Friendika: liberdade e privacidade levadas à sério
July 10, 2011 - No comments yet
Nesses tempos em que as redes sociais digitais ocupam um espaço importante não só na vida das pessoas como na mídia em geral, deveríamos estar cada vez mais preocupados com a privacidade e a segurança dos nossos dados. Afinal de contas, ao assinar um serviço oferecido por uma empresa, estamos sujeitos às regras dela, em uma relação do tipo "aceite ou saia fora". Com isso, muitas pessoas abrem mão de sua privacidade em troca de um espaço na web. Experimente ler o item 11 dos Termos de Serviço do Google pra entender melhor do que você abre mão ao assinar qualquer serviço dessa empresa, como o Orkut, o Blogger e agora o Google+ (e aproveite para entrar em pânico). 
Softwares livres para redes sociais já existem há um tempo. O Elgg e o Noosfero são bons exemplos. Entretanto, eles ainda seguem o modelo padrão de uma instalação onde várias pessoas se conectam em uma instância única. O StatusNet (e a sua rede mais famosa, a identi.ca) começa a quebrar com esse modelo, ao usar uma rede federada, ou seja, instalações diferentes do StatusNet conversam entre si. Dessa forma, cada um pode ter a sua própria instância do software, sem perder a conectividade com outras pessoas, que participam de outras instâncias.
É aí que entra o Friendika. Este é um software livre para estruturação de redes sociais digitais que, inicialmente, não se diferencia muito de outras redes como a Facebook. Nele é possível publicar imagens, vídeos, textos e. atualmente, até agendamentos. Além disso, você pode acrescentar outras pessoas para acompanhar o que elas estão publicando. Entretanto, o Friendika tem alguns diferenciais interessantes.
O primeiro é que as redes montadas com ele são federadas. Ou seja, os usuários conseguem procurar (e se conectar) a pessoas de qualquer outra instalação do Friendika ou mesmo de outras redes federadas, como a identi.ca, por exemplo. Isso abre algumas perspectivas bacanas. Uma delas é que você não precisa confiar seus dados a uma empresa ou outra pessoa. Pode ter a sua instalação do Friendika em um servidor próprio (ou em alguma hospedagem), com controle total sobre tudo o que é seu, mas sem se isolar das outras pessoas, pois você não fica restrito somente às pessoas do seu servidor, ou mesmo de outras redes Friendika, pois é possível se comunicar com integrantes de qualquer outra rede federada. Na prática ainda existem algumas dificuldades para conexões plenas, mas os maiores problemas estão sendo resolvidos com o tempo e os resultados já são bem promissores. Já é possível hoje, pelo menos, acompanhar tudo o que as pessoas publicam nas outras redes.
E é nesse aspecto do software que reside outra característica muito interessante, que está na própria essência do software. A abordagem do Friendika, conforme anunciado no sítio do projeto, é que a Internet é uma rede social e o que o software faz é agregar várias conexões em um lugar só. Assim, conforme já falei acima, é possível, a partir de uma instalação do Friendika, acompanhar pesoas em várias outras redes, como Twitter, Facebook e identi.ca. Mais do que isso, é possível acompanhar até mesmo sítios que tenham fontes RSS e listas de discussão. Ou seja, com o Friendika, você tem não só uma rede social, mas também um agregador de toda a sua vida social na rede. E uma vez que essas conexões são gerenciadas a partir de plugins, é possível, literalmente termos conexões com qualquer recurso web que possua alguma interface de interação. Basta alguém produzir o plugin para isso.
O Friendika também tem um recurso que é particularmente interessante pra quem compartilha coisas diferentes entre grupos distintos. Nele, além do perfil público, visível para todos, é possível criar diversos outros perfis restritos e associá-los a contatos específicos. Dessa forma, cada contato visualiza somente aquilo que foi disponibilizado no perfil ao qual ele faz parte. E o legal é que os contatos podem fazer parte de mais de um perfil, o que facilita ainda mais o compartilhamento de conteúdos direcionados. Uma situação de uso direto desse recurso seria para o caso de professores, que querem manter um perfil social na web, mas gostariam de separar os assuntos entre seus amigos e alunos.
