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7 de Dezembro de 2009, 0:00 , por Vicente Aguiar - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Como entender essas denúncias de vigilantismo global

30 de Julho de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

21-05-2013_india-vigilancia-internetEntrevista com Pedro Antonio Dourado de Rezende, professor concursado no Departamento de Ciência da Com­putação da Universidade de Brasília, Advanced to Candidacy a PhD pela Universidade da Cali­fornia em Berkeley. Membro do Conselho do Ins­tituto Brasileiro de Política e Direito de In­formática, ex-membro do Conselho da Fundação Softwa­re Li­vre América Latina, e do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-BR). http://www.­cic.unb.br/docentes/pedro/sd.php

***

O sr. se surpreendeu com as revelações de Edward Snowden?

Pedro Antonio Dourado de Rezende – Menos com as revelações, mais com a conduta dele e com as reações que essa conduta provocou. Snowden está soprando em um castelo de cartas que quanto mais cedo cair menos mal fará, ao menos para as vítimas mais indefesas do consequente caos. Caos que de um jeito ou de outro virá, e que está sendo gerado não por ele, mas pela alquimia financeira das treze casas bancárias que controlam a economia no mundo. Elas estão criando dinheiro sem lastro, via malabarismos eletrônicos contábeis, que furtam da moeda circulante sua função de reserva de valor enquanto a mesma é ainda mais rapidamente acumulada em contas de poucos.

Em entrevista ao portal RT o analista financeiro Max Keiser, experiente inovador em táticas especulativas para pregões eletrônicos, aponta para o cenário dessas revelações como ele o vê: a compania onde Snowden trabalhava, Booz Allen, junto com algumas outras parceiras são mentoras da manipulação que ocorre em importantes mercados globais de juro e de câmbio, como o LIBOR e o FOREX, e essa manipulação é o combustível que mantém o “império militar” funcionando, supondo eu que Keiser se refere aí à OTAN.

A economia dos EUA por si só não consegue mais manter suas ambições militares, e para isso essas ambições precisam manipular mercados. O tipo de inteligência que Snowden pode mostrar como se agrega, é fundamental para essas manipulações. Elas podem instrumentar a Booz Allen e suas parceiras a canalizar bilhões de dólares para irrigar campanhas militares norteamericanas. Então, essa fúria contra Snowden na verdade seria por causa de dinheiro, e não de segurança. Keiser prossegue nos lembrando que a Casa Branca é refém de Wall Street, dos fundos hedge, de banqueiros corruptos e também da Booz Allen, e que as empresas parceiras no PRISM tem incentivos financeiros para participar desse programa, além dos possíveis pedágios para acesso a dados pessoais dos seus clientes.

Os índices cobiçados são sensíveis a dados econômicos. Se a Booz Allen e certas parceiras podem manipular esses dados, podem com isso manobrar os índices que guiam os mercados. Incluindo preços de ações em pregões voláteis, inclusive das suas próprias. Se a Booz Alen e certas parceiras coletam informações privilegiadas, outras parceiras podem, com tais informações, ganhar bilhões e bilhões de dólares para o esquema através de operações algorítmicas em pregões automatizados, que são efetuadas por software em altíssima velocidade, com enormes volumes e quase sempre disparadas por diminutas variações de preços, uma novidade tecnológica ainda infiscalizável e que vira e mexe dá sérios tilts. É claro – para Keiser – que os grandes bancos de Wall Street e de Londres estão fazendo isso.

Assim, toda esta fúria persecutória contra Snowden pode ter causa em manobras virtuais que só darão lucro – fraudulento – enquanto houver confiança coletiva em moedas sem lastro. Não é por causa do vazamento de segredos de Estado em si, já que isso ocorre a toda hora sem que os delatores sejam importunados, inclusive a respeito deste caso, ou mesmo mentindo, se o efeito pretendido na grande mídia for o de maquiar a imagem do governo. Infelizmente, os EUA não tem mais dinheiro para financiar suas guerras e aí o governo precisa recorrer à manipulação de mercados via bisbilhotagem, e isso é a última coisa que quer vindo à tona de forma crível, por atos de um insider em fuga candidato a mártir. Pois o filão secreto de ouro (de tolo) que Keiser aponta seria, na lógica do capital, assim “roubado”.

