Leonardo Ferreira Fontenelle: CGI.br: Quem são os brasileiros que usam Linux?

9 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Li recentemente a Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2009, publicada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, e descobri que o documento traz inclusive estatísticas de sistema operacional. Em resumo, 86% das famílias brasileiras têm o Windows instalado em seu computador principal; essa proporção é de 1% para o GNU/Linux, e desprezível para Mac e outros. 13% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder à pergunta.

O relatório prossegue analisando a variação dessas proporções de acordo com o local (área urbana ou rural), a região do país, a renda familiar, e a classe social/econômica. Em quase todos os grupos, o uso de Linux continua em 1%. As exceções ficam para:

  • Área rural: uso desprezível;
  • Região Norte: 2% de participação;
  • Renda familiar maior que R$ 4.650: 3% de participação;
  • Renda familiar entre R$ 931 e R$ 1.395; e entre R$ 2.326 e R$ 4.650: uso desprezível.

Não houve variação por classe econômica.

A fatia da população brasileira que mais usa Linux parece ser a mesma que tem banda larga: os moradores da área urbana (quase não existe banda larga na área rural) e aqueles com renda familiar mensal acima de R$ 4.650. Já vai longe a época em que o modelo de negócios da Conectiva era vender seu sistema operacional numa caixa.

Imagino que trabalhar com tecnologia também ajude, mas isso não foi avaliado na pesquisa.

Já o programa Computador Para Todos parece ter tido um efeito modesto. As famílias com renda mensal menor que R$ 931 usam o sistema operacional mais que os do estrato imediatamente superior, mas ainda assim a proporção ficou em meros 1%.

O que mais me surpreendeu foi a região Norte. Colegas nortistas, será que as comunidades daí são mais ativas?

Outra informação que não entendi foi a proporção não variar de acordo com a classe econômica. Intuitivamente, as pessoas com maior renda estão numa classe econômica superior, mas isso não é verdade, ou ao menos não para os usuários de Linux.

O estudo do CGI.br usou o critério de classe social/econômica da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. A ABEP também divide as classes econômicas pela renda (como o IBGE), mas disponibiliza uma ferramenta que permite estimar a renda. Essa ferramenta (o Critério de Classificação Econômica Brasil — CCEB) consiste num sistema de pontos atribuídos à posse de bens de consumo e ao grau de instrução do chefe da família.

É possível ganhar muito e ter poucos bens ou pouco estudo, e talvez esse seja o perfil dos usuários de Linux.

O estudo só considerou aquilo que todo o mundo entende por computador, ou seja, dispositivos embarcados ou celulares não contam. A metodologia não considerou os computadores que não o principal, e não consegui encontrar na metodologia a definição operacional de o que seria um computador principal, ou como lidar com o dual boot.

Como já foi dito, em 13% dos domicílios o entrevistado não soube informar o sistema operacional. Essa proporção é ainda maior na região rural, nos domicílios com menor renda familiar, e nas classes D e E. Esses números são uma ordem de grandeza superiores à fatia que usa Linux, causando imprecisão na estimativa.

Reparem que o 1% de usuários Linux é a proporção dentre todos os entrevistados, e não apenas entre os que souberam responder à pergunta. Dessa forma, o número real de domicílios brasileiros com Linux é qualquer coisa entre 1% e 14%.



Gustavo Noronha (kov): Hackers

7 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Acabei de ler nos últimos dias, finalmente, o clássico e frequentemente citado livro Hackers, do Steven Levy. Não há discussão sobre cultura e ética hacker que não faça pelo menos uma referência a esse livro. Poucos meses atrás a editora O’Reilly lançou uma nova edição do livro, que inclui um novo apêndice, em que o autor revê rapidamente o estado da cultura e ética hackers no ano 2010, 25 anos depois do lançamento do livro original.

