Google Buzz

22 de Fevereiro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Ultimamente tenho lido várias posts de pessoas que estão deixando de usar os serviços do google. Certamente a polêmica entrevista com Eric Schmidt (já comentada nesse blog) foi a gota d'água para a maioria dessas pessoas. Esse post de Alexandre Oliva, porém, aponta um outro motivo não menos importante ligado ao recém inaugurado google buzz.

Alexandre cita dois casos de "invasão de privacidade" promovidos pelo uso do google buzz. O primeiro é um relato de uma mulher cujo ex-marido teve acesso a comentários que ela fez no google reader para seu namorado.  O segundo é sobre jornalistas que tiveram sua lista de informantes publicada.

Me intrigou mais o segundo caso. O que aconteceu foi o seguinte: minha lista de contatos do gmail é um dado privado do qual só eu tenho acesso através de uma senha. A lista de contatos do google buzz, porém, é um dado público. Ao aceitar o uso do google buzz o usuário torna pública uma parte considerável (todos aqueles que também usam o google buzz) da sua lista de contatos privada. Não posso acreditar que os engenheiros do GOOGLE não tenham pensado nisso antes de lançar o programa. Que vantagem o google leva em publicar minha lista de contatos?

Uma possível resposta seria promover o próprio buzz: se mais gente estiver conectado com você via google buzz, mais interessante é o produto e maior a chance de você usá-lo. Mas isso não explica a importância da lista de contatos ser pública.

Meu palpite tem a ver com uma nova outra aplicação do google que me parece muito mais promissora do que o buzz: o google social search. A idéia do google social search é fazer buscas nos blogs de pessoas publicamente associadas a você direta ou indiretamente. Uma pessoa está ligada diretamente a você  de diversas formas: se você a segue no twitter ou no last.fm e sua conta do google está associada a uma dessas contas, se você segue algum blog dela etc.. Uma pessoa está ligada indiretamente a você se você está ligado diretamente a alguém que está diretamente ligada a você. Finalmente, uma forma de uma pessoa estar ligada publicamente a você é você segui-la pelo google buzz.

O sucesso do social search depende fundamentalmente da construção desse grafo de relações públicas entre pessoas. Infelizmente, para o google, pouca gente hoje segue blogs e menos gente ainda se deu ao trabalho de associar sua conta do google a sua conta do tweeter. Aí entra o buzz. Ao se tornar usuário do buzz você está automaticamente publicizando parte de sua lista de contatos e dando essa informação valiosa para o google.

Eu entendo que o social search será uma mega aplicação web. Uma dessas que não conseguimos mais viver sem. Porém, mais uma vez o google mostrou que, para ele, oferecer uma grande aplicação justifica o desprezo da privacidade de seus usuários. Repito, se você busca privacidade, talvez você não devesse estar usando serviços do google.



Fórum Social e o Dialógo Interplanetário de Cultura Livre

5 de Fevereiro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Dos dias 25 a 29 de janeiro participei em Porto Alegre do Fórum Social Mundial com minha irmã. O fórum como um todo foi bastante prejudicado pelo fato de não possuir uma agenda unificada e, ao mesmo tempo, ter ocorrido espalhado por toda grande Porto Alegre. Com excessão do primeiro dia em que acompanhei o movimento de economia solidária na marcha de abertura em Porto Alegre, acabei ficando todos os dias em Canoas participando do Diálogo Interplanetário de Cultura Livre. Vou relatar brevemente o evento nas próximas linhas:

26 manhã: o professor Christophe Aguiton falou sobre cultura livre em termos gerais. Ele definiu alguns eixos principais do assunto e focou principalmente no que ele chamou de "novos individualismos".

26 tarde 1:  o professor Pablo Ortellado contextualizou históricamente o evento. Depois falaram o Sebastian da radio La Tribu e a professora Marilina Winik ainda sobre cultura livre.

26 tarde 2: O tema foi direito autoral. O professor Guilherme Carboni faloi sobre como as leis brasileiras tratam o tema. Me interessou aprender que para participar da OMC os países tem de aceitar diversas normas de direito autoral. O ministro da cultura em exercício José Vaz deu uma passada no evento para falar algumas palavrinhas sobre planos do governo com relação a direitos autorais. Segundo ele, esse assunto ficou em segundo pois estavam focados na lei Rouannet, mas que logo o governo deve olhar para o assunto com mais cuidado.

27 manhã:  O Renato Rovai contou a história da revista Fórum. O Alejandro (la tribu) e o Fernando (TV Antena Negra) falaram um pouco sobre a nova lei argentina de audio-visual. Minha impressão é que a defende a democratização dos meios de comunicação, mas não aponta os caminhos. Finalmente, a Carol do intervozes falou da CONFECOM e do esforço dos grandes meios de comunicação em boicotá-la.