Um despiste que circula, no argumento de que ele é traidor e por isso não merece crédito, tenta tapar o sol com peneira. Se não merece crédito, por que tanta fúria persecutória contra o jovem desequilibrado e delirante, produzindo crises diplomáticas mais parecidas com tiros no pé? A humilhação aérea ao mais digno índio aimara, por exemplo, acoxada por un embaixador de nome William Eacho, que aí achou demais – chifre em barriga do cavalo alado de Evo Morales –, esbarrou no fiel de uma balança delicada do xadrez diplomático, cuja sacudida legitimou a acolhida de Snowden pelo governo da Rússia. Penso, então, que esse quebra-cabeças ainda tem mais peças a encaixar.

Quais são os mecanismos pelos quais é possível aos EUA interceptar comunicações realizadas pela internet e telefone? O “backdoor” é a única explicação?

P.A.D.R – O backdoor é apenas o mais conveniente dentre vários meios possíveis de interceptação. Desde 2001 é sabido que o programa Echelon interceptava sinais de satélite, mas hoje sabemos mais: que os backdoors agora exigidos por lei americana (CALEA) nos roteadores de grande porte homologados nos EUA estendem esse vigilantismo também para quase todas as rotas de fibra óptica, centralizadas na arquitetura atual dos backbones transcontinentais, que por decisões empresariais bordeiam os pontos de troca de tráfego nacionais. O que cobre praticamente todos os meios de transmissão digital a longa distância hoje em uso.

Mas hoje sabemos também, por revelações de Snowden, o que em 2001 apenas suspeitávamos (com o caso NSAKEY): que a vigilância se estende também, em capilaridade, a quase toda plataforma individual e computador pessoal, àquelas e àqueles que usam sistema operacional proprietário Windows, neutralizando nelas e neles a única possível defesa restante, que seria a criptográfica; e capilarmente estendido também a quase todo serviço global agregado, via programa PRISM.

Como funciona?

P.A.D.R – Um backdoor funciona como uma porta virtual secreta, embutida em software, acionável remotamente por quem a conhece para dar passagem sorrateira a dados. Sejam dados copiados de dentro do sistema e enviados para quem controla remotamente o backdoor, sejam dados enviados por quem controla remotamente o backdoor para dentro do sistema, visando alterá-lo ou manipulá-lo à sorrelfa, inclusive, se for o caso, para apagar ou alterar dados de algum usuário do sistema.

Num roteador, que é um tipo de equipamento destinado a distribuir o tráfego de dados entre rotas de saída, por satélite ou por fibra ótica por exemplo, um backdoor pode ser programado para grampear por atacado o fluxo que por ali passe, em todo ou em partes selecionáveis por áreas de origem ou de destino, com a cópia do fluxo enviada para repositórios de agências como a NSA, que para recebe-los inaugura esse mês o maior datacenter jamais construído para esse fim.

Como é possível impedir essa interceptação? Aliás, é possível?

P.A.D.R – É impossível impedir a interceptação, mesmo empregando criptografia por mais robusta que seja, se o sistema operacional rodando no computador de um dos interlocutores for fornecido por uma parceira do PRISM. E é justamente uma empresa que proíbe em contrato a engenharia reversa dos seus sistemas proprietários, blindando-se de admitir publicamente que os mesmos embutem backdoors, e que implode os mais recentes diante de qualquer tentativa de sanitizá-los contra backdoors embutidos, que fornece mais de 90% deles.

Doutra feita, sem empregar criptografia é impossível impedir a interceptação, seja com sistema operacional livre ou proprietário, se a rota entre os interlocutores tiver algum ponto de passagem obrigatória por um roteador que tenhabackdoor. Seja backdoor embutido pelo fabricante, o que é obrigatório nesse tipo de equipamento como hoje homologados nos EUA, seja instalado por empresa de telecomunicação que os operam, situação previsível onde tais empresas sejam parceiras de algum dos inúmeros programas de espionagem global ou de vigilantismo militar, já denunciados ou ainda não.

É possível impedir a interceptação apenas entre plataformas auditáveis, portanto com sistemas livres e de código aberto, que sendo livres não requerem cadastramento para serem habilitados, sanitizadas contra backdoors nas duas pontas da comunicação, combinado ao uso correto de criptografia robusta. Mas possível relativamente, pois tais condições são difíceis de serem garantidas, já que são relativas à competência técnica de potenciais adversários com interesse em interceptar no varejo, haja vista as ferramentas virtuais de ataque conhecidas como zero-day exploits, que proliferam num comércio cinzento aquecido pelas verbas ocultas que sustentam esses esquemas.

