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Clovis Moura

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O dedo e mamãe

9 de Janeiro de 2010, 0:00 , por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Quando começou a campanha pela emancipação, vários oradores foram se revelando. Uns faziam discursos exaltados para chamar atenção outros falavam palavras difíceis para apresentar sua intelectualidade e o povo nada entendia, outros falavam pouco, outros falavam muito e se enrolavam com as palavras que nem ele e nem o povo entendia mais nada. O comício era uma festa. O locutor com uma voz bem forte anunciava e convidava ao palanque: convidamos para fazer parte deste palanque à grande liderança... . e todo entusiasmado e convicto da liderança enchia o carro palanque para fazer seus discursos.

Lembro-me de um que escrevia na palma da mão os tópicos mais importantes do discurso para que à medida que ia discursando e gesticulando olhava rapidamente e disfarçado para a palma da mão para não esquecer nada do discurso, não poderia me esquecer de um orador que enquanto os outros o discursavam, ele atrás do palanque ensaiava gesticulando e como se estivesse com o microfone na mão.

Dentre tantos comícios que participei ou ouvi comentários não poderia deixar de escrever sobre este que entre outros foi o mais curto entre todos.

O carro palanque estacionado a frente da casa da fazenda, poucos eleitores, pois parece o dono da casa não havia convidado os vizinhos ou por questão partidária os eleitores da vizinhança poucos se fizeram presentes. Não fosse a comitiva que acompanhava o candidato não haveria o comício.

Como é de costume o representante da localidade fazer a abertura do comício, o locutor após ter convidado todos os possíveis oradores para cima do carro com entusiasmo convida o dono da casa para fazer a abertura só que ele embaixo do palanque se nega a subir e os demais tenta convencer que ele como dono da fazenda e que deveria abrir o comício e ele com a sua simplicidade ainda em baixo do palanque ergue o dedo indicador e fala: eu não posso falar não é que eu to com o dedo cortado. Conta-se que foi impossível por mais que se quisesse conter os risos. Mesmo assim ele foi levado para o palanque para fazer a abertura e assim o fez: Viva o papa viva o bispo os romeiros que foram pra Lapa e o divino espírito Santo amém. E assim finalizou sua participação como orador.

Os anos se passaram e os discursos continuaram, mas no ano de 2008 um novo discurso mereceu não ser esquecido.

Faz parte da cultura política de Gavião imaginar-se que quando o seu candidato ganha a sua vida vai melhor que ele terá facilidades, que vai mandar e etc. Até um bordão foi criado, comparando a prefeitura com uma vaca, e alguns dizem assim: quando o meu candidato ganhar eu vou mamar na vaquinha. Só que nesta eleição de 2008 com a candidatura de uma mulher diziam que iam votar em mamãe.

Com o término da eleição é apurado que a mulher havia ganhado os partidários comemoraram e na hora dos discursos da comemoração um eleitor eufórico e entusiasmado faz o seu discurso e diz maios ou menos assim: meus amigos e minhas amigas apartir do dia primeiro de janeiro nois tudo vamos mamar em mamãe. Confesso que mesmo derrotado dentro de casa não me contive e sorri muito e fique na lembrança de um dia escrever pra não esquecer.


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