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Liberdade na Fronteira

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Mestrado em Ciência da Computação na UFPA 2019: Inteligência Computacional para Smart Grids; Metaheurísticas

8 de Janeiro de 2019, 2:21, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Está aberto o processo seletivo para o mestrado em ciência da computação do PPGCC-UFPA. Nesse certame, estou disponibilizando 2 vagas para alunos que desenvolverão seus trabalhos junto aos demais pesquisadores no LAAI.

As vagas são voltadas para os temas de inteligência computacional aplicada a Smart Grids e estudos sobre métodos metaheurísticos de otimização. Gostaria de orientar um aluno para cada um dos temas, mas a depender da qualidade dos candidatos é possível que os selecionados trabalhem uma mesma área.

Todos os candidatos devem cumprir os requisitos de perfil dos pesquisadores que procuro, apresentados na aba Pesquisas em meu site pessoal. Segue abaixo algumas descrições sobre os temas disponíveis, nos quais os projetos de pesquisa devem se encaixar.

Inteligência Computacional para Smart Grids

Smart grids são redes elétricas onde existem dispositivos que fazem medição dos mais diferentes dados (tensão, corrente, consumo, produção, e mais), trocam esses dados com outros equipamentos, e realizam tomada de decisão sobre os mesmos, de forma a prover alguma funcionalidade para essas redes. No geral, essa tomada de decisão é realizada a partir da utilização de algum método de inteligência computacional como metaheurísticas, redes neurais, sistemas fuzzy, sistemas multiagentes, ou outros.

Projetos nesse tema deverão mirar alguma funcionalidade que seria interessante de ver em redes desse tipo e modelá-la utilizando técnicas de inteligência computacional. Há uma grande variedade de problemas a serem explorados, desde classificação de consumo, estratificação de consumidores, otimização nas redes, inteligência computacional aplicada a utilização de energias renováveis ou geração distribuída, aplicação de sistemas multiagentes, entre muitas outras.

Metaheurísticas

Gosto bastante do tema de metaheurísticas aplicadas a otimização combinatória. Já ministro no PPGCC uma disciplina sobre o tema e gostaria de finalmente voltar a ele após meus últimos estudos que datam ainda dos meus trabalhos de graduação.

Nessa área, me disponho a orientar projetos que apliquem diferentes metaheurísticas a problemas de otimização novos, do tipo NP-Difícil, que sejam desafiadores e que tenham aplicações práticas ou impactos teóricos interessantes. Em especial, trabalhos relacionados com o contexto amazônico seriam muito bem-vindos.

Outra linha que me chama muita atenção são os estudos onde operadores de diferentes metaheurísticas são combinados, de foma a gerar “novos” métodos de busca que podem ser aplicados a diferentes problemas – essa área é mais conhecida como hiperheurísticas. O equilíbrio exploração/intensificação do método é determinado por esses operadores, portanto estudar esse ponto em específico é um desafio muito interessante.

Mais informações

Aos interessados, todas as informações sobre o ingresso e processo seletivo estão disponíveis no edital. Maiores informações sobre a área de pesquisa, por favor verifique artigos publicados na minha página pessoal. Para qualquer informação ou dúvida, por favor me contate via e-mail através do endereço saraiva em ufpa.br.



LaKademy 2018

5 de Janeiro de 2019, 16:59, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Past October 2018, Florianópolis hosted the 6th edition of LaKademy, the Latin-American KDE sprint. That moment is an opportunity to put together several KDE developers – both veterans and newcomers – from different projects in order to work for improve their respective software and plan the promotional actions of the community in the subcontinent.

In the technical side, I worked with Cantor, Sprat, the KDE Brasil and LaKademy websites.

For Cantor, I researched some new ways to implement backends, specifically the use of websockets. It is my old idea for a recommended approach to be used in order to support all backends in all platforms. But, like in previous attempts, I am in doubts if it is a interesting way and if the objectives could be achieved by it. Well, definitively it needs more research.

Sprat is a text editor aimed to write scientific papers. The software implements the Amadeus methodology for writing papers and it is more like a collection of common sentences to be used in specific sections of a paper.  Sprat is my toy project and I expect to release this year and turn it a KDE project in near future.

KDE Brasil website uses an old Drupal infrastructure. I and Fred researched for some plugins in order to import the texts to WordPress and currently we are studying how to do this task.

Last, I ported LaKademy website to Jekyll. It needs some work yet but I expect will be available soon.

In the social side, we discussed some activities for KDE this year like go back to FISL and Latinoware, try to go to new events in Latin-America (DebConf and Cubaconf, we are looking to you), organize the “Café com Qt” event (our distributed event about Qt and KDE), feedback about the management of KDE Brasil group chat in Telegram, our new promo materials to be produced and distributed in events here, and more.

In addition, I helped some newcomers in tasks like code review process in KDE and answer some doubts about Qt.

