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Comunidade do Fórum da Cultura Digital Brasileira

19 de Julho de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

O Fórum  da Cultura Digital Brasileira é um espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.


Edital Fomenta a Interoperabilidade para Acervos Digitais de Bibliotecas, Arquivos e Museus

18 de Fevereiro de 2014, 13:15, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

UFPE e Fundação Palmares promovem ‘Oficina de Articulação’, para qualificar aspectos de interoperabilidade nos projetos do edital ‘Preservação e acesso aos bens do patrimônio Afro-Brasileiro’. No próximo dia 20/02 em Recife, e ao vivo pela rede.

teia acervos digitaisEstá em andamento mais uma iniciativa em prol de uma política de digitalização de acervos no país. Trata-se do edital “Preservação e acesso aos bens do patrimônio Afro-Brasileiro”, lançado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em parceria com o Ministério da Cultura no último dia 20 de dezembro. Em face ao grande número de solicitações o prazo de submissão ao edital foi prorrogado até o dia 10 de março, e é importante que especialistas e instituições do setor de acervos conheçam as oportunidades criadas a partir desta iniciativa. Em conjunto com o MinC e a UFPE, integram esta etapa parceiros como a Fundação Cultural Palmares, a Fundação Joaquim Nabuco e a Rede Memorial, além das instituições com acervos do Sistema MinC.

Com um investimento total de R$ 1,7 milhão, o edital selecionará projetos de coleta, resgate, recuperação, conservação e disponibilização de acervos para o acesso público em meio digital. O foco são acervos de interesse científico e cultural de bens do patrimônio Afro-Brasileiro, visando ampliar sua disponibilidade e acessibilidade para pesquisadores e sociedade civil, e para priorizar a interoperabilidade entre os acervos digitalizados, o edital tem como referência os princípios contidos na Declaração da Unesco / UBC Vancouver, e na Carta do Recife 2.0. A maximização de oportunidades para geração de conhecimento novo a partir desses acervos disponibilizados é objeto fundamental desta iniciativa.

Conheça o EDITAL. As propostas devem ser apresentadas sob a forma de projeto seguindo o formulário modelo de Solicitação de Auxílio à Pesquisa e encaminhadas à UFPE presencialmente ou por correio postal. O prazo para submissão de propostas foi prorrogado até o dia 10 de março de 2014.

Antecedentes

O presente edital contempla objetivos e diretrizes do Plano Nacional de Cultura (PNC), criado pela Lei nº 12.343, de 2 de dezembro de 2010, e que aborda o tema dos acervos digitais em suas metas 40 – disponibilização na internet dos conteúdos que estejam em domínio público ou licenciados; e 41 – 100% de bibliotecas públicas e 70% de museus e arquivos disponibilizando informações sobre seu acervo no Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). O Plano tem duração de 10 anos, com validade até 2 de dezembro de 2020.

A escolha do tema tem como objetivo apoiar ações educativas pautadas na Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que inclui a obrigatoriedade do ensino da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. A interoperabilidade entre as diversas coleções no mesmo tema irá promover uma dinâmica qualificada de acesso, oportunizando a criação de conteúdos pedagógicos inovadores com base nos acervos disponibilizados.

O edital é também parte integrante de proposta mais ampla de articulação em torno de uma instância de governança para padrões e plataformas para acervos digitais, e de um espaço colaborativo entre as instituições comprometidas com a digitalização e o acesso público de seus acervos.  As iniciativas selecionadas neste concurso público estarão contribuindo para a articulação e promoção de estratégias com vistas a implementação de um Programa Nacional sustentável para os acervos digitais brasileiros.

Desafios e Oportunidades

O tema dos acervos digitais apresenta um grande desafio para a política pública. Por um lado, serão necessários recursos significativos para infraestrutura tecnológica, envolvendo o hardware para digitalização, as plataformas de disponibilização, além do armazenamento e de arranjos para preservação digital. Por outro lado, também será necessário formar e manter recursos humanos especializados nas diversas etapas que envolvem digitalização, catalogação e publicação de conteúdos digitais. Em ambos os casos, é fundamental que exploremos o compartilhamento destes recursos entre as diversas instituições públicas mantenedoras de acervos, e por isso,  importantíssimo que se estabeleça um Programa Nacional para integrar o setor.

