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Rafael Evangelista

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Noosfero, a rede social para uma internet livre

22 de Julho de 2010, 0:00 , por Desconhecido - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Noosfero logoQue tal ter um Facebook ou um Orkut só pra você, tendo controle total dos dados que são trocados e garantindo a privacidade dos usuários? Sua empresa ou sua ONG trocando informações tendo assegurado o sigilo e podendo fazer buscas que mostram de que os usuários mais gostam, quais suas preferências ou afinidades? Isso é possível com o Noosfero, rede social utilizada pelo Fórum Internacional de Software Livre e desenvolvido pela cooperativa Colivre. Como o Noosfero é livre, qualquer um pode baixar e instalar onde quiser, montando uma rede social particular, mas aberta à interação com outros sistemas.

Segundo Vicente Aguiar, gestor de projetos da Colivre, a concepção do Noosfero veio de uma perspectiva política, em que é importante manter a internet livre. “As soluções proprietárias em rede social, como Facebook e Orkut, ao se disseminarem, obstaculizam o avanço e a manutenção de uma  internet livre. O projeto dessas empresas não é que você acesse à internet em sua diversidade, mas se concentre nas soluções proprietárias, que se navegue nos ambientes dessas empresas. É um projeto de expansão monopolista da internet. 'Use Facebook, use Google', é o conceito de software proprietário aplicado à internet.”

Para os movimentos sociais, em particular, isso seria particularmente mais nocivo. “Você não sabe como esses sistemas sociais são feitos, se os dados são rastreados ou não, quem está ganhando dinheiro em cima do conhecimento de suas preferências.” Ele enfatiza também as vantagens para os usuários comuns: “Você não é submetido àquelas propagandas indesejáveis”. Um governo poderia usar os dados para melhorar as políticas públicas.

A demanda para o desenvolvimento do Noosfero veio justamente do contato com o movimento de economia solidária. O objetivo foi melhorar o contato entre os empreendimentos, de forma que fosse aumentado o conhecimento mútuo. No site Cirandas.net, foi criada uma vitrine digital para diversas iniciativas, e no futuro o objetivo é fazer com que a prestação de serviços também seja integrada. “Assim, um pequeno produtor que recebe uma encomenda grande pode contatar outros pequenos produtores, atender a essa encomenda coletivamente e eliminar o atravessador”, explica Aguiar.

O Noosfero teve seu desenvolvimento inicial bancado pelo Ministério do Trabalho e pela fundação suíça Ynternet.org. O código está disponível pela Affero GPL, uma licença livre mais adequada a projetos web. O programa pode ser baixado, utilizado e modificado por qualquer um, mas todas as melhorias também devem ser disponibilizadas para a comunidade. Pela licença mais tradicional do software livre, a GPL 2, as melhorias, se implementadas em projetos web, não necessariamente precisam ser compartilhadas. “Com a Affero, garantimos que todos que façam melhorias no código e coloquem estas na web, ofereçam essa retribuição ao projeto todo”, diz Aguiar. Além de estar disponível em português e inglês, o software está traduzido para o alemão, francês, russo e espanhol, traduções feitas de modo colaborativo e oferecidas pela comunidade.

Por ser software livre, o Noosfero garante as vantagens de integração com o ecossistema do software livre. Atualmente, os desenvolvedores trabalham na integração com outros softwares livres de mídias sociais, como identi.ca (serviço similar ao Twitter) e Diaspora. A ideia é permitir uma integração plena, assim como diferentes redes sociais do Noosfero podem se comunicar.

Mas se qualquer um pode instalar o Noosfero, como ganha a Colivre? Aguiar explica a visão da cooperativa, que pensa o mercado de software livre como “infinito”, sempre a demandar soluções. Cada vez que alguém instala o Noosfero surgem novas necessidades, mais gente usando significa  carência por mais soluções. E esse trabalho pode ser feito pela Colivre ou por qualquer outra empresa.


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