Com todos esses recursos (e vários outros que vêm surgindo constantemente na versão em desenvolvimento), o Friendika é um software que pode fazer uma grande diferença na forma como as pessoas se conectam na web. Resta-nos experimentá-lo e colaborar com o seu desenvolvimento, seja codificando, traduzindo, testando e informando sobre erros e recursos. Pra quem quiser experimentar, mas não tem hospedagem própria, já existem alguns servidores públicos disponíveis. Além desses, o grupo Software Livre Educacional está mantendo uma instância de testes: o Pátio, que ainda está aberto a novos cadastros. E quem quiser se conectar comigo, meu perfil público está aqui. Aguardo o contato de vocês. 
Como imprimir múltiplas páginas no BrOffice/OpenOffice.org
April 25, 2011 - No comments yetDeparei-me aqui com um problema aparentemente simples, mas que me deu trabalho pra resolver. Estava precisando imprimir um documento muito grande no BrOffice Writer, em uma máquina com a Debian Squeeze. Para economizar papel, resolvi imprimir duas páginas do documento por cada face da folha.
Acostumado a fazer isso sempre com documentos PDF, achei que seria o mesmo caminho no Writer. Mas foi aí que me dei conta que a janela de impressão do BrOffice é diferente das outras aplicações do sistema (mesmo quando estão instalados os pacotes de integração com o KDE e com o GNOME) e ela não tinha a opção de múltiplas páginas por face.
Depois de alguma pesquisa, descobri que tem jeito de fazer isso e nem é muito complicado, mas não é nada intuitivo.
Para ativar essa opção, vá até o menu Arquivo e selecione a opção Visualizar página (ou clique no ícone correspondente, que fica na barra de ferramentas). A tela mudará para o modo de visualização de páginas, bem como os ícones da segunda fileira, que se tornam as ferramentas de manipulação da visualização. Clique agora no segundo ícone da direita para a esquerda (é o ícone ao lado do escrito Fechar visualização). Verifique na imagem abaixo. É o ícone marcado com um quadrado vermelho.

Para se certificar que é o botão correto (pois ele pode estar diferente, dependendo do tema utilizado), pare o cursor do mouse sobre ele e veja se aparece a explicação Opções de impressão da exibição de páginas. Clique nesse ícone e, na janela que se abre, selecione em quantas linhas e quantas quantas colunas o texto deverá ser distribuído. O resultado de como será a impressão é exibido do lado direito da janela. Dependendo de efeito esperado, será necessário deixar a página como "retrato" ou "paisagem", o que pode ser alterado nessa mesma janela, na sua parte inferior. É importante destacar que todas essas configurações referem-se somente à visualização (e, consequentemente, à impressão) do texto. Ou seja, o seu documento irá preservar as configurações originais de orientação e layout definidas previamente, independente do que você configurar aqui.
Feitas as definições desejadas, é hora de mandar imprimir. E aqui tem uma pegadinha. Você não pode usar a opção Imprimir que fica no menu Arquivo, nem o atalho Ctrl+t, pois dessa forma você irá imprimir o texto original. Para usar as configurações definidas aqui, é nessário usar o botão que fica ao lado do que você clicou anteriormente. Ele está indicado na imagem abaixo, também marcado em vermelho, e a dica que aparece quando se coloca o cursor sobre ele é Imprimir exibição de página.

Ao clicar nesse botão aparecerá uma janela idêntica à janela normal de impressão. Entretanto ela irá imprimir o texto usando as definições de layout de páginas que você efetuou. Configure a impressora com as opções desejadas, clique no botão Ok e pronto. Você estará imprimindo mais de uma página por face do papel.
Biologia, educação, software livre e o Campus Party Brasil 2011
January 13, 2011 - No comments yetEsse ano, pela primeira vez, participarei do Campus Party Brasil. Apresentarei duas palestras e participarei de um painel e de uma oficina sobre educação e software livre, juntamente com outros membros do grupo Software Livre Educacional. A programação completa encontra-se abaixo:
Palestra: Software livre e a extinção dos dinossauros
Horário: 20 de janeiro (quinta) - 09:30/10:15
Descrição: Um paralelo entre as características do movimento de software livre e alguns conceitos da Biologia, indicando alguns interessantes pontos em comum, especialmente no que diz respeito à evolução e à ecologia.
Palestra: Nuvens livres nos céus das escolas
Horário: 20 de janeiro (quinta) - 16:30/17:15
Descrição: O atual uso da Internet (e a "computação nas nuvens") nas escolas, apontando-se os riscos muitas vezes ignorados e apresentando alternativas livres para os serviços mais comuns na rede.