LaKademy is a great opportunity to meet other KDE developers and work to increase our community. Last years KDE took a prominent role in free software community in Brazil, and we are planning to expand it for different countries. We expect to organize next LaKademy in some country outside Brazil and work hard to expand the community in the subcontinent.

LaKademy 2018 Group Photo

See you in LaKademy 2019!



Ode ao ódio

29 de Outubro de 2018, 15:40, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Ontem, acompanhando a apuração para presidente no 2º turno, chorei. Chorei de raiva. Chorei de ódio.

Ódio porque aquele que levou o pleito representa uma total afronta ao mínimo do que chamamos civilidade. Ele defendeu a ditadura e a tortura, reiteradamente. Prometeu prender ou exilar opositores. Prometeu perseguir professores, artistas, a intelectualidade. Disse que irá enfrentar a imprensa livre. Sua campanha foi baseada fortemente na construção e propagação das mais variadas mentiras. Fez troça com mulheres, negros, homossexuais, nordestinos. Deu a senha para que seus seguidores colocassem em prática, já, o discurso da violência. É a barbárie instalada.

Como pode tantas pessoas concordarem com isso? Como pode aquele seu familiar que se envolve na igreja, na ação social, que sai por aí bradando que a educação é o tema mais importante pro Brasil, ter se empenhado nessa campanha?

O que ele propôs, pouco se sabe. Fugiu de debates e entrevistas mais incisivas. Do pouco que falou, sabemos que os pobres vão pagar caro em termos de emprego, renda, serviços e direitos sociais. Combinado com o ultraliberalismo representado pelo seu futuro ministro da fazenda, podemos esperar ainda mais concentração de renda no país – quando esse é o principal problema que deveríamos enfrentar.

Ainda há aquele grupo de generais ao redor dele. Um grupo que, pelo que declararam, de política e Brasil não sabem nada. General é criado no autoritarismo, ele sabe apenas mandar sem observar qualquer oposição ou contraponto, algo que é a natureza da democracia. Temos uma série de tragédias anunciadas pela frente.

Isso tudo não se trata apenas de um projeto político diferente do que eu acredito. As pessoas elegeram um verdadeiro anti-projeto de nação. Como elas sufragaram isso? Elas não se dão conta que nos próximos 4 anos muitas delas serão alvo das consequências disso?

Chorei de ódio no dia 28 de outubro, mas acredito que esse sentimento conseguiu ser muito menor que o ódio que essas pessoas sentem pelo próprio país.



Eleições 2018: Minha carta para a família

28 de Outubro de 2018, 14:08, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Família, essa é minha última manifestação política aqui no grupo antes do resultado.

Vocês me conhecem, sou professor de ciência da computação na UFPA, sou um dos responsáveis pela formação dos próximos engenheiros de software e matemáticos computacionais da nossa região. Oriento alunos na graduação, no mestrado e também no doutorado, mesmo com todas as dificuldades. Se isso não é patriotismo, não sei o que mais pode ser.

Votei em Ciro no 1º turno e agora estou indo de Haddad. Tenho muitas críticas ao PT, apesar do perfil do Haddad ser completamente diferente dos cardeais que o partido já teve. Professor da USP, advogado, filósofo, economista – Haddad reúne muitas qualidades e qualificações. Está pelo menos no mesmo nível que FHC, o “príncipe da sociologia”. Para um país que adora dizer que apoia a educação, não haveria candidato melhor a se votar.

Mas para mim a disputa desse 2º turno se dá em outro nível. O oponente de Haddad surfa na onda antipetista mas sem apresentar projetos que queiram minimamente reduzir a desigualdade no nosso país (para mim, a principal chaga do Brasil), não se permitiu a ir a debates e as entrevistas que deu foram todas em ambiente controlado, com perguntas selecionadas. É ridículo ver um candidato cujos seus apoiadores vivem a espalhar mentiras nas redes sociais. Uma candidatura pautada na mentira, que esconde a que veio. Não é possível que iremos dar a presidência da república para um sujeito assim.

Não fosse só isso, Bolsonaro é apoiador da tortura, da ditadura. Não há nada mais anticristão que isso. Já falou mal das mulheres, dos negros, dos pobres, dos nordestinos. Na nossa família, as mulheres tem papel fundamental, nuclear – toda nossa família gira em torno das mulheres. Um exemplo: sempre nos referimos a “casa da vó” quando falamos da casa da vó Raimunda; nunca a “casa do vô”. Não entendo como possamos apoiar um candidato que é declaradamente contra as mulheres.

Nesse sentido, a disputa não se configura como uma escolha entre projetos democráticos para o país. Não é um Haddad vs Alckmin, ou Ciro, ou Marina. Trata-se de uma disputa real pela democracia em si, pelas instituições, contra a intolerância, a desfaçatez, a falta de um projeto. Bolsonaro e seu séquito já disseram que vão fechar o STF; já disseram que os opositores poderão escolher entre a prisão ou o exílio. Não é possível que vejamos esse tipo de declaração sem arrepio.