Talvez não seja por acaso que o braço brasileiro do cartel das grandes empresas de software proprietário demoniza tanto o software livre, que é a única alternativa para se usar a Internet de forma efetivamente protegível contra interceptação de varejo, quando devidamente sanitizados nas pontas duma comunicação corretamente criptografada. Não é de hoje que os braços legais dos agentes deste esquema incitam todos à devassidão digital autoconsentida, enquanto seus lobbies pressionam legislativos contra o uso autônomo da criptografia, com os quatro cavaleiros do ciberapocalipse – pornografia infantil, terrorismo, pirataria e cibercrime – servindo sempre de espantalhos.

As medidas de infraestrutura anunciadas pelo governo (lançamento de satélite nacional, construção de cabos submarinos próprios aos EUA, Europa e África) são suficientes para impedir a espionagem externa?

P.A.D.R – Impedir a espionagem do tráfego de dados envolvendo serviços globais oferecidos por parceiros privados do programa PRISM, não há como. Em casos envolvendo o uso de serviços globais, não há medida neutralizadora possível a não ser a do usuário optar por serviços alternativos ou semelhantes instalados e operados com tecnologia livre e adequadamente implementada e gerenciada.

E mesmo assim, o efeito de proteção será aí relativo ao poder de fogo disponível ao vigilantismo global, modulado pelo interesse nele despertável pelo perfil rastreável de quem queira se proteger. No caso de redes sociais, essa adequação requer redes federadas colaborativas e ferramentas criptográficas próprias para anonimização, como aquelas oferecidas por softwares e serviços do projeto Tor.

Satélite nacional e cabos submarinos controlados pelo país só agregariam efeito neutralizador da espionagem e do vigilantismo global quando as duas pontas de uma comunicação internacional estiverem operando com computadores protegíveis contra interceptação de varejo, ou seja, com software livre sanitizado de backdoors para conexões corretamente criptografadas.

Sem criptografia, ou com ela fraca ou incorretamente usada, o efeito neutralizador dessas medidas, no caso de comunicação doméstica só pode ser efetivo se combinado à sanitização dos roteadores na rota do tráfego dos dados. E isso ainda não é possível aqui, devido à privatização total da infraestrutura de telecomunicações que o Brasil sofreu e à forma atual com que os equipamentos, tais como centrais comutadoras e roteadores, são homologados pela Anatel, que só checa as especificações de funcionalidade declaradas pelo fabricante.

Portanto, as medidas anunciadas tem grande chance de serem, sozinhas, na prática inócuas ou irrisórias, no máximo apenas encarecendo um pouco a bisbilhotagem desbragada.

O sr. acha que o ministro Paulo Bernardo é um dos maiores responsáveis pela situação de vulnerabilidade do sistema de telecomunicações no país. Por quê?

P.A.D.R – Com a arquitetura propositadamente devassa das telecomunicações no Brasil, hoje totalmente privatizada e muito mal fiscalizada, perante o alcance e o escopo do esquema de espionagem e vigilantismo denunciado por Snowden, o que se revela é um cenário de grave vulnerabilidade para o país. Um cenário cujo efeito prático nesse área é o de facilitar e baratear a bisbilhotagem, e cuja gravidade se deve a muito desleixo e descaso. Não só quando somos repetidamente tungados no pré-sal, mas também de princípios constitucionais pétreos.

Ainda, as várias ferramentas de coleta e processamento empregados nesse esquema instrumentam não só a espionagem militar clássica, a industrial e a comercial em favor das empresas do esquema e suas parceiras, mas também aplicações militares até então inéditas, como por exemplo a mineração de dados para os “signature strikes“, em que drones matam suspeitos rastreando-os por padrões digitais de comportamento, sem identificação positiva do alvo. Testados no Paquistão em mais de mil civis, em breve também por essas bandas.

