU e que existiam outros sistemas operacionais que rodavam do CD e podiam ser testados antes de instalar, eram várias distribuições Linux e eu podia escolher qual quisesse, porque era minha liberdade de escolha. 

 
Comprei revistas, li bastante, fui a eventos, conheci pessoas que me apresentaram a outras e fui me envolvendo com a comunidade GNU/Linux. Baixei o Kurumin (para valorizar o trabalho de brasileiros), fiz curso de iniciação ao Linux no Senac da minha cidade (Castro-PR, em 2006), fui até palestrar no Conisli (Congresso Internacional de Software Livre), em São Paulo, nessa época. Falei do uso do Gimp para tratamento de imagens. Trabalho com ele desde então, substituindo aplicativos caríssimos e proprietários como o Photoshop, que certa vez fiz meu patrão comprar, quando trabalhei na Gráfica Kugler (de 1997 a 2000). 
  
Continuei usando Kurumin no notebook até pararem com a manutenção dele no Brasil. Aprendi bastante com os amigos Christiano Linuxmen, Paulo Kretcheu, Rencka Marques, Ralf Braga, no início de todo o aprendizado. Quando visitei a Latinoware de Curitiba (era 2011 ou 2012, não lembro), Linuxmen me indicou o Ubuntu e passei a usá-lo porque o Kurumin tinha acabado.
 
Desde março de 2005, tenho ajudado na tradução do e107 como colaboradora. Participei na Área de Software Livre da Campus Party Brasil (2011-2014) tirando fotos e fazendo jornalzinho digital, entrevistas, chaveirinhos do mascote Campux, entre outras atividades, sempre envolvida com os organizadores, até meses antes de cada evento acontecer, por email numa lista de discussão.
 
Toda a união e alegria que vi das pessoas da Área de Software Livre, a empolgação que via antes, não tenho visto atualmente. O que aconteceu? Outro dia fui postar um banner do grupo TchêLinux sobre a palestra "Ubuntu: Linux para seres humanos", na rede diasporabr.com.br e me deparei com o grande filósofo Anahuac de Paula Gil dizendo: "acho que você devia dar apoio ao Software Livre e não à uma marca comercial que não representa mais liberdade, mas apenas o velho modelo de exploração, agora usando outras ferramentas". Fiquei assustada! Como é difícil ser livre!
 
Acredito que ser livre também é dar liberdade aos outros. As tantas distribuições GNU/Linux que existem não importam mais? Estou perdida nesse mundo "livre". Vejo o pessoal da lista RepRap, de impressoras 3D, discutir infinitamente a licença e as liberdades. Tem impressora que é hardware aberto e usa Software Livre, tem outras que não são totalmente abertas, e por aí vai.
 
Preciso URGENTE da ajuda de amigos, Christiano, Kretcheu, Rencka, Ralf, Anahuac... Quero explicações sobre o que fazer agora. Estou perdida mesmo. Tento colocar Software Livre na minha empresa, falo para meu marido usar (e até ele já está usando). Mas vocês todos das comunidades livres estão complicando as coisas nesse momento! Então não é mais para chamar as pessoas para o Linux? Porque agora é comercial? Então não é mais para chamar para usarem código aberto porque a Microsoft vai pegar e usar? 
 
Por que não continuamos como estávamos? Organizar eventos bacanas pelo país, divulgar os programas que não pedem para digitar um número de série e não enchem seu computador de trojans e vírus e são enormes no espaço de HD. Softwares que não exigem máquinas potentes e não colocam códigos de 20 anos atrás para rodarem atualmente.
 
Quero ver o usuário comum usando Software Livre e não reclamar que não usam porque não conhecem, que não usam porque não querem aprender o novo. Ou não usam porque já se acostumaram com um padrão de "mercado". Quero ver o público usar software público, as prefeituras, órgãos e bancos do governo usarem Software Livre e Aberto. Mas temos que primeiro unificar o pensamento de quem faz acontecer o Software Livre no país.
 
Não podemos ser livres assim. Não podemos mostrar a liberdade que temos (ou não temos), sem exemplos. Agora estamos em guerra contra Google, Mozilla, Canonical porque estão em um modelo de negócio diferente? Os que antes falavam para eu usar Ubuntu, agora dizem que não posso porque ele é Linux e Linux é uma marca agora... Tá, sei que vão dizer que nosso negócio de ser "livre" não é bem um negócio, mas quem vive de liberdade? Como comem e bebem os livres? Porque eu, mesmo ajudando comunidades e usando Software Livre há anos, tenho que receber dinheiro em troca, cobrando de clientes, em algum momento dessa "cadeia livre" toda. 
 