O livro é, antes de mais nada, uma delícia de ler. Eu não costumo ser muito tolerante com clássicos difíceis de ler - não me interessa o quão importantes eles são, não consigo achar energia para terminar livros massantes (e olha que meu limite é bem alto!), mas Hackers superou até minhas expectativas mais otimistas. O livro é construído como uma série de histórias em que os personagens principais são os hackers que deram origem aos ideais e princípios éticos que culminaram nos movimentos de liberdade de software e conhecimento livre que nós conhecemos hoje.

Mais interessante para quem já conhece bem a ética e os ideais hacker, talvez, seja ver como mudaram as coisas. Quando os computadores pessoais começaram a surgir, fruto do trabalho dos hackers de hardware havia um deles, de acordo com o livro, que imbuía fortemente o espírito hacker - o hardware era documentado, aberto, exalava um convite ao hacking. Acredito que a maioria dos simpatizantes dos ideais hacker de hoje se surpreenderia ao saber que se tratava de um produto da Apple - o Apple II.

Since Steve Wozniak’s Apple adhered to the Hacker Ethic in that it was a totally “open” machine, with an easily available reference guide that told you where everything was on the chip and the motherboard, the Apple was an open invitation to roll your sleeves up and get down to the hexadecimal code of machine level. To hack away. (Capítulo 15 - The Brotherhood)

O exemplo de abertura do começo é hoje o exemplo de secretismo, apreço por tecnologias proprietárias, fechadas e falta de respeito pelos usuários, com sua adesão profunda a tecnologias projetadas para serem defeituosas. Quem diria!

Por outro lado, o livro também mostra algumas lições que a cultura hacker teve que aprender através de muito sofrimento e desilusão. Uma dessas lições é que é sempre mais fácil defender intransigentemente uma cultura de acesso ilimitado se os participantes dessa cultura forem uma elite exclusora e que trazer as vantagens e os ideais mesmo de uma ideologia de comuna para todas as pessoas (inclusive as que não necessariamente concordam com ela) passa pela negociação de contradições entre os ideais puros e as estruturas tradicionais da sociedade, capazes de escalar e fazer chegar os conhecimentos e ferramentas necessárias a todo canto, geralmente em forma de “produtos” de uma “indústria”. Foi assim, de certa forma, que o ideal hacker de que as pessoas devem ter acesso a computadores para fazerem o que bem entenderem acabou se realizando - através da criação de uma indústria da computação pessoal, que hoje está experimentando um pico, com computadores (em forma de telefones móveis) na mão das pessoas mais humildes. Mesmo que essa indústria tenha distorcido boa parte dos ideais que acompanham o ideal do acesso ao computador.

The best way to promote this free exchange of information is to have an open system, something that presents no boundaries between a hacker and a piece of information or an item of equipment that he needs in his quest for knowledge, improvement, and time online. The last thing you need is a bureaucracy. Bureaucracies, whether corporate, government, or university, are flawed systems, dangerous in that they cannot accommodate the exploratory impulse of true hackers. Bureaucrats hide behind arbitrary rules (as opposed to the logical algorithms by which machines and computer programs operate): they invoke those rules to consolidate power, and perceive the constructive impulse of hackers as a threat. (Capítulo 2 - The Hacker Ethic)

Hackers sofreram extremamente em momentos em que seus redutos elitisados foram invadidos por gente que não entendia ou não concordava com os ideais, porque de uma hora pra outra foram obrigados a rever suas convicções inclusivas, porque nunca tinham considerado que a inclusão que eles pregavam era somente para uma elite e não sobreviveria da mesma forma ao se universalizar. Há uma tensão latente que é fácil de perceber até hoje e que parece ser uma das grandes questões que nos cabe resolver.

Quando pessoas que protestavam contra a guerra do Vietnã, por exemplo, chegaram à conclusão de que o famoso laboratório de inteligência artificial do MIT (berço dos hackers originais e do projeto GNU) era parte do problema - financiado pelo departamento de defesa, produzindo conhecimento que poderia ser usado na guerra, o que era indiscutível, os hackers acabaram tendo que se utilizar das coisas que mais odiavam para evitar que os protestantes destruíssem algo que era essencial para a evolução do hacking - o computador PDP-6, que eles ameaçavam botar abaixo.

