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27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Este blog pretende funcionar como um espaço de discussão das questões relacionadas a cultura livre e colaborativa, representadas aqui sobretudo pelo defesa do software livre, do p2p e pela defesa do anonimato na rede. Ele é gerenciado por uma militante do software livre e aprendiz de historiadora, que desenvolve pesquisas sobre as implicações da cibercultura na contemporaneidade. Me interessa aqui, parafraseando o Wu Ming, atingir, pescar, distribuir, contar e, no fundo, pretender a dignidade para aqueles que defendem a liberdade na rede e fora dela.


Uma sociedade digital livre – Parte 4

1 de Novembro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Olá a todos!

Vamos postar mais um texto da série “Uma sociedade digital livre: o que torna a inclusão digital boa ou ruim?“, estrelada por nosso amigo idealizador do movimento software livre, Richard Stallman! Só lembrando que já postamos aqui outras três partes desse texto: a primeira, onde Stallman fala sobre o perigo da vigilância que ronda uma sociedade digital; a segunda, em que ele nos alerta sobre a censura e os formatos de dados que restringem os usuários como outras duas ameaças à nossa liberdade; e a terceira parte em que ele aborda a questão do software proprietário.

Nesta quarta parte, Stallman vai apresentar as 4 liberdades do software e suas principais características. Em seguida ele fala sobre como começou o movimento software livre, através do Projeto GNU;e sobre qual a importância de se usar software livre no processo de educar. A mensagem mais importante que ele procura passar aqui, e me parece que em todos os seus textos e falas, é: sempre trate o software livre como uma questão ética!

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As 4 liberdades do software livre

Agora as liberdades essenciais são quatro:

  • Liberdade 0 é a liberdade de executar o software como você quiser.
  • Liberdade 1 é a liberdade de estudar o código fonte e alterá-lo, de modo que o software faça o que você deseja.
  • Liberdade 2 é a liberdade para ajudar os outros. Essa é a liberdade de fazer cópias do software e redistribuí-las quando você quiser.
  • Liberdade 3 é a liberdade de contribuir para sua comunidade. Essa é a liberdade de fazer cópias das suas versões modificadas do software, se você fez alguma, e então distribuí-las para outros quando você quiser.

 Essas liberdades, a fim de serem adequadas, devem aplicar-se a todas as atividades da vida. Por exemplo, se diz: “Isso é livre para uso acadêmico,” não é livre. Porque isso é muito limitado. Não se aplica a todas as áreas da vida. Em particular, se um software é livre, significa que pode ser modificado e distribuído comercialmente, porque o comércio é uma área da vida, uma atividade na vida. E essa liberdade tem de se aplicar a todas as atividades.

Agora, no entanto, não é obrigatório fazer qualquer uma dessas coisas. O ponto é que você é livre para fazê-las se quiser, quando quiser. Mas você nunca tem que fazê-las. Você não tem que fazer nenhuma delas. Você não tem que executar o software. Você não tem que estudar ou alterar o código-fonte. Você não tem que fazer nenhuma cópia. Você não tem que distribuir as suas versões modificadas. O ponto é que você deve ser livre para fazer essas coisas, se você desejar.

Agora, a liberdade número 1, a liberdade de estudar e alterar o código fonte para que o software faça o que você desejar, inclui algo que pode não ser óbvio à primeira vista. Se o software vem em um produto, e um desenvolvedor pode oferecer uma atualização que será executada, então você tem que ser capaz de fazer a sua versão executar nesse produto. Se o produto só executar versões do desenvolvedor, e se recusar a executar as suas, o executável nesse produto não é software livre. Mesmo se ele foi compilado a partir do código fonte livre, que não é livre porque você não tem a liberdade de fazer o software fazer o que você deseja. Assim, a liberdade 1 tem que ser real, e não apenas teórica. Ele tem de incluir a liberdade de usar a sua versão, e não apenas a liberdade de fazer algum código fonte que não será executado.

