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Partidos, juventude e os movimentos sociais da Internet

15 de Junho de 2011 , por Desconhecido - 33 comentários
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@s jovens nativos digitais da sociedade em rede  têm orgulho de ser brasileir@s, acreditam que o Brasil é o país do presente e concordam que têm um papel de transformar a sociedade. Se conectam mais com discursos coletivos do que individualistas e querem menos consumismo. Apenas 5% tem como objetivo ficar rico e sabem que podem trabalhar por uma causa coletiva e buscar seus sonhos pessoais ao mesmo tempo. Estes mesmos jovens, cada vez mais, vêem a Internet como ferramenta de mobilização e engajamento político e menos os partidos. [1]

  • Bcn"Quantos jovens não votaram no Chile, na Espanha? Não achem que estes jovens não acreditam na democracia. Eles não crêem na democracia que oferecem a eles (…)."


Eduardo Galeano na Praça Catalunya[2]


Quando eu divulguei esta pesquisa na rede, surgiram muitos questionamentos e diálogos vindos, principalmente, de militantes partidários: isso é positivo ou negativo? Acho isso tremendamente positivo e tentarei  sucintamente colocar a minha opinião, já tuitada de forma pulverizada.

Acontece que os jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Os partidos e os sindicatos são organizações construídas com base na revolução tecnológica industrial. Foram, por longos anos, a única e a melhor forma de catalizar de forma coletiva os pensamentos e ideologias para uma ação política efetiva. Sozinho, ninguém chega a lugar algum, e isso continua valendo. Estas organizações mediam e intermediam a relação entre os diversos interesses individuais e coletivos, através do “programa”, e representam estes interesses junto à sociedade.

Os movimentos sociais em rede, pós- internet, são formados por indivíduos conectados em rede, que manifestam suas opiniões e movem suas ações na perspectiva do engajamento coletivo, sem a intermediação de qualquer organização. Aliás, a Internet veio para questionar o papel de todas as organizações intermediárias. A indústria fonográfica que o diga.

Acredito que as formas de organizações da era industrial e as organizações de indivíduos conectados em rede, típicas da sociedade em rede, conviverão. Uma não substitui a outra.

Mas é #fato que nos últimos anos, em todo mundo,  os partidos políticos e os sindicatos têm tido  menos capacidade de mobilização coletiva do que os movimentos sociais em rede. E isso não é somente porque os programas dessas organizações estão defasados ou que não contemplam os interesses dos coletivos. Atualizar os programas dos partidos é importante, mas não será o suficiente para engajar a geração atual na forma de organização hierárquica dos partidos. Estes jovens estão, cada vez mais, experimentando novas formas para organizar suas ações políticas coletivas, utilizando a plataforma da Internet como base. E isso tem dado resultado.

Há quase 12 anos, na manifestação chamada de N30, mais conhecida como a “batalha de Seattle” [3], através da Direct Action Network (ação direta em rede) possivelmente tenhamos inaugurado a era das mobilizaçoẽs 2.0.

Desde Seattle, passando pelas mobilizações do Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre,  nas marchas contra as guerras do Bush-pai, nas manifestações anti-globalização neoliberal, com destaque para Gênova e Barcelona, até as recentes revoltas árabes e agora a #globalrevolution partindo da Espanha para toda Europa [4], comprovam a força das redes da internet para organização de grandes ações coletivas. 

Não acredito que os partidos ou sindicatos estão descartados como forma de organização política. Acontece que agora existem NOVAS formas de organização política. As novas formas de organização social (indivíduos conectados em rede) e as velhas (partidos e sindicatos) vão conviver, mas como organizações distintas.

As velhas organizações não podem ter a pretensão de englobar ou cooptar as novas. Terão que conviver, lado a lado, mas cada uma com a sua dinâmica própria. As dinâmicas das redes são distintas das dinâmicas partidárias. Não há como enquadrar as dinâmicas em rede nas hierarquias partidárias. Nem é possível que um partido funcione com as dinâmicas horizontais e sem hierarquias como nas redes.

O sucesso das organizações da era industrial (partidos e sindicatos) foi justamente o de organizar as pautas e as lutas de forma hierárquica e aprovadas por maioria.

Nas dinâmicas em redes, raramente há votações para hierarquizar as ações. Funciona por adesão voluntária. A proposta com maior adesão avança na prática e mobiliza. Assim tem sido as experiências da última década.

No entanto, as dinâmicas dos movimentos em rede ainda tem sido incapazes de estabelecer uma nova ordem. Pelo menos por enquanto. Os partidos sim, estabelecem uma nova ordem, assumem o poder e governam. Creio que no futuro teremos experiências de uma nova ordem a partir de dinâmicas sociais em rede.

Vivemos uma transição da era industrial para a era das sociedades em redes. As velhas formas e as novas conviverão, mas são distintas formas de organizações. Aliadas? Antagônicas? Complementares?

