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Após morte de Yalorixá, membros de terreiro são ameaçados em Camaçari

11 de Agosto de 2015, 19:09 , por Pedro - 22 comentários | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Foto: Ravena Maia 

Fonte: Folha de Camaçari

Título: "Deus Mata": pastora da Casa de Oração faz ameaças de morte a discípulos de Yalorixá

Após a morte da Yalorixá Mãe Dede, o Terreiro de Oyá Denã, localizado em Areias, município de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS), voltou a ser alvo de intolerância religiosa na última sexta-feira, 31.

Desta vez foram feitas ameaças de morte contra integrantes do templo religioso de Candomblé.

De acordo com o policial militar, sargento Joselito Sena Santana, presente no momento da ocorrência, o ato delituoso foi cometido pela líder da Casa de Oração, pastora Edineide de Jesus dos Santos.

Também testemunharam o ato, a Yalorixá Mãe Olina e o pastor Lindival Viana Santana.

Telhas quebradas

O fato derivou a partir da acusação de que membros do Terreiro de Oyá teriam quebrado parte do telhado da "Casa" à pedradas.

Mesmo diante da negativa do fato, não satisfeita, Edineide teria ameaçado que o terreiro seria invadido, quebrados objetos de cultos e que não se responsabilizaria pelo que pudesse acontecer. Falou que "Jesus matava" e que poderia sair morte.

Segundo relato de Mãe Olina e também do sargento Santana, Edineide recusou-se a registrar boletim de ocorrência sobre o incidente, afirmando não ter tempo para isso.

"Deus mata, está na bíblia"

Durante o diálogo a pastora afirmou que cuida de pessoas em recuperação por envolvimento com drogas e delitos criminais. "Vocês vão ver o que vai acontecer. Morte é morte. Deus Mata, está na bíblia", sentenciou a líder.

A tentativa de intimidação aconteceu após a casa religiosa ser notificada na quinta-feira, 30, pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) devido à ausência de licenciamento para funcionar.

Igreja Casa de Oração à margem da lei

Mesmo já tendo sido notificada por não possuir licenciamento para exercício das atividades no local, os rituais de intolerância religiosa, além de cotidianos, vem se agravando cada vez mais.

Praticadas pelos fiéis da Casa de Oração - sob o comando de Edineide e Lucas - as agressões são suspeitas de terem ocasionado a morte da Yalorixá mais idosa da cidade de Camaçari, Mãe Dede

Mesmo após a morte da sacerdotisa, as reuniões na Casa de Oração continuam noite a dentro e madrugadas com rezas e cantorias em volume de som excessivo.

Mais uma ocorrência policial na 26ª DT

A filha e sucessora de Mãe Dede no Terreiro de Oyá, Mãe Mary, registrou novo boletim de ocorrência na 26ª Delegacia Territorial de Vila de Abrantes a respeito das ameaças de morte e falsa acusação de dano ao patrimônio. Acusados e testemunhas devem depor no próximo sábado, 8.

As informações deverão ser anexadas ao inquérito 049/2015, gerado pelos registros de ofensas anteriores.

Religiosos são acompanhados pela Coopir

Acompanhada da Yalorixá Mãe Olina e da filha de santo Josileine Paulo dos Santos, Mãe Mary, apresentou relato nesta quarta-feira, 5, à Coordenação de Promoção da Igualdade Racial de Camaçari (Coopir).

Após documentar a queixa junto à Coopir, a representante e os integrantes do Terreiro de Oyá foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) para que as informações fossem entregues e adicionadas ao dossiê já entregue ao órgão em 29 de julho.

Denúncia é adicionada a dossiê entregue no Ministério Público

O documento remetido aos cuidados da promotora de Justiça da Cidadania e Direito do Consumidor, Thiara Rusciolelli Souza Bezerra, foi recebido pelo assessor da promotora, Alberto Pereira de Souza Jr.

Uma cópia do documento entregue ao MP foi também enviada para o Centro de Referência Nelson Mandela, que acompanha os casos de intolerância religiosa na Bahia.

Entre as ações do MP previstas neste processo está o envio de recomendação à Sedur para mapeamento de todos os templos religiosos de Camaçari, bem como apresentação de documentação legal dos referidos estabelecimentos.

Além disso, deverá ser realizada audiência pública integrando as diversas promotorias envolvidas nos casos e organizações religiosas.

O MP-BA deve expedir documento sobre tipificação e enquadramento criminal da prática de intolerância religiosa.

 


Tags deste artigo: intolerância religiosa folha de camaçari notícias camaçari

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