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Resenha sobre o documentário In Transition 2.0

3 de Julho de 2018, 19:00 , por Jason Daniel Lang Achermann - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A compreensão da urgência de mudar a lógica da organização das cidades vem se aprofundando. Desde as primeiras reflexões sobre a finitude dos recursos da Terra, ao progressivo entendimento sobre os limites do crescimento econômico, até a tomada de medidas para diminuir o impacto da ação humana no planeta, foram-se algumas décadas. No novo milênio, as ações se multiplicaram e o movimento "Cidades em Transição" é uma delas. Seu foco é o desenvolvimento urbano que melhore a qualidade de vida e evite o aprofundamento das desastrosas mudanças climáticas em curso (Debora Nunes, 2016). Vamos agora entender um pouco mais sobre esse movimento a partir da resenha sobre o documentário In Transition 2.0.

Foto transition

O movimento "Cidades em Transição", ou Transition Towns foi criado pelo inglês Rob Hopkins e pretende transformar as cidades atuais em localidades menos dependentes de combustíveis fósseis, mais integradas a natureza e as necessidades das suas comunidades. Tornando-as mais resistentes a crises externas, tanto econômicas como ecológicas.

Os principais fatores que motivaram a criação do movimento foram às mudanças climáticas, devido à emissão de CO2, a dependência do petróleo, a economia distorcida e o mito da infinita expansão, ou seja, a ideia de que a expansão econômica infinita é sempre uma coisa boa, ou mesmo possível em um planeta finito. O movimento, portanto, se baseia em criar soluções alternativas e criativas a esses problemas apresentados, inspirando, treinando e dando suporte para conectar comunidades na construção de uma vida melhor.

A ideia principal é fortalecer o crescimento da comunidade, através do bem-estar, da justiça social e da resiliência, pois o global tem que ser um reflexo do local, e não o contrário. O principio é que cada sociedade use a criatividade para fazer a mudança. Para as grandes cidades, uma alternativa é fazer a transição pelos bairros, reforçando as comunidades locais.

O documentário In Transition 2.0 [1] aborda essa temática e mostra os fundamentos desse movimento, suas fases e comunidades ao redor do mundo que já aderiram a ele, mostrando as iniciativas de cada comunidade, que utilizaram-se da criatividade para transformar o meio urbano em que estão inseridas, aumentando o emponderamento das pessoas sobre o local.

O grupo Transition Towns defende modos mais sustentáveis de produção, baseado em fontes de energia renováveis, estímulo de negócios locais e consumo consciente. De acordo com Rob Hopkings, mentor do movimento, existem quatro fases de Transição, sendo que elas são crescentes em nível de complexidade. A primeira etapa do movimento é chamada por Hopkings de Starting out, ou seja, o início, que é uma fase animada, cheia de energia, onde se projeta filmes, se organizam eventos, e se colocam cartazes, para sensibilizar, criando as bases que se tornarão a iniciativa de transição. A área de Moss-side, em Manchester (Reino Unido), é apresentada no documentário por possuir um projeto de transição nessa fase, onde jovens se motivaram para iniciar o movimento.

O segundo estágio se chama Deepenig (Aprofundamento), nesse momento se cria a percepção de que as ações coletivas colocam a localidade em transição. Organizações são criadas e as ações do movimento passam a acontecer de um modo mais estruturado. O documentário traz como exemplo desta etapa os moradores da Whitney Avenue (Pittsburg), que transformaram terrenos abandonados da sua comunidade em hortas comunitárias. Eles passaram a plantar seus próprios alimentos e com isso fortaleceram os laços e a altoestima comunitária. Além disso, crianças foram retiradas da rua para participar do projeto.

A terceira fase é chamada de Conecting (conectando). O Conecting é um estágio de profunda incorporação do projeto na comunidade, e acontece quando a iniciativa de transição começa a atingir novas pessoas e organizações como câmara municipal, empresas locais e comunidade em geral. Em Monteveglio, na Itália, dois participantes do movimento de transição conseguiram alcançar cargos de administração pública e, em conjunto com a população local, conseguiram aprovar políticas de preservação ambiental, redução do consumo de petróleo e incentivo a fontes de energia limpa.

O quarto e último estágio é o building (construção), ele acontece quando um conjunto de ideias vão em direção da criação de uma nova infraestrutura local. Nessa fase são a criadas moedas locais, empresas sociais e outras iniciativas do gênero. Isso foi possível em Marsden, West Yorkshire no Reino Unido, onde a comunidade local implementou uma empresa comunitária em que vários os moradores contribuíam com o abastecimento do empreendimento, fortalecendo o negócio local e a comunidade. E em Brixton, também no Reino Unido, foram criadas moedas digitais para facilitar as transações e fortalecer o comércio local.

 O documentário aborda diversas cidades e comunidades que estão aderindo ao movimento “Cidades em Transição”, hoje ele se faz presente em 14 países do mundo. Já são mais de 321 Iniciativas Oficiais de Transição (em cidades, bairros e até ilhas) e 227 iniciativas em formação. No Brasil também existem iniciativas deste movimento, para mais informações acessem o site do Transition Towns Brasil e do Transition Network.

Por fim o documentário deixa uma mensagem que transmite o espírito do movimento, e eu gostaria de deixar aqui para reflexão: "A transição é um experimento social em uma escala massiva. Não sabemos se vai funcionar, mas estamos convencidos de que se esperarmos pelos governantes, vai ser tarde demais. Se agirmos como indivíduos, será muito pouco, mas se agirmos em comunidades, talvez seja o suficiente e a tempo".

 

[1] Documentário disponível em https://www.youtube.com/watch?v=FFQFBmq7X84


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