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O que falta para a música brasileira conquistar o mundo?

24 de Março de 2010, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Nos últimos anos, as mudanças ocorridas no âmbito da música popular brasileira têm uma dimensão ainda não suficientemente aquilatada.

Essa é a principal conclusão do programa “Brasilianas.org”, gravado esta semana para discutir a economia da música.

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Antes as “majors” – grandes gravadoras internacionais – dominavam o circuito de gravações (com seus estúdios), do mercado interno (com os “jabás” para as rádios e contatos com o jornalismo cultural) e o circuito internacional (através de relações com outros países, com eventos musicais e com circuito de shows).

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Essa cadeia foi quebrada com o advento da música digital e as facilidades de gravação, levantando o véu que impedia o florescimento de uma nova geração de músicos.

O próprio sistema de “jabás” (pagamento por fora para as rádios tocarem apenas músicas previamente definidas acabou restringindo violentamente o cardápio de gêneros explorados pelas “majors”.

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O segundo elo a ser quebrado foi o da divulgação, à medida que a Internet ia se consolidando como um veículo alternativo – embora ainda não tenha a abrangência dos rádios.

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O terceiro elo a ser quebrado é o de circuitos internacionais. Antes, poucos eram os empresários capazes de organizar uma turnê internacional para um artista. Com a formação de redes de relacionamento especializadas, surgiu uma nova geração de jovens empresários em outros países, que passaram a solicitar artistas brasileiros. Ainda é um movimento pequeno, não sistematizado, mas que está criando massa crítica para ações públicas mais articuladas.

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Somado à questão do direito autoral, dos downloads de música, desenhou-se uma nova realidade não apenas para a música alternativa como para as próprias “majors”.

A primeira mudança é o fim dos grandes popstars. O circuito de shows tornou-se extraordinariamente oneroso, exigindo massas cada vez maiores de públicos. A multiplicidade de novos talentos, as novas formas de formação de imagens de artistas faz com que, em vez de um mercado concentrado em grandes estrelas tenha-se o mesmo mercado dividido por uma legião de artistas médios.

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Todo esse estoque de novas armas, de guerrilhas internéticas, de identificação de novos segmentos será utilizado não apenas pela música alternativa como também pela “majors”.

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E aí se entra nas estratégias de internacionalização da música popular brasileira. Ainda hoje, os ecos internacionais da música brasileira repousam em Carmen Miranda (pegando os mais antigos), na bossa nova e na geração dos popstars que hoje em dia estão com mais de 60 anos – Caetano, Gil, Milton, João Bosco, Djavan, Chico.

Não há uma “marca Brasil” nova para facilitar a abertura de novos mercados para a nova geração. Aliás, marca existe, mas ainda não se transformou em política estratégica.

Hoje em dia, a juventude mundial compartilha um conjunto de valores – meio ambiente, afetividade, sensualidade, musicalidade – que é a própria cara do Brasil.

Falta apenas uma ação concatenada para que esses valores ajudem a música brasileira a conquistar o mundo.

 

Blog do Nassif


Tags deste artigo: musica brasileira economia brasilianas.org internet

44 comentários

  • 62cc8cd86a78844e062f68d78c0853b7?only path=false&size=50&d=404MdC Suingue(usuário não autenticado)
    26 de Março de 2010, 14:50

    A Opinião do Caipirinha Appreciation Society - www.CAS.podomatic.com

    (PUBLICADA NOS COMENTÁRIOS DO ARTIGO ORIGINAL)