O projeto GNU e o movimento software livre

Lancei o movimento software livre em 1983, quando eu anunciei o plano para desenvolver um sistema operacional livre cujo nome é GNU. Agora o GNU, o nome GNU, é uma brincadeira; porque parte do espírito do hacker é ter diversão, mesmo quando você está fazendo algo muito sério. Agora eu não posso pensar em nada mais seriamente importante do que a defesa da liberdade.

Mas isso não quer dizer que eu não poderia dar ao meu sistema um nome que é uma brincadeira. Então GNU é uma brincadeira, porque é um acrônimo recursivo, que significa “GNU não é Unix”, assim G.N.U.: GNU Não é Unix. Então, o G no GNU significa GNU.

Agora, de facto, isso era uma tradição na época. A tradição era: se houvesse um programa existente e você escrevesse algo semelhante a ele, inspirado por ele, você poderia dar crédito, dando ao seu programa um nome que é um acrônimo recursivo dizendo que ele não é o outro.

Então eu dei crédito ao Unix pelas ideias técnicas dele, mas com o nome GNU, porque eu decidi fazer do GNU um sistema Unix-like, com os mesmos comandos, as mesmas chamdas de sistema, de modo que seria compatível, para que as pessoas que usassem Unix pudessem trocar facilmente.

Mas a razão para o desenvolvimento do GNU, essa foi a única. GNU é o único sistema operacional, até onde eu sei, já desenvolvido com o propósito de liberdade. Não por motivações técnicas, não por motivações comerciais. GNU foi escrito por sua liberdade. Porque sem um sistema operacional livre, é impossível ter liberdade e usar um computador. E não havia nenhum, e eu queria que as pessoas tivessem liberdade, por isso escrevi um.

Hoje em dia existem milhões de usuários do sistema operacional GNU e a maioria deles não sabem que estão usando esse sistema, porque há uma prática generalizada que não é boa. As pessoas chamam o sistema de “Linux”. Muitos fazem, mas algumas pessoas não, e eu espero que você seja um deles. Por favor, já que nós começamos isso, já que escrevemos a maior parte do código, por favor, nos dê igual menção, por favor, chame o sistema GNU+Linux, ou
GNU/Linux. Não é pedir muito!

Mas há outra razão para fazer isso. Acontece que a pessoa que escreveu o Linux, que é um componente do sistema que nós usamos hoje, não concorda com o movimento software livre. Então, se você chamar todo o sistema de Linux, na verdade você está guiando as pessoas para as suas idéias, e para longe das nossas. Porque ele não vai dizer a eles que eles merecem liberdade. Ele vai dizer que ele gosta de software conveniente, confiável e poderoso. Ele vai dizer às pessoas que esses são os valores importantes.

Mas se você lhes disser que o sistema é GNU+Linux – o sistema operacional GNU mais o kernel Linux – então eles saberão sobre nós, e então eles poderiam ouvir o que dizemos. Você merece liberdade, e já que a liberdade será perdida se não a defendermos – haverá sempre um Sarkozy para tirá-la – precisamos acima de tudo ensinar as pessoas a exigir liberdade, a estar pronto para defender a sua liberdade na próxima vez que alguém ameaçar tirá-la.

Hoje em dia, você pode dizer que não quer discutir essas idéias de liberdade, porque eles não dizem “logiciel libre”. Eles não dizem “libre”, eles dizem “open source”. Esse termo foi cunhado por pessoas como o Sr. Torvalds, que prefeririam que estas questões éticas não fossem levantadas. E assim, a maneira como você pode nos ajudar a leventá-las é dizendo libre. Você sabe, depende de onde você está, você é livre para dizer o que pensa. Se você concorda com eles, pode dizer open source. Se você concorda com a gente, mostre isso: diga libre!

Software livre e educação

Agora, o ponto mais importante sobre software livre é que as escolas devem ensinar exclusivamente software livre. Todos os níveis escolares, da educação infantil a universidade têm a responsabilidade moral de ensinar apenas software livre, e todas as outras atividades educacionais também, incluindo aquelas que dizem que estão espalhando alfabetização digital. Muitas dessas atividades ensinam Windows, o que significa que estão ensinando dependência. Ensinar as pessoas a usar software proprietário é ensinar dependência, e atividades educacionais nunca devem fazer isso, porque é o oposto de sua missão. As atividades educacionais têm uma missão social de educar os bons cidadãos de uma sociedade forte, capaz, colaborativa, independente e livre. E na área da computação, isso significa: ensinar software livre. Nunca ensinar um programa proprietário porque isso é incutir dependência.

