Eu não preciso ler jornais; mentir sozinho eu sou capaz


Lobo Antunes, sobre a vida

November 23, 2010, by Murilo Machado - No comments yet

Foto: Wikipédia

Lobo Antunes, médico psiquiatra e escritor português, foi-nos enfiado goela abaixo pelo melhor professor de técnicas de redação de quem qualquer um de nós poderia dispor em vida. Disse ainda ele, o professor, que não se tratava de uma literatura mais de cunho político e mais ingênua, tal como a de Saramago. Resultado: não engoli.

Sessenta páginas depois, vejo que, felizmente, a pena do velho Lobo satisfaz aos leitores mais exigentes, muito embora esteja ela alguns muitos degraus abaixo do inimitável e inatingível José de Sousa Saramago.

O trecho abaixo é d'Os cus de Judas, escrito em 1979:

"De facto, e consoante as professias da família, tornara-me um homem: uma espécie de avidez triste e cínica, feita de desesperança cúpida, de egoísmo, e da pressa de me esconder de mim próprio, tinha substituído para sempre o frágil prazer da alegria infantil, do riso sem reservas nem subentendidos, embalsamado de pureza, e que me parece escutar, sabe?, de tempos a tempos, à noite, ao voltar para casa, numa rua deserta, ecoando nas minhas costas uma cascata de troça"

ANTUNES, António Lobo. Os cus de Judas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003. p. 33.



Software livre deve gerar economia de R$ 500 milhões ao país

November 11, 2010, by Murilo Machado - No comments yet

Da Agência Brasil

A utilização do software livre (programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído sem nenhuma restrição) por empresas do governo federal deve gerar até o fim deste ano uma economia aos cofres públicos de R$ 500 milhões.

“São recursos que deixaram de ser gastos em compra de licenças de softwares proprietários desde a adoção do programa em 2003”, disse à Agência Brasil Djalma Valois, assessor da diretoria do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) da Casa Civil da Presidência da República.

Ele adiantou que, em janeiro do próximo ano, o governo vai realizar um novo levantamento para atualizar o total economizado, mas acredita que será muito próximo ao valor projetado.

Durante a sétima edição da Conferência Latino-Americana de Software Livre – Latinoware 2010 –, que reúne, em Foz do Iguaçu, cerca de 2,3 mil participantes, será apresentada uma das iniciativas do governo no setor: os cursos realizados pelo Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento (CDTC), do ITI, que oferecem quase 400 mil vagas para empresas.

“Atualmente, estão matriculados 77.247 alunos de 8.475 empresas, de 2.340 municípios brasileiros”, informou Valois. Segundo o assessor, na conferência será mostrado o processo de formação do CDTC e os atuais acordos com países da America Latina que têm como objetivo repassar a experiência do Brasil para os demais países do Mercosul.



10 razões pelas quais código livre é bom para os negócios

November 10, 2010, by Murilo Machado - No comments yet

Da Computerworld

Com tantas empresas e órgãos governamentais aumentando o uso de softwares open source, como o Linux, fica cada vez mais claro que o preço não é a única vantagem. Se fosse, as empresas que adotaram ferramentas abertas durante o pior da recessão já teriam retornado para soluções proprietárias agora que a economia está melhor. E esse não é o caso.

Os negócios que se viram empurrados para ferramentas de código livre após sofrerem com restrições de orçamento logo identificaram outras vantagens, observadas na lista a seguir.

1 – Segurança
É difícil pensar em um argumento melhor do que a superioridade das ferramentas de código aberto em termos de segurança. Recentemente, descobriu-se uma brecha no kernel do Android que poderia trazer riscos. Mas a única razão pela qual a falha foi descoberta é porque o código é aberto ao público.

Essa, aliás, é a filosofia de Linus Torvalds, criador do Linux: quanto mais olhos, mais as chances dos bugs serem identificados antes de causar incômodo. E é um argumento bem oposto à segurança pela obscuridade, usado por algum dos fabricantes de softwares proprietários caros como argumento para a estrutura fechada. Mas a falta de notificações de falhas de segurança no sistema do iPhone e do iPad ou no Windows significam que esses sistemas são mais seguros? A história prova que não.

2 - Qualidade
O que é melhor? Um software empacotado por um grupo pequeno de profissionais ou um software em criação constante por milhares de desenvolvedores? Assim como há milhares zelando pela segurança do código aberto, muitos outros estão pensando o tempo todo em inovar e melhorar os recursos.

O que isso significa? O código aberto também é feito por usuários, o que o torna mais próximo do que os usuários querem. E isso já foi provadio em estudos recentes, que demonstraram que a suposta superioridade é a razão principal pela qual empresas escolhem o código aberto.

3 – Personalização
Ter um software que pode ser alterado e customizado de acordo com o gosto da empresa, sem precisar esperar avanços por parte do fabricante, é também uma das maiores vantagens. Um desenvolvedor competente adiciona funcionalidades como quem altera palavras em um texto do Word.

4 – Liberdade
Quando os negócios se voltam ao código aberto, as empresas ficam livres da ameaça de ser aprisionada dentro de pacotes proprietários engessados. Clientes de fornecedores como esses ficam a mercê da visão, requisitos, preços, prioridades e limites impostos pelo fornecedor. E tudo isso com uma conta no final do mês ou do ano.

