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Olá Mundo

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Ubuntu, Gnome, drupal, web-semântica e principalmente software livre.


Sobre um assassinato na Lapa

27 de Setembro de 2014, 21:31, por Márcio Moretto Ribeiro - 0sem comentários ainda

"Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro."

Mineirinho - Clarice Lispector

 

(SPOILER ALERT!!!!)

Em uma famosa passagem de um não tão famoso filme (Questão de Honra - 1992), ao ser provocado pelo advogado, interpretado por Tom Cruise, sobre se havia ordenado a morte de um soldado, o coronel estadunidense, interpretado por Jack Nicholson, grita furiosamente: "Vocês querem a verdade! Vocês não aguanteam a verdade! (...) Meu filho, nós vivemos em um mundo com muros e esses muros precisam ser protegidos por homens com armas. Quem irá fazê-lo? Você? Eu tenho responsabilidade maior do que você pode ao menos imaginar. (...) Vocês tem a luxuria de não saber o que eu sei. (...) Minha existência, apesar de grotesca e incompreensível para você, salva vidas! Vocês não querem a verdade porque lá no fundo vocês me querem naquele muro. Vocês precisam de mim naquele muro. (...) Eu não devo satisfação a pessoas que acordam e dormem sob os lençois da liberdade que eu provenho e questiona a forma como provenho. Eu prefiro que você me digam apenas 'obrigado' ou então pegue uma arma e tome o cargo." Traduzi livremente e aconselho, mesmo ao que não falam inglês, a assistirem o trecho no original.

 

 

Nós vivemos em um mundo com muros e para manter os privilégios daqueles que moram do lado de lá foram necessárias muitas guerras e mortes. O coronel tem razão, o "self made man" em busca do "american way of life" não quer a verdade. Prefere acreditar que, como no filme, no fim das contas a justiça é soberana. Enquanto esses dormem sob o lençol da liberdade, seus concidadãos para quem o "trabalho sujo" foi delegado, morrem e matam nas batalhas do lado de lá dos muros. Essa experiência inenarravel é o cerne do argumento do coronel que não admite ser questionado por um civil. Porém, se é verdade que nunca a experiência da guerra foi equivalente dos dois lados, desde 92 essa distância se afastou enormemente até o limite ilustrado pelo famoso vídeo "dano colateral" vazado pelo wikileaks. A sensação que o vídeo passa é que a vida daquelas pessoas fora decidida por alguém a kilômetros de distância jogando um video-game no conforto do seu sofá. Paradoxalmente, é quando o argumento se esvasia que se fortalece suas consequências. Se no filme o coronel é preso ao assumir que ordenou o crime, no mundo dos drones nenhuma retaliação àqueles que reconhecem o uso de drones para matar concidadãos (o que suponho ser para eles um crime maior). 

Se aqui embaixo esse medo do estrangeiro é novidade, afinal estamos só começando a experimentar o imperialismo, o discurso do coronel não. Acontece que os muros aqui estão mais perto. Alguns, como os construídos em volta das favelas "pacificadas" no Rio são de concreto, mas a maioria, como aqueles em volta dos shoppings no centro, das universidades públicas etc. são apenas concretos. Para proteger esses muros se "institucionaliza, normaliza e naturaliza uma 'gestão' policial da vida social de trabalhadores informalizados, normalizados à base de precarização, desempregados etc." Para proteger esses muros admitimos a instituições que reproduzem a grotesca existência de capitães Nascimento e somos coniventes com a impunidade deles. Numa paródia grotesca imagino o Coronel Telhada gritando enfurecidamente que no fundo queremos ele protegendo esses muros e me pergunto quantos tiros teremos que ouvir para sermos o outro.

P.S. Esse texto foi escrito no contexto do assassinato em público de Carlos Augusto Muniz, cujo algoz foi liberado poucos dias depois de preso.



O que Snowden nos ensinou sobre a NSA

30 de Janeiro de 2014, 21:13, por Márcio Moretto Ribeiro

Faz um tempo estou acompanhando as notícias que Edward Snowden tem vazado sobre a atuação da NSA. A um tempo, porém, sinto falta de uma sistematização de tudo que foi publicado. Um colega de trabalho me indicou hoje alguns sites que tentaram juntar as informações e me foquei em um deles.

