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Cibermundi

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Cibermundi

27 de Maio de 2009, 0:00 , por Software Livre Brasil - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Este blog pretende funcionar como um espaço de discussão das questões relacionadas a cultura livre e colaborativa, representadas aqui sobretudo pelo defesa do software livre, do p2p e pela defesa do anonimato na rede. Ele é gerenciado por uma militante do software livre e aprendiz de historiadora, que desenvolve pesquisas sobre as implicações da cibercultura na contemporaneidade. Me interessa aqui, parafraseando o Wu Ming, atingir, pescar, distribuir, contar e, no fundo, pretender a dignidade para aqueles que defendem a liberdade na rede e fora dela.


Revista sobre software livre na universidade

20 de Janeiro