Painel: Software livre e a educação participativa e de qualidade
Horário: 21 de janeiro (sexta) - 09:30/11:15
Descrição: Discussão sobre o uso do software livre nas escolas e outros ambientes educacionais. A ideia é apresentar diferentes visões de utilização desses softwares nos diversos níveis e ambientes de ensino.
Participantes: Daniervelin Renata Marques Pereira, Frederico Gonçalves Guimarães (eu!), Marinez Siveris, Simone Garófalo Carneiro
Oficina: Quem quer usar software livre na escola levante a mão!
Horário: 21 de janeiro (sexta) - 20:30/22:30
Descrição: Uma oficina para apresentar uma série de opções de softwares livres educacionais, apresentando características gerais e usos pedagógicos de cada um deles.
Participantes: Ana Cristina Geyer de Moraes, Frederico Gonçalves Guimarães (eu de novo!), Marinez Siveris
As palestras e o painel ocorrerão no Palco Software Livre. Já a oficina vai acontecer na Bancada 1 - Software Livre. Maiores detalhes e informações podem ser obtidos na página de agenda do evento.
Então, quem estiver procurando atividades para participar no Campus Party, agora já tem quatro opções. ;-) Aguardo vocês lá!
Como definir grupos padrão para usuários na Debian GNU/Linux
December 1, 2010 - No comments yetPassei por um problema aqui em que eu precisava criar uma série de usuários que deveriam pertencer a determinados grupos. Isso porque, quando se cria um usuário novo na Debian (não sei se é assim nas outras distros), ele é incluído somente no seu próprio grupo. E isso é um problema, por exemplo, quando se quer ouvir música, pois o usuário, por padrão, não faz parte do grupo audio. Eu poderia fazer essa inclusão nos grupos individualmente (ou usando um script), mas estava considerando essa solução muito pouco funcional. Resolvi dar uma pesquisada e acabei descobrindo um recurso do próprio comando que resolveu o meu problema.
O pulo do gato está em um parâmetro e no arquivo de configurações do comando adduser. O nome do arquivo é adduser.conf e ele está localizado dentro do diretório /etc. Esse arquivo define todas as configurações padrão do adduser e apresenta vários parâmetros interessantes, como o shell padrão e o diretório dentro do qual deverão ser criados os diretórios dos usuários, entre (várias) outras coisas. Mas as configurações que interessam para este artigo está lá no finalzinho do arquivo. São elas EXTRA_GROUPS e ADD_EXTRA_GROUPS. É sempre bom lembrar que, por ser um arquivo do sistema, o adduser.conf só pode ser alterado com privilégios de superusuário, usando a conta root ou o comando sudo.
EXTRA_GROUPS define em quais grupos os usuários serão incluídos. Caso você queira usar os grupos padrão, que estão definidos na linha de configuração do parâmetro, você pode deixá-la exatamente como está. Agora, se você quiser alterar esses grupos, então é necessário descomentar a linha (eliminando o sinal #) e alterar o parâmetro para os grupos de seu interesse.
Já ADD_EXTRA_GROUPS define o comportamento padrão do comando adduser. Caso você queira que todos os usuários sejam incluídos nos grupos definidos em EXTRA_GROUPS, descomente a linha ADD_EXTRA_GROUPS e certifique-se de que o número ao final dela seja diferente de zero (por exemplo, ela deve ficar ADD_EXTRA_GROUPS=1). Caso você queira que somente alguns usuários entrem nos grupos definidos, deixe essa linha comentada (ou com o valor 0) e, quando for criar o usuário que deve pertencer aos grupos, acrescente o parâmetro --add_extra_groups ao comando adduser.
Exemplificando:
Situação 1: você quer que todos os usuários criados no seu sistema pertençam aos grupos audio, video, plugdev e users. Você deve então editar o arquivo adduser.conf e alterar a linha do parâmetro EXTRA_GROUPS para:
EXTRA_GROUPS="audio video plugdev users"
e a linha do ADD_EXTRA_GROUPS para:
ADD_EXTRA_GROUPS=1
(repare que, em ambas as linhas, não existe mais o sinal # no início delas) e, para criar novos usuários, execute o tradicional:
adduser nome_do_usuario
Todos os usuários criados dessa forma farão parte dos grupos audio, video, plugdev e users.