The barricades worked insofar as the protesters—around twenty or thirty of them, in Noftsker’s estimate—walked to Tech Square, stayed outside the lab a bit, and left without leveling the PDP-6 with sledgehammers. But the collective sigh of relief on the part of the hackers must have been mixed with much regret. While they had created a lock-less, democratic system within the lab, the hackers were so alienated from the outside world that they had to use those same hated locks, barricades, and bureaucrat-compiled lists to control access to this idealistic environment. While some might have groused at the presence of the locks, the usual free access guerrilla fervor did not seem to be applied in this case. Some of the hackers, shaken at the possibility of a rout, even rigged the elevator system so that the elevators could not go directly to the ninth floor. Though previously some of the hackers had declared, “I will not work in a place that has locks,” after the demonstrations were over, and after the restricted lists were long gone, the locks remained. Generally, the hackers chose not to view the locks as symbols of how far removed they were from the mainstream. (Capítulo 7 - Life)

Há numerosos outros exemplos no livro de como intransigência e a falta de conexão com a realidade fizeram mais mal à ética hacker e à saúde dos seus praticantes do que o bem que tentavam proteger, mas também há numerosos exemplos de como a postura “mão na massa” dos hackers fez com que o sonho não fosse permanentemente destruído e que a mensagem se perpetuasse. Creio que o maior exemplo de todos seja Stallman, que vendo tudo desabar arregaçou as mangas e, sem se preocupar com o possível, sem se limitar a bandeiras e palavras de ordem pôs a mão na massa e criou as condições materiais necessárias para que uma comunidade global continuasse usufruindo e criando liberdade de conhecimento.

Gostei muito do livro! Acho que é uma boa leitura e acho que serve como inspiração para que as novas gerações de hacker continuem defendendo de forma intransigente os imperativos da mão na massa, da liberdade de informação e criação, da preponderância da qualidade e do trabalho sobre os títulos e burocracia, mas sem deixar de considerar o mundo real. Serve bastante para ajudar a refletir de que forma é possível tornar inclusiva nossa cultura sem que isso implique uma redução do apreço pela qualidade e mestria e tornar mais disseminada nossa ética.



Vinicius Depizzol: Truckloads of awesomeness

5 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

After spending 36 hours between planes and airports, I had the pleasure to participate GUADEC this year, that happened a couple of days ago in The Hague (luckily I arrived 2 days before the conference to recover myself of jet lag).

This time GUADEC was located in Den Haag University, and we had a big area for hacking and discussing ideas for GNOME.

Guadec 2010

Before the talks and keynotes, during the first two days of the conference, I discussed with a lot of people about the state of the gnome.org website. Since the current implementation in Plone was lacking hands to get it done (the start of this work dates from 2007 or so), I suggested instead to do a new approach other than try to keep working in the plone code.

Right on the lobby tables I started then to port the website templates done by me and Andreas to WordPress. Of course you may think that start from scratch the work of a website in another CMS can take even more time, but the difference is that WordPress is widely known and more maintainable (and easier, of course!).

So, basically, to say how WordPress rocks, I got done all the implementation of GNOME website in a couple of days during the conference itself. This means we now have support for static pages, custom template for footers, full localization (by using this great WPML plugin), dynamic banners for the home page and news.

The only possible problem by using WP is that by now it is not possible to integrate it with the infrastructure that GNOME have for translations. Still, if we look the system as a whole, this won’t be a problem since the translation system in WPML works great.

We’re right now putting all the content already made in the wordpress pages. Next step includes polishing the existing content and making it fun to read (other than using long boring paragraphs of text). Oh, and we need to migrate old content as well.

The cool part about all of this is that WP is simple to hack and easy to add new functionalities. A long waited feature we planned to put on the new website is the products page, which will contain a list of featured applications around the GNOME platform with some description. Together with Daniel, we defined a initial set of what to show in these pages. We still need to work on this a bit, but it’s great to see things getting done!

