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Comunidades: poderosa força de colaboração e compartilhamento

13 de Agosto de 2009, 0:00 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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SadySady Jacques fala à Newsletter Consegi 2009 sobre a importância das comunidades para o sucesso e permanência do movimento software livre e do desenvolvimento de plataformas com código aberto.

Sady é assessor da Diretoria do Serpro, já foi coordenador da Associação de Software Livre - ASL e, atualmente, é considerado o embaixador do FISL. Com muitos anos de trabalho na área de tecnologias livres, Sady compõe uma importante lista de ativistas do movimento software livre. Continua.

O que define uma comunidade? Qual sua importância para o desenvolvimento do conhecimento?
No mundo do software livre, ou do desenvolvimento de código aberto, uma comunidade constitui-se de um conjunto aberto e variável de pessoas interessadas no desenvolvimento e difusão de algum sistema, aplicativo ou serviço de software. Estas pessoas assumem as responsabilidades de desenvolver, traduzir, testar, divulgar, documentar, ou qualquer outra ação ou iniciativa que promova o objetode seu interesse.
As comunidades são fundamentais para o desenvolvimento do conhecimento, pois são elas que suportam a evolução colaborativa e compartilhada de boa parte dos softwares livres e de código aberto no mundo. Através dessas práticas, o conhecimento circula, é colocado à prova, evolui e se amplia, gerando mais conhecimento e mais resultados aplicados na construção das ferramentas de software.
Como elas são fortemente animadas por interesses específicos (preferências por determinadas tecnologias, linguagens ou áreas do saber humano), elas acabam se constituindo em uma garantia de permanência da ferramenta ou serviço, para além dos interesses econômicos ou comerciais eventualmente envolvidos, os quais muitas vezes acabam, à revelia do desejo da comunidade e seus usuários.

As comunidades podem ser consideradas a base de sustentação do software livre? Por quê?
Sim, pela poderosa força dacolaboração e do compartilhamento, capazes de arregimentar milhares de voluntários ao redor do mundo todo, empenhados na manutenção e aprimoramento de produtos de software. Este verdadeiro exército, organizado através da rede mundial de computadores e operando no mundo todo durante as 24 horas do dia, é capaz de uma produção superior às maiores empresas desenvolvedoras de software reunidas.

Quais as comunidades de software livre mais importantes no Brasil? E no mundo?

Não seria justo dizer que há comunidades "mais importantes", porque neste ecossistema todas elas desempenham um papel fundamental desenvolvendo alguma parte do conjunto de ferramentas, que funcionam na maioria das vezes de forma articulada ou integrada. Mas, há comunidades que se destacam por serem numerosas, como a do BrOffice, ou do Ubuntu. Outras por serem "ativistas", como a do Java e do PostgreSQL e outras, ainda, pela qualidade e rigor do processo que desenvolvem, como a Debian e a Slackware.

Como manter as comunidades, já que elas possuem um papel importante para o conhecimento livre, mas são, muitas vezes, iniciativas voluntárias?
Muitas empresas tem percebido a importância de adotar um novo modelo de negócio, baseado fortemente na prestação de serviços, ao invés da venda de produtos. Graças a isso, várias delas tem destinado recursos para o apoio a comunidades, através de ações específicas em ferramentas de interesse. Algumas fundações também foram criadas para viabilizar projetos de longo curso e, por último, as doações de pessoas físicas crescem a cada dia, motivados pela simpatia ao modelo e aos resultados.

Quais os benefícios que o desenvolvimento comunitário pode trazer ao governo eletrônico?
O governo eletrônico está centrado em relações com o cidadão, suportadas por serviços e aplicações essenciais ou não, antigas ou novas, mas agora disponíveis através da internet. A agilidade no trato da TI é fundamental para manter e desenvolver esses relacionamentos do governo com a sociedade e a ação articulada e articuladora pode ser decisiva para obtermos isso. Este sentido comunitário, inclusive, deve ser desenvolvido dentro das próprias estruturas públicas, as quais podem compartilhar soluções, serviços, desenvolvimento e suporte, através da construção de uma grande rede pública operando com sinergia para o aumento da eficiência e da eficácia do atendimento.

Qual a importância do governo manter comunidades internas (produtos próprios) e externas (produtos de mercado)?

Na realidade, não há produtos "próprios" ou "de mercado", quando falamos de software livre, mas produtos "de toda a sociedade". Por esta razão, é de suma importância e absolutamente coerente o governo destinar "recursos públicos" para o desenvolvimento de "produtos públicos", sejam eles desenvolvidos pelo governo, sejam eles desenvolvidos pelas comunidades, ou ainda, por ações consorciadas ou compartilhadas entre ambos.

Qual o futuro das comunidades com o aumento da sociedade em rede?
As comunidade devem crescer em número de integrantes, além disso, teremos mais comunidades, com mais complexidade e especialidade, à medida que aumenta o uso de ferramentas livres e, portanto, a demanda por software livre no país e no mundo. Também devem aumentar por conta dos investimentos das empresas neste modelo de desenvolvimento. É um futuro bastante promissor, onde aqueles que estiverem envolvidos e atuantes terão ótimas oportunidades e expectativas.

Como será o trabalho, durante o Consegi 2009, com as comunidades?
Buscará a ampliação do diálogo, a partir da troca de informações e conhecimentos, apresentação de demandas de ambos os lados, discussão de novas formas para o fortalecimento de parcerias, buscando maior integração e trabalho articulado, com o propósito de animar ainda mais o ecossistema do software livre brasileiro, em função da maior distribuição de renda, economia com "royalties" e promoção da inteligência local que esse modelo representa para o país.

Fonte: Newsletter Consegi 2009


Tags deste artigo: sady jacques consegi comunidade software livre

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