Situação 2: você quer que alguns os usuários pertençam aos grupos padrão do sistema (aqui na minha instalação eles são: dialout, cdrom, floppy, audio, video, plugdev e users). Nesse caso os parâmetros ficam com a configuração padrão do sistema, ou seja, as linhas permanecem como:
#EXTRA_GROUPS="dialout cdrom floppy audio video plugdev users"
e:
#ADD_EXTRA_GROUPS=1
(repare na marca de comentário no início de cada linha). Agora, toda vez que você quiser criar um usuário pertentecente aos grupos padrão, é necessário acrescentar o parâmetro --add_extra_groups ao comando, dessa forma:
adduser nome_do_usuario --add_extra_groups
Assim, somentes esses usuários farão parte desses grupos. Os outros, criados sem o parâmetro, continuarão somente com seus grupos pessoais.
Confusão, desinformação e superficialidade em defesa do software proprietário
November 17, 2010 - No comments yet
Por indicação da acris do Texto Livre, eu cheguei nessa publicação do blog do evento Universidade, EaD e Software Livre, relativa a um artigo chamado "Software Livre: uma visão capitalista e sensata". Claro que, com um título desses, eu tinha que dar uma olhada. 
Comecei a ler o artigo e a cada parágrafo ficava mais estarrecido com a confusão de conceitos e desinformação. Ia escrever um comentário lá no blog mesmo. Mas o texto acabou ficando tão grande que resolvi publicar aqui na teia minha resposta e indicar o link nos comentários lá no blog. Peço desculpas caso ele tenha ficado maçante. Mas não queria deixar de argumentar os pontos colocados pelos autores. Para entender essa publicação, recomendo, primeiro, a leitura do artigo.
Em primeiro lugar, os autores afirmam que os defensores do software livre são "fanáticos" e afirmam que vão abordar as "vantagens e desvantagens" dos modelos livre e proprietário. Mas não é isso o que acontece. Ao contrário, assumem o mesmo papel que criticam e apontam somente as desvantagens do software livre (isso soa levemente como fanatismo pra mim). :-) Assim, logo de cara, o artigo peca pela contradição.
Os autores erram também no contexto histórico. Em primeiro lugar, dos "antigos nerds" que são citados no texto, somente Bill Gates, Steve Ballmer e Steve Jobs ficaram bilionários. Será que não tinha nenhum outro nerd na época? Ou (mais logicamente) os outros milhares de nerds foram excluídos pelo sistema capitalista? Esse argumento de que basta ser nerd e ter uma boa ideia para virar um milionário é mesma visão romântica de milhões de jovens brasileiros que sonham em jogar futebol para ganhar muito dinheiro. Mas quantos realmente se dão bem?
Outro erro histórico, Richard Stallman não criou "outra maneira de distribuição de software". O que ele fez foi resgatar a forma como as coisas funcionavam antes de se iniciar o comércio de softwares. Pois é. Se os autores tivesse pesquisado um pouquinho mais, teriam visto que, nos primórdios da computação, os softwares eram, normalmente, trocados livremente entre as pessoas, justamente porque, como é inclusive falado no artigo, o que importava era o hardware. Logo, o que Stallman fez foi um resgate do modelo original de desenvolvimento de softwares, onde a informação fluia mais livremente.
Aí os autores caem na mesma armadilha de várias pessoas, ao afirmar que o software livre não tem mecanismos que "defendam o interesse do autor". Ao contrário, o software livre garante muito mais esse direito, ao assegurar que caso qualquer pedaço de código de um software livre utilizado na construção de qualquer outro software não só torne o novo software livre, como também indique a origem daquele código. Não entendi muito bem o que vocês quiseram dizer com "interesses do distribuidor", mas por que alguém que não teve nenhum papel na criação do software deveria ter algum direito sobre ele? Essa é a lógica do software e da cultura proprietária, onde os "atravessadores" muitas vezes ganham mais dinheiro que os autores. E isso está errado.
Ocorre também uma confusão em determinado trecho do artigo, ao afirmar que "versões do UNIX que possuem seu código-fonte fechado e deve-se pagar para adquiri-las". Por que isso está sendo usado como referência de software livre? Se o código é "fechado", então ele não é livre. É proprietário.
