Cada vez mais a Latinoware busca cumprir sua missão de integrar iniciativas de desenvolvimento e migração para o software livre nos países da América Latina. Nesta nova edição da conferência, intensificamos a troca de experiências entre vários casos de sucesso com potencial de replicação, tanto de desenvolvimento como de modelos de negócios capazes de gerar emprego e renda.

Um desses casos é o de Ernesto Kruger, presidente da Associação Equatoriana de Software (AESOFT) e fundador da Kruger Corp - empresa com presença no Equador, Colômbia, Argentina e Panamá -, que decidiu transformar os produtos desenvolvidos por sua empresa em softwares de código aberto.

Confira a entrevista concedida à nossa equipe:

Latinoware: Ernesto, o Equador tem uma história e uma vocação de luta pela liberdade muito especiais. De alguma maneira, você acredita que esta vocação tem algo a ver com a crescente adoção de software livre no seu país?

Ernesto Kruger: O Equador foi o primeiro país da América a dar seu grito de independência dos espanhóis, sua natureza sempre foi a da liberdade. Esta cultura de liberdade ajudou muito na adoção do software livre no País. E o impulso do governo, através do presidente, facilitou isto ainda mais. As empresas começaram a adaptar-se sem dar lugar a dúvidas, mais ainda quando seu maior comprador é o governo.

LW: Pode nos falar um pouco sobre a ASLE?

EK: Permita-me esclarecer um ponto. Sou o presidente da AESOFT, a Associação Equatoriana de Software, que tem 16 anos do mercado e muitos membros que usam e trabalham com software livre. Cooperamos com nossa associação-irmã, a ASLE (Associação de Software Livre do Equador) e procuramos o bem comum do software no Equador.

LW: Como empresário, tens que conviver com sistemas desenvolvidos em software proprietário. Nos conte um pouco sobre esta experiência.

EK: No meu caso, eu sempre havia trabalhado com software proprietário. Uma vez que somos desenvolvedores, começamos a trabalhar com IDEs de software aberto, como Eclipse, e também com linguagens de código aberto com um êxito notável. Isto nos permitiu explorar cada vez mais nossos produtos com estas ferramentas. Assim, por exemplo, tínhamos um software que é uma plataforma para a Internet que comercializávamos em um modelo de licenças, mas em função de nosso apoio ao setor de software livre decidimos liberá-la desta forma, tornando-a a primeira plataforma web em software livre desenvolvida no Equador.

LW: Na Latinoware você vai lançar esta plataforma livre, chamada Jarimba. Pode nos adiantar um pouco da sua apresentação?

EK: Sem dúvida. O fórum me parece muito interessante e faremos, com muito prazer, este lançamento na Latinoware. A nossa apresentação reflete a nossa experiência de migrar de um modelo proprietário para um modelo aberto, ao liberar a plataforma Jarimba, Com isto, fazemos a plataforma crescer, ganhar mais vida. Esta é uma outra forma de ser solidário e, ao mesmo tempo, fazer negócios com nossa plataforma.

Você desenvolveu, ou conhece alguém que tenha desenvolvido, outros modelos de sucesso em negócios com Software Livre? A Latinoware quer conhecer e permitir a apresentação de mais modelos, como o de Ernesto, capazes de construir negócios de forma solidária, respeitando a liberdade do conhecimento. Se você tiver algum exemplo que gostaria ver exposto na Latinoware, mande um email para grade@latinoware.org