Por que você acha que alguns desenvolvedores de softwares proprietários oferecem cópias gratuitas para as escolas? Eles querem que as escolas tornem as crianças dependentes. E, então, quando elas se formarem, eles ainda serão dependentes e você sabe que a empresa não vai oferecer a elas cópias gratuitas. E algumas delas conseguem emprego e vão trabalhar para empresas. Muitos deles não mais, mas alguns deles. E essas empresas não vão oferecer cópias gratuitas. Oh não! A ideia é que se a escola orienta os alunos no caminho da dependência permanente, isso pode arrastar o resto da sociedade para o mesmo caminho. Esse é o plano! É como dar à escola agulhas grátis cheias de drogas viciantes, dizendo “injete isso em seus alunos, a primeira dose é grátis.” Uma vez que você se torna dependente, então, você tem que pagar. Bem, a escola iria rejeitar as drogas porque não é certo ensinar os alunos a usar drogas viciantes e ela tem que rejeitar o software proprietário também.

Algumas pessoas dizem “vamos deixar a escola ensinar tanto o software proprietário quanto software livre, para que os alunos se familiarizem com os dois.” Isso é como dizer “para o almoço vamos dar às crianças o espinafre e o tabaco, de modo que eles se tornem acostumadas a ambos.” Não! As escolas só devem ensinar bons hábitos, não os ruins! Assim, não deve haver Windows em uma escola, nem Macintosh, nada proprietário na educação.

Mas, também, por uma questão de educar os programadores. Você vê, algumas pessoas têm um talento para a programação. Entre 10-13 anos de idade, normalmente, eles são fascinados, e se eles usam um programa, eles querem saber “como ele faz isso?” Mas quando eles perguntam ao professor, se for proprietário, o professor tem que dizer “Sinto muito, é um segredo, não podemos descobrir.” O que significa que a educação é proibida. Um programa proprietário é o inimigo do espírito de educação. É o conhecimento retido, por isso não deve ser tolerado em uma escola, embora possa haver muitas pessoas na escola que não se importem com programação, e não querem aprender isso. Ainda assim, porque é o inimigo do espírito da educação, não deveria estar lá na escola.

Mas se o programa é livre, o professor pode explicar o que ele sabe, e depois dar cópias do código-fonte, dizendo: “leia e você vai entender tudo.” E aqueles que são realmente fascinado, eles vão lê-lo! E isso vai lhes dar uma oportunidade para começar a aprender a como ser bons programadores.

Para aprender a ser um bom programador, você precisa reconhecer que certas maneiras de escrever o código, mesmo se elas fazem sentido para você e estão corretas, elas não são boas, porque outras pessoas vão ter problemas para compreendê-las. Bom código é um código claro, que os outros vão ter um tempo fácil de trabalho nele quando eles precisam fazer mais alterações.

Como você aprende a escrever bom código? Você faz isso através da leitura e da escrita de muito código. E somente o software livre oferece a oportunidade de ler o código de grandes programas que você realmente usa. E então você tem que escrever um monte de código, o que significa que você tem que escrever mudanças em grandes programas.

Como você aprende a escrever código bom para os grandes programas? Você tem que começar pequeno, o que não significa pequeno programa, oh não! Os desafios de escrever código para grandes programas nem sequer começam a aparecer em pequenos programas. Então, a maneira pela qual você pode começar pequeno é escrevendo pequenas mudanças em programas de grande porte. E só o software livre dá a você a chance de fazer isso!

Então, se uma escola quer oferecer a possibilidade de aprender a ser um bom programador, ela precisa ser uma escola de software livre.

