Compartilhando idéias e informações que vão da economia, meio ambiente à tecnologia. Tudo isso com uma "pitada" de arte e política que se misturam ao meu universo particular .
Por que usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente?
November 8, 2009, by Vicente Aguiar - 4 comments
No dia 04 de outubro, a Revista Muito, ligada ao Jornal Atarde aqui de Salvador, fez uma matéria sobre o "Consumo Verde", quano foi destacada a relação entre software livre e a preservação do meio ambiente. Como eu participei dessa matéria, assinada pela jornalista Katherine Funke, achei que seria importante mostrar, com um pouco mais de detalhes, como isso acontece na prática.
Sendo assim, segue abaixo algumas pesquisas e projetos que demonstram como usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente:
Diminuição do consumo de energia
Um estudo da IBM em 2009 demonstrou que uma série de medidas adotas pelo sistema operacional GNU/Linux diminuem o consumo de energia de um computador/Servidor. Essas e outras medidas também fazem parte de um projeto internacional, apoiado pela Intel Corporation, denomindo LessWatts.org .
Dentre os vários projetos existentes nessa iniciativa, gostaria de destacar o "PowerTop". Esse utilitário fornece uma análise detalhada da performance de consumo de energia de um computador - e ainda dá dicas como melhorá-la. Isto porque, o PowerTOP é uma ferramenta do GNU/Linux que verifica os componentes de software que tornam o consumo de energia do sistema maior do que deveria estando no estado ocioso. A partir kernel versão 2.6.21 , o kernel não tem mais uma marcação de timer fixada em 1000Hz. Isto pode dá uma enorme economia de energia, porque a CPU fica em modo de baixa energia por longos períodos de tempo durante o sistema ocioso. Para mais informações (em português), acesse aqui.
Além disso, para quem é usuário do Desktop GNOME, é possível usar o "GNOME Power Manager" q
ue permite qualquer usuário configurar as opções de consumo de energia do seu computador. Normalmente, ele é encontrado no Painel GNOME, como também em "Preferências" no Menu GNOME, mais especificamente em "Gerenciamento de Energia". 
Aproveitamento de Hardware
Uma das características mais interessantes do GNU/Linux é a sua alta performance em termos de aproveitamento de hardware. Isso também foi comprovado pela pesquisa da IBM. Segundo ela, o sistema operacional GNU/LINUX apresenta melhor performance ambiental ao necessitarem de requisitos mínimos de hardwares para funcionar, segundo mostra a tabela abaixo:
Um outro projeto que representa bem essa capacidade é o Linux Terminal Server Project (LTSP). O LTSP é usado como solução para performance de computadores antigos e para implementação de uma rede de baixo custo. Motivo esse que leva esse projeto a ser usado em escolas, telecentros e projetos de metareciclagem por todo mundo.
Com essa solução é possível ter um servidor principal (geralmente um micro de melhor performance, no qual está instalado o LTSP) e vários clientes conectados via rede a este servidor. Assim, com um servidor não muito potente (ex: 3 Ghz e 2 GB RAM) podemos ter, por exemplo, trinta PCs 486s "pendurados"no servidor, rodando softwares de última geração. Saiba mais (em português)...
Muitos usuários de computador não imaginam o que um simples PC é capaz de fazer e o não conhecimento de soluções como a "Multihead" no GNU/Linux é um exemplo claro disso. Afinal, como o próprio nome já informa ("MultiHead" vêm do inglês "cabeças múltiplas"), a idéia do multi-head é otimização e melhor aproveitamento dos recursos que temos em termos de harware de um computador pessoal.
Em outras palavras, isso significa, por exemplo, usar quatro moniotres, quatro teclados e quatro mouses ligados num mesmo gabinete (vulgo "CPU") para quatro usuários, ao mesmo tempo. Parece milagre? Saiba mais e veja que não...
Agora, por meio de todos esses projetos (e por outros projetos ligados ao GNU/Linux que ainda possam existir!), fica mais fácil entender porque usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente. :-)
Nova versão da animação em massinha sobre Software Livre
October 23, 2009, by Vicente Aguiar - No comments yetBem bacana a nova versão da animação em massinha sobre Software Livre. Nela é possível escutar com muito mais nitidez a narração da história sobre o software livre, junto com uma nova musiquinha de fundo. Apesar de gostar mais da trilha sonora da primeira, o resultado final dessa nova versão ficou muito legal e vale a pena compartilhar. Parabéns ao Kretcheu pela iniciativa e ao Ary Favero Jr pela locução! :-)
Para que todas/os possam comparar e tirar suas próprias conclusões, segue abaixo as duas versões:
VERSÃO 0.2
Software Livre - Animação em massinha from kretcheu on Vimeo. Adaptação do Kretcheu e Ary Favero Jr.