Neste contexto, o objetivo mais amplo do edital “Preservação e acesso aos bens do patrimônio Afro-Brasileiro” é apontar caminhos e articular estratégias interinstitucionais para a concretização de uma política pública para a digitalização e a disponibilização de acervos arquivísticos, bibliográficos, documentais e museológicos, referentes ao patrimônio cultural, histórico, educacional e artístico brasileiros. Em seu aspecto de pesquisa, o edital busca formar expertise nacional nas metodologias e tecnologias que promovem a interoperabilidade entre acervos digitais de bibliotecas, arquivos e museus.

Na dimensão técnica, o edital propõe a definição de padrões e protocolos que irão permitir a interoperabilidade entre os diversos repositórios digitais, em diferentes formatos (textual, iconográfico, áudio, vídeo, objeto 3D), os quais irão também fomentar o desenvolvimento de aplicações e serviços que promovam a participação da sociedade na criação de novas modalidades de acesso, e de usos inovadores sobre os objetos digitais disponibilizados. A proposta é fomentar arranjos que promovam o compartilhamento de recursos, especialmente os de infra-estrutura tecnológica (plataformas de disponibilização e armazenamento de dados), com o objetivo de assegurar a preservação e manutenção, e o livre e permanente acesso aos ativos digitais gerados neste concurso.

Ao inserir no edital o recorte temático em “História e Cultura Afro-Brasileira”, a ideia é delimitar o escopo da seleção para criar melhores condições de potencializar o efeito demonstrativo do resultado em integrar acervos de diferentes domínios (bibliotecas, arquivos e museus), com ênfase no esforço de compatibilização dos diferentes modelos de catalogação, e no desenvolvimento dos vocabulários e ontologias demandados pelos novas arquiteturas de classificação para o acesso digital (dados interligados / linked data).

Oficina de Articulação – Recife (PE), 20 de fevereiro

Entendemos que o presente edital oferece oportunidades diversas, mas sabemos que o tema aborda aspectos técnicos que precisam ser bem assimilados. O público-alvo da iniciativa é mais amplo do que a princípio possa parecer, envolvendo desde os especialistas em acervos de bibliotecas, arquivos e museus, cientistas da informação, produtores de conteúdo, desenvolvedores web e de aplicaçōes móveis, designers e artist as de Midia digital, além dos pesquisadores e instituições diretamente envolvidos no tema Afro-Brasileiro.

Para que a proposta do edital possa ser melhor apresentada, discutida, e assimilada pelos interessados do setor, a UFPE, juntamente com a Fundação Palmares e a Secretaria de Políticas Culturais do MinC, irá realizar uma oficina de articulação, com transmissão ao vivo pela Internet, no próximo dia 20 de fevereiro, a partir das 9:30hs da manhã. O evento pretende promover a reflexão compartilhada e colaborativa sobre as oportunidades criadas pelo edital ‘Preservação e acesso aos bens do patrimônio Afro-Brasileiro’, e fomentar o diálogo entre potenciais parceiros para as ações em prol de um Programa Nacional para Acervos Digitais.

 



Além do azul e do vermelho: a ‘onda rosa choque’ da #culturadigital

10 de Fevereiro de 2014, 17:06, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

ONDAROSA

“A onda rosa-choque contra o poder careta, verticalizado,
excessivamente burocratizado, tecnocrático, insensível e opaco
parece estar ocorrendo agora, com novas cores
além do azul e vermelho, bem mais misturadas,
remixadas com as diversas tonalidade ideológicas
que assumiram as ruas.”