Mas há uma razão ainda mais profunda, e essa é para o bem da educação moral, educação para a cidadania. Não é o suficiente para uma escola para ensinar fatos e habilidades, ela tem que ensinar o espírito da boa vontade, o hábito de ajudar os outros. Portanto, cada aula deve ter esta regra: “Alunos, se vocês levarem o software para a aula, vocês não podem mantê-lo restrito, vocês devem compartilhar cópias com o resto da classe, incluindo o código fonte no caso de alguém aqui querer aprender! Porque essa classe é um lugar onde compartilhamos nosso conhecimento. Portanto, trazer um programa proprietário para a aula não é permitido.” A escola deve seguir sua própria regra para definir um bom exemplo. Portanto, a escola deve trazer apenas software livre para a classe, e compartilhar cópias, incluindo o código-fonte, com alguém na classe que queira cópias.

Aqueles de vocês que têm uma ligação com a escola devem fazer campanha e pressionar a escola a mudar para software livre. E você tem que ser firme. Isso leva anos, mas você pode ter sucesso, desde que você nunca desista. Continue buscando mais aliados entre os alunos, o corpo docente, os funcionários, os pais, qualquer um!

E sempre trate como uma questão ética. Se alguém quer desviar a discussão para esta vantagem prática e esta desvantagem prática, significa que eles estão ignorando a questão mais importante, então você tem que dizer: “isto não é sobre como fazer o melhor trabalho de educação, é sobre como fazer uma boa educação em vez de uma ruim. É como fazer uma educação certa em vez de uma errada, não é apenas uma forma de torná-la menos ou mais eficaz.” Portanto, não se distraia com essas questões secundárias, ignorando o que realmente importa!




Minha palestra no Latinoware 2012

24 de Outubro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Mais um ano participando do Latinoware e representando a comunidade KDE Brasil! No ano passado o KDE comemorou 15 anos de história e eu fiquei responsável por apresentar essa trajetória aos participantes do evento.

Dessa vez palestrei sobre como colaborar com o KDE sem escrever nenhuma linha de código. A ideia era mostrar às pessoas que você não precisa ser um programador para contribuir com o KDE ou com qualquer outro projeto de software livre. A palestra foi voltada para o público em geral e nela procurei apresentar a comunidade internacional responsável por 16 anos de projeto KDE e as diversas atividades que são necessárias para desenvolver um projeto como esse.

Foto: Jean Pavão/PTI

Quem não pôde ir ao Latinoware mas gostaria de ter acesso ao que foi apresentado nessa palestra, basta clicar aqui e baixar os slides em pdf da minha apresentação! ;-)

E se você está interessado em se envolver com o Projeto KDE e não sabe por onde começar, pergunte-me como! ;-)




Uma sociedade digital livre – Parte 3

10 de Outubro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Continuando a nossa apresentação do texto A Free Digital Society – What Makes Digital Inclusion Good or Bad? de Richard Stallman, hoje publicamos a terceira parte da seqüência. Na primeira parte tivemos Stallman discutindo a questão da vigilância como uma das grandes ameaças de uma sociedade digital, você pode conferir tudo isso aqui. Na segunda, Stallman falou de mais dois tipos de ameaças: a censura e o formato de dados restrito. Esta segunda parte pode ser lida aqui.

Nesta terceira parte do texto apresentada hoje, o tema abordado por Richard Stallman será o software proprietário como uma grande ameaça à nossa liberdade na cultura digital. Stallman pontua algumas questões sobre como esse tipo de software exerce um controle sobre seus usuários e esconde recursos maliciosos.

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Software que não é livre

Agora isso me leva à próxima ameaça que vem do software sobre qual os usuários não têm controle. Em outras palavras: software que não é livre, que é não “libre”. Neste ponto em particular o francês é mais claro que o inglês. A palavra “free” em inglês significa “libre” e “gratuit” (“livre” e “gratuito” em francês), mas o que quero dizer quando digo “free software” é “logiciel libre” (“software livre” em francês). Eu não quero dizer “gratuit”. Eu não estou falando sobre o preço. Preço é uma questão à parte, apenas um detalhe, porque isso não importa eticamente. Você sabe que se eu tiver uma cópia de um software e vendê-la por um ou cem euros, quem se importa? Por que alguém deveria achar que isso é bom ou ruim? Ou suponha que eu o dei para você “gratuitement” (“de graça” em francês)… Ainda assim, quem se importa? Mas se este software respeita a sua liberdade, isso é importante!