Em tempos ainda de paz isso pode parecer motivo para pilhérias em audiências legislativas, do tipo “marido traído”, mas mesmo assim tal conduta não parece prudente para ministro de Estado de um pais já tão espoliado como o Brasil. Se já havia no governo Brasileiro quem soubesse do esquema em 2008, como indicam matérias da Folha de S.Paulo e da TV Gazeta, sobre quem advogava e advoga terceirização frouxa para tudo tecnológico, e debocha de estratégias para defesa da soberania via autonomia tecnológica, cabe perguntar quem o sustenta ali.

Cabe perguntar por que esse ministro sabotou o Programa Nacional de Banda Larga, o que fez com a infraestrutura nele erguida, e por que demitiu o mentor e gestor desse programa, um dos mais tarimbados estrategistas brasileiros com bagagem técnica para negociações internacionais. Por que enterrou esse programa, cuja importância estratégica para neutralizar a exposição de toda a comunicação digital brasileira ao esquema denunciado está muito bem explicada, em matéria de Luiz Grossman no portal Convergência Digital por exemplo.

Se traição à pátria no Brasil não é assunto de interesse jornalístico para a mídia corporativa, se não for mais crime, ou se é crime só para certa cor ideológica do suposto beneficiado inimigo, então podemos ao menos dizer que tal conduta em um servidor público revela vassalagem neocolonial, como denunciada em recente audiência pública no Senado sobre o tema, para usar um termo recém empregado em declaração conjunta dos chefes de Estado na cúpula do Mercosul.

Por Tadeu Breda.

Com informações de Rede Brasil Atual.



Para técnicos, nova lei para internet será insuficiente

30 de Julho de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

12-06-2013_InternetApesar do empenho do Planalto em aprovar no Congresso uma mudança de regras para as gigantes da internet –que as obrigue a armazenar informações no Brasil e não no exterior–, técnicos do governo e especialistas dizem que a medida não é suficiente para evitar espionagem.

Um dos principais motivos apontados é que a troca de informações se dá por meio da rede e, antes mesmo de serem arquivadas em algum data center, elas podem ser interceptadas ainda em trânsito.

Além disso, a Folha apurou com técnicos do governo que essas empresas não podem ser obrigadas a guardar o back-up de suas informações no Brasil, ainda que instalem o data center no país.

O chamado “espelho” poderá ficar no país de origem da empresa.

Desde a revelação da espionagem dos EUA no Brasil pelo jornal “O Globo”, o governo anunciou que é prioridade a aprovação do marco civil da internet no Congresso.

O texto altera as regras para empresas de internet que vendem espaço publicitário no Brasil. Gigantes como Facebook, Google e Twitter seriam obrigadas a armazenar aqui os dados de brasileiros.

Em entrevista à Folha, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) disse que a exigência de data center no Brasil garantirá segurança jurídica aos usuários que forem alvo de espionagem.

“Além de desenvolvimento econômico, que virá com a construção do data center, essas empresas estarão sujeitas a processos caso manipulem indevidamente as informações. Essas pessoas estarão amparadas pela legislação brasileira”, disse.

Segundo o ministro, é muito “constrangedor” para qualquer país ter de pedir à Justiça americana para ter acesso à informações que foram captadas no Brasil –como argumenta o Google em caso na Justiça brasileira.

Para Ricardo Dahab, do Instituto de Computação da Unicamp, a proposta governista não aumentará a proteção dos usuários: “Ter fisicamente algo em algum lugar não é garantia nenhuma. Não é o mesmo que guardar comida. São coisas virtuais, que ficam em servidores, mas são facilmente replicáveis”.

Nem mesmo a compra de um satélite pelo Brasil para a transmissão de dados é vista como uma alternativa. “Em algum momento você fará conexão com um satélite de outro país”, disse o professor de segurança da informação da Unesp, Adriano Cansian.

Por Júlia Borba.

Com informações de Observatório da Imprensa.



Internet banking do Itaú não aceita atualizações de kernel do Linux?

29 de Julho de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Pelo visto é isso que acontece.

Olha só essa história.

O cidadão foi acessar a conta da empresa dele através do internet banking do Itaú.

Sob a desculpa de aumentar a segurança do usuário, o referido banco introduziu uma série de mudanças em seu internet banking Empresas, entre as quais a obrigatoriedade de cadastrar máquinas para conseguir acesso.

