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Liberdade na Fronteira

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Akademy 2018

9 de Setembro de 2018, 15:17, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Look for your favorite KDE contributor at Akademy 2018 Group Photo

This year I was in Vienna to attend Akademy 2018, the annual KDE world summit. It was my fourth Akademy after Berlin’2012 (in fact, Desktop Summit ), Brno’2014, and Berlin’2016 (together with QtCon). Interesting, I go to Akademy each 2 years – let’s try to improve it next year. 🙂

After a really long travel I could meet gearheads from all parts of world, including Brazil, old and new friends working together to improve the free software computing experience, each one giving a small (and someone, giant) parts to make this dream in reality. Always I meet these people I feel me recharged to continue my work on this dream.

I loved the talk of Volker about KDE Itinerary, a new application to manage passbook files related to travels. It think an app just to manage all kind of passbook files (like tickets for concerts, theaters, and more) like this could be a interesting addition to KDE software family, and a step behind KDE Itinerary. Anyway, waiting for news from this software.

The talk about creating transitions in Kdenlive make me think on how interesting could be a plugin to run bash (or python, maybe) in order to automate several steps in some works performed by editors in this software. Maybe use KDE Store to share it… well, ideas.

I know Camilo during the event. His talk about vvave give me hope for a new and great audio player application for our family, as we had in the past.

The last talk called my attention was Nate about some ideas to improve our ecosystem. Nate is doing a great work at the usability side, polishing our software in several ways. I recommend his blog to follow this work. Despite I agree in general – like, we need improve our PIM suite – I have some disagreements with others, like the idea of KDE developers contributing to LibreOffice. LibreOffice is a completely different source code with different technologies and practices, there are several (and for most of us, not mapped) influences from different organizations inside the LibreOffice Foundation directing the development of the suite, and in the last we have Calligra Suite – the idea sounded as “let’s drop Calligra”. But it was just a disagreements for a small suggestion, nothing more.

After the talk sessions, Akademy had a plenty of BoFs sessions for all kind of preferences. I attended to KDE and Qt (it is always interesting to keep eyes on this topic), KDE Phabricator (Phabricator is an amazing set of tool but suffers because the competitors are much better known and the usability must be improved), and MyCroft (I like the idea of integration between MyCroft and Plasma, specially for specific use cases like assistant to disabled people – I am thinking about it since some months).

This year Aracele, Sandro and me hosted a BoF titled “KDE in Americas”. The idea was present some of our achievements for KDE in South America and discuss with fellows from Central and North America about a “continental” event, bringing back the old CampKDE to a new edition together with LaKademy (the secret name is LaKamp :D). This ideia must be matured in the future.

This year I tried to host a BoF about KDE in Science and Cantor, but unfortunately I didn’t have feedback on potential attendees. Let’s see if in future we can host some of them.

Akademy is an amazing event where you can meet KDE contributors from different tasks and cultures, discuss to them, get feedback for current projects and build new ones. I would like to thanks KDE e.V. for the sponsorship and expect see you again next year (let’s try to insert a disturbance in this biannual sequence) at Akademy or, in some weeks at LaKademy!

Brazilians at Akademy 2018: KDHelio, Caio, Sandro, Filipe (me), Tomaz (below), Eliakin, Aracele, and Lays



De quando falei sobre ficção científica com minha psicóloga

17 de Junho de 2018, 13:19, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

— Então Amanda, sabe, as vezes penso que uma das coisas que me faz assim foram essas quantidades de ficção científica que li na infância e na adolescência… mas não qualquer ficção, digo apenas daquelas sobre viagens no tempo e realidades alternativas. Meu filme preferido é De Volta Para o Futuro, as histórias que mais gosto dos X-Men são aquelas onde eles viajam no tempo e bagunçam toda a realidade… acho que isso somado a minha personalidade extremamente analítica faz com que eu sempre revisite meu passado, tente entender quais consequências e encadeamento de acontecimentos teriam ocorrido se naquele momento eu tivesse feito diferente… como seria minha vida se eu tivesse tomado decisões diferentes nos momentos chaves que passei, nas circunstâncias que, ora se apresentavam a mim, ora eu as construí… a vida que levo, as pessoas que me rodeiam, a cidade onde moro, o trabalho que realizo… meu eu que vive em uma linha de tempo alternativa, ele está melhor que o eu do aqui e agora? Me sinto refém dessas constantes reavaliações que nunca tem fim, dessa construção narrativa que me permite navegar pelas minhas vidas enquanto vou me castigando tanto pelo que vivi quanto pelo que não vivi a partir das escolhas que fiz… e eu não consigo não fazê-las, dia após dia…

— Quer dizer que você não cresceu lendo Harry Potter?

— Eu detesto Harry Potter.

— Olha só! Bate aqui!