Também utilizam um argumento que eu acho muito divertido, em relação ao custo. Afirmam que um dos "custos ocultos" do software livre é o treinamento de pessoal. Ora, por acaso as pessoas nascem sabendo como utilizar software proprietário? Será que nunca é necessário capacitar ninguém no uso desses softwares? E, por favor, não me venham com o argumento ridículo de que o software proprietário é mais simples. Se assim o fosse, eu, que trabalho com computadores desde 1988, não gastaria quase 5 minutos pra descobrir onde a Microsoft escondeu a opção de "Salvar como..." no Microsoft Office 2007. Isso deveria ser algo intuitivo. Portanto, treinamento é necessário para ambos os tipos de software. E ao afirmar que é necessário "manter uma equipe de programadores que adapte, desenvolva e atualize os softwares" fica bem claro que vocês não tem a menor ideia de como funcionam os softwares livres. Você só adapta programas se quiser. A maioria deles atende muito bem às demandas das pessoas. E a atualização desses softwares, ao contrário do softwares proprietários, não precisa de nenhum técnico para ser feita. Usando o GNU/Linux como exemplo, o próprio sistema avisa, com um ícone na área de notificação, toda vez que aparecer uma atualização para qualquer software instalado no sistema (ao contrário do Windows, que só avisa sobre as atualizações dos softwares da Microsoft). Aí, basta você clicar nesse ícone, digitar a senha de administração e clicar em um botão autorizando a atualização. O software conecta-se à Internet, baixa os pacotes necessários, instala e configura, sem te fazer nenhuma pergunta (a não ser em pacotes usados em máquinas servidoras). Ah, e sabe o mais legal? A não ser que você atualize o kernel do sistema ou o ambiente gráfico (que é coisa rara de acontecer) você nem precisa reiniciar a máquina. Pra que técnico? Não é bem mais simples que no Windows? 
No item segurança, os argumentos são tão divertidos que fica até difícil contra-argumentar. Beiram o bizarro. Em primeiro lugar, a clássica frase de que o software proprietário é "mais visado por hackers"? De onde vem essa afirmação? Existe alguma pesquisa sobre o assunto? Inclusive aqui cabe um parênteses. Os autores também não sabem o que é um "hacker". Hackers não invadem sites nem atacam softwares. Hackers são pessoas com um grande conhecimento sobre determinado assunto e que estão sempre interessadas em aprender e compartilhar seu conhecimento. Quem provoca ataques são "crackers" e confundir os dois termos indica uma profunda ignorância da chamada "cultura digital". Inclusive, ser considerado um hacker é um dos maiores elogios que uma pessoa da área de tecnologia pode receber. Mas voltando ao ponto, se o argumento de que o software proprietário é mais visado está ligado à ideia de que é mais utilizado, é sempre bom lembrar que o servidor web mais utilizado no mundo é o Apache, um software livre. Se ele é o mais utilizado (e, portanto, deveria ser o mais visado) porque tem menos brechas de segurança que os softwares proprietários equivalentes?
E nesse ponto surge um dos meus argumentos prediletos, de que, como o software livre tem o código aberto, fica mais fácil encontrar erros. E, nesse ponto, eu concordo com os autores. Fica tão mais fácil que ele são corrigidos muito mais rapidamente do que no software proprietário. Além disso, quando um erro é detectado, não é necessário esperar sair a nova versão do software (que é o que obrigatoriamente acontece no software proprietário). Você mesmo pode fazer a correção, caso queira. E aqui os autores caem em contradição de novo. Se é mais difícil encontrar os erros no software proprietário, então porque eles são mais visados? Não seria mais inteligente acertar um alvo mais fácil? E, como citado no artigo, em relação às extensões, é possível fazer algum código malicioso? Sim, com certeza. Mas aí voltamos ao argumento anterior de que esse código poderá ser detectado mais rapidamente. Isso, na verdade, já aconteceu, quando tentaram fazer um descanso de tela para o Gnome que tinha código malicioso. Mas o problema foi descoberto e destruído no mesmo dia. Enquanto isso, a Microsoft demora 7 anos pra corrigir uma brecha de segurança séria no Windows (isso pra citar somente um problema de uma empresa de software proprietário)...