Então, o software livre é um software que respeita a liberdade dos usuários. O que isso significa? Em última análise, há apenas duas possibilidades com o software: ou os usuários controlam o software ou o software controla os usuários. Se os usuários têm certas liberdades essenciais, então, eles controlam o software, e essas liberdades são o critério para o software livre. Mas, se os usuários não têm plenamente as liberdades essenciais, o software controla os usuários. Mas alguém controla esse software e, através dele, tem poder sobre os usuários.

Assim, um software não livre é um instrumento para dar a alguém poder sobre um monte de outras pessoas e isso é poder injusto que ninguém nunca deveria ter. É por isso que software não livre  (les logiciels privateurs, qui privent de la liberté), porque software proprietário é uma injustiça e não deveria existir, porque ele deixa os usuários sem liberdade.

Agora, o desenvolvedor que tem o controle do software muitas vezes se sente tentado a introduzir recursos maliciosos para explorar ainda mais ou abusar desses usuários. Ele sente uma tentação porque ele sabe que pode ir longe com isso: porque o seu software controla os usuários e os usuários não têm controle do software, se ele coloca um recurso malicioso, os usuários não podem corrigi-lo, ou seja, eles não podem remover este recurso malicioso.

Eu já tinha dito a vocês sobre dois tipos de recursos maliciosos: recursos de vigilância, tais como os que são encontrados no Windows, e no iPhone e Flash Player, e no Amazon “Swindle”. E há também recursos para restringir os usuários, que trabalham com formatos de dados secretos, e esses são encontrados no Windows, Macintosh, no iPhone, Flash Player, no Amazona “Swindle”, no Playstation 3 e muitos e muitos outros softwares.

O outro tipo de recurso malicioso é o backdoor. Isso quer dizer que o programa está recebendo comandos remotos e obedecendo-os, e esses comandos podem ser uma ameaça ao usuário. Sabemos de backdoors no Windows, no Iphone, no Amazon “Swindle”. O Amazon “Swindle” tem um backdoor que pode apagar remotamente livros. Sabemos isso por observação, porque a Amazon fez isso: em 2009 a Amazon remotamente apagou milhares de cópias de um livro particular. Essas eram cópias autorizadas, as pessoas tinham obtido-as diretamente da Amazon e, assim, a Amazon sabia exatamente onde estavam, que é como a Amazon sabia para onde enviar os comandos para apagar esses livros. Você sabe qual o livro a Amazon excluiu? 1984 de George Orwell. É um livro que todos devem ler, porque discute um estado totalitário que fez coisas, como deletar livros que ele não gosta. Todo mundo deveria lê-lo, mas não no Amazon “Swindle”.

De qualquer forma, recursos maliciosos estão presentes na maioria dos softwares não livres mais usados, mas eles são raros em software livre, porque com o software livre os usuários têm o controle: eles podem ler o código-fonte e podem mudá-lo. Então, se houvesse um recurso malicioso, alguém mais cedo ou mais tarde iria detectá-lo e corrigi-lo. Isso significa que alguém que está considerando a introdução de um recurso malicioso não acha tão tentador, porque ele sabe que pode escapar por um tempo, mas alguém vai detectá-lo, corrigi-lo, e todo mundo vai perder a confiança no autor do recurso. Não é tão tentador quando você sabe que você falhará. E é por isso que nós achamos que recursos maliciosos são raros em software livre, e comuns em software proprietário.




KDE celebra o Ada Lovelace Day com evento

5 de Outubro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

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Todos os anos celebramos internacionalmente o Ada Lovelace Day. Essa data remete, antes de tudo, à grande precursora da programação Ada Byron, nascida na Inglaterra do século XIX. Ada, para quem ainda não conhece, era uma matemática autodidata responsável por criar o primeiro programa de computador já conhecido no mundo, algoritmos para cálculos usados na máquina analítica de Charles Babage. Ela, portanto, entrou para a história da computação como sendo a primeira programadora de computadores que se tem notícia.