    Discordo com a avaliação de considerar que “A primeira mudança é o fim dos grandes popstars.”
    .
    Os grandes popstars vão estar aí por longo tempo, a indústria vai continuar investindo suas fichas e jabás em um número limitado de artistas, obedecendo a velha fórmula de investir pouco e lucrar muito.
    A diferença é que ao invés deles venderem 1 milhão de discos, eles vão vender 500.000, o que ainda vai ser muito mais do que os outros artistas, que vão partilhar a diferença entre milhares de ‘alternativos’ – no sentido real de alternativa, agora acessível através das novas mídias.
    .
    Muitos artistas que são hoje em dia considerados ‘médios’ dentro da antiga lógica da indústria do disco correm o risco perder espaço para os que estão chegando através das novas mídias, se não repensarem suas carreiras e continuarem atrelados à esta lógica ultrapassada.
    .
    Quanto à questão dos shows, os grandes artistas ainda vão imperar, do momento que a máquina dos incentivos fiscai beneficia majoritariamente à eles, financiando seus shows superfaturados e com preços extorsivos.
    Nesse caso, de novo os artistas médios são os sacrificados, já que uma reclamação constante dos músicos com quem tenho contato é a carência de casas de show de tamanho médio.


  • 62cc8cd86a78844e062f68d78c0853b7?only path=false&size=50&d=404MdC Suingue(usuário não autenticado)
    26 de Março de 2010, 14:53

    A Opinião do Caipirinha Appreciation Society 2 - www.CAS.podomatic.com

    (PUBLICADA NOS COMENTÁRIOS DO ARTIGO ORIGINAL)

    Que loucura, quando colocou-se no título a palavra ECONOMIA alguns pensam logo em meios de repetir dentro do universo das novas mídias os erros cometidos pela indústria fonográfica, que tanto mal fez à nossa cultura nos últimos anos.
    .
    Em um mundo globalizado e interconectado, criar estratégias para massificar artistas A ou B, estilos X ou y ou canalizar toda a oferta em um único site com um único ‘dono’, não beneficia em nada a música brasileira, cuja maior qualidade é a riqueza e a diversidade.
    .
    O mercado consumidor foi pulverizado em um leque quase infinito de opções. O nome do jogo agora é FRAGMENTAÇÃO.
    .
    Quem sabe essa não é a hora de se pensar em estratégias para preencher esses nichos emergentes com a diversidade da cultura brasileira?
    .
    Quem sabe essa não é a hora de se deixar as estratégias e políticas de macro investimentos no mercado de massas e partir para o micro investimento na formação de novos mercados diversificados?


  • 62cc8cd86a78844e062f68d78c0853b7?only path=false&size=50&d=404MdC Suingue(usuário não autenticado)
    26 de Março de 2010, 14:56

    A Opinião do Caipirinha Appreciation Society 3 - www.CAS.podomatic.com

    (PUBLICADA NOS COMENTÁRIOS DO ARTIGO ORIGINAL)

    Não podemos confundir a ‘Marca Brasil’ com nacionalismo exacerbado e muito menos colocar tudo na música brasileira no mesmo saco, pois no final das contas não é tudo a mesma coisa.
    .
    Melhor do que colocar tudo na prateleirinha ‘Brasil’ e pensar que as pessoas lá fora vão comprar gato por lebre e bossa nova por maracatu, é trabalhar no sentido de colocar cada aspecto de nossa diversidade em um contexto que seja bem entendido por quem está procurando aquele tipo de música específica.
    .
    Ivete Sangalo não é Sergio Mendes que não é Bonde do Rolê que não é Curumim que não é Paulinho da Viola que não é Zabé da Loca que não é João do Morro que não é Tom Zé que não é Yamandu Costa que não é o Zé Coco do Riachão que não é Mr Catra que não é Ivete Sangalo.
    .
    Para aprender a lidar com esta nova realidade que está à nossa frente, precisamos entender os anseios e expectativas de cada nicho e saber que estamos não estamos mais lidando com um público muar. Estamos lidando com pessoas que sabem o que querem e tem nas mãos os meios e ferramentas para encontrar.


  • 62cc8cd86a78844e062f68d78c0853b7?only path=false&size=50&d=404MdC Suingue(usuário não autenticado)
    27 de Março de 2010, 3:06

    SOCORRO MODERAÇÃO!

    Cada vez que dou um refresh para ver se há resposta no site aparece mais uma repetição do comentário 3.
    Desculpe!


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