5 – Flexibilidade
Quando a empresa usa softwares como Windows ou Office, entra em um ciclo no qual precisa atualizar software e hardware infinitamente. O código livre, por outro lado, usa muito menos recursos da máquina e pode ser rodado até mesmo em hardwares mais lentos. A empresa decide a hora de atualizar, não o fornecedor.

6 - Interoperabilidade
Software livre é muito melhor na aderência a padrões abertos e até mesmo a ferramentas proprietárias. Se a interoperabilidade for necessária com outras empresas, computadores e usuários, a vida fica muito mais fácil com o código aberto.

7 – Auditoria
Com o sistema fechado, você só tem a palavra do vendedor para provar que o software é de fato seguro e aderente a padrões. O código aberto oferece visibilidade para o cliente, que pode ter mais certeza sobre o que está rodando em casa.

8 – Opções de suporte
Software de código aberto possui comunidades com extensas documentações, fóruns de discussões, listas, wikis, grupos de notícias e, dependendo de quem fornece a distribuição, até mesmo suporte ao vivo via chat gratuito.

Para os negócios que querem melhoria, há muitas opções pagas de suporte com preços bem menores do que os fornecedores proprietários cobram. Os fornecedores de suporte para ferramentas abertas costumam dar respostas melhores e mais rápidas, pois têm sua receita focada nesse serviço.

9 – Custo
O custo de comprar uma solução proprietária é muito difícil de ser medido, pois tem a proteção por vírus obrigatória, taxas de suporte, despesas de atualização e ainda o preço a ser pago por ser aprisionado em alguma solução. No final, o custo é muito maior do que a companhia imaginava inicialmente.

10 – É possível experimentar antes de usar

Se você está considerando usar o software de código aberto, não custará nada realizar testes de qualidade antes de usá-lo. Em parte porque é gratuito mesmo. E em parte porque o código aberto oferece muito mais opções para quem quiser testar, como a possibilidade de criar Live CDs para Linux, por exemplo.

Nota do blogueiro: desconsidere o parágrafo abaixo...

Conclusão
Mesmo com todos esses argumentos, só a própria empresa será capaz de realizar uma análise profunda para verificar se o software livre é uma boa opção. Além disso, pode ser que o código aberto não seja a solução para todas as necessidades da empresa. Mas, diante de todos os benefícios, é necessário ao menos considerá-lo entre as opções.



Moralmente indefensável

November 7, 2010, by Murilo Machado - One comment

Os jornalistas, na maioria, não somos bandidos ou hipócritas. A despeito disso, é muito importante que saibamos que nossa atividade é, sem dúvida alguma, moralmente indefensável.

A frase abaixo foi extraída do primeiro parágrafo do livro O jornalista e o assassino, publicado por Janet Malcom na década passada. Faz sentido?

"Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável"

MALCOM, Janet. O jornalista e o assassino: uma questão de ética. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 11.

 



48 Horas Democracia: uma transmissão inovadora

October 2, 2010, by Murilo Machado - No comments yet



Desde hoje (2/10) pela manhã, está no ar um site que promete revolucionar a cobertura jornalística das eleições 2010.

O 48 Horas Democracia -- iniciativa da Revista Fórum, da Flimultimídia, de Sergio Amadeu e Rodrigo Savazoni -- fará uma cobertura completa e colaborativa das eleições, levando informações qualificadas a quem quiser se informar sem correr o grande risco de ser enganado.

Pois então, a cobertura já está rolando e qualquer um pode enviar informações a quem estiver de plantão por lá. Agora é hora de participar desta brilhante iniciativa e divulgar o site. Pelo twitter, vamos com a hashtag #48hvotobr.

Acompanhe ao vivo:

Do Blog do Rovai:

A internet tem cumprido um papel fundamental no processo eleitoral brasileiro.

O esperado “efeito obama”, de produzir uma campanha pela rede que substituísse todas as outras mídias, não ocorreu. Mas foi por meio da blogosfera, do Twitter, das redes sociais, que muita gente teve acesso à verdade, principalmente se levarmos em consideração a oposição que os maiores veículos de comunicação do país têm feito às candidaturas que não se identificam com o seus projetos.

Queremos que continue assim. Por isso, nesta reta final, reunimos um grupo de jornalistas, ativistas e blogueiros para produzir uma cobertura cidadã das eleições.

Montamos um estúdio na sede da Revista Fórum e iremos transmitir sábado e domingo, em tempo integral, debates, conversas, análises e informações produzidas pela rede, de forma colaborativa.

Usaremos esse poderoso instrumento de comunicação descentralizado para ofertar aos cidadãos uma alternativa em relação aos grandes meios. Com isso, a verdade pode mais uma vez prevalecer.

Queremos também ser um ponto-de-encontro virtual e presencial para as pessoas que têm o que dizer e que são a grande maioria deste país.

Vamos exercitar a democracia e a liberdade de expressão que vigora hoje no Brasil como em nenhum outro momento de nossa história.

Junte-se a nós, de várias maneiras.

Ligue para a gente pelo Skype: Quarentaeoitohoras_Democracia

Qualquer dúvida e sugestão, escreva para 48horasdemocracia@gmail.com

Nas redes sociais, adote a #hashtag: #48hvotobr
Altamiro Borges, Renato Rovai, Rodrigo Savazoni e Sergio Amadeu