Em relação às vantagens, de onde os autores tiraram a ideia absurda de que não existem empresas e pessoas que prestam assistência técnica? Existem várias empresas e pessoas físicas que prestam esse tipo de serviço. A diferença é que, no caso da assistência ao software livre, o dinheiro, ao invés de ser repassado para empresas multinacionais, fica no próprio país, alimentando a economia local. Portanto, uma boa pesquisa antes de fazer afirmações desse tipo é sempre muito saudável. :-) Além disso, os autores também defendem a ideia de que software proprietário tem "garantia"? Isso só vale para aqueles que você paga para ser desenvolvido (e olhe lá!). Os softwares de "caixinha", como o Windows, inclusive, são bem claros na EULA (sabe aquele contrato que um monte de gente concorda sem ler? pois é, é ele), afirmando que não se responsabilizam por nenhum problema que o software possa gerar. Portanto, o software proprietário não oferece nenhuma garantia de que tudo vai funcionar corretamente. Chocante isso, né? E eu estou rindo muito aqui da afirmação de que "na maioria das vezes, o software proprietário traz consigo manuais detalhados que explicam como configurar e utilizar o software". Na boa, se os autores realmente acreditam nisso, então eu acho que eles nunca leram um manual de software original. Além dos manuais geralmente serem ruins e pouco explicativos, na maioria das vezes eles nem vêm impressos mais: estão digitalizados, na própria mídia do software.
E a conclusão do artigo é a cereja do bolo. Em primeiro lugar, comparar software com Coca-Cola é assustador, especialmente se considerarmos que os autores são do Departamento de Computação. Coca-Cola é um produto consumível. Se você bebe o refrigerante ele acaba. Software não. Ele não acaba se você ficar usando. E você pode fazer quantas cópias quiser sem prejudicar o original. A lógica é completamente inversa. Quanto à receita da Coca-Cola, meus amigos, se a gente consegue saber a constituição de uma estrela que está a anos-luz da Terra, vocês acham que não é possível saber os componentes de um refrigerante? Saber a constituição química da Coca-Cola não é difícil. A questão não é a receita (supostamente) secreta. Mas o fato de direitos autorais. Você não pode simplesmente fabricar Coca-Cola e vender, por infração de direitos. Só isso. E em relação ao "brilhantimo" do Bill Gates, só se for relativo à sua habilidade em vender coisas (nisso ele realmente é muito bom). Uma boa pesquisada na Internet mostra que a Microsoft comprou praticamente todos os produtos que recebem a sua marca (inclusive a primeira versão do MS-DOS, que era o QDOS renomeado). Portanto, muito mais "geniais" são os desenvolvedores de software livre que, além de trabalharem pessoalmente em seus projetos (lembre-se de que Bill Gates era um executivo e não um programador da Microsoft), ainda dedicam o tempo livre para disponibilizar aplicações que todos nós podemos utilizar. Isso sim, é genialidade. É pensar coletivamente. É colaborar para o avanço do conhecimento mundial como um todo (lembre-se de que todo o conhecimento produzido com software livre pertence ao mundo inteiro). Portanto, não vejo nenhuma genialidade em pessoas como o Bill. Vejo apenas alguém ganhando a fama em cima do trabalho dos programadores da Microsoft.
E pra fechar com chave de ouro, uma afirmação terrorista de que para manter a "ordem social" precisamos ter os dois tipos de software. Como assim? O que significa essa tal "ordem social"? Ou perguntando mais além, será que tanto o modelo capitalista como a chamada "ordem social" atendem a todas as pessoas do planeta? Ou o que os autores defendem é um sistema excludente que permite que pessoas vivam em condições miseráveis porque alguns devem ser "melhores que os outros"? Eu, sinceramente, prefiro pensar em um cenário melhor para o mundo, onde valores como liberdade e igualdade de condições sejam mais valorizados que o dinheiro que elas carregam consigo.
Como extrair o arquivo PDF original de arquivos .pdb gerados para o Palm
August 29, 2010 - No comments yetUma das coisas chatas do computador de mão da Palm (o famoso Palm Pilots ou handheld) era que pra poder ler arquivos PDF nele era necessário rodar uma versão especial do Adobe Acrobat para que o arquivo original fosse convertido para um formato reconhecido pelo dispositivo. Esse arquivo ganhava a extensão genérica de documentos do Palm (.pdb) e, aparentemente, não poderia ser "revertida" para o arquivo PDF original. Eu nunca consegui entender muito bem a necessidade dessa conversão, especialmente porque existe uma versão do Xpdf feita exatamente para abrir esse formato de arquivo no Palm (chamada de PDFmob), sem a necessidade de nenhuma conversão. Coisas da Palm e da Adobe...
Pois eu me deparei justamente com o problema de ter que recuperar um arquivo PDF que estava encapsulado em um .pdb. Depois de alguma pesquisa, descobri que alguns programas poderiam fazer isso, mas nenhum deles era para GNU/Linux. Então eu encontrei, nesta publicação de fórum, uma forma simples e fácil de fazer o trabalho. Uma vez que o arquivo .pdb é o PDF encapsulado com algumas informações extras, basta abrir o arquivo em um editor hexadecimal e extrair somente a "parte PDF" dele, ignorando todo o resto.