(Sérgio Amadeu da Silveira, sociólogo, no prefácio)

 

Foi lançado este mês o livro a “A Onda Rosa-Choque“, que apresenta “reflexões sobre redes, cultura e política contemporânea”. Rodrigo Savazoni, o autor, participou ativamente da coordenação da plataforma CulturaDigital.br no período 2009-2010, e é um dos fundadores da Casa de Cultura Digital SP, iniciativa precursora em espaços coletivos de co-working e empreendedorismo digital.

Com sua experiência no tema, Rodrigo reúne no livro artigos, ensaios, entrevistas e textos acadêmicos compilados nos últimos três anos, e que tem como tema a relação entre política e cultura digital. Esse assunto ganhou ainda maior relevância a partir dos levantes de 2011, como a Primavera Árabe, o 15M, na Espanha, e o #OccupyWallStreet, nos Estados Unidos. Os artigos, muitos deles, buscam refletir sobre esses acontecimentos, em comparação com a conjuntura brasileira, e descrevem a conformação de novos movimentos político-culturais que emergiram como um dado novo da realidade nacional, principalmente a partir dos efeitos do Governo Lula e do Ministério da Cultura de Gilberto Gil e Juca Ferreira (2003-2010).

O livro foi publicado com a licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International, que permite cópia e distribuição do material em qualquer meio ou formato. Aproveitando esta oportunidade, republicamos aqui o capítulo “Uma Reflexão sobre as redes”, que reproduz entrevista com Savazoni produzida a partir de provocações de Batman Zavarese, no Catálogo 2011 do Festival Multiplicidades de Arte e Tecnologia.

 

UMA REFLEXÃO SOBRE AS REDES – Rodrigo Savazoni

Como você vê o impacto digital na cultura? 

Fiz essa pergunta para várias pessoas durante a feitura do livro CulturaDigital.Br, mas lendo e pensando a respeito, cheguei à con- clusão de que não é a melhor forma de encarar a questão, pois a ideia de impacto é insuficiente.

Por quê? Porque a ideia de impacto coloca a digitalização como algo externo à cultura. Ou seja, existiria o processo de transformação tecnológica e existiria uma cultura dada, como elementos distintos. Não acredito nisso. Para mim, o processo de transformação tecno- lógica reside na cultura, conformando-a. Então, a tecnologia não determina a cultura, mas é justamente por meio da evolução dos meios técnicos e dos usos que deles fazemos (inclusive ao criá-los) que a nossa história como seres humanos se escreve.

Isso é engraçado porque, se formos pensar assim, a própria ideia de cultura digital revela-se bastante limitada. Porque o que existe é a cultura e ponto. Uma cultura em constante mutação devido ao infinito engenho humano. Isso abre perspectiva para que a gente entenda que todas as tecnologias, que coexistem atualmente, são válidas e consti- tuem a nossa cultura. A tecnologia xamânica do índio xinguara é tão relevante e importante hoje quanto a plataforma escrita em .php que roda o Facebook. Portanto, cultura e tecnologia são indissociáveis.

A digitalização, no entanto, para não fugir completamente à sua pergunta, operou uma divisão muito profunda nos processo de produção, circulação e fruição dos bens culturais em relação ao que o planeta se habituou nos últimos dois séculos. A desmaterialização, a desintermediação ou reintermediação e as práticas colaborativas promovem uma ruptura e um hack, uma fissura enorme, na indús- tria da cultura. Daí porquê compartilhar músicas virou argumento para uma guerra cibernética. Por esse raciocínio, o digital acelera absurdamente o processo de transformação da sociedade.

Qual a importância das redes de compartilhamento? Estamos diante de um novo olhar transversal para buscar conhecimentos?

Compartilhar talvez seja a palavra mais importante disso tudo que estamos vivendo. É muito bonita a emergência de um tipo de tecnologia baseada na ideia solidária de troca entre pares, na pers- pectiva de que juntos fazemos melhor. Isso opera uma mudança no interior do mundo ocidental ao mexer com valores muito sólidos, que fundam o pensamento liberal (o econômico e o político), como acreditar que o ser humano é essencialmente autointeressado. Essa ideia fortíssima de que eu, para fazer o bem para os outros, preciso primeiro garantir o meu. A regulação adviria naturalmente do cho- que dos vários interesses individuais contrapostos. Essa é uma ideia que deu errado e levou o planeta a um colapso.

