Vicente Aguiar: Linux nas Eleições 2010

12 de Setembro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Uma imagem vale mais do que mil palavras: esse ano teremos uma eleição segura, em termos de processamento dos votos :-)

Linuxurna



Flamarion Jorge: Sobre traduçoes de Software Livre

11 de Setembro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Olá pessoas leitoras do meu querido Blog que anda mais desatualizado que minha tia que mora lá no interior de Minas Gerais e ainda usa máquina de escrever….
Por que resolvi falar sobre traduções de Software Livre?
Simples, por que eu gosto de traduzir software livre.
Eu pretendo falar aqui sobre dois projetos que gosto de contribuir e o que venho percebendo sobre cada um.
São eles Debian (traduzindo principalmente os po-debconf) e GNOME (Traduzindo principalmente os pacotes extras)
Debian é um processo de certa forma simples, porém falta gente.
Na verdade existe alguma dificuldade pelo fato de tudo funcionar baseado em email e subjects que devem ser bem confeccionados.
Estes subjects na verdade são chamados de pseudo-url’s, e são a base para que o processo de tradução seja registrado pelo robo e consiga ser finalizado de forma correta.
Mas, infelizmente, existem pessoas que não seguem este processo, simplesmente vão lá pegam o catalogo, traduzem, abrem o bug e ta feito a coisa, sem um controle mínimo de qualidade.
Este tipo de atitude mostra o quanto é livre traduzir softwares no Debian, porém pode causar a perda da qualidade no processo de tradução.
Em contrapartida, o processo de tradução do GNOME é mais organizado e mais burocrático, isto na minha opinião.
Porém garante a qualidade da tradução. Além de todo processo ser feito através de uma interface web o que elimina a dificuldade dos email no processo de tradução do Debian.
Vejam bem, não estou dizendo que as traduções feitas no Debian não tem qualidade, as traduções no Debian simplesmente tem mais liberdades de serem feitas, e isto PODE causar uma perda na qualidade.
E por que eu disse que os email’s geram dificuldade? Simplesmente por que muitas pessoas que fazem este trabalho não são Sysadmins, Desenvolvedores ou Nerds aficionados por computadores, são pessoas da sociedade que usam seu “Linux” e querem ve-lo em português, e o fato de isso ser feito através de uma página web no processo de tradução do GNOME facilita a vida dessas pessoas.
Voltando ao processo do GNOME, eu disse que é mais burocrático por que depende de pessoas específicas que tem papeis definidos para executarem as tarefas definidas.
Fazendo um comparativo entre os dois processos, as coisas funcionam assim:
No Debian eu traduzo e se eu quiser usar o bom senso, esperarei alguém revisar e eu mesmo vou enviar a tradução para o desenvolvedor do programa. Se eu não quiser usar o bom senso eu envio sem ninguém nem saber e esta tradução pode ser incorporada ao software.
No GNOME se eu não tiver um certo status, vou poder no máximo traduzir um catalogo de mensagens e esperar que alguém que tenha determinado “status” revise.
Não se preocupe, o GNOME é software livre sim, e apesar de a liberdade da revisão por exemplo, ser tolida!
Como disse antes a liberdade encontrada no Debian pode trazer a falta de qualidade na tradução e a liberdade comedida do GNOME traz esta qualidade, porém faz com que eu dependa da boa vontade das pessoas com status para que meu trabalho seja aprovado.
E mais, para você ser um revisor tem que ter a aprovação para subir de cargo. Estranho, este processo parece com o que eu encontro nas empresas privadas que usam modelos de desenvolvimento catedral. Enfim….
Vejam bem, não é demagogia minha por que não sou um revisor ou algo mais no GNOME, eu nunca nem quis me candidatar por não achar que tenho competência para ser revisor, apesar de fazer isso no Debian com certa qualidade.
Confesso que acho isto um pouco chato. E confesso também que hoje em dia eu me divirto mais com as traduções do Debian.
Aí alguém vai me perguntar, por que o GNOME está 100% traduzido e o Debian não?
Eu respondo: Sei lá pô!!!!!
Eu garanto que faço minha parte para os dois estarem traduzidos. Seja falando sobre o processo em eventos, seja convocando as pessoas para traduzir, revisando no Debian, traduzindo no GNOME, dando dicas para os novatos, fazendo o que eu posso.
Eu não vou colocar referencias ou links no post por que não é a intensão deste orientar alguém sobre como traduzir, isto foi simplesmente uma vontade que eu tinha de falar sobre um assunto que eu vejo que causa problemas nos processos de tradução do software livre, e o pior, afasta as pessoas de fazerem este trabalho.
Espero que em breve algo mude, principalemte no GNOME, dando mais liberdade para que as traduções sejam feitas e revisadas por mais pessoas.
E que mude no Debian para que o processo seja mais simples atraindo mais gente.
Espero não ser massacrado pelo que escrevi aqui hehheh, se for, paciência talvez eu veja algo que não estou vendo simplesmente participando do processo de tradução destes dois projetos.