 

Eis um resumo do que achei mais interessante:

  1. A NSA usa informações de aplicativos que vazam informações devido a bugs (e.g. Anrgy Birds)
  2. Coletou quase 200 milhões de SMSs. Coletam e analisam SMSs de ligações perdidas (5 milhões), roaming (1,6 milhões), transações financeiras (800 mil)
  3. Implantou softwares em mais de 100 mil computadores. Alguns de forma remota usando ondas de rádio (?)
  4. Investiu 80 milhoẽs de dolares na construção de um computador quântico.
  5. Usa um spyware chamado DROPOUTJEEP para ter acesso total a dados de celulares (o IPhone é particularmente citado)
  6. Pagou 10 milhões de dolares para a RSA criar backdoors em seus programas de criptografia
  7. Consegue monitorar computadores remotamente mesmo que eles estejam offline (essa informação acho que foi dada em uma conferência por Jacob Appelbaum, não pelo Snowden, mas acho que é igualmente confiável).
  8. É capaz de quebrar a criptografia da maior parte dos celulares vendidos no mundo e ouvir as conversas dos usuários.
  9. Usa cookies do google para localizar alvos
  10. Recruta informantes usando avatares em jogos online (?)
  11. Rastreia a localização de bilhões de ligações telefonicas diariamente
  12. Espalhou mallwares em mais de 50.000 redes de computadores pelo mundo
  13. Passa informações a outros governos quando lhe interessa
  14. Apenas seu centro em Utah armazena 5 zetabytes de informações
  15. Coleta dados de relações interpessoais para criar um enorme grafo de relações.
  16. Pagou 100 milhões de dolares a operadoras de telefone para ter acesso a comunicações privadas
  17. Rastreia transações financeiras em todo o mundo
  18. Tem acesso aos servidores do Google, Apple, Facebook dentre outros (PRISM)
Foquei no que foi noticiado sobre o que a NSA é capaz de fazer. Parti do pressuposto que tenha sido amplamente divulgado que ela tem espionado líderes de estado incluindo a presidente Dilma, encontros do G20, militantes islamicos (inclusive separando informações sobre atividades sexuais para usar contra eles) dentre outros tantos.


Não é hora de recuar, é hora de fazer política

22 de Junho de 2013, 0:00, por Márcio Moretto Ribeiro

Depois de uma semana vivendo embaixo do Viaduto do Chá me atrevi a escrever um texto buscando analisar nossos anseios e reivindicações. Defendi que não reivindicávamos nada, mas sim construíamos uma nova forma de fazer política nas ruas. Essa falta de pauta clara foi duramente criticada tanto pelos meios de comunicação em massa quanto pela esquerda tradicional.

Nessas últimas semanas centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de São Paulo para reivindicar a revogação do aumento das passagens. A reivindicação clara foi certamente decisiva para a conquista que se seguiu. Passada o anuncio da revogação do aumento, porém, as pessoas continuaram nas ruas, mas dessa vez com pautas vagas embaixo de termos genéricos como corrupção, saúde e educação. Essa falta de uma pauta clara foi novamente duramente criticada pela esquerda.

Acredito que vale a pena analisar as semelhanças e diferenças entre esses dois momentos. Primeiro, entendo que ambos nasceram em um contexto global de crise do sistema representativo. A ânsia em participar ativamente da construção política da sociedade não se resolve mais na filiação partidária. Isso explica uma certo aversão as bandeiras partidárias nos últimos atos, como nossa decisão de não permití-las no acampamento.

No ocupa (imagino que na Espanha tenha sido parecido), essa ânsia foi lindamente assimilada por uma maneira inédita (nos últimos anos pelo menos) de ação: a tomada do espaço público por tempo indeterminado. Por mais de um mês a praça foi nossa casa, nossa escola, nosso teatro e nossa ágora. Morar na praça, organizar assemblieas, debates, as ações, atividades, tudo isso nos ensionou o que é fazer política num sentido muito profundo.

Nessa semana todo mundo foi para rua, não para lutar contra corruptos ou por uma democracia plebicitária online, mas para saciar a ânsia de fazer política. E a ânsia não foi saciada. Não é hora de recuar. É hora de voltar pra rua organizar atividades, ações, assembleias populares... É hora de voltar a fazer política.