O cidadão, depois de muitos telefonemas e acessos, conseguiu cadastrar sua máquina. Isso porque para liberar uma máquina recém cadastrada você precisa ter uma máquina já cadastrada. Mas se você não tem nenhuma máquina cadastrada como é que fica? Fica tipo assim, para comprar um carro você precisa ter garagem, mas você só consegue uma garagem se tiver um carro. Entendeu??? Ou seja, uma falha grotesca logo de cara!

Mas, o cidadão conseguiu cadastrar suas zilhões de máquinas e feliz acessou sua conta e movimentos seus milhões de centavos. :-)

Hoje, o cidadão acessou novamente a conta através do internet banking e pagou a conta da operadora de telefonia. Enquanto fazia a operação recebeu em seu computadopr uma notificação automática do mantenedor do sistema operacional informando que havia atualizações disponíveis para o SO. A tal atualização se tratava de uma nova versão do kernel do Linux instalado no computador.

Atualização feita, o cidadão reiniciou a máquina como manda o figurino e já com o novo kernel rodando tentou acessar o internet banking do Itaú.

Surpresa!

O site do Itaú, depois dos procedimentos padrão lhe informa que a máquina não está cadastrada. Pacientemente, o cidadão sai do site e reinicia a máquina com o kernel antigo. Acessa o Internet Banking Empresas do Itaú e?

Shaaraaannn! A máquina voltou a estar cadastrada e o acesso a conta se deu normalmente.

Reiniciou a máquina com o novo kernel e?

A máquina não está cadastrada.

Então, o novo sistema de controle do Internet Banking do Itaú parece ser bastante invasivo a ponto de reconhecer a versão do kernel que você está usando e não deixar você usar o serviço se estiver rodando um kernel novo.

Ou simplesmente é cheio de falhas mesmo.

Será que alguém já passou por esta triste experiência?

Como pode um sistema de internet banking dificultar, mesmo que indiretamente, a atualização do kernel do sistema operacional da máquina do cliente???



Praças Digitais - Teste de Conceito Wi-Fi Livre em São Paulo

29 de Julho de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Artigo sugerido por Cido Araújo


A Secretaria de Serviços da Prefeitura Municipal de São Paulo convida a população da cidade a participar do teste de conceito das Praças Digitais. No dia 1º de agosto às 10hs, Simão Pedro, Secretário de Serviços, estará na Praça Dom José Gaspar (Centro) para abrir o sinal de wi fi livre e gratuito, a ser testado pela população.

O teste é mais um passo para a implantação do projeto Praças Digitais. Ele é fundamental para que a iniciativa seja bem-sucedida, porque vai permitir à Secretaria de Serviços e à população avaliar os termos do serviço a ser prestado e sua qualidade.

O padrão a ser testado foi estabelecido pela Secretaria de Serviços e pela Prodam para a prestação do serviço público de wi fi nas 120 praças (Meta nº 58 do Programa de Metas 2013-2016 da Prefeitura). Seus principais itens são os seguintes:

  • conexão de 512 kbps efetivos e por usuário, para download e upload;
  • qualidade, estabilidade e garantia de banda que contemplem diversos usos da internet, inclusive streaming, voz sobre ip e video;
  • infraestrutura que assegure o acesso à internet por meio de dispositivos de diversos tipos, como smartphones, tablets, notebooks, netbooks;
  • a neutralidade não pode ser quebrada. O prestador de serviço não está autorizado a filtrar o tráfego por IP de origem ou de destino, por aplicação ou por conteúdo, exceto para cumprir legislação em vigor;
  • medição da estabilidade, disponibilidade e capacidade da banda por meio do SIMET - Sistema de Medição de Tráfego Internet, disponível pela internet para qualquer usuário; e pelos SIMET-Boxes, desenvolvidos pelo NIC.br e doados ao projeto Praças Digitais.

O teste do conceito será realizado com a colaboração da Idea – Planejamento de Redes Metropolitanas. A Idea vai deixar o sinal aberto na Praça Dom José Gaspar até que o prestador de serviço a ser escolhido pela licitação das Praças Digitais inicie a instalação de sua rede – a Dom José Gaspar será uma das 120 Praças Digitais. O teste também vai permitir avaliar o prazo necessário para instalar equipamentos e conexão em uma praça.

A Coordenadoria de Conectividade e Convergência Digital vai acompanhar o teste e, durante toda sua duração, coletar os dados gerados pelo sistema de gerenciamento da Idea e pelo SIMET, além de receber contribuições e sugestões dos usuários pelo Twitter (@wifi_livre) e pelo Facebook (Wifi_Livre) do projeto.