A greve pelo ponto biométrico

3 de Junho de 2018, 22:04, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Poucos dias atrás, Belém saiu de uma greve dos rodoviários que colocou a cidade de joelhos. Por 5 dias Belém ficou sem qualquer ônibus, com o sindicato descumprindo a determinação ditada pela justiça do trabalho de 80% da frota na rua. Encarando pesadas multas por conta disso mas ainda assim firmes, essa situação demonstrou como a categoria é forte e estava unida em torno de suas pautas.

Antes de prosseguir, um adendo: como usuário de transporte coletivo, todo apoio ao movimento. Os ônibus em Belém são terríveis, sem qualquer manutenção, barulhentos e sem segurança. Em uma cidade tão quente e com uma passagem tão cara, já era hora de termos ar-condicionado nos coletivos. Infelizmente, não ajuda termos um sindicato patronal que só pensa em maximizar os lucros investindo o mínimo possível, a uma elite tacanha que sonha com Miami, e uma prefeitura que não enxerga que uma regulação mais criteriosa sobre o transporte poderia atrair atuais usuários de carro, reduzindo o fluxo no trânsito, a poluição do ar e sonora.

A pauta dos grevistas incluía a melhoria do transporte público mas também tinha as demandas típicas dos movimentos sindicais: aumento salarial, do ticket alimentação, redução da carga horária de trabalho. Mas, dentre as pautas, uma chamou atenção: a greve pedia a implantação do ponto biométrico.

Em Belém, trabalhadores do setor viário registram suas presenças de forma manual em planilhas que ficam nos pontos finais e garagens. Nas reivindicações os rodoviários apontaram que esse sistema é muito suscetível a fraudes, em especial para o registro das horas extras. Finalizada a greve, os trabalhadores receberem a promessa de que as máquinas estariam disponíveis em todos os pontos finais no prazo de 10 meses.

Chama atenção essa pauta. O ponto biométrico é, em geral, relacionado ao controle abusivo de patrões sobre o horário de serviço dos trabalhadores. Sabe-se de casos onde esses relógios tem tolerância de poucos minutos, fazendo com que empregados que chegam muito cedo tenham que ficar de prontidão esperando a janela de registro iniciar, ou, por outro lado, funcionários que se atrasam alguns minutos precisam passar pelo constrangimento de explicar o motivo do atraso para o supervisor.

O uso do ponto biométrico pode servir a diferentes fins, com uns e outros ganhando e perdendo a depender da situação. Lembro do caso onde uma funcionária do SAMU foi pega com 6 dedos de silicone, para registrar a presença de médicos e enfermeiros que deveriam estar de plantão mas não se encontravam no local. Nesse caso, claramente a tecnologia tinha o objetivo de garantir o atendimento de saúde para as pessoas que necessitavam. Penso que poucos de nós achariam exagerado esse tipo de controle.

Nesse aspecto, ver o ponto biométrico como ponto de pauta de movimento grevista chama atenção e leva a reflexões de que, ao final, nem sempre há uma interpretação única sobre os impactos dos usos que se fazem das tecnologias. É sempre necessário avaliar o contexto em que as mesmas são aplicadas.



Procurando recomendações de “distros KDE”

11 de Março de 2018, 16:04, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Sou usuário e empacotador do Mageia desde o lançamento do fork, e não me levem a mal, para mim continua sendo uma distribuição de excelente qualidade para o seu propósito: comunitária, aberta para as mais diferentes contribuições e com ênfase na estabilidade. Mageia é das poucas distros com suporte há mais de 8 ambientes desktop (sem contar os gerenciadores de janelas leve), e com o lançamento da versão 6 passou a ter suporte ao AppImage, Fedora Copr, Open Build Service, dnf, e muito mais tecnologias que dão uma cara moderna para o projeto. Uso Mageia nos meus computadores pessoais e de trabalho e também nos computadores que meus alunos utilizam no laboratório.

Como desenvolvedor tanto do KDE quanto do Mageia, utilizo a versão instável da distro (chamada Cauldron) desde sempre. Ela me entrega as versões mais recentes da “pilha KDE” (KDE Plasma, Applications e Frameworks) e também do Qt. No geral funciona bem, mas volta e meia alguns software importantes deixam de funcionar ou ficam muito instáveis, prejudicando o desenvolvimento de algumas tarefas.

Antigamente isso não era um problema para mim – mesmo sendo estudante de mestrado ou doutorado, eu normalmente aguardava algum desenvolvedor corrigir os erros ou eu mesmo ia lá e metia a mão pra tentar solucionar. Essa é uma forma muito efetiva de contribuir com software livre.

Mas hoje em dia tenho pouca disposição para tanto. O trabalho como professor, somado às outras coisas a que me dedico, exaurem meu tempo para realizar esse tipo de tarefa.