Para fazer isso, você vai precisar de um editor hexadecimal (eu usei, no KDE, o Okteta). Abra o arquivo .pdb nesse editor e procure pela seguinte sequência (em hexadecimal): 25 50 44 46 2D. Essa é a sinalização de início do arquivo, que, traduzida para caracteres, significa "%PDF-" (no Okteta é possível procurar tanto pela sequência hexadecimal quanto pelo seu correspondente em caracteres). Feito isso, localize a sequência de finalização do arquivo: 25 25 45 4F 46 (que, traduzido, é "%%EOF"). Agora marque todo o conteúdo da sequência inicial à final (incluindo ambas), copie-o e cole-o em um novo documento. E, pra fechar, salve-o com a extensão .pdf. Pronto! O seu PDF acaba de ser recuperado. 
Só tem um porém (claro, sempre tem um). Isso só funciona 100% com documentos que sejam somente texto ou tenham imagens pequenas. Isso porque, quando se tem documentos com formatação mais complexa ou imagens grandes, o conversor para Palm diminui a resolução das imagens para caber na tela do aparelho e pode, também, mudar alguns detalhes na diagramação do documento. Mas sempre vale a pena testar e ver se não atende ao que desejamos recuperar, ok?
E se a mancha de petróleo estivesse na minha casa?
June 2, 2010 - No comments yetUm dos maiores problemas que temos para avaliar o impacto de catástrofes ambientais é a noção da sua abrangência. Por exemplo, quando ouvimos que "quatro estádios de futebol são cortados por dia na Amazônia", até temos uma noção geral do que é isso, mas, ainda assim, a ideia acaba ficando meio vaga. Se considerarmos eventos de proporções maiores, como o grande vazamento de petróleo da British Petroleum no Golfo do México, isso fica ainda mais complicado.
Foi pensando especificamente nesse caso que o sítio If it was my home (algo como "E se fosse a minha casa") foi criado. Ele utiliza a tecnologia do Google Maps para colocar a mancha de petróleo sobreposta a um mapa da sua cidade (que o sítio descobre baseado no endereço IP da sua conexão). Um recurso interessante é que você pode deslocar a mancha para outros locais, o que ajuda ainda mais na comparação. Só agora, depois de ver no mapa, eu tive real dimensão da tragédia. E fiquei mais horrorizado do que já estava. 
O If it was my home é uma ideia simples, mas bastante eficiente no que se propõe. Algo a ser considerado em outras campanhas e divulgações de notícias que envolvam eventos de dimensões maiores.
Mais um bug no Twitter
May 11, 2010 - No comments yetE acharam mais um bug no Twitter. Ontem (10 de maio de 2010) vários usuários começaram a reclamar que suas listas de seguidores e seguidos estavam zeradas. Detalhe, esse não era o bug, mas a correção dele. 
O que aconteceu é que foi divulgada uma falha no Twitter que permitia que você acrescentasse qualquer pessoa à sua lista de seguidores. Bastava digitar accept nome_do_usuário e esse usuário automaticamente se tornava seu seguidor, sem nenhuma necessidade de confirmação por parte dele.
Agora o mais divertido foi a forma como o erro foi descoberto: por puro acidente. Isso mesmo. Segundo o sítio Mashable, um usuário turco, fã da banda de heavy metal Accept, publicou em seu Twitter a mensagem "Accept pwnz", como uma homenagem à banda (pwnz é uma expressão de exaltação, maiores detalhes no Urban Dictionary). Então ele percebeu que o usuário @pwnz passou a fazer parte da sua lista de seguidores. O descobridor do problema publicou em seu blog (em turco) o feito e aí um monte de gente passou a colecionar seguidores. Foi aí que a equipe do Twitter interviu, corrigiu o erro e zerou todas as contas, para poder restaurar ao estado anterior. Nesse momento começou caos entre as pessoas, que achavam que tinham perdido seus contatos. Mas tudo está bem agora (até o próximo problema, claro). 
Quando uma rede social do porte do Twitter deixa passar um bug, no mínimo primário, como esse, é sinal que alguma coisa não está muito certa. Pelo jeito o pessoal anda bem relaxado lá no viveiro do passarinho azul...