VERSÃO 0.1
Versão original de Aurélio Heckert e Rozane Suzart.
Acessibilidade com ORCA e GNU/Linux
September 13, 2009, by Vicente Aguiar - No comments yet
Durante muito tempo existiu uma lenda (dentre muitas!) na área de informática que um computador com GNU/Linux no Brasil não era sinônimo de acessibilidade. Uma das razões para tal crença estava ligado ao fato de que muitas pessoas ainda não conheciam o leitor de tela para deficientes visuais denominado de ORCA, do Desktop GNOME (ambiente desktop do GNU/Linux no qual o ORCA está inserido).
Contudo, graças ao esforço da equipe brasileira de tradução do Projeto GNOME, essa lenda urbana já está se diluindo. Afinal, juntamente com todo Desktop GNOME, o ORCA já é 100% traduzido para o português brasileiro e, assim, já pode ser utilizado por qualquer deficiente visual em nosso país que tenha acesso a um computador com uma distribuição do GNU/Linux com o ambiente GNOME instalado.
Em especial, esse esforço de tradução só foi possível porque o principal responsável por esse trabalho com o ORCA é um deficiente visual, nascido na Bahia, de nome Tiago Melo Casal. Além de revisar a tradução do Orca a cada lançamento de forma voluntária, Tiago usa o aplicativo todos os dias e está em contato com vários outros cegos que usam software livre no Brasil e no mundo. Para mostrar um pouco do trabalho realizado por Tiago, o ex-coordenador da equipe de tradução do GNOME Brasil - Leonardo Fontenelle - fez uma bela entrevista com ele, onde parte dela pode ser conferida abaixo:
LEONARDO - Começando pelo começo: Você poderia falar um pouco sobre você mesmo?
TIAGO - Sou Tiago, Brasileiro, nasci em 18 de Julho de 1985 em Salvador capital do Estado da Bahia. Sou cego, nasci com Retinose Pigmentar. Atualmente moro no Estado do Ceará, com minha companheira que também é cega. Diariamente utilizo computador, Orca, GNOME e Linux.
Por volta de 2002/2003, ouvi falar em Linux, em Software Livre e Open Source, me interessei e comecei a procurar e ler na internet textos sobre o assunto. Na época, não havia para Linux recursos de acessibilidade voltados para a realidade dos cegos brasileiros, como síntese de voz (via software) em Português. Havia leitores de tela para modo texto, utilizando síntese de voz via Hardware ou utilizando Linhas Braille, equipamentos que não eram comuns no Brasil. Por outro lado, os softwares de síntese de voz em sua maioria só falavam em Inglês. Leitor de telas para o ambiente gráfico, eu desconhecia.
Comecei a utilizar o Linux com o Linvox em 2004, um projeto brasileiro que trazia num LiveCD o Linux Kurumin com o Dosvox funcionando através do WINE. O Dosvox é um conjunto de programas para cegos com síntese de voz em Português (via software), como Editor de Textos, Navegador de Internet, Cliente de Correio Eletrônico, Telnet Falado e outros programas, inicialmente era para ambiente DOS e depois passou para ambiente Windows, por isso a necessidade do WINE, eu utilizava o Shell no Linux através do Telnet Falado do Dosvox.
Em 2006 criei a lista de discussão Linvox no Yahoo Grupos, onde diversas pessoas trocam experiências sobre Acessibilidade no Linux.
A autonomia dos cegos melhorou com toda a infra-estrutura de Acessibilidade desenvolvida no GNOME, com os leitores de telas para aplicativos em GTK+, principalmente com o Leitor de telas Orca. O Orca fez a diferença e o GNOME tornou-se referência de Ambiente Gráfico Acessível. A primeira distribuição Linux que trouxe o GNOME com Orca e uma maneira simples de um cego iniciar o LiveCD, utilizar o sistema e instalá-lo sem a ajuda de alguém que enxergue, foi o Linux Ubuntu. Comecei a utilizar o Orca com voz em Espanhol em 2006, em 2007 já foi possível utilizar o Orca com fala em Português, graças ao eSpeak, software de síntese de voz com fala em diversos idiomas. De lá para cá, o GNOME e o Orca só têm evoluído, aplicativos em GTK+ têm melhorado a acessibilidade, como o Firefox que deu um grande salto em Acessibilidade com a versão 3.0.