Para quem tem respostas de um modelo de ser livre e mostrar essa liberdade de forma uniforme, diz aí, estou no aguardo!


Tags deste artigo: software livre dificuldade liberdade censura

77 comentários

Enviar um comentário
  • Sketch 1441831794644 minorClaudia
    20 de Março de 2015, 11:07

    Muito bom!

    teu texto é ótimo, mesmo que discordem.


    • Barbara dsc08004 minorBinha
      20 de Março de 2015, 11:31

      obrigada

      sem seguir nenhuma regra ou "religião LIVRE", quero só liberdade mesmo, liberdade de escolha das pessoas


  • Aurium minorAurium
    20 de Março de 2015, 13:01

    Então não é mais para chamar as pessoas para o Linux? Porque agora é comercial?

    Oi Barbara, acho que rolou algum ruído naquela conversa do FLISOL-BR para você colocar esse questionamento.

    Primeiro, "SL" nunca significou "Não comercial", por mais que anglófonos insistam na confusão e por mais que tenhamos assimilado deles a mania de chamar "software privativo" de "comercial".

    Antes de focalizar a chamada para o Linux, que antes de tudo é um kernel e ninguém interage com ele diretamente, vamos voltar a chamar para o Software Livre. Chamar para o Linux se conclui mesmo que esse Linux seja instalado com milhares de soluções proprietárias por cima, afinal, focou-se no Linux.

    Eu fui um dos que questionou a influencia do interesse comercial da Canonical no Ubuntu. Entenda, o interesse comercial realmente é um (grande) risco, pois frequentemente conflita com os interesses do usuário e da sociedade como um todo. Porém, dado o fato que vivemos num mundo capitalista, usamos o potencial comercial do SL como forma de financiar seu desenvolvimento. Vide RedHat, IBM, Colivre (onde eu trabalho).

    Onde fica o equilíbrio? Empresas podem (e devem) fazer negócios com SL, mas o SL só se faz em comunidade, de forma que o interesse difuso seja representado. Enquanto o Ubuntu em vez de uma distro comunitária, for um produto da Canonical, seus usuários estarão sendo levados a usar softwares proprietários e receberão spywares em atualizações.


    • Barbara dsc08004 minorBinha
      20 de Março de 2015, 13:17

      É antes de Flisol esse texto

      o texto é de setembro de 2014 :) bem antes do debate na lista do Flisol


  • Aurium minorAurium
    20 de Março de 2015, 13:06

    Então não é mais para chamar para usarem código aberto porque a Microsoft vai pegar e usar?

    Poxa Barbara... De onde você tirou isso? Isso foi muito louco.

    Antes de tudo, seria ótimo se a MS participasse do ecossistema de SL. Até Stallman já disse isso.

    Ela até já se aproveita do SL. Usa código BSD no seu kernel e em outros produtos. Faz imagem de legal com algumas ações isoladas, mas não existe um retorno palpável.

    Por um acaso publiquei um texto hoje que vai ser bem útil para você:
    soft​ware​livr​e.or​g/au​rium​/blo​g/so​ftwa​re-l​ivre​-e-c​odig​o-ab​erto​--on​de-e​sta-​a-di​fere​nca


    • Barbara dsc08004 minorBinha
      20 de Março de 2015, 13:19

      M$ tem área de SL há mais de 10 anos

      Segundo eles, existe um 'departamento' de código aberto lá, há mais de 10 anos. Eles compraram um tempo de palco na CPBR 2013 na área de SL e eu estava lá... e eles abriram alguns códigos deles, mas isso não os deixa mais bonzinhos. Programadores fizeram piada com os comentários dos programadores deles, dentro dos códigos, não viu?


  • Barbara dsc08004 minorBinha
    20 de Março de 2015, 13:14

     

    Aurium, esse texto é de setembro de 2014, não tem nada a ver com as discussões do Flisol :) A M$ participa do ecossistema de SL, em 2013 eles compraram espaço no palco de SL na CPBR :)


Enviar um comentário

Os campos são obrigatórios.

Se você é um usuário registrado, pode se identificar e ser reconhecido automaticamente.