Essa data além de servir para celebrar os feitos de Ada serve também para descobrir e incentivar outras Adas ao redor do mundo a se envolverem com a tecnologia e a ciência. Nesse ano, o Ada Lovelace Day acontecerá no dia 16 de outubro e o KDE resolveu celebrar essa data promovendo algumas atividades para integrar mais pessoas, em especial as mulheres, mas não só elas, à nossa comunidade. A ideia é promovermos alguns tutoriais via IRC ou Google Hangout sobre algumas ferramentas do KDE e sobre como se envolver com a comunidade.

Convide à todos: seus amigos e familiares, sua namorada e seu namorado para celebramos com a gente!

Confira abaixo a nossa programação:

  • An easy way to start in KDE: write a Plasmoid in QML – Ministrado por Camila.

  • KDE testing: how to become a tester – Ministrado por Myriam.

  • Ask your question about getting involved in KDE – Ministrado por Lydia e Frederik.

  • LaTeX with Kile – Ministrado por Melissa.

    Os detalhes sobre o evento podem ser encontrados na nossa wiki: http://community.kde.org/AdaLovelaceDay/2012




Uma sociedade digital livre – Parte 2

29 de Setembro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Essa é a segunda parte do texto A free digital society de Richard Stallman, traduzido aqui no Cibermundi. Esse texto discute as ameaças de uma sociedade digital e o que podemos fazer para contorná-las. Nesta segunda parte, Stallman aborda outras duas ameaças que estão presentes na nossa sociedade: a censura e os formatos de dados que restringem os usuários.

Leia aqui a primeira parte deste texto: Uma sociedade digital livre – Parte 1

 

Censura

A segunda ameaça é a censura. A censura não é nova, já existia muito antes dos computadores. Mas 15 anos atrás, nós pensávamos que a internet nos protegeria da censura, que a derrotaria. Então, China e algumas outras tiranias óbvias não mediram esforços para impor a censura na internet, e nós dissemos: “bem isso não é surpreendente, o que mais governos gostariam de fazer?”

Mas hoje vemos censura imposta em países que não são normalmente pensados como ditaduras, como, por exemplo, o Reino Unido, França, Espanha, Itália, Dinamarca…

Eles todos têm sistemas de bloqueio de acesso a alguns sites. Dinamarca criou um sistema que bloqueia o acesso a uma longa lista de páginas web,  que era secreto. Os cidadãos não deveriam saber como o governo os censurava, mas a lista foi divulgada e publicada no Wikileaks. Depois disso, a Dinamarca adicionou a página do WikiLeaks à sua lista de censura.

Assim, todo o resto do mundo pode descobrir como os dinamarqueses estão sendo censurados, mas os dinamarqueses não deveriam saber.

Há alguns meses atrás, a Turquia, que afirma respeitar alguns direitos humanos, anunciou que todos os usuários da internet teriam que escolher entre censura e mais censura. Entre quatro diferentes níveis de censura! Mas a liberdade não é uma das opções.

A Austrália quis impor filtragem sobre internet, mas isso foi bloqueado. No entanto, a Austrália tem um tipo diferente de censura: tem censura de links. Ou seja, se um site na Austrália tem um link para algum site censurado fora da Austrália, o que está na Austrália pode ser punido.

Electronic Frontier Austrália, que é uma organização que defende os direitos humanos no domínio digital, na Austrália, postou um link para um site estrangeiro de política. Ela recebeu ordens para excluir o link ou então enfrentaria uma multa de US $ 11.000 por dia. Então eles apagaram, o que mais poderiam fazer? Este é um sistema muito dura de censura.

Na Espanha, a censura que foi adotada no início deste ano permite às autoridades fechar um site arbitrariamente no país ou impor filtragem para bloquear o acesso a um site fora da Espanha. E eles podem fazer isso sem qualquer tipo de julgamento. Essa foi uma das motivações para os Indignados, que foram protestar na rua.

Houve protestos nas ruas na Turquia também, após o anúncio, mas o governo recusou-se a mudar sua política.

Temos de reconhecer que um país que impõe a censura sobre a Internet não é um país livre. E não é um governo legítimo também.

