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Sobre Movimento Software Livre

1 de Agosto de 2009, 0:00 , por Desconhecido - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Este artigo foi publicado na revista Escrita nº 7 da Associação Guatá de Fóz do Iguaçú.

 

O Objetivo é o Subjetivo

 

por Alissa Gottfried

 

O limite entre o que somos, o que queremos ser e o que querem que sejamos se configura com um mecanismo das relações de poder.”

 

Trecho do texto de Tininha Llanos Artistas e piratas, hackers e cidadãos comuns, cientistas e imperadores #

 



Repensar os modos de vida hoje é quase proibido. A liberdade é quase uma utopia e o quase é o que nos salva da robotização para o consumo. Nossos sentidos acostumados às “drogas” dificultam-nos de ver o que está por trás do anúncio publicitário. Assim como, desde criança somos ensinados a comer açúcar e apanhar quando fazemos arte, crescermos nos acostumando à banalização da vida gerada pela engrenagem: propaganda da indústria do mercado do comércio do consumo do fetiche da propaganda.

O circuíto midiático crescente, passa a ter tanto poder e alcance que quase engole espaços como a escola, o correio e as lojas de discos. Mas um sistema normatizante age contra a perda do controle. Com a propriedade intelectual considera-se que as idéias são como objetos que devem ter um dono. A partir dessa norma um debate imenso confronta o sistema que regula a apropriação das idéias. Enquanto isso surgem ações que invertem a lógica como o Movimento Software Livre.

Este movimento propõe a colaboração onde cada um soma seu conhecimento ao conhecimento do grupo desenvolvendo softwares que tem seus códicos abertos, ou seja, você pode saber como o software foi desenvolvido, pode usá-lo, melhorá-lo e devolvê-lo melhorado à comunidade que o disponibilizou. Isso numa dinâmica colaborativa que liberta as idéias pois impossibilita a apropriação e dependência que os donos do conhecimento detinham.

Com a implosão da mídia-digital controlar a distribuição de conhecimento, música e vídeo, se torna um problema para quem, até então, mantinha os poderes de cópia, que na maioria das vezes nem era do próprio autor, mas sim das editoras e gravadoras (atravessadores). Isso pode ser considerado a mais valia artística já que artistas e autores recebiam em torno de 1 a 3% do valor da venda de discos e livros. Por muitos anos isso funcionou até que os próprios artistas começam a produzir suas obras e disponibilizam seus conteúdos na internet como no Movimento Música para Baixar.

Exemplos como esse representam a resistência criativa e inteligente que possibilita a liberdade enquanto ação em prol da colaboração e não só da competitividade do capitalismo selvagem. Resistir com criatividade é um objetivo que me tornou educadora popular e usuária de software livre. Já que a educação formal incluindo as universides, na maioria das vezes, ainda reproduzem um sistema de poder desigual [que não está de fato voltada à desenvolver a dignidade e o pensamento crítico e criativo] passei a estudar e trabalhar em projetos sociais que proponham ações pela autonomia popular, como no Pontão de Cultura Digital Minuano onde desenvolvemos cursos de áudio, MetaReciclagem, vídeo, arte gráfica e comunicação com software livre para que as pessoas e pontos de cultura possam produzir e publicar seus próprios conteúdos sem precisar comprar ou piratear softwares proprietários. Entendo com esse trabalho que o empreendedorismo social e cultural é uma alternativa para difundir a cultura brasileira onde as comunidades podem se desenvolver com mais dignidade e auto-estima.

Precisamos saber que condições temos para sermos quem queremos ser e o quanto a democratização da comunicação se torna uma extensão ou a reconstrução da identidade coletiva. Minha indignação contra a indignidade humana também reconstrói minha identidade.

Pela arte colaborativa de sermos nós mesmos.

 

 

______________________

# Você pode ler o texto da citação no link do livro livre: Apropriações Tenológicas -

 

http://www.youblisher.com/p/83145-APropriac-es-de-tecnologia/

http://blogs.cultura.gov.br/cultura_digital/tag/apropriacoes-tecnologicas/

 

 


 

Alissa Gottfried é educadora popular, licencianda em artes visuais na UFRGS e ministra cursos de produção literária com MetaReciclagem em periferias do Brasil.


Tags deste artigo: editora libertária ecoaecoa educação popular pedagogia hacker filosofia software livre

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