Google Bookmarks Technorati Favorites Twitter Facebook Google Buzz LinkedIn FriendFeed Identi.ca Orkut Tumblr Delicious Reddit WordPress Share/Bookmark



Lucas Rocha: Gadget Names

3 de Setembro de 2010, por Desconhecido - 1Um comentário

Motherboards by maxw (CC-BY-NC-ND)

There are many things in life that we just take for granted and rarely think about. The way gadget companies name their products is one of them. I know, not an interesting topic. But I have always wondered about that since I started using my first gadgets a long time ago: video games, personal computers, VCR, cell phones, etc.

Gadget names such as Nokia 5230, TK2000, Asus Eee PC 1015PE, Canon PowerShot A110 IS, Garmin GPSMAP 62St, HP Deskjet F4580 and others really seem like they are supposed to be readable by machines, not humans. They sound too complicated, too techie, too cryptic, and even scary for people who don’t really care about technology itself. Those names are just unnatural for most of us. I know, you might argue that there’s a reason for using those weird sequences of letters and numbers. It doesn’t matter. Those names just don’t make natural sense for most people.

Some companies are doing a better job on naming their products though. Apple, for example, uses human-readable names for all their products. They even keep same name for different generations of the same product e.g. all generations of MacBook is simply called MacBook. HTC and Samsung are getting it right too with their new Android phones – Captivate, Galaxy, Desire, Hero, etc. And there are many others doing it right these days but it’s still quite common to see things like Panasonic TX-P37X20B and Toshiba HDDR320E04EL_CS, unfortunately.

So, if you’re directly involved in the decision of gadget names for your companies, please, give your next product a meaningful and human-friendly name! Let’s make the technology world a bit less scary for everyone.



Lucas Rocha: Visiting English towns

2 de Setembro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Brighton

This year, Carol and I decided to plan for some quick visits to smaller cities around London. The reason is twofold. First, we wanted to explore a bit more the country where we live. Secondly, we wanted to “practice” how it was to travel with our little daughter before our vacation in Brazil. We’ve made 1-day trips to three towns: Windsor, Cambridge, and Brighton.

Windsor. We visited Windsor in the end of 2009 when my father and his wife came to London to spend Xmas and new year with us. We went there for an obvious reason: the famous Windsor castle, one of England’s most popular places for tourists. It was a quite cold day but we managed to enjoy the sightseeing anyway. Windsor, the town, is cute and very quiet.

Cambridge. This was the first time we made a trip with Julia. Cambridge is a university-oriented town full of students all around. We took the sightseeing bus and walked around quite a bit – a very tiring experience to carry Julia in a sling during the whole time. We went to some of the Cambridge’s classic locations such as King’s College Chapel and Fitzwilliam Museum. Got a pretty good impression of Cambridge, even though it seemed a bit too crowded with students.

Brighton. That was definitely our favourite town. Brighton is on the south coast of England. The pebble beach is a nice place to relax. Brightonians seem to be easy-going people. It’s amazing how the sea affects people’s behaviour and attitude. To be honest, Carol and I even considered moving there after the visit but it would be a bit impractical to work in London and live there.

What all those towns have in common? A very obvious thing: you see more English people. It may sound weird to say that but in London you don’t really experience English culture because the city is very cosmopolitan. Even though those towns are not so far from London, it was interesting to notice that they are more homogeneously English than London. I took some photos from all three towns.

Where are we going next? We have some obvious suspects in mind: Oxford, Bath, Stonehenge, Cotswolds, and others. We’re also planning a weekend trip to Edinburgh and surrounding locations. There’s so much to see that is hard to decide! But we have no hurry and summer is almost gone now. Maybe next year, let’s see.



Jonh Wendell: GUADEC 2010

27 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Post atrasado sobre a GUADEC… mas todo mundo tá fazendo isso né? :)

Bem, eu só queria dizer que esta edição do GUADEC foi fantástica! Ótima organização, ótima localização, pessoas ótimas, tudo foi bem massa mesmo! Foi o melhor GUADEC que já fui.