De alguma maneira, gosto de pensar que a criação da internet veio para pôr fim, de uma vez por todas, nessa hiperindividualização que os povos do ocidente inventaram e impuseram ao mundo. Sem dúvida, o movimento software livre, a ideia de código aberto, de partilhar rápido e sempre, dá outro sentido para nossa prática e ela hoje influencia não só a engenharia de software mas toda nossa cultura.

A partir de sua frase: “sabemos que as ideias sobre este nosso mundo acelerado ainda não decantaram”, pergunto se o Brasil terá ousadia para compreender os desafios da cultura digital?

É uma questão bastante complexa. Lembro de conversas com o professor Laymert Garcia dos Santos, autor do importante livro ‘Politizar as novas tecnologias’, no qual ele professava a urgência de convencermos o país de que é preciso pular no trem da história e realizar o desafio de construir uma sociedade produtora de tecnologias adequadas ao nosso contexto.

Houve um momento, durante o governo Lula, a partir daquilo que Gilberto Gil colocou na pauta política nacional, por meio de seus discursos, que parecia que seríamos capazes de encarar com a gran- diosidade necessária esse desafio. Mas isso foi derrotado por um olhar neodesenvolvimentista que enxerga cultura e natureza, no máximo, como ativos para o crescimento do PIB. Ou seja, a aposta em uma economia criativa baseada na produção de propriedade intelectual e na exploração dizimadora da biodiversidade. Essa é a nossa catástrofe.

Por outro lado, temos no Brasil uma vigorosa comunidade de compartilhamento associada ao software livre, os movimentos de cultura livre vêm ganhando cada vez mais força, há apoio de gen- te poderosa para essas causas, então é possível que venhamos a compreender e a realizar nossa missão histórica. Hoje, me parece, o cenário não é tão positivo. Seria preciso uma mobilização muito mais forte para produzirmos os deslocamentos necessários. E tudo muda tão rápido…

Gilberto Gil, ainda Ministro da Cultura disse: “trabalho para que governos não sejam necessários um dia”. Esta liberdade transgressora é o que se vê na essência da internet. Qual a importância, por exemplo, da cultura hacker?

Primeiro, é preciso entender o que é a cultura hacker. Não é o que lemos nos jornais. Por isso, é preciso clarear o que é um hacker e por que é a ética desse agente que molda o nosso tempo.

O termo hacker se refere, inicialmente, aos experts em programação e em segurança de sistemas computacionais, mas hoje se refere a todos aqueles que compartilham uma “ética baseada na liberdade do conhecimento e do compartilhamento dos códigos”.

Crackers são os invasores que buscam saquear senhas de acesso e distribuir vírus para cometer crimes. Muitos dos crackers nem sequer são programadores. Hackers são aqueles que reorganizam o interior da tecnologia, portanto, a cultura.

A importância dessa cultura para o que vemos hoje é absolutamente fundamental. A Internet foi criada por hackers, o Google foi criado por hackers, o Facebook foi criado por hackers, os movimentos sociais contemporâneos, desde Seattle, no fim dos anos 1990, são formados por muitos hackers. Os Anonymous fundem o ativismo tradicional e o hacktivismo criando uma nova e poderosa força global, que pretende disputar mentes e corações em todo o planeta. Ou seja, não há como entender o nosso tempo sem entender a cultura hacker.

Na Casa da Cultura Digital, espaço que ajudei a construir em São Paulo, articulamos o Garoa Hacker Clube, que é o primeiro Hackerspace do Brasil, um clube onde se “brinca” com tecnologias e também a comunidade Transparência Hacker, que mais recentemente comprou o Ônibus Hacker, um ônibus modificado para ser um laboratório móvel e percorrer o país difundido a ética hacker. Hacker é o que somos.

