A Coreia do Norte, república socialista localizada no leste asiático, não permite que seus cidadãos acessem a internet livremente, como nós aqui no Brasil. O país possui um sistema de intranet que garante o acesso a mídias estatais e alguns sites e serviços aprovados pelo governo. A chegada do Red Star OS deu um controle ainda maior do que é acessado pelos usuários norte-coreanos. Agora, pesquisadores alemães analisaram mais a fundo a versão mais recente do sistema operacional, que é ainda mais restrito e controlador do que se imaginava.
Refletindo o sistema político local, o Red Star OS é bastante autoritário, mesmo sendo baseado em Linux (um sistema open source), impedindo personalizações e modificações em seus arquivos de sistema. Caso alguém tente alterar algum desses arquivos, ou até mesmo desabilitar o anti vírus ou o firewall, o sistema reiniciará automaticamente o computador. E nenhuma ação passa longe dos olhos do governo norte-coreano, que não mede esforços para detectar e penalizar quem ousar desobedecer suas diretrizes.
Apesar do sistema ser estável e seguro, Florian Grunow e Niklaus Schiess, da empresa de segurança em TI ERNW GmbH, acreditam que o SO mantém os habitantes do país ainda mais isolados do restante do planeta, além de ferir a liberdade individual dos usuários. “A Coreia do Norte abusa os princípios do software livre oferecendo um sistema operacional que suprime o discurso livre. Portanto, achamos necessário divulgar essa informação ao público e apresentar soluções para contornar as limitações introduzidas no país”, diz o documento que pode ser acessado aqui.
O estudo teve como principal objetivo investigar funcionalidades que possam ser usadas para invadir a privacidade do usuário, e encontrou recursos de monitoramento surpreendentes, como a capacidade do sistema de marcar diferentes tipos de arquivos para monitorar sua distribuição, recurso considerado importante para controlar a pirataria de filmes, músicas e textos estrangeiros que são considerados ilegais por lá.
A dupla de especialistas contou que o Red Star OS não é somente uma cópia restrita dos sistemas ocidentais, mas sim “um sistema operacional completo onde eles controlam a maior parte do código”. No entanto, a maior parte dos equipamentos da Coreia do Norte ainda utiliza o Windows XP, segundo pessoas que visitaram recentemente o país.
Pode parecer absurdo, mas esse não é o único país a possuir um sistema operacional próprio. Cuba, por exemplo, possui o Nacional Nova, enquanto a China e a Rússia ainda tentam construir os seus. Na Coreia do Norte, a maioria da população acessa a internet em locais públicos e monitorados pelas autoridades, como bibliotecas, que oferecem materiais educacionais, artigos científicos e propagandas do governo.
Conheça mais sobre o Red Star OS (ative as legendas, se necessário):
Com informações de Reuters e Canaltech.
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