Serviço:
O que: Lançamento do Teste de Conceito das Praças Digitais
Onde: Praça Dom José Gaspar, Centro, SP.
Quando: dia 1º de agosto, quinta-feira, 10h00



Protestos não ajudarão direita, diz brasilianista

29 de Julho de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Segundo o professor Timothy Power, da Universidade de Oxford, “Dilma está mais fraca”, mas isso não melhora as chances eleitorais de nenhum dos seus adversários

Por Sylvio Costa

A agenda dos brasileiros tornou-se “pós-materialista”, afirma Timothy. Questões ligadas à “sobrevivência física e econômica são menos importantes no Brasil atual”

Dos acadêmicos estrangeiros que adotaram o Brasil como objeto de estudos (os chamados “brasilianistas”), o cientista político Timothy Power está entre os mais ativos. Nascido nos Estados Unidos, mas há sete anos residindo na Inglaterra, ele dirigiu entre 2008 e 2012 o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Oxford, no qual continua coordenando o programa de estudos brasileiros. Seu interesse pelo país, onde faz pesquisas desde 1990, se faz sentir na fluência com que fala português, com um sotaque bastante discreto.

O Congresso em Foco encontrou Timothy por acaso, ao fim da tarde da última quinta-feira, no Senado. De saída de uma reunião no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), com o qual organiza um seminário sobre “presidencialismo de coalizão”, a se realizar em setembro, ele topou conversar sobre o significado das manifestações que ganharam as ruas brasileiras e o impacto que elas podem ter nas próximas eleições.

Apesar da ligeireza da conversa (pouco mais de 20 minutos), o pesquisador fez algumas observações dignas de atenção. As mais interessantes dizem respeito ao impacto eleitoral dos protestos populares.

Na sua opinião, “forças conservadoras não vão se beneficiar” dos protestos. O que vale, no seu entender, tanto para a direita mais radical quanto para nomes como o do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Já Marina Silva lhe parece “quase o suficientemente distante” do sistema político que as ruas repudiaram, “mas nem tanto”. Sua conclusão: “A posição da Dilma está mais fraca, mas a insatisfação não está beneficiando nenhum ator politico”. Para ilustrar a ideia, Timothy Power recorre à língua nativa: “We can’t beat somebody with nobody [você não pode derrotar alguém com ninguém]”.

O pesquisador atribui os protestos a uma reação generalizada contra os políticos e à insatisfação com a qualidade dos serviços públicos, fenômeno em que enxerga um forte componente geracional – uma nova leva de brasileiros, muitos nascidos depois da adoção do real (1994), estão “encantados” com uma “novidade”, a possibilidade de participarem da vida política e se fazerem ouvir. Ele considera baixa a influência da situação econômica no que alguns passaram a chamar de “jornadas de junho”.

E critica o PT. “Acho que o PT continua pensando nas ferramentas do passado. Por exemplo: vale mais uma CUT ou uma conta do  Twitter hoje? Para mobilizar, acho que é a conta do Twitter, né?”, diz ele, ao mesmo tempo perguntando e respondendo, com um suave sorriso estampado entre os lábios.

Seguem os principais trechos da entrevista.

Pelo que o senhor conhece do Brasil e pelo que tem visto nas últimas semanas, pergunto: o que, na sua opinião, está acontecendo no país?

Vemos uma insatisfação, um conjunto de manifestações que não são partidárias, e o que salva um pouco a presidenta é que a oposição não é direcionada contra a Presidência da República nem contra o governo, é uma coisa mais generalizada. Mas acho que o PT continua pensando nas ferramentas do passado, né? Por exemplo: vale mais uma CUT ou uma conta do  Twitter hoje? Para mobilizar, acho que é a conta do Twitter, né? Mas essas redes sociais facilitam a mobilização instantânea, que elas tornam muito fácil, mas a longo prazo ou mesmo no dia seguinte você não tem capilaridade porque não tem um mecanismo aglutinativo para continuar a mobilização. Nisso aí os movimentos mais tradicionais, os partidos, os sindicatos e o PT ganham. Então, mobilização permanente e temporária são duas coisas bem diferentes, né? Mas as pessoas estão encantadas com a mobilização temporária que se vê nas ruas, porque é novidade. É coisa geracional. Desde 92, com o impeachment do Collor, não se teve nada parecido e antes disso foi 84 com as diretas já. É uma coisa um pouco cíclica. Essa geração… tem muita gente protestando que nasceu depois do Plano Real, é um outro Brasil. É a primeira vez que eles participam…

Na sua opinião, o alvo central dos protestos seria o governo, seriam os governantes, neste caso mais em geral, seria a situação econômica ou seria algo ainda mais amplo, uma repulsa geral às instituições, a tal crise de representatividade?