LEONARDO - Além do Orca, quais outras qualidades da acessibilidade do GNOME? E o que é que precisa melhorar?
TIAGO - No geral, o GNOME é muito acessível, com desenvolvimento ativo da infraestrutura básica de acessibilidade — ATK/AT-SPI —, do leitor de telas Orca e de outros projetos da área. Em específico para meu caso e das pessoas que não enxergam, podemos utilizar mais de 80% do GNOME em conjunto com aplicativos em [ou que interagem com] GTK2, como: Nautilus, GEdit, Editor de textos do OpenOffice/BROffice, Firefox/Iceweasel, gnome-terminal, Adobe Reader, Brasero, e outros.
A acessibilidade do GNOME está disponível para os aplicativos escritos em GTK2 e utilizando o ATK/AT-SPI, a inacessibilidade aparece quando um aplicativo é desenvolvido sem vínculo com o ATK/AT-SPI e em aplicativos antigos desenvolvidos em GTK1.2 ou anterior. Uma das maneiras de evitar que a acessibilidade seja esquecida seria embutir no GTK+ o código do ATK/AT-SPI. [Nota: o GAIL, que fazia a ponte entre o ATK, foi incorporado ao GTK+ em dezembro de 2007.]
LEONARDO - Você estava falando do LiveCD do Ubuntu. Quais são, hoje em dia, as distribuições mais acessíveis aos cegos, tanto para uso cotidiano quanto para instalação?
TIAGO - Vou citar algumas distribuições Linux, sendo que eu direi sobre facilidade ou dificuldade tendo como base a utilização por cegos brasileiros, que na sua maioria não têm acesso a hardware de síntese de voz ou Linha Braille, portanto necessita de síntese de voz via software. Para iniciante, eu considero até o momento o Ubuntu a distribuição mais fácil para começar a utilizar o Linux, é possível o cego sem ajuda de alguém que enxerga utilizar via LiveCD, instalar e utilizar diariamente; outra distribuição boa é o Mandriva, também dá para utilizar pelo LiveCD, instalar e utilizar diariamente. Tem também o OpenSolaris, um Unix acessível, dá para utilizar pelo LiveCD, instalar e utilizar diariamente.
Voltando para as distribuições Linux, o Fedora 11 veio com GNOME e Orca, vem com um soft de síntese de voz com uma fala em inglês, é uma voz muito boa, mas como só trouxe um idioma, o que dificulta na instalação por pessoas falantes de outros idiomas, após instalar o Fedora 11 e instalando posteriormente falas no idioma de quem está utilizando o sistema, resolve a questão, mas se já tivesse falas em outros idiomas no CD, como o software eSpeak, seria bem melhor. Um amigo testou o OpenSuSE, no geral ele gostou da acessibilidade. É possível utilizar o Slackware, mas no momento é necessário a ajuda de alguém que enxergue na instalação, até que o cego possa utilizar o sistema com algum leitor de tela de modo texto ou um gerenciador de janela em GTK2 com o Orca.
Atualmente eu utilizo o Debian, por enquanto o instalador texto não tem software de síntese de voz (só síntese via hardware ou Linha Braille), mas tudo indica que está caminhando para isso na próxima versão, se realmente acontecer será um diferencial muito importante de outras distribuições. Existem e existiram distribuições Linux específicas para cegos, como o Oralux que foi descontinuado, atualmente tem algumas distribuições, mas o interessante é que as grandes distribuições integrem os recursos de acessibilidade disponíveis.
No geral, penso que qualquer distribuição que tiver instalado um software de sínteze de voz (prefiro o eSpeak porque tem fala em diversos idiomas), tiver um leitor de tela de modo texto e tendo o GNOME como gerenciador de janelas (que já vem com o Orca), já dá para um cego utilizar o sistema, dá também se o gerenciador de janelas for em GTK2 (LXDE ou XFCE, configurando algumas variáveis dá para ter acessibilidade).