Sponsored by the GNOME FoundationAs Ruben said, GUADEC really consisted of truckloads of awesomeness. I must say a big thank you again to the GNOME Foundation (which needs a new website by the way:P) for letting me get there again this year.



Lucas Rocha: Videos in The Board

3 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

So, you now know about The Board and my short-term and long-term plans for it. Thanks everyone for the positive energy and the nice feedback! For those interested in contributing to the project, I created a very basic wiki page for The Board in GNOME’s wiki. The most useful bit for now is the initial guide to get The Board built and running. Feel free to fix and add missing bits there.

I had a couple spare hours a few days ago and ended implementing the initial code for video things. Seek bar is still missing because I couldn’t find a nice way to present it – ideas are welcome. Code is available in gitorious. Click on the image above to watch a video showing more or less how it works. The general interaction is very similar to photos. I had to apply a couple patches to clutter and clutter-gst (git master) to get video colours right.

Things will become more interesting when I implement integration with Cheese which will allow you to produce photos and videos in place. Probably one of my next steps.



Djavan Fagundes: Instalando Gwibber 2 no Debian Sid

2 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Ei pessoal,
Segue abaixo um tutorial de 5 minutos de como instalar o Gwibber 2 no Debian Sid.

Para instalar, primeiramente, remova a versão anterior do Gwibber que você tenha instalada. Você poderá fazê-lo usando o seguinte comando:

sudo apt-get remove gwibber

Depois, escolha uma versão para instalar na URL: http://people.debian.org/~kartik/packages/gwibber/

Baixe todos os pacotes .deb de acordo com a versão que você escolheu em algum diretório no seu computador.

Por exemplo, se você quiser a versão mais nova, baixe os arquivos da versão 2.31.3.

Depois rode o comando:

sudo dpkg -i *.deb

Depois de instalados os pacotes, instale o pacote python-oauth

sudo apt-get install python-oauth

Prontinho! Gwibber 2 instalado e rodando!

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© Djavan Fagundes, 2010.



Djavan Fagundes: Aberta a chamada de trabalhos do EMSL 2010!

2 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Está aberta a chamada de trabalhos para o maior evento de software livre de Minas Gerais, o EMSL!

EMSL2010

EMSL2010

O Encontro Mineiro de Software Livre (EMSL) 2010 acontecerá entre os dias 12 a 16 de Outubro de 2010 nas dependências da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A organização do evento convida a comunidade a enviar trabalhos até o dia 20 de agosto de 2010 através do sítio http://emsl.softwarelivre.org/.

A partir de 2008 o evento adotou um novo método de avaliação dos trabalhos, incluindo uma fase para aprimoramentos. Nessa fase qualquer pessoa pode contribuir para o aprimoramento de palestras através de comentários feitos pelo sítio do EMSL. Os palestrantes, por sua vez, podem aproveitar os comentários que julgarem pertinentes, modificando suas propostas. Esse ano as propostas ficarão disponíveis para aprimoramento a partir da data de submissão até o dia 31 de agosto.

Para a avaliação dos trabalhos, são considerados: sua relação com software livre e a fase de aprimoramentos, caso esta aplique-se ao trabalho em questão. Os palestrantes serão comunicados do resultado até o dia 5 de setembro.

Os trabalhos deverão ser registrados em uma das seguintes trilhas:

Iniciantes

Palestras e mini-cursos para o público iniciante: introdução ao software livre; por que usar e contribuir com software livre; introdução a licenças, patentes; por onde começar, onde pedir ajuda; softwares para iniciantes; como contribuir.

Governo/Negócios

Palestras dirigidas ao público de negócios e/ou governo: casos de uso e desenvolvimento de software livre em órgãos do governo ou empresas; apresentação de softwares livres para gestão; padrões adotados pelo governo; e demais palestras que possam ajudar o empresariado e/ou governo a se beneficiarem e contribuírem com software livre.