Formato de dados restritos

A próxima ameaça à nossa liberdade vem de formatos de dados que restringem os usuários.

Às vezes é porque o formato é secreto. Existem muitos softwares que salvam os dados do usuário em um formato secreto, que se destina a impedir que o usuário pegue esses dados e utilize-os em algum outro programa. O objetivo é evitar a interoperabilidade.

Agora, é claro, que se o programa implementa um formato secreto é porque ele não é software livre. Portanto, este é um outro tipo de recurso malicioso. A vigilância é um tipo de recurso malicioso que você encontra em alguns softwares não livres, usar formatos secretos para restringir os usuários é um outro tipo de recurso malicioso que você encontra também em alguns programas não livres.

Mas se você tem um software livre que tem suporte a um determinado formato, ipso facto que o formato não é secreto. Este tipo de recurso malicioso só existe em um software não livre. Recursos de vigilância poderiam teoricamente existir em um software livre, mas você não vê isso acontecendo. Porque os usuários iriam consertá-lo. Os usuários não iriam gostar disso, então eles iriam consertar.

Em todo caso, também podemos encontrar formatos de dados secretos em uso para a publicação de obras. Você encontra formatos de dados secretos usados por áudio, tais como a música, por vídeo, por livros … E estes formatos secretos são conhecidos como Digital Restrictions Management, ou DRM, ou algemas digitais (numériques les menottes).

Assim, as obras são publicadas em formatos secretos de modo que apenas softwares proprietários podem executá-las, e então esses softwares proprietários podem ter o recurso malicioso de restringir os usuários, impedindo-os de fazer algo que seria natural fazer.

E isso é utilizado até mesmo por entidades públicas para se comunicar com as pessoas. Por exemplo, a TV pública italiana disponibiliza seus programas na rede em um formato chamado VC-1, que supostamente é um padrão, mas é um padrão secreto.

Agora eu não consigo imaginar como qualquer entidade que tenha apoio público poderia justificar o uso de um formato secreto para se comunicar com o público. Isso deveria ser ilegal. Na verdade, eu acho que todo o uso de Digital Restrictions Management (DRM) deveria ser ilegal. Nenhuma empresa deveria ser autorizada a fazer isso.

Há também formatos que não são secretos, mas é quase como se fossem, como, por exemplo, o Flash. O Flash realmente não é secreto, mas a Adobe continua a fazer novas versões, que são diferentes entre si, mais rápido do que qualquer um possa mantê-las e torná-las software livre, de modo que ele tem quase o mesmo efeito dos formatos secretos.

Depois, há os formatos patenteados, tais como o MP3, para áudio. É ruim distribuir áudio em formato MP3! Há software livre com suporte ao formato MP3, que pode executá-lo e gerá-lo, mas pelo fato de ser patenteado em muitos países, muitos distribuidores de software livre não se atrevem a incluir esses programas, assim se eles distribuírem o sistema GNU+Linux, seus sistemas não incluem um leitor de MP3.

Como resultado disso, se alguém distribui alguma música em MP3 isso está colocando pressão sobre as pessoas para não usar o GNU/Linux. Claro, se você é um especialista pode encontrar um software livre e instalá-lo, mas existem muitos não-especialistas, e eles podem ver que instalaram uma versão do GNU/Linux que não tem esse software e não reproduzirão arquivos MP3, e eles podem achar que a culpa é do sistema. Eles não percebem que é culpa do formato MP3. Mas este é o fato.

Portanto, se você quer apoiar a liberdade, não distribua arquivos MP3. É por isso que eu digo, se você está gravando o meu discurso e quer distribuir cópias, não faça isso em um formato patenteado como MPEG-2 ou MPEG-4, ou MP3. Use um formato amigável ao software livre, como o formato Ogg ou WebM. E, a propósito, se você for distribuir cópias da gravação, por favor, coloque-a sob uma licença Creative Commons-No derivatives. Esta é uma declaração de minhas visões pessoais. Se fosse uma palestra para um curso, se fosse algo didático, então deveria ser livre, mas declarações de opinião são diferentes.




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