Ah, nem preciso comentar que o identi.ca, não possui esse problema, além de ter mais recursos que o Twitter e estar traduzido pro nosso (e vários outros) idioma, né? Então, o que você está esperando pra experimentar um microblog que funciona de verdade? E que tal me acompanhar lá? 
Chamada de trabalhos para o FLISoL-BH 2010
March 8, 2010 - No comments yetQuer apresentar um estudo de caso de migração para software livre? Ou contar a sua experiência de como o utiliza na sua escola? Que tal um mini-curso ensinando a editar imagens usando aplicações livres? Está aberta a chamada de trabalhos para o FLISoL-2010 e esses e outros temas podem fazer parte da grade do evento. Depende somente de vocês.
Se você tem alguma proposta de palestra ou minicurso sobre softwares livres está convidado a enviá-la para nós. As melhores propostas serão selecionadas para serem apresentadas ao longo do dia 24 de abril, data em que acontecerá o FLISoL em BH (e várias outras cidades da América Latina).
Vale a pena destacar que software livre não está presente somente no sistema operacional GNU/Linux. Também é possível falar sobre o uso e o desenvolvimento dessas aplicações nos sistemas operacionais proprietários. O que importa é falar sobre o software livre, independente de onde ele está sendo utilizado. O único ponto importante é planejar palestras para um público leigo ou iniciante, que é o foco principal do evento. Além de palestras, podem também ser propostos minicursos e oficinas, já que teremos laboratórios com computadores à nossa disposição. Os minicursos podem ter um caráter mais técnico e ter como público-alvo usuários avançados.
Para enviar a sua proposta, por favor utilize o formulário de contato e informe os seguintes dados:
- Nome completo
- Endereço de e-mail
- Escreva no assunto “Proposta de palestra” ou “Proposta de mini-curso”, de acordo com o tipo de proposta
- No campo “Sua mensagem”, escreva o nome da palestra ou mini-curso/oficina com um resumo detalhando a atividade. No caso de mini-cursos/oficinas, especifique também a quantidade máxima de participantes. Por fim, escreva sua disponibilidade de horário.
Dúvidas também podem ser enviadas pelo formulário de contato. Contamos com a participação de todos os interessados em divulgar o software livre ou aprender mais sobre o assunto.
Como o contágio pode salvar vidas
February 10, 2010 - No comments yetSempre que a palavra "contágio" é mencionada, imediatamente a associamos a coisas ruins: doenças, morte, invalidez.... Mas e se o sentido dessa palavra fosse subvertido para passar uma mensagem positiva? E se fosse possível contaminar pessoas com um "vírus" capaz de melhorar suas vidas? Essa é a mensagem que a indiana Kiran Bir Sethi nos transmite em sua fala no TED.
É uma apresentação valiosa pois nos mostra como iniciativas simples podem fazer uma grande diferença. E o detalhe mais importante dessa história é que não estamos falando de países como a França, Alemanha, Reino Unido ou Estados Unidos, mas sim da Índia, um país cheio de contrastes (e bem mais próximo da nossa realidade). Com a segunda maior população do planeta, eles são, segundo dados da Wikipédia, o 134º país do mundo na classificação do IDH, 139º em esperança de vida, 143º em mortalidade infantil e 147º em alfabetização. A título de comparação, para o Brasil, esses números são: 75º no IDH, 92º em esperança de vida, 106º em mortalidade infantil e 95º em alfabetização. Além disso, existem 23 idiomas nacionais (os mais importantes são o hindu e o inglês) e mais de 1600 (!!!) dialetos locais. E mesmo com todos essa diversidade e dificuldades, a Kiran conseguiu realizar um trabalho maravilhoso de valorização das crianças em um país reconhecido mundialmente pelos seus problemas com trabalho infantil.
Mas aí vem as perguntas fatais. E no Brasil? Por que não fazemos algo desse tipo? Por que ao invés de esperar um novo projeto do governo não fazemos, nós mesmo esse trabalho de valorização das crianças? Por que ao invés de campanhas anuais de mega-arrecadação de dinheiro não trabalhos propostas simples, mas que durarão para sempre? Como diz a palestrante, foi preciso somente um homem (o Gandhi) para mudar toda uma nação. Será que não podemos mudar nem ao menos a realidade que nos cerca? Ficam os questionamentos (e o incômodo)...
(a dica do vídeo veio dessa publicação, do blog do Fábio Prudente)










