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Mistério no mundo do software livre

Maggio 17, 2010 0:00 , by Software Livre Brasil - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Ao completar um ano, a aquisição da Sun pela Oracle – depois de longas tentativas da IBM – talvez esconda um debate de forma proposital e, quem sabe, ainda sem respostas. O silêncio dos analistas deve ser explicado pela dificuldade em prever os rumos do acordo da aquisição bilionária e pelos riscos que envolvem tal análise. A Sun é reconhecida no mercado por diferentes áreas de atuação, dentre as quais se destacam os segmentos de hardware e de software.

As definições para os dois segmentos podem ter desdobramentos bem diferentes. Para o hardware existe uma certa clareza: a Oracle pretende avançar neste segmento e se tornar uma empresa provedora de soluções também em infraestrutura computacional. Assim a organização se credencia para oferecer todos os serviços de TI para o mercado, uma situação que permanece sob análise das autoridades econômicas nos Estados Unidos.

Entretanto, no mundo do software, segmento onde a Oracle e Sun atuam em conjunto, temos duas empresas com opções diferentes com relação ao modelo de licenciamento das soluções. A Oracle adota, com maior densidade, um modelo proprietário e a Sun uma diversidade maior de licenças: proprietária, aberta e livre. São posturas empresariais diferentes que influenciam também os modelos de negócios de cada empresa.

Talvez estejamos acompanhando um dos maiores impasses no setor de software nos últimos anos, pois afinal, a Oracle vai se aproximar com mais vigor do mundo aberto e livre ou vai adotar o modelo de licença proprietária para o portfolio das soluções recém adquiridas ? Será que vai permanecer em silêncio para aguardar as devidas acomodações dos diferentes modelos ? Ou vai manter a escolha mais diversificada da Sun (para alguns analistas dúbia), mantendo em seu acervo soluções livres, abertas e proprietárias de forma mais equilibrada?

Durante um tempo continuará um segredo em que os analistas do segmento não terão todos os elementos para arriscar uma opinião reveladora, pois não será trivial desvendar as intenções da gigante da informática. A minha opinião sobre o assunto: depende. Uma resposta que garante uma salvaguarda, mas que expressa a realidade dos acontecimentos.

De imediato existem as questões óbvias, que tangem as preocupações com a rentabilidade e o retorno nos investimentos do bem software, adicionado ao custo de manutenção das atuais operações da Sun para os ambientes aberto e livre. A Oracle costuma ser mais pragmática em suas atividades no mercado e o registro de apoios para o software livre são localizados em alguns nichos – algo de menor montante se comparado ao tamanho da empresa.

A primeira alternativa seria a Oracle deixar tudo como encontrou e manter os projetos de software da Sun intactos. As ações práticas já demonstraram que esse não será o caminho e tais ações podem de repente delinear um cenário mais negativo para alguns atores do mercado, como por exemplo a comunidade de software livre.

Uma outra possibilidade será conjugar um modelo de licença livre como a base comercial para alguns produtos, como faz a Red Hat, e oferecer um contrato de subscrição (um dos modelos de negócio para comercialização de software livre) ou versões mais completas das soluções com algum custo adicional.

O último cenário seria a Oracle retroceder em todos os movimentos já consolidados pela Sun em adotar modelos de licenças abertas ou livres. Algo temeroso para o entusiastas do movimento de software livre. Neste caso, a preocupação iminente é que alguns sinais concretos surgiram com o sistema operacional OpenSolaris e alguns boatos em torno do banco de dados MySQL. No primeiro caso já existe o movimento da comunidade para mudanças de rumo no projeto – o conhecido fork.

São três cenários possíveis, com variações adicionais que podem ter relação com propriedade intelectual, modelo de comercialização, estrutura de colaboração.Algo que ampliaria mais a quantidade de alternativas que a Oracle poderá adotar no futuro com relação ao software. Um comportamento que justifica o termo “mistério” delineado no título do artigo.

Inegavelmente a aquisição da Sun pela Oracle vai gerar uma série de análises no mundo do software e preocupações para os concorrentes que atuam em provimento de soluções em TI, já que as decisões da gigante vão pressionar o mercado a se reposicionar. Mas se existe ainda um mistério a ser revelado é qual o modelo de licença que será adotado pela Oracle no futuro? A decisão certamente vai gerar um impacto no mundo do software livre. O que pode significar rever caminhos, evidenciar algumas fragilidades do modelo ou, ao contrário, fortalecer convicções.

O maior problema neste momento é a demora da decisão da empresa. A dificuldade em “sair de cima do muro” soa uma certa insegurança. Organizações que têm um costume restrito em atuar com a comunidade não dominam a dimensão do peso deste ativo. É visível que a Oracle passa pelo momento de experimentar os dois mundos dicotômicos: o código aberto e o fechado. Entretanto, é perceptível que a lentidão nas decisões é o tradicional rigor da empresa para analisar o mercado.

O que se verifica é que poucos analistas do setor buscam um “grande truque” para revelar o mistério, pois Larry Ellison, presidente da Oracle, deve guardar o segredo à sete chaves criptografadas. A empresa é reconhecida pelo seu equilíbrio financeiro e pela capacidade que possui em dominar a equação oferta x demanda.

A Oracle é capaz de oferecer preços sob medida para clientes que podem pagar ou precisam de suas soluções independente do preço. Uma lógica comercial amarrada na licença de uso do modelo proprietário, conjugada com a qualidade de suas soluções. Ao que parece a empresa busca esse mesmo equilíbrio para o modelo livre, mas ainda não o encontrou na totalidade.

Que esse mistério incentive outros articulistas a exporem as suas ideias, pois a análise dos especialistas poderá ajudar os agentes do mercado a se programarem melhor. E com certeza, pelas variáveis envolvidas, a decisão da Oracle terá um grande impacto no setor de software. Que a demora na decisão da empresa, em processo de amadurecimento faz um ano, sirva para nos prepararmos melhor para qualquer um dos cenários. O grande mistério é se teremos no futuro mais códigos escondidos na cartola ou saindo livremente de dentro dela.

*Corinto Meffe, gerente de inovações tecnológicas do Minsitério do Planejamento. A opinião do colunista não reflete uma posição do governo ou do órgão onde trabalha.

:: Por Corinto Meffe*
* fonte: Convergência Digital


This article's tags: furusho java openoffice.org oracle software livre corinto sun broffice.org

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