 



Carta axs Indignadxs que Participarão do Xing+23 e do Rio+20

11 de Junho de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil

Axs Indignadxs que Participarão do Xingu+23 e do Rio+20

 

 

As próximas semanas prometem ser importantes para os movimentos chamados "Ocupas" no Brasil. Não tanto pelos eventos que ocorrerão no Rio e em Altamira, que claro são de enorme importância, mas principalmente porque pela primeira vez indivíduos que participaram dos Ocupas em diferentes cidades terão a oportunidade de se conhecer pessoalmente. No Rio, por ocasião da Rio+20 e da Cúpula dos Povos, está sendo organizado o Ocupa dos Povos que deve reunir pessoas ligadas ao movimento dos Ocupas de diversas regiões do país. Concomitantemente em Altamira o Xingu+23, evento cujo propósito é denunciar o terrível desastre sócio-ambiental que ameaça a bacia do rio Xingu, promoverá o encontro de pelo menos dois Ocupas: o de São Paulo e o de Belém.

Se afirmo que este é um momento importante para a história dos Ocupas é porque compreendo que esses movimentos (uso a palavra movimento por falta de outra melhor) compartilham alguma história. Porém, os diversos Ocupas tem histórias distintas e não é muito claro o que exatamente há em comum entre elas.

Logo que as notícias do Occupy Wall Street começaram a chegar no Brasil os grandes meios de comunicação identificaram os movimentos de Ocupas como um movimento de jovens que se organizam através das redes sociais. Apesar da sua evidente importância, não gosto de centrar nossa história enaltecendo o papel da internet em nossa organização. Essa forma de nos apresentar nos confunde com outros grupos como o Fora do Eixo ou o Anônimos.

Prefiro relembrar os primórdios do 15M espanhol quando algumas poucas indignadas decidiram permanecer na praça após um dia intenso de manifestações. Em poucos dias o que eram algumas dezenas de pessoas se tornaram centenas de milhares gritando a plenos pulmões: "Não nos representam". Um dos principais motivos para o tamanho sucesso da tomada das praças por tempo indeterminado foi a forte coêrencia entre ação e intensão. Essa coerência é o que buscamos compreender e que nos faz compartilhar algo enquanto movimento de Ocupas.

Ao permanecerem na praça aqueles manifestantes expressavam que não estariam mais dispostos a simplesmente escolher entre os menos piores políticos, entre as menos piores propostas. Não possuíam reivindicações claras porque não havia a quem reivindicar. Restava construir algo novo e para isso precisavam de tempo e espaço. Por isso digo que há uma forte coerência entre o grito de "Não nos representam" e a inédita ação de tomar as praças por tempo indeterminado.

A praça pública passou a ser, por excelência, um espaço de construção. Na rua não só abrimos espaço para o debate público, mas vivemos os desafios da sociedade que vivemos. Na rua, a sociedade. Cada movimento de Ocupa teve sua experiência única, mas compartilhamos essa coerência entre a ação (tomada das ruas) e a intenção (o grito de "Não nos representam"), essa vontade de construir o novo.

Quando desacampamos nos disseram que nada havia mudado e que melhor teria sido uma reforma à nossa frustrada tentativa de revolução. Mas quem disse que nossa revolução acabou? A mim parece que ela está só começando e que os próximos dias serão memoráveis.

 

Ansioso para conhecer vocês

 

Márcio



Xingu+23

10 de Junho de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil

"Ser como o rio que deflui

Silencioso dentro da noite.

Não temer as trevas da noite.

Se há estrelas no céu, refleti-las

E se os céus se pejam de nuvens,

Como o rio as nuvens são água,

Refleti-las também sem mágoa

Nas profundidades tranqüilas."

O Rio - Manoel Bandeira

Aquele gesto de Tuíra foi como um ritual de condecoração de cavaleirxs reais. Só que ao aveço. Fomos nós xs condecoradxs e nossa responsabilidade é sermos não cavaleirxs reais, mas algo como anti-colonizadorxs. Aonde eles vem a vocação da amazônia vemos amigxs. Aonde eles vem potencial energético vemos vida.

Trazemos esse projeto de destruição e morte batuque é alto e dissonante. Que ele abafe a falsa propaganda daqueles que privatizam nossos rios e florestas.

Temos medo, somos humanxs, mas nosso medo não empata de ficarmos paradxs. Partimos abençoadxs pelo mítico bispo, protegidxs pelos Deuses e Deusas do Xingu. Atrás de nós aquelxs que buscamos honrar e a nossa frente toda nossa continuidade. 

Perguntam-nos se a nossa não é uma luta perdida. Olhamos para os lados, reconhecemos novxs e antigxs amigxs guerreirxs e pensamos: realmente, talvez nossos inimigos já tenham perdido e não saibam.



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