Gil, no seu segundo ano de governo, bombardeado pelos meios de comunicação de massa por conta do projeto de regulação do setor audiovisual, fez uma aula inaugural na USP onde se assumiu como um ministro-hacker. É esse ministro, músico tropicalista, que vai retomar a utopia do fim do estado, que, afinal, é o horizonte de toda filosofia política realmente transgressora e libertária.

Transgressão e liberdade ganham novo vigor com a difusão da ética hacker.

E o remix na criação?

A recombinação é outro elemento central da cultura contemporânea. Toda cultura é resultado da recombinação. A arte é, por essência, recombinatória. A ciência também.

Com a digitalização essa condição recombinante ficou mais explícita, mais evidente, principalmente porque começamos a trabalhar os fragmentos, os arquivos digitais, na composição dos nossos discursos, e os meios técnicos trouxeram muitas facilidades para se fazer isso. Apenas com um computador e uma boa conexão de Internet eu posso inventar um mundo. Isso é muito bacana, porque amplia e muito as nossas potências criativas.

O que é remix? Saque e dádiva. Troca. Tudo junto e misturado. O que é meu é seu e é nosso. Enfim, só não gosta disso o pessoal que vive de produzir direitos de propriedade intelectual, as grandes corporações e uma meia dúzia de artistas que ficaram ricos de forma obscena. Para a evolução humana é um grande ganho.

Num exercício de futurologia livre, com tantas possibilidades tecnológicas, até onde você acha que vamos chegar?

Não faço a menor ideia. Mas muitas coisas que achamos que são futurologia, na verdade, já ocorrem. Logo mais, com a mudança da tecnologia de acesso a Internet, a mudança no protocolo IP, pode- remos ter todas as máquinas conectadas à rede, sua cafeteira e sua geladeira, o portão da sua casa, estarão conectados; as cidades inteligentes estão sendo desenhadas, a inteligência artificial, embora não seja exatamente o que a ficção científica projetou (robôs bonitinhos que façam o trabalho doméstico), é uma realidade, o Craig Venter e a Google estão sequenciando nossos genes sabe-se lá para o que fazer com eles (transformar o ser humano em um conjunto de informações compartilháveis?), enfim, nem o céu mais estabelece um limite…

O que eu gostaria de ver, no entanto, é a humanidade se voltar para pensar politicamente e de forma crítica quais tecnologias queremos e quais não. Gostaria de ver o poder dos laboratórios ser controlado pelo comum, pelas maiorias, que hoje não opinam nem influenciam nas decisões relevantes que estão sendo, a maior parte delas, tomadas por corporações transnacionais. Gostaria de ver nossa capacidade de invenção e elaboração destinada ao desenvolvimento de tecnologias limpas, renováveis, que fizessem do planeta um lugar habitável e agradável. Tecnologia não é neutra. É uma escolha política e foi para evidenciar isso que criamos o Festival #CulturaDigitalBr.



Ensinando lógica de programação para crianças de 4 a 7

5 de Fevereiro de 2014, 10:46, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

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Com ‘Primo’, uma interface de desenvolvimento de software com ‘cara de brinquedo’, crianças aprendem lógica de programação antes mesmo de serem alfabetizadas.

‘Primo’ é um jogo, um brinquedo formado por um kit de peças montáveis que usa formas, cores e consciência espacial para ensinar lógica de programação para crianças. O objetivo é criar uma experiência de aprendizagem táctil, envolvente e mágica, e assim descortinar as possibilidades das linguagens de ‘programação’ para a mente infantil de forma agradável e divertida.

O projeto apareceu inicialmente no site de crowdfunding ‘KickStarter”, e rapidamente alcançou os recursos pretendidos. Seu principal mérito é criar método de aprendizado que empodera as crianças como criadores, e não apenas consumidores neste mundo digitalizado em que vivemos. Insistimos em entreter nossos filhos com tablets e smartphones, mas nos esquecemos que as crianças aprendem de forma mais eficaz através do brincadeiras físicas, tácteis. Isto é cultura digital!