Sessão Técnica

Palestras e mini-cursos voltados ao público com experiência técnica em software livre: – Desenvolvimento: ferramentas para o desenvolvimento de software livre; bibliotecas; linguagens de programação; palestras de como contribuir; desenvolvimento de software básico.
- Administração de sistemas e segurança: softwares/sistemas de monitoramento; segurança utilizando software livre; protocolos de gerenciamento e banco de dados.
- Computação gráfica: licenciamento de arte; padrões abertos; editoração de imagens; desenhos.
- Documentação e Tradução: ferramentas, procedimentos e projetos para documentação e tradução de software livres.

Acadêmico

Palestras para a apresentação de trabalhos acadêmicos: estudo sobre o software livre, comunidade, modelo de desenvolvimento, qualidade de software; trabalhos que resultaram em produção de software livre, provas de conceitos, protocolos ou padrões abertos.

Filosofia/Cultura

Questões sobre direito intelectual para desenvolver software livre; modelo de desenvolvimento de software livre; interação com comunidade de desenvolvedores de software livre; uso de licenças.

Interdisciplinar

Esta trilha é a novidade e o foco deste ano. A ideia é apresentar trabalhos desenvolvido em outras áreas, utilizando software livre: casos (cases) de sucesso, cultura livre, discussões sobre licenças, o dia a dia dos usuários, entre outros. O software livre além do software.

Eventos Comunitários

Se você é membro de alguma comunidade de software livre e deseja realizar o evento de sua comunidade dentro do EMSL, envie a sua proposta!

Se o seu trabalho utiliza software livre e não está compreendido nas trilhas acima, ele ainda pode ser aceito, basta entrar em contato.

Para enviar seu trabalho, basta se cadastrar como palestrante no endereço:
http://emsl.softwarelivre.org/speaker/add/ e enviar sua proposta no link Enviar Trabalho.

EMSL

O Encontro Mineiro de Software Livre acontece anualmente em Minas Gerais. O EMSL foi criado em 2004 com o objetivo de fomentar a aproximação e o intercâmbio entre os vários grupos que utilizam o software livre no estado, assim como incentivar seu uso por novos grupos.

Claro que já estou preparando a minha proposta!



Leonardo Ferreira Fontenelle: Mais sobre o Censo do GNOME e a Cauda Longa

1 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Dave Neary, um dos membros mais ativos da Fundação GNOME, publicou a primeira edição do Censo GNOME, um levantamento da participação de cada colaborador, e de cada empresa, no desenvolvimento do GNOME. Como o BR-Linux.org destacou, um dos grandes destaques do censo foi que apenas 1% do código teria sido contribuído pela Canonical, enquanto a Red Hat seria responsável por 16%. Outra informação do Censo GNOME é uma espécie de proporção de Pareto: apenas 30% dos desenvolvedores são pagos para trabalhar com o GNOME, mas sua colaboração representa 70% do código.

No que diz respeito à participação da Canonical, Jono Bacon (gerente da comunidade) rebate dizendo que a empresa contribui muito com o GNOME, mas o código fica hospedado no Launchpad, e qualquer distribuição poderia empacotá-lo. De fato, o levantamento publicado por Dave Neary só levou em consideração o código hospedado na infraestrutura do próprio GNOME — que aliás é fornecida principalmente pela Red Hat.

Ainda sobre a importância relativa de cada empresa, o próprio Dave Neary destaca o que os números escondem sobre a participação da Nokia. Em vez de contratar mais empregados, a empresa estimulou a criação de várias start-ups que contribuem com uma parte significativa do código. Além disso, os módulos específicos do GNOME Mobile e o WebKit não entraram na análise.

Mas minha contribuição nessa discussão é sobre o outro destaque: o efeito Cauda Longa. De fato, os colaboradores voluntários têm contribuições individuais pequenas, como acontece no desenvolvimento do kernel Linux. Mas uma boa parte dos principais colaboradores do GNOME (em número de alterações do código-fonte) são voluntários, e a maior parte dos módulos do GNOME são mantidos por voluntários. Mais: se considerarmos o voluntariado como uma empresa, essa empresa será responsável por 30% do desenvolvimento do GNOME, muito mais que a Red Hat ou qualquer outra empresa.

