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Mídia Alternativa 02

13 de Agosto de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Um pouco de História

O entendimento do que seja uma mídia alternativa, no Brasil, está impregnado de historicidades das práticas do que se chamou, no passado recente, de “resistências à ditadura”. Em geral, referindo-se a jornais que tiveram atuação destacada na vida política brasileira durante os “anos de chumbo”. Daí, a conceituação do que seja uma mídia alternativa ainda remeter ao passado das lutas políticas de resistência à ditadura militar-burguesa, implantada com o golpe de 1964.

A censura à informação e à livre comunicação, isto é, a censura à imprensa, é sempre, em qualquer época, um caldeirão de revoltas onde se geram e procriam alternativas para expressar e exprimir outras vozes, abordagens propositalmente diferentes do “senso comum” divulgado pelo jornal nacional da emissora de maior audiência, ou de suas congêneres e afiliadas. Junto com estas memórias da resistência, estão as práticas jornalísticas que possibilitaram vastas camadas sociais manterem-se minimamente informadas, mesmo que mediante a opressão política e militar do extremado regime burguês. Jornalismo este que, de formas diferenciadas, informa e ocupa cada vez mais espaço no cotidiano das sociedades, isto é, no dia-a-dia das pessoas e das cidades.

Como em praticamente todas as nações, também na história do Brasil o jornal ocupa, desde o berço nacional, papel de ferramenta e instrumento político e social dos grupos descontentes ou excluídos.

Como exposto em trabalho anterior1, já em 1822 tínhamos, no país, jornais que se poderia considerar como “alternativos”, pois bem diferenciados em tom e proposição das vozes dominantes na Corte em formação. Eram jornais confessadamente “republicanos e libertários” (Leite, 2000), perante uma ampla corrente monárquica e elitista, que se queria constitucionalista, mas que ainda era bastante absolutista e autoritária, tal era a concentração de poder na figura do príncipe-regente e, depois, imperador. São desta época o Correio do Rio de Janeiro, que começou a circular em abril de 1822, e, no rastro dele, outros dois: Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, de Cipriano Barata; e depois o Typhis Pernambucano, de Frei Caneca.

Cipriano é quem levaria o jornal dele até mais tarde, mesmo com periodicidade esporádica. Isto porque a última edição do Correio foi em novembro de 1823, logo após o fechamento da primeira Constituinte; e a do Typhis, em 1824. Frei Caneca rezou a missa de corpo presente do editor do Correio, João Soares Lisboa, morto em tiroteio entre os rebeldes da Confederação do Equador e as forças legalistas de Pedro I e José Bonifácio. Logo depois o frade foi fuzilado, em janeiro de 1825, no Recife, após o carrasco recusar-se a enforcar um religioso.

Já Cipriano, após dez anos na prisão de Pedro I ele conseguiu a liberdade depois de o “primeiro imperador” ser praticamente expulso do Brasil, em abril 1831, quando abdicou ao trono e se instituiu o regime da Regência, no país. Este regime resistiria até a antecipação da maioridade de Pedro II ser promulgada, medida tomada de emergência para dar fim à grave crise política e institucional. Com a ascensão ao “trono” do “novo imperador”, o país “estava a salvo”. Décadas depois, a luta contra a escravidão levaria a uma nova “onda” de publicações dissonantes, isto é, “alternativas” às vozes dominantes, especialmente, no último terço do século. No período da Abolição, há o registro de diversas publicações franca e ostensivamente abolicionistas, algumas, inclusive, retomando o caráter das lutas republicanas.

Por Nilo Sergio S. Gomes, jornalista, pesquisador, professor, doutorando da Escola de Comunicação da UFRJ.


Tags deste artigo: nilo sergio s. gomes mídia alternativa

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