Passar a utilizar o Mageia estável não é uma boa opção: o preço da estabilidade é ter um sistema com versões antigas dos software. Por exemplo, o Mageia 6 ainda utiliza o Plasma 5.8, enquanto o Cauldron tem o 5.12. Infelizmente, meu caso de uso mudou e as opções que o Mageia dispõe não casam muito bem com ele. Até propus um projeto não-oficial de construir os software mais recentes do KDE para a versão estável do Mageia, mas estou esperando um retorno do time de empacotadores da distro para ver o que eles acham (pois é, parágrafos cima eu disse que estava sem tempo e vejam só, estou propondo um novo projeto aqui :D).

Gostaria, portanto, de ouvir o pessoal sobre opções de distros que utilizam os software do KDE que atendam ao seguinte caso de uso:

  • Ser estável em seus componentes base (kernel, xorg, etc);
  • Ter a pilha KDE no modelo rolling release;
  • Ter opções relativamente amplas para software não Qt.

Na verdade eu já fiz uma pesquisa assim e há várias opções disponíveis. Por exemplo, o próprio KDE tem o projeto neon, que faz o caso de uso descrito acima tendo o Ubuntu como base. Há também o OpenSUSE com os repositórios Argon/Krypton, e mesmo distros específicas nesse modelo, como o KaOS e o Chakra. Inclusive isso vai render outro post sobre essas distros.

Minha principal dúvida é sobre a estabilidade e experiência de uso desses projetos. Se você usa algum deles, ou mesmo conhece outro não citado, coloque aí nos comentários para que embase minha decisão de migrar para outra distro (ou não).



Quantas metaheurísticas cabem em um fusca?

3 de Março de 2018, 16:46, por Filipe Saraiva's blog - 0sem comentários ainda

Certos problemas de otimização são de solução impossível em tempo computacional hábil – enquanto não for possível provar que P = NP, não haverá algoritmo exato que os resolva. Por outro lado, esses problemas são de grande importância pois modelam situações do mundo real enfrentadas por organizações em geral.

Então, o que fazer? Uma das estratégias é utilizar metaheurísticas, que são métodos de resolução que podem encontram soluções razoáveis para os problemas em tempo aceitável.

Boa parte das metaheurísticas são inspiradas em dinâmicas evolutivas encontradas na natureza, sendo portanto chamadas “bioinspiradas”. Essas dinâmicas partem de uma solução ou conjunto de soluções melhorando-as de forma gradativa. Nesse sentido, os mais diferentes tipos de dinâmicas encontradas na natureza serviram de base para criação de metaheurísticas: do mais conhecido algoritmo genético, baseado na teoria evolucionária do Darwin e na genética, até a maneira como formigas e abelhas buscam por alimento, o processo de memorização do ser humano, o comportamento de enxame de peixes/insetos, e muito mais.

O que no início mostrou-se como a busca por formas mais efetivas de abordar os problemas, acabou por tornar-se uma máquina de criação de novos métodos que pouco contribuem para o domínio de aplicações das metaheurísticas. Hoje em dia é muito comum que na divulgação dos temas das conferências exista uma lista exaustiva com os nomes dessas técnicas.

Parcela significativa dos pesquisadores da área não escondem sua insatisfação com esse cenário, e o pesquisador Sörensen desenvolveu uma crítica contundente no artigo Metaheuristics – the metaphor exposed.

Utilizando uma fina ironia (o artigo inicia descrevendo como a comunidade de físicos reagiria a um trabalho onde a teoria das partículas seria reapresentada a partir de uma metáfora sobre comida!), Sörensen comenta sobre a importância que os métodos bioinspirados tem mas destaca que a atual situação da proliferação de técnicas acaba por não contribuir com o estado da arte da área e também impede que estudos mais relevantes sejam desenvolvidos e discutidos.

O artigo não tem apenas críticas, entretanto: o autor comenta sobre linhas interessantes de pesquisa que podem ser desenvolvidas e que seriam mais relevantes, como estudos comparativos entre operadores, análises teóricas sobre comportamento dos métodos, e mesmo hibridização de métodos já existentes.

Pessoalmente, gosto muito da ideia de pensar as metaheurísticas a partir de seus componentes (por exemplo, metaheurísticas que trabalham a partir de uma solução ou conjunto de soluções; operadores de cruzamento; tabela tabu; feromônios; etc) e tentar recombiná-los de forma a melhorar o desempenho nas aplicações em certos problemas. De fato, já existem até frameworks baseados nessa abordagem, como o Evolving Objects e o ParadisEO.

O artigo de Sörensen merece ser lido e refletido por todos aqueles que pesquisam sobre metaheurísticas. Além de um belo texto com muitas passagens de destaque (por exemplo, há uma dura crítica ao Harmony Search), os pontos negativos e positivos podem servir de insights tanto para pesquisadores veteranos quanto para aqueles que começaram a se aventurar nessa área.