27 tarde: O tema foi novos modelos de negócio. Um palestrante apresentou o red panal (um site de criação de música colaborativa). Em seguida o Fernando Anitelli contou a história do Teatro Mágico e de como eles se libertaram da dependencia das gravadoras. Por fim, o Allan de Rosa falou sobre a editora Toró e seus 10.000 exemplares produzidos e vendidos na periferia de São Paulo.

28 tarde: O grupo todo se reuniu para planejar um encontro de cultura livre a ser realizado ano que vem em São Paulo. Discutimos desde possíveis datas, formatos e formas de financiamento.

Veja outros materiais sobre o evento:



Privacidade no Google

12 de Janeiro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Recentemente Eric Schmidt, um CEO do google, deu uma entrevista polêmica a CNBC em que ele afirma: "Se há algo que você está fazendo que você não quer que ninguém saiba, talvez você não deveria estar fazendo isso em primeiro lugar".

Essa entrevista me deixou curioso em ler o termo que aceitamos ao usar os serviços do google. Eis as partes que mais me chamaram a atenção:

"11.2 O usuário concorda que essa licença inclui o direito do Google de disponibilizar esse Conteúdo a outras empresas, organizações ou indivíduos com quem o Google tenha relações para o fornecimento de serviços licenciados e para o uso desse Conteúdo relacionado ao fornecimento desses serviços.

11.3 O usuário compreende que o Google, ao efetuar as etapas técnicas necessárias para fornecer os Serviços aos nossos usuários, pode (a) transmitir ou distribuir o seu Conteúdo por várias redes públicas e em várias mídias de dados; e (b) efetuar as alterações necessárias ao Conteúdo do usuário para ajustar e adaptar esse Conteúdo aos requisitos técnicos de conexão de redes, dispositivos, serviços ou mídia. O usuário concorda que essa licença permitirá ao Google realizar tais ações"

Vale a pena olhar a política de privacidade do Gmail também:

"Oferecemos aos anunciantes apenas informações não-pessoais agregadas como o número de vezes que os anúncios foram clicados. Não vendemos, alugamos ou compartilhamos de outra forma suas informações pessoais com terceiros, com exceção das circunstâncias limitadas descritas na Política de Privacidade do Google, quando somos obrigados a fazer por lei."

Como bem menciona o CEO da google, o google é americano e tem de obedecer ao USA patriotic act. Portanto, lembre-se, se você está fazendo algo que não quer que ninguém saiba não conte ao google.



Cloud Computing

12 de Janeiro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Semana passada o google anunciou que abriu o código do seu "sistema operacional": chrome OS (fonte). O chrome OS é montado com o kernel do linux e de fato usa código aberto. A idéia do chrome OS é que tudo que o usaário precisa estaja dentro do browser (no caso o google chrome). Essa idéia parece bastante atraente e traz várias vantagens: em qq computador que vc logue terá as mesmas configurações e arquivos que o seu, se vc for roubado ou perder o computador não perde os dados etc. Porém, tenho diversas críticas ao chamado cloud computing. Basicamente, cloud computing da forma que o google propõe dá MUITO poder ao google. Não sou o único a me incomodar com cloud-computing, vejam o que o Richard Stallman tem a dizer sobre esse assunto: http://www.guardian.co.uk/technology/2008/sep/29/cloud.computing.richard.stallman



Google na China

12 de Janeiro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Acabo de ler esse post no blog oficial do google anunciando que o Google foi invadido por hackers chineses e que por esse motivo o google está reconsiderando a forma que irá se relacionar com a China.

Segundo o post o ataque dos hackers tinha como principal objetivo acessar as contas de e-mails de ativistas pelos direitos humanos, mas que os hackers puderam acessar apenas informações como o dia de criação das contas. O post alega ainda que diversos ativistas tiveram suas contas violadas, não por falha de segurança do Google, mas por virus instalados nos computadores de tais ativistas.

O incidente, segundo o Google, levou a empresa a repensar sua atividade na China. O post conclui anunciando que irá manter sua atividade na China sem os filtros impostos pelo governo chinês. Caso o governo chinês não aceite essa decisão o Google irá deixar de fornecer seus serviços na China.

Eu pessoalmente não entendi direito a ligação entre os ataques dos hackers e a condição de desabilitar os filtros. No mínimo vale a pena ficar de olho em como essa história se desenrola. Volto a escrever assim que souber mais notícias.