LEONARDO - Então o eSpeak tem uma opção de voz para português do Brasil? Eu ia mesmo perguntar quais são as opções de síntese de voz para brasileiros. O Dosvox, imagino, não funciona com o Orca.
TIAGO - Falando mais um pouco sobre o TTS (Texto para Fala) eSpeak: as regras do eSpeak para falar em português do Brasil foram implementadas pelo amigo Cleverson Uliana (em outubro/novembro de 2006), permitindo a utilização do Orca e outros leitores por mais pessoas no Brasil, antes da tradução do eSpeak para Português do Brasil utilizávamos o TTS Festival com fala em Inglês ou Espanhol, existia uma fala para o Festival em Português mas não era de fácil instalação e com a dependência de um componente extra com licença restritiva.
Outro TTS com falas em Português do Brasil é o MBROLA (Banco de dados de voz BR1, BR2 e BR3), a licença do MBROLA é livre e restritiva em alguns pontos, a distribuição Oralux que foi descontinuada, vinha com fala em alguns idiomas e em Português utilizando o MBROLA. Atualmente está em desenvolvimento o Banco de Dados de Voz BR4 em MBROLA, fala conhecida como Liane TTS, em desenvolvimento pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e pelo NCE/UFRJ (Núcleo de computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro), é uma fala Brasileira com qualidade; também está em desenvolvimento um driver para a utilização da Liane TTS com o GNOME e o Orca, sendo testado pela comunidade com êxito; a Liane TTS também é utilizada pelo Dosvox no Windows.
Se a pessoa desejar, pode utilizar o eSpeak como interface para se utilizar as falas do MBROLA, como as falas Brasileiras BR1, BR3 e até a BR4 (Liane TTS), utilizar as falas em outros idiomas do MBROLA, também as regras para o Português do Brasil foram feitas pelo Cleverson Uliana, com isso, pode-se utilizar o MBROLA via eSpeak com o Orca e outros leitores, no Linux e no Windows. Há alguns softwares de síntese de voz comerciais, cito o VoxIn por ser o melhor em minha opinião, com opções de fala em diversos idiomas e pelo valor ser barato, custa em torno de 5 euros a fala para cada idioma disponível.
O Dosvox é um conjunto de programas, é desenvolvido no NCE/UFRJ, inicialmente era para DOS e depois passou para Windows, tem uma síntese de voz própria e em Português, também pode utilizar outros TTS em SApi4 e/ou SApi5 (sistema de fala da MS), e suporta Liane TTS. Penso que existe um projeto para portar o Dosvox para Linux, mas por enquanto quem gosta do Dosvox utiliza ele no Linux através do WINE, como é um sistema de programas com fala não há necessidade de leitor de tela para os programas do Dosvox, também como o WINE não é em GTK+ ele não é acessível para o Orca.
Para Ler a entrevista na íntegra, basta acessar o blog do Leonardo Fontenelle. ;-)
1a. Conferência Web W3C Brasil
September 12, 2009, by Vicente Aguiar - No comments yet
Essa é a chamada de papers, casos de uso e tutoriais que serão selecionados para apresentação durante a 1ª. Conferência Web W3C Brasil organizada pelo W3C Escritório Brasil. A Conferência Web W3C Brasil foi criada para oferecer ao público brasileiro um amplo fórum anual de discussão e debate sobre a evolução da Web, a padronização de suas tecnologias e seu impacto na sociedade e na cultura. A Conferência reunirá pesquisadores, desenvolvedores, usuários, empresas, agências digitais, mídia e todos aqueles que são apaixonados pela Web e que têm algo a oferecer, usar e debater.
Cada submissão recebida será avaliada pelo Comitê de Programa, que selecionará aquelas que forem mais adequadas às temáticas e objetivos da Conferência.
Datas importantes:
30 de setembro de 2009 - data limite para submissão dos trabalhos para a conferência
22 de outubro de 2009 - divulgaçãos dos trabalhos selecionados para apresentação na conferência
Mais informações sobre a Conferência Web W3C Brasil podem ser obtidas na Internet no endereço http://conferenciaweb.w3c.br
Plenária na Câmara dos Vereadores de Salvador sobre Software Livre
September 12, 2009, by Vicente Aguiar - No comments yetQuem estiver em Salvador (ou perto), está mais do que convidado para essa plenária! Afinal, temos que aproveitar esse espaço para reforçar a adoção de tecnologias livres em nossa terra.