Acho que são duas coisas. Uma reação contra a classe política de modo geral, acho que aí não poupam ninguém. E também uma insatisfação com a qualidade  dos serviços públicos. Muita gente lá fora, no Financial Times, no New York Times, estão tratando isso como se fosse resultado da desaceleração da economia. Acho que isso tem alguma coisa a ver, mais não muito. Eu acho que o povo não sente o pibinho como antes, o povo sentia o pibinho muito mais no final dos anos 90. Um ponto a mais de inflação ou um ponto a mais de desemprego ia matar o Fernando Henrique. Mas com o salário mínimo de hoje e a bolsa família de hoje, essas oscilações são menos importantes para o poder de consumo. O que se teve no Brasil foi uma revolução de consumo, o consumo não para… como que é credit bubble em português? Isso. Bolha de crédito.  Não para de crescer… mas  eu acho que é mais uma agenda de qualidade de vida, né? Fora do Brasil, as pessoas também estão perguntando: o que que aconteceu no Brasil? Teve uma crescente inclusão social nos últimos dez anos. Isso não deveria levar a menos protestos em vez de mais protestos? E é justamente o contrário, né? Porque as pessoas têm outros critérios comparativos. Hoje, elas aplicam critérios muito mais severos, querem mais qualidade. Trazem uma agenda que na ciência política a gente chamaria de pós-materialista. Quando a gente é materialista, pensa em emprego, inflação, sobrevivência física e econômica. Isso é menos importante no Brasil atual do que há 15 anos.

Mas as pessoas não estão tratando exatamente de questões materiais quando falam em saúde , educação, transporte, segurança publica? Todas essas coisas não têm uma dimensão materialista?

Eles foram incluídos nesse sistema, mas não gostam da qualidade dos serviços. O que o Brasil teve foi acess reforms [reformas de acesso]. Acesso às universidades, acesso ao SUS, acesso às ruas e estradas com carros, acesso aos aviões. Mas o acesso não resolve, né? Os números são impressionantes quando se conta o acesso, mas é a qualidade que estão reclamando. O cara pode comprar o primeiro carro da vida dele, mas ele não tem onde dirigir ou estacionar.

O senhor estava falando em salário mínimo. O salário mínimo brasileiro está em duzentos e tantos dólares…

Trezentos dólares. Passou de trezentos.

Tá bom. Mas isso não é nada para uma família com quatro pessoas que vá ao supermercado fazer a compra de mês, não é? Para comprar alimento, para pagar o básico do básico, o salário  mínimo brasileiro não está tão alto, se considerarmos os preços vigentes no Brasil. O país é muito caro. Será que esses protestos teriam ocorrido com a dimensão que têm ocorrido se a situação econômica fosse outra, ou seja, se a Dilma tivesse entregue o PIB e os investimentos que ela prometeu e não conseguiu entregar?

Eu tenho minhas dúvidas se esses protestos foram motivados pelo desempenho econômico do Brasil. Eu acho que isso é coisa de menor importância. Eliane Cantanhede publicou um artigo anteontem [na Folha de S. Paulo] em que ela fala assim: o pibinho tirou oito pontos da popularidade da Dilma, mas os protestos tiraram 27 pontos a mais. Isso dá um pouco a proporção…

Mas, por que tiraram? Por um mal-estar subjetivo ou por que a Dilma se atrapalhou de uma maneira absolutamente incrível, inesperada, ao reagir? Quer dizer, numa hora era a Constituinte, que horas depois já não valia mais nada, no dia seguinte era um plebiscito também proposto de forma amalucada, sem nenhuma construção prévia de consenso… Não foram essas questões que pesaram?