O certo é que existe, neste momento, uma tendência e um potencial global democratizante, que questiona os limites da democracia representativa e que aponta para uma nova democracia participativa, tendo a internet como plataforma de mobilização e viabilização desta nova relação direta dos cidadãos com a democracia.

Acredito que a recente pesquisa, “o sonho brasileiro”, realizada entre jovens de 18 a 24 anos e que ouviu mais de três mil pessoas de 173 cidades do país, aponta dados extremamente positivos na perspectiva de transformação social.

Fontes:

[1]- Pesquisa “O sonho brasileiro”
Box1824 (agência especializada em mapear tendências de comportamento), e Instituto Datafolha.

- Quase 90% dos jovens têm orgulho de ser brasileiros, revela pesquisa
Geração “sonhadora” quer “oportunidade para todos” e menos consumismo

By Marina Novaes, do R7


- Jovens sonham e acreditam no Brasil
By Ricardo Kotscho, do R7

- Pesquisa mostra que enquanto 59% dos jovens não têm preferência partidária, 71% consideram a internet uma ferramenta política
By Naira Alves IG

[2] - Eduardo Galeano no acampamento de Barcelona

[3]- Seattle: uma década de ativismo 2.0
By #comunidadedigital das turmas e ex-alunos de comunicação digital da ESPM-RJ Turma 7A - 2009.2

[4]-Da #democraciarealya à #WorldRevolution
By Marcelo Branco


Tags deste artigo: globalrevolution worldrevolution spanishrevolution liberdade democraciarealya acampadabcn acampadasol pt marcelo branco catalunya eduardo galeano jovens brasil

33 comentários

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  • 793f2f55526ec4c144f314b8d85f3b9c?only_path=false&size=50&d=404Ronald Sanson(usuário não autenticado)
    16 de Junho de 2011, 16:49

    O poder está mudando de mãos

    Como disse uma vez o ativista norte-americano Malcom X: 'O futuro pertence aqueles que estão preparados para ele'. Não tenho dúvidas de que os Movimentos Sociais de hoje serão os partidos políticos de amanhã.

    Hoje o poder ainda é dominado por partidos políticos nascidos no século XX que carregam com eles paradigmas ultrapassados e compromissos com instituições jurássicas.

    Todo poder emana do povo e em nome do povo deve ser exercido. Viva a democracia plena, limpa, 2.0.

    Libertas Quæ Sera Tamen!


  • Ddbe381b9a62917e22569ac2f9403c62?only_path=false&size=50&d=404Rodrigo Pereira(usuário não autenticado)
    16 de Junho de 2011, 17:46

    Não faz muito sentido

    As diferenças que você coloca entre partidos e redes não fazem muito sentido. Os partidos e sindicatos são redes de pessoas que existem muito antes da internet. A adesão a uma causa também é voluntária, ninguém é obrigado a se filiar à um sisndicato ou partido, a escolha se dá por afinidade à uma causa, exatamente como você descreveu a mobilização na internet. Na internet a maioria também tem mais poder que a minoria, esse poder é medido na visibilidade de uma causa. Por isso um email com uma imagem de um cachorro para ser adotado é repassada muito mais que email com um texto sobre o sistema de saúde. A maioria das pessoas se identifica com o sofrimento do cãozinho e ajuda na divulgação, dá uns telefonemas, etc. Agora, quanto uma questão mais profunda do sistema de saúde que não é acessível a todos, apenas uma minoria, a visibilidade fica prejudicada.

    Na democracia, se você não concorda com uma opinião, não significa que você tem que aceitá-la. Se você não concorda com um partido, você busca impor suas opiniões ou vai para outro partido, ou mesmo funda o seu. Na internet é exatamente a mesma coisa. Não existe uma democracia 2.0 ou qualquer coisa 2.0. Existem pessoas. E essas pessoas estão usando a internet. Isso não é nada muito novo, é apenas uma nova forma de comunicação.


  • 64339453fded7e377699f6e3428e71ef?only_path=false&size=50&d=404Dimas Kliemann(usuário não autenticado)
    22 de Junho de 2011, 14:16

    Democracia no Brasil

    É uma falácia acreditar que no Brasil temos uma democracia (governo do povo). Temos uma partidocracia. Quem manda é o partido, porque se eu voto no Zé do Povo do Partido da Honestidade e depois de eleito o Partido da Honestidade resolve fazer alguma coisa ilícita, que o Zé não concorde, e ele resolva se desligar do partido, ele perde o cargo e eu meu voto. Quem fica com o cargo é o partido.
    Além do mais, OBRIGAÇÃO NÃO É DIREITO!
    Nenhum sistema que obrigue a votar será justo ou democrático.
    Concordo que a internet está criando uma nova forma de fazer política: o Avaaz (http://www.avaaz.org/po/)já fez mais pelo Brasil do que o Congresso Brasileiro todo junto, desde a abertura política.


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