Isso já ficou claro inclusive para os grandes algozes que o PT teve nos últimos anos. Joaquim Barbosa, Rodrigo Janot, Deltan Dallagnol, todos eles declarados antipetistas estão votando no PT porque entendem que o partido fortaleceu as estruturas de investigação: prova disso é que as investigações ocorreram enquanto o partido estava no poder e suas principais lideranças do passado, hoje estão presas. Com o PT é garantido que as instituições funcionaram. Não dá para comparar com o FHC ou com a ditadura – nenhum deles foi investigado como o PT foi, na ditadura não havia liberdade de imprensa para que o governo fosse escrutinado diariamente. Bolsonaro já avisou que não irá selecionar o procurador da república respeitando o mais votado na lista tríplice, algo que o PT fez. E o que esperar de um candidato autoritário que só deu entrevista chapa branca? Que está rodeado de generais que não aceitam o contraditório? O fato de muitos antipetistas votarem no PT é apenas a constatação de que a alternativa em análise vai piorar o nosso país.

Essa eleição se trata de escolher entre a democracia e o autoritarismo. Bolsonaro é muito mais próximo da Venezuela, um governo dirigido por militares, do que o PT jamais foi.

Portanto família, compartilho essas palavras pois foram as reflexões que fiz e encaminharam meu voto em Haddad 13. Vamos lembrar que a eleição acontece em 1 dia, mas as consequências desse dia cairão sobre nós pelo menos pelos próximos 4 anos. E na democracia, nos governos civis, a oposição é bem-vinda e acontece. O mesmo não existe nos governos autoritários.

Boa eleição para tod@s.



A arquitetura de compartilhamentos do Telegram para mitigar as fake news no WhatsApp

17 de Outubro de 2018, 16:19, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Fake News já se tornaram o tipo de problema que teremos que enfrentar de alguma maneira o quanto antes, ou veremos democracias sendo destruídas uma a uma. Se o caso Trump nos chamava atenção mas ainda parecia distante, as eleições brasileiras de 2018 vieram pra mostrar que o tiozão gente boa pode se converter no mais odioso dos seres após ser alimentado com uma série de notícias que, por mais bizarras que sejam, toca nele a ponto de mobilizá-lo.

Certamente acabar com elas será dos maiores desafios, e desconfio que mais social do que técnico. Mas talvez, ao menos para mitigar, a maneira como a arquitetura de compartilhamento do Telegram é implementada poderia ser um primeiro passo para dissuadir um tanto as correntes de mentiras que povoam o WhatsApp.

No Whats, um encaminhamento de mensagem modifica o autor. Assim, uma fake news escrita por um completo desconhecido num grupo subterrâneo da rede chega ao grupo da sua família com o nome da sua tia porque foi ela quem compartilhou. O laço de afeto e confiança pesa na hora que algum membro do grupo vai ler o texto, afinal foi a tia que enviou.

O apagamento do autor original reduz consideravelmente o fator dúvida de alguém que lê uma mensagem caindo numa tela de celular. Afinal, quem é ele? Que tipo de interesse o mobiliza? São questões muito difíceis de serem formuladas para um “autor” conhecido que é próximo a você.

Exemplo de mensagem encaminhada no WhatsApp

Enquanto estava na fila de votação, tive uma pequena discussão com uma moça que votaria no Bolsonaro após ela falar em voz alta na fila: “mermã, vê só essa minha amiga mora lá em Goiânia e olha o que ela colocou no grupo! Tão digitando o número do candidato lá e não está aparecendo! Absurdo!”. Para ela, a mensagem era mesmo da amiga dela, e não mais uma mentira produzida de forma irresponsável para se propagar e alimentar as bases do candidato – e em consequência, derrubar um pouco mais a democracia.

No Telegram as mensagens encaminhadas mantém o autor original, colocando-o em destaque na parte superior do texto. Não apenas isso, mas a mensagem também guarda um link para o perfil que o escreveu.

Exemplo de mensagem encaminhada no Telegram

Se o compartilhamento de mensagens no WhatsApp fosse implementado dessa forma, para além de criar um pouco mais de dúvida na cabeça de quem lê um texto encaminhado para algum grupo, seria possível também identificar quem escreveu aquela mensagem, responsabilizando o autor por propagar mentiras e outras coisas tão ou mais criminosas quanto (pedofilia, para citar uma).

Portanto, talvez um primeiro passo nessa guerra contra as fake news, que no Brasil tem como veículo principal o WhatsApp, seria exigir a implementação dessa arquitetura de compartilhamento no software. Não podemos impedir que qualquer um escreva o que queira, mas ao menos identificá-lo e responsabilizá-lo já seria alguma coisa – como acontece no mundo físico, aliás.

(Meu canal no Telegram: @monolipe)