Eu acho que você tem razão. Dentro de um mundo de formadores de opinião, acho que você tem total razão: essas coisas pesaram. Nesse mundo a visão que se tem da Dilma e da equipe econômica é supernegativa, não tem dúvida. Mas eu duvido muito que isso se infiltrou entre os populares. Acho que houve um tipo de chain reaction [reação em cadeia] a partir de São Paulo. Me falaram, não se é verdade, que ela telefonou para o [prefeito de São Paulo, Fernando] Haddad em janeiro e pediu que ele não aumentasse a tarifa de ônibus…

… O Eduardo Paes recebeu esse pedido também…

Isso. Pedir ao povo que pague R$ 0,20 a mais parece pouca coisa, né? Isso é difícil de explicar no exterior. Dez centavos de dólar? O que houve? Se você está me dando um serviço que é uma merda, você não tem o direito de aumentar o preço. Então, quando cancelaram o aumento, isso foi uma admissão pública de que o transporte público é uma merda. É uma confissão. Sim, vocês tinham razão, não podemos cobrar mais.  Espero que agora o debate seja mais em torno da qualidade e não do preço. O problema é a qualidade.

Quem capitaliza, se é que alguém capitaliza, este momento tão peculiar da história política brasileira? Qual força politica?

A gente tem uma frase em inglês. We can’t beat somebody with nobody [“você não pode derrotar alguém com ninguém”]. A posição da Dilma está mais fraca, mas a insatisfação não está beneficiando nenhum ator politico. Mas a gente tem que comparar o Brasil com outros países. O bom é que não tem nenhum outsider no horizonte nacional. Não tem o Collor de 89, não existe.

Tem uma experiência histórica que não sei até que ponto seria aplicável à situação atual do Brasil, mas tivemos Paris de 68 e a contracultura norte-americana dos anos 60, com manifestações plurais, bastante heterogêneas, com muitas mensagens contra várias coisas mas sem apontar um caminho claro em relação ao que aqueles manifestantes pretendiam. Em Paris, isso terminou em De Gaulle e nos Estados Unidos em um período longo de hegemonia do Partido Republicano, Nixon etc. Será que no Brasil não há uma possibilidade concreta de um candidato bem trabalhado pela direita, pelas forças conservadoras, voltar ao poder?

Eu acho muito improvável. Só se os protestos continuassem com mais vandalismo, desordem, bagunça, mas acho muito difícil. Você nem tem o Enéas  hoje. Nem aquele general daqui de Brasília. Como é mesmo o nome dele?

Newton Cruz.

Newton Cruz. Você não tem mais na política nacional uma figura dessas.

Mas tem o Aécio Neves, que hoje une a direita. Ou não une?

Aécio Neves?

Se ficar claro para os conservadores que, olha, com esse cara a gente ganha a eleição, será que o povo mais à direita do espectro político terá alguma hesitação em montar nessa garupa? E o Aécio nem tem essa imagem de alguém hiperconservador. Tem uma imagem de ser uma pessoa maleável, do diálogo…

O movimento é antipartido, o movimento é contra a classe politica. Não vejo um nome assim como o de Aécio Neves se beneficiando disso daí. Tem que ser um nome muito mais distante do centro do sistema político…

Marina, por exemplo?

Marina é quase o suficientemente distante, mas nem tanto. Ela está na fronteira.

O que leva o senhor a acreditar que não haveria ambiente para um candidato de perfil mais conservador ganhar a eleição?

Não vejo a direita se aglutinando em torno dos protestos, acho muito difícil.  Acho que o Brasil passou disso aí. Não existe isso mais. Forças conservadoras não vão se beneficiar. Eu acho que quem tem ideias sobre melhoria de qualidade dos serviços públicos… é um debate chato, tecnocrata, mas tem que ser por aí.

Professor, a Inglaterra está sendo muito citada como modelo a ser seguido na questão da prática médica e como inspiradora dessa exigência que o governo quer implantar para os médicos se dedicarem por pelo menos dois anos à saúde pública. O senhor tem alguma coisa que possa trazer sobre o assunto?

Eu não sou britânico, sou americano. Tenho sete anos morando lá, mas não sei nada sobre o sistema de saúde britânico. Não posso falar com autoridade sobre isso.

Veja também:

Timothy Power e o “presidencialismo de coalizão”

Notícias e artigos sobre as manifestações e seus desdobramentos

 

Fonte: congresso em foco