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Texto de David Jourdain: Pode ser?

23 de Março de 2015, 17:08 , por Paulo Santana - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Pode ser?

“Só tem pepsi. Pode ser?1”. Você lembra desta propaganda? Em 2010, uma agência de propaganda propôs para a Pepsi uma série de comerciais que oferecia ao consumidor de refrigerante uma simples pergunta (pode ser?), já que uma grande massa de consumidores está basicamente condicionada a “escolher” APENAS UMA ÚNICA OPÇÃO. Seria isso saudável para alguém?

Em outubro de 2010, a AlmapBBDO iniciou a veiculação de uma série de propagandas que tinha como principal frase a seguinte expressão: Pode ser?

Parece uma pergunta inocente, que leva até para o humor, mas que pode ser analisada dentro de um contexto maior, pois esta simples pergunta aborda como é sutil e ao mesmo tempo perigoso o risco de massificarmos uma sociedade, ou grupos sociais, a partir de um costume ou uma predileção as vezes fracamente justificada, fazendo desta escolha quase um vício. Em uma situação desta, a liberdade de escolha não reside na possibilidade de múltiplas ofertas, mas sim de poder ignorar (ou até mesmo evitar) esta “opção” que massifica, para dar espaço para outras opções, que podem até mesmo serem melhores, sob diversos aspectos.

Bom... mas eu estou falando de refrigerante ou de software livre? Por mais que não possa parecer, estou sim falando de software livre.

Nos últimos anos, as comunidades de software livre no mundo tem sido massificadas com um “produto”, que nos tem sido entregue como sendo o “melhor produto”, com o “melhor suporte”, com a “melhor solução”... e tantos outros adjetivos que torna este “produto” a “melhor escolha”. Estas aspas em excesso não estão aqui por acidente.

Ocorre que esta massificação tem sido emburrecedora, pois acabou por impedir que toda uma gama de distros GNU/Linux fossem conhecidas. Se toda esta gama fosse incompleta, não funcionais, não estariam mais vivas, existentes e com comunidades ainda ativas.

Toda forma de massificação é burra, não importa a circunstância. Vejamos exemplos:

– Uma só marca de automóvel:Péssima ideia! Uhmmm.... talvez, se for um carro alemão!

– Uma só marca de cerveja:Deus me livre de um mundo assim! Ainda mais se for cerveja de milho!

– Uma só distribuição GNU/Linux: Com toda certeza, o PIOR dos cenários para o mundo livre, por uma infinidade de fatores. Vejamos alguns deles.

  • A verdadeira liberdade de escolha reside no PLENO CONHECIMENTO de que existem opções e que elas, devidamente esclarecidas, podem ser escolhidas pelo usuário final. A massificação emburrecedora impede que se conheçam as opções disponíveis;
  • Não vejo COMO uma única distribuição GNU/Linux poderia atender a uma infinidade de usuários, com todas as particularidades que nossas comunidades de software livre possuem, seja no Brasil, seja no mundo;
  • Quando uma empresa, que distribui um sistema operacional, começa a estabelecer como regra atacar representantes de comunidades de software livre, não consigo ver com bons olhos este tipo de comportamento, sob NENHUM ASPECTO! E não... eu não estou falando da Microsoft e nem do MS-Windows. Quem diria que isso aconteceria um dia, no meio livre, não é mesmo?
  • Colaborar para o desenvolvimento do kernel linux, ou para alguns aplicativos, não garante que esta empresa seja bem-intencionada. Basta acompanhar as listas de desenvolvimento do kernel linux, para ler a quantidade de desentendimento que ocorre por fatores éticos, além dos fatores técnicos;
  • E quando uma distribuição, que começou “quase como” GNU/Linux, depois se transfigurou... mudou um pouco mais e se distanciou tanto quanto pôde dos conceitos de software livre, passa a assumir o papel de protagonista em eventos DE SOFTWARE LIVRE, como chamamos a isso? Quimera2?

Seja para qual for o evento de software livre, massificar o acesso para um único sistema operacional de base livre não me parece ser a melhor das escolhas. Permito-me me referir como “sistema operacional de base livre” pois muitas distribuições intituladas “distros linux” nasceram a partir de repositórios livres, e depois foram mudando, mudando, mudando ...

Um evento como o FLISOL, que para muitos é a porta de entrada para conhecerem os conceitos de software livre, vejo que é começar com o pé errado não oferecer DE VERDADE uma gama de distribuições GNU/Linux para estes “calouros” do software livre. Além de começar com o pé errado, é emburrecedor e faz com que estes entrantes em nossa comunidade acreditem que só temos uma opção para tudo, e isso não é verdade.

Por isso, minha humilde opinião, me faz concluir que podemos ter muito mais GNU nos eventos de software livre. Podemos ter outras distribuições GNU/Linux, podemos até ter algumas distribuições que sejam “mais ou menos” GNU/Linux, caminhando para “mais” e se distanciando do “menos”.

Para os que diretamente colaboram para o FLISOL: Não seria conveniente oferecermos o real direito de escolha para nossos visitantes, para que eles possam conhecer as diversas distros que ele poderia ter instalada no seu computador, em vez de oferecer apenas uma única opção?

E, se ao final, for para instalar um sistema operacional que intencionalmente tem código para monitorar o quê o usuário está fazendo, que intencionalmente já atacou representantes de comunidades de software livre... que se recomende ao visitante do FLISOL que procure o site da www.microsoft.com, que ele compre uma licença, e que seja feliz. Afinal, as comunidades de software livre no mundo sempre souberam de quê lado eles estão!

Não entendeu a parábola? Quer que desenhe? E aí? Pode ser?

David Jourdain: Só mais um membro de comunidade de software livre, que as vezes muda de versão de GNU/Linux, só para não virar mais um na massa.

1 - Só tem Pepsi. Pode ser?

2 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Quimera


Tags deste artigo: flisol2015 flisol sem ubuntu flisol

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