Por fim, gostaria de registrar que o Censo do GNOME é sobre o desenvolvimento do código, mas até onde sei não estuda a tradução ou outros tipos de contribuição. A tradução é uma parte significativa do trabalho no GNOME, e acredito que seja quase exclusivamente voluntária.



Carlos José Pereira (Carlão): O openSUSE é Software Livre? Acho que não...

30 de Julho de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Esbarrei outro dia numa notícia sobre o lançamento de uma nova versão (11.3) da distribuição openSUSE. Como gosto muito de experimentar várias distribuições Linux, ainda mais com as facilidades trazidas pela virtualização, baixei a dita cuja pra brincar um pouco.

Criei a máquina virtual, bootei, escolhi linguagem... e cheguei numa página onde eu tinha que aceitar uma licença. Como eu brinco com meus alunos, "aquela página que ninguém lê, vai logo clicando em aceito...". Bom, eu parei pra ler.

Começou promissor... "The openSUSE Project grants to you a license to this collective work pursuant to the GNU General Public License version 2...". Bom, não entendo muito de licenciamento, mas até onde sei, GPL é a licença que garante as liberdades de um software livre. Beleza então, tudo certo!

Até que li mais um pouco... "As required by US law, you represent and warrant that you: (...) c) will not export, re-export, or transfer openSUSE 11.3 to any prohibited destination, entity... d) will not use or transfer openSUSE 11.3 for use in any sensitive nuclear, chemical, or biological weapons or missile technology end-uses... "

Parou, parou, parou.... Se me lembro bem, duas das quatro liberdades do software livre são "a liberdade de executar o programa, para qualquer propósito" e "a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo".

Então, voltamos a pergunta do título... o openSUSE é Software Livre?

Abortei a instalação, desliguei a máquina virtual, apaguei o arquivo ISO. Fica pruma outra oportunidade...

Abraços a todas e a todos!
Carlão



Hugo Doria: Comprei meu primeiro Mac. Help!

25 de Julho de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Como falei antes e alguns já sabem, comprei um macbook. Com isso, o Linux vai ganhar um novo companheiro na vida, depois de 5 anos de reinado absoluto. Ainda estou muito verde no Mac OS X e aceito dicas de migração, programas indispensáveis (pagos, ou não) e boas práticas.

Estou fazendo um post sobre a migração e devo publicá-lo em breve. O OS X tem um paradigma bem diferente do que estava acostumado, mas, mesmo um pouco perdido, estou bastante feliz com o sistema. :-)

Se você sempre visitou este blog por causa das dicas sobre Linux, não se preocupe. Não deixarei de usar nosso querido S.O e postar coisas aqui (até porque trabalho full-time com ele e dou aulas sobre o mesmo). Também continuarei contribuindo com os projetos opensource.



Lucas Rocha: Introducing The Board

24 de Julho de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

GUADEC 2010 is about to begin and, unfortunately, I will not attend it this year. But I think it’s a good time to introduce a small cool project I’ve been gradually working on in my (rare) spare time. I’d like to present you The Board.

What is The Board? It’s a space for quickly placing daily records: photos, video, audio, text, and more. Think of it as a combination of a note-taking space, a photo or video booth, photo album, sketching board, a digital diary, and (in the future) a nice way to quickly share stuff with your friends. Click on the image above to watch a video showing how the app works now.

The focus is to provide a quick, simple and visually engaging way of keeping small records of your day. I envision The Board as a sort of especial workspace in GNOME. Something that’s “always there” and is tightly integrated with the desktop. For now, it’s simply an app that always runs in full screen – so that I can demonstrate the idea more accurately.