O Kit de Peças

Primo é um jogo / brinquedo constituído por um kit de peças com 3 itens principais, que combinados criam a experiência de aprendizado proposta.

1 • “Cubetto” um robô amigável.

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2 • O “Tabuleiro”, uma interface física (analógica) de programação

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3 • O “Código”, composto por um conjunto de blocos de instrução (frente, esquerda, direita e função)

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Como funciona?

O objetivo do jogo é guiar o Cubetto ao seu destino, que pode ser representado por uma casa, um grande cubo, ou qualquer outro objeto de sua escolha.

O robô executa em seqüência as instruções colocadas no tabuleiro. Ao jogar com Primo, as crianças experimentar com a sequência de instruções.

Não há uma única solução ou caminho a seguir, e também é interessante ver como crianças diferentes chegam a soluções diferentes.

A Sequência (queue/fila)

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A “seqüência” é, basicamente, onde as crianças estão “jogando”. Ao criar uma seqüência de instruções para que o ‘Cubbeto’ chegue ao seu destino, as crianças tornam-se gradualmente mais familiarizadas com conceitos muito importantes que representa as bases lógicas da programação real.

Dominando o “bloco de funções”

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O bloco verde simboliza uma “função”, e cada vez que aparece na “sequencia”, invoca a última linha de comandos no tabuleiro, que abrange o conjunto de até quatro instruções. Este recurso simboliza uma sub-rotina representada no tabuleiro. Uma vez assimilado, o recurso “função” introduz novas e potentes possibilidades no processo de resolução de problemas. Há também uma maneira de “hackear” a linha de função para estabelecer um loop infinito!

Primo é Open Source

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Primo nasceu como um conceito na universidade , em SUPSI Lugano, onde o primeiro protótipo foi realizado. Com o objetivo de transformar o conceito em um produto real, o protótipo foi melhor desenvolvido no FabLab de Turim, sempre utilizando placas Arduino, cortadores a laser e impressoras 3D. Sem as ferramentas de fabricação digital , a tecnologia open source, e a cultura do compartilhamento promovida no âmbito da comunidade Maker, Primo não estaria aqui.

Todos os arquivos fonte e documentação do Primo estarão disponíveis no website Primo.io sob uma licença Creative Commons, incentivando fabricantes de todo o mundo a hackear, melhorar e brincar com o conceito lançado.

“Coração de Arduino”

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O projeto Primo participa no projeto “Arduino at Heart‘, o que significa que o núcleo eletrônico de Primo é de fato totalmente compatível com Arduino. Está incluido no projeto o desenvolvimento e compartilhamento de uma específica para simplificar as interações do robô.

“Programe ou Seja Programado”

É com grande satisfação que compartilhamos informações sobre o projeto Primo, que além de explorar de forma lúdica um grande desafio dos dias de hoje, que é o ensino de lógica de programação para crianças, também incorpora em sua execução os princípios de abertura típicos da cultura digital.

O século 21 evidencia o surgimento de novas elites, que estão baseadas no conhecimento profundo sobre o código que fundamenta o ecossistema digital. Formar nossos jovens na lógica fundamental de funcionamento deste código deve ser alvo da política pública, até por uma questão de soberania nacional.

Mas além disso, o conhecimento do código e das possibilidades do ecossistema digital pode disseminar a inovação em diversos setores da sociedade, os quais precisam urgentemente ser repensados. A cultura hacker, em outros locais reconhecida como cultura maker, e que aqui no Brasil se organiza e auto intitula como cultura digital, tem demonstrado este potencial de questionar o ‘sistema operacional’ que determina o funcionamento da política, da economia, das cidades, etc.

No vídeo abaixo, Douglas Rushkoff, teórico da mídia que reflete sobre o impacto do digital na sociedade, apresenta ótimos motivos para colocarmos o conhecimento do código como prioridade na sociedade do conhecimento. “Programe ou seja Programado“.

 



Tags deste artigo: cultura digital