Algumas notas aleatórias:

  • O torneio de futebol FreeFA foi massa. Bastien e outras pessoas reclamaram porque eu trapaceei, ficando só na “banheira” (posição de impedimento). Bom, o que importa é que fiz alguns gols e ganhamos a partida né mesmo? :D
    IMG_9067m
  • Pizza de carne crua não é uma das nossas favoritas:
  • Definitivamente hackers não sabem fazer churrasco (na verdade a gente prefere comer, não cozinhar :) )
    IMG_9220m
  • Depois que foi anunciado o adiamento do GNOME 3 para março de 2011 (sábia decisão!), decidi não lançar o Vinagre 2.32. Em vez disso, vou lançar o 3.0 beta, que usa tecnologia do GNOME 3 e vem com suporte ao protocolo RDP.
  • Ah, ele também virá com uma interface mais GNOMEzada, graças ao fantástico Vinicius Depizzol.
  • Depois da GUADEC (que aconteceu em Haia), visitei Amsterdã e Londres. Gostei da Holanda. Amsterdã é a nova Sodoma. Londres é ótima, mas bem carinha. Almoçei com Lucas lá.
  • Minha palestra sobre o GNOME Brasil rolou legal. Espero ter compartilhado minha experiência com outros grupos regionais.
  • Finalmente, meu obrigado à Fundação GNOME por patrocinar minha viagem!



Licio Fonseca: ntfs leitura e escrita nativos no Snow Leopard

25 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Se você não é usuário de mac pode parar de ler por aqui.

Você que é usuário de mac e tem Snow Leopard já deve ter se deparado com o sistema montando um disco NTFS como somente leitura.  No Leopard precisavamos de instalar o NTFS-3G, no Snow Leopard isso não é mais necessário.

O primeiro passo é abrir o terminal.

Se você não sabe o que é o terminal ou não sabe usa-lo, peça ajuda de um adulto capacitado.

Vamos renomear o script responsavel por montar os volumes ntfs:

sudo mv /sbin/mount_ntfs /sbin/mount_ntfs.orig

Agora criamos um script:

#!/bin/bash
/sbin/mount_ntfs.orig -o rw “$@”

Salve o script como /sbin/mount_ntfs

Agora alteramos as permissões:

sudo chown root:wheel /sbin/mount_ntfs
sudo chmod 755 /sbin/mount_ntfs

E voilá, você agora pode copiar seus arquivos para o seu disco externo.

Obviamente, eu gostaria muito de saber se alguem tem uma solução melhor e mais elegante ;)



Lucas Rocha: Strangeness at Home

18 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Baiana by Tiago Celestino (CC-BY-NC-ND)

So, here I am in Salvador, the city I was born in Brazil, after almost three years since my last visit. It’s an incredibly rich experience to be here after so long. I’ve been living abroad since 2006 and it’s interesting to notice how my perception of my own cultural roots have changed so much since then.

During my undergrad years, I took an anthropology course where I learnt a bunch of interesting things such as ethnography, cultural relativism, cerebral rubicon, etc. But one of the most interesting concepts I learnt was the notion of strangeness:

The art or mental trick of making a social setting and behaviour within it appear as if the observer is encountered it as a stranger. If applied to mundane ‘taken-for-granted’ events, this can lead to unusual and original insights.

Living abroad gave me a wide range of opportunities to experience strangeness. Salvador is a city where people are mostly Afro-Brazilians, relaxed, loud, informal, easy-going, welcoming, talkative, syncretically religious … you got the idea. I guess you can imagine how culturally shocking it was to move to Finland. Our move from Finland to England was much smoother of course. I’ve become much more aware of my own origins because it’s by recognizing cultural differences that you get to know your own culture more deeply.

On the flip side, the experience of living abroad for a relatively long time inevitably involves some cultural adaptation: the more you stay abroad the more you end up blending in. And now, visiting the city I was born in after so long, I’m experiencing a sort of backwards strangeness. It’s like I’m starting to perceive my own culture from an outsider perspective. Many of those things that I used to perceive as a given in terms of social behaviour, weather, accent, slang, city organization, etc, are now things that I explicitly notice. It’s a bit like being a foreigner in your own country.

The bottom line is: after almost four years living abroad, I have never been more aware of my origins and my cultural roots. On the other hand, I’m starting to feel like a stranger in my own city. I’m in a sort of cultural limbo I guess…



Djavan Fagundes: Me acompanhe no Butequeiro!

16 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários aindaComo quase todo mundo deve saber, mineiros não tem mar, então, vão para o bar! Belo Horizonte é a capital mundial dos botecos, com um (ou mais de um) em quase toda esquina. Também não é segredo para ninguém que aprecio muito parar para fazer como dizem na linguagem mineira: "Dá dois dedim de prosa".