Add to The Board. The Board can be used a quick note taking app. Someone is telling you a phone number you want to take note of? Switch to The Board, press “s” (or use the toolbox) and quickly write down the phone number. You have a favourite photo for the day? Switch to The Board, press “p” and select the photo file (similar thing for video and audio). Want to write down some ideas before you forget them? Switch to The Board, press “t”, and you have a nice lined note paper to write in. Want to record a quick video with a happy family moment? Switch to The Board, press “v”, and you can start recording the video. You got the idea. For now, I have only implemented simple text elements (lined paper and sticky note) and photo. There’s more coming (see “Next steps” below).

One page at a time. You don’t need to remove old things or “manage” the things on The Board. Once you filled the whole screen space, just create another page! Your previous content will be saved and can be easily accessed through the Pages toolbox. You don’t even need to worry about saving your content. The Board saves the latest content of your page every time your change it by editing, adding or removing things, etc.

What is it made of? The Board is built on top of bleeding edge GNOME platform. It’s written in Javascript using the GObject Introspection-based Gjs. The UI is fully written with Clutter and Mx (with some small bits of GTK+ and Clutter-GTK+). It’s a nice example of how you can do cool apps using the GNOME platform nowadays.

What’s the current state? The initial core code and framework is in place. But there are obviously tons of things to be done. The app is not even installable yet! I’m still sketching the API to implement plugins. Video and audio elements are not implemented yet. The graphic design is poor (as I did it myself using some random graphics from internet) and there are lots of open interaction design questions to be sorted out. In order to run the app for development purposes, you’ll need a full GTK+ 3 stack, and latest (as in git clone master) clutter, clutter-gtk, mx, gobject-introspection, and gjs. The official code is in gitorious now.

How can I help? If you want to hack on The Board, grab the code, build it and run it. Play with the app and bring ideas, fix bugs, implement new features, etc. Business as usual. If you’re an interaction designer, you can help by solving some of the hard questions still needing answers in terms of usability and user experience :-) On the graphic design front, I’d really like to have better graphics for all UI elements. I have to find a nice free (as in freedom) font to use in the UI. I’m temporarily using this funny freeware font. Users can help by giving constructive feedback on how we can make The Board more interesting, useful, and exciting. In any case, contact me and we can discuss how and what to do.

So, what are the next steps? As I said before, there are tons of things to be done. Here’s what I have in mind in terms of short-term and long-term roadmap.

Come up with a simple Plugin API. By plugins I mean either the implementation of new types of things to be added to The Board’s pages or new types of background – which can contain animations and react to user events by the way. For example, a background could be a wooden table with a light switch that can be turned on and off. Or the background can change colour depending on the current time of the day.

Integration with other apps. Basically, users should be able to add new things to The Board through existing apps. For example, An Add to the Board option in Nautilus when right-clicking image, video, audio, or text files. Similar thing with apps like EOG or F-Spot – an Add image to The Board option. Integration with web browsers would be nice too: saw an interesting image on a webpage? Just add it to The Board. Or maybe add your text selection as a sticky note in The Board. Still on the app integration front, I’m doing some work to integrate a Cheese dialog into The Board so that you can add photos and videos from webcam without having to switch apps.

Online experience. This is one area that I’m still unsure how to handle. My initial idea is that you can share anything in The Board pages. From a user perspective, you would just add something to The Board and click “Share”. On the server side, I’m thinking of having a WordPress instance with a plugin to present The Board’s custom types just like you see them in your desktop. i.e. sticky notes in The Board should look exactly the same in your “Board webpage”. The advantage of implement this as a WordPress plugin is that it would be installable in a large number of personal servers from day one. Tumblr is definitely the main inspiration in terms of online experience here as it offers a rich media blogging approach.

Anyway, you probably got the idea after reading this (maybe too) long blog post. If you got excited about The Board and want to help with code, graphics, design ideas, or just simple feedback, post a comment here or contact me directly. I’ll be hacking on The Board in my spare time as usual. But things can definitely move much faster if it gets more people involved. If you’re into writing simple and beautiful software using GNOME’s latest technologies, this should be a fun project to contribute to!