Então decidi juntar o útil ao agradável e vou passar a blogar sobre os bares, restaurantes, butecos, bistrôs e coisa do tipo que frequento aqui em Belzonte, criando um catálogo itinerante.

A ideia nasceu há tempos, desde quando criei a mania de fotografar meus brindes, mas infelizmente por diversos fatores a ideia não saia do plano da imaginação, felizmente estou tornando-a realidade junto com a Liliane, minha grande incentivadora!

Convido todos a acompanhar lendo, assinando o feed, e divulgando para os amigos. Prometo ser divertido e dar boas dicas sobre ambiente, preço e ocasiões para visitar aqui na terra do pão-de-queijo!

Endereço: http://butequeiro.comum.org/

Comentários | Link permanente
© Djavan Fagundes, 2010.



Djavan Fagundes: Um relato mais que atrasado do FISL11

16 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários aindaOlhando as fotos que tiramos neste FISL, decidi mesmo que tardiamente fazer o meu relato de como foi o evento. Infelizmente o sono já começa a fazer o seu trabalho, então irei tentar resumir o evento pelas fotos que tirei.

Como já esperava, reencontrei muitos amigos. Felizmente consegui voltar ao bar da Tia Neuza, para a famosa capirinha, onde o Lincoln deu uma de galã e a luva/grama da Yaso causou muitos risos. O frio, este ano bem pior, tão forte que congelou carros na rua.

Eu assisti poucas palestras, mas entre as que eu gostei está a de OpenStreetMap onde o Samuel Vale (aka Phractal) e Arlindo Saraiva (aka Nighto) finalmente falaram juntos sobre o assunto.

As trollagens rolaram soltas, destaque pra Amandinha, que conquistou uma cadeira no hall da fama do trolling.

Percebi que neste FISL as discussões giraram em torno do #marcocivil e sobre a #leidireitoautoral, com discussões pra lá de interessantes.

Durante a noite, dentre os lugares que fomos, destaque para o Mr.Dam, onde fizemos história com o chapéu de Carlos Gardel. Teve a Camila e a Amandinha sendo iniciadas na arte de flambar curaçau, brincamos tanto que a garrafa secou em menos de 20 minutos, bom pra esquentar um pouco.

No evento, menos fotos e sempre boas discussões, troquei muitas ideias com o Rodrigo Padula sobre o GNOME e Fedora. Conversei com muitas outras pessoas durante o dia e durante a noite, infelizmente não daria pra listar todas aqui, mas me lembro de cada discussão. Mas alguém que eu não poderia deixar de citar é o baiano alucinado "Everybody Hates Chris?", vulgo Ratox, pois é, eu o conheci.

Parafraseando meus amigos Amandinha e Guerrinha, "fui ao FISL para ver gente e o fiz" e a impressão que tenho cada vez mais é as palestras são o bônus do evento, e não o contrário.

Comentários | Link permanente
© Djavan Fagundes, 2010.



Gustavo Noronha (kov): O pior cego é aquele que não quer ver

16 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Cegueira ideológica e Tribalismo

Muita gente repete que o pior cego é o que não quer ver, mas muito pouca gente me parece refletir a respeito do que isso quer de fato dizer. O Mark Shuttleworth fez há pouco tempo um post em seu blog que eu acho que vai no ponto exato da questão quando fala de algo que ele chama de “tribalismo“.

Eu tenho chamado esse comportamento de “cegueira ideológica”, mas acho que vou adotar o termo dele, que é bem mais simples e acho que bem mais correto, porque não se trata apenas de ideologia! Ele fala de 2 tipos de argumento que aparecem muito nos discursos tribalizados: “o outro pessoal nunca fez nada” (muito comum nas campanhas políticas, inclusive) e “evidência que contraria minha crença/visão não conta”.

Esse tipo de comportamento tribal aparece nas mais diversas áreas da nossa vida. Torcedores de futebol, defensores de uma determinada tecnologia ou ideia, militantes de um partido (ou, no Brasil, indivíduo!). Recentemente várias coisas interessantes aconteceram que me fizeram pensar mais e mais nesse tipo de comportamento.

O mais recente foi o processo movido pela Oracle contra o Google por violação de patentes relacionadas ao Java no Android. Não é segredo pra ninguém que eu não gosto de Java. Esse meu desgosto pela tecnologia é multi-facetado: eu não gosto da sintaxe, acho que tecnologias Java costumam complicar muito mais do que o necessário e pra piorar toda a situação nós não tínhamos uma implementação livre. Meus problemas com a tecnologia foram diminuindo com o tempo em razão de vários progressos que foram feitos - VMs livres começaram a aparecer, a própria Sun liberou as partes que podia da sua VM e por aí vai. Gostando ou não, eu acho importante que Java seja uma das ferramentas disponíveis para a realização da liberdade de software e vejo na ação da Oracle uma grande ameaça que precisa ser rechaçada.

O Java é Livre! Oh really?

Muitos anos atrás, no entanto, era comum encontrar gente que se dizia defensora de Software Livre advogando uso de Java - numa época em que nós sequer tínhamos uma implementação livre da VM e das bibliotecas básicas. Um dos principais argumentos era que a especificação era aberta e construída de forma aberta, também. Eu acho ambas as afirmações muito discutíveis, mas como elas são irrelevantes para a discussão atual não vou aprofundar agora.

Com o surgimento do .NET, seguido do Mono, uma alternativa viável ao Java como linguagem de alto nível baseada em uma VM poderosa começou a se desenhar - e com uma implementação livre! Aplicações úteis e interessantes começaram a aparecer no desktop livre, coisa que nunca houve com Java. Não demorou quase nada para esses defensores de Java caírem de pau no Mono, é claro - .NET é uma tecnologia da Microsoft, recheada de patentes, certamente, diziam. A Microsoft vai querer destruir a comunidade de SL na primeira oportunidade - assim que dependêssemos o suficiente do Mono. Eles não estavam errados, note, eles estavam muito certos e embora os riscos tenham sido diminuídos com o tempo por várias razões eles ainda são bem reais! Mas os mesmos riscos que eles viam no Mono também existiam para o Java, sempre existiram, mas eles se negavam a ver ou concordar. “A Sun é muito mais comprometida com a liberdade que a Microsoft” diziam eles. Yeah, sure.

Eu não estou argumentando que eles deviam deixar Java de lado, note bem. Eu acho que eles deviam sim, como fizeram, ter lutado para que Java fosse mais uma opção para nossa comunidade criar e exercer suas liberdades. Eu respeitaria qualquer um que dissesse “Sim, eu reconheço e assumo os riscos. Se um dia chegar a esse pior caso eu vou lutar para defender nossa liberdade frente às patentes”. Agora, 6-10 anos depois, chegou a hora da tribo do Java rever os seus conceitos e de nós todos, como comunidade, ajudarmos na defesa do Google!

E não para por aí, infelizmente.

O tribalismo não para por aí, infelizmente. É comum encontrar diversos casos em que as pessoas propagam informações a favor do que defende sem verificar (se é a favor tem que estar certo, né?) e de achar cabelo em ovo nas informações que são contra seus defendidos ou a favor dos seus “inimigos” (da época). Isso aconteceu no caso em que se divulgou por exemplo que o Windows 7 usava código do Linux, quando na verdade uma ferramenta secundária que sequer é distribuída junto com o Windows 7 usava código GPL de uma outra ferramenta publicada no Codeplex da Microsoft, que não tinha nada a ver com o Linux.

Isso também acontece sempre nas campanhas políticas, é claro e eu não paro de rir de gente fazendo defesas absurdas e fazendo a caveira dos inimigos de ocasião. Isso acaba por fazer que os debates sobre o que as pessoas defendem de fato fiquem em segundo plano, substituídos por etiquetas simplistas e simplificadoras e por discursos populistas de todos os lados.

Outro alvo recente de tribalismo é o Google. Nosso aliado em várias frentes é inegável que o Google também tem várias atitudes que ferem a sua promessa de não ser “evil”. Apesar disso, há aqueles que fazem uma defesa quase incondicional do Google, assim como há aqueles que só fazem a caveira.

É preciso ver que, como qualquer organização grande o Google tem várias forças puxando para lados distintos. De um lado, um grande usuário de tecnologias livres, um grande desenvolvedor de softwares livres, com contribuições de vulto tanto em projetos novos como em projetos existentes, um garoto propaganda da liberdade e abertura na web, inclusive com enormes contribuições para esse objetivo. De outro lado, falta de sensibilidade no tratamento da privacidade de seus usuários, mudanças de posição inesperadas com relação à política de neutralidade da rede, discriminação de minorias, síndrome do “Not Invented Here”, com projetos novos sendo criados ao invés de colaborar com já existentes e por aí vai. É importante reconhecer e tratar cada uma dessas facetas de forma separada, sem fazer defesas ou caveiras incondicionalmente.

Veja também

Alguns outros posts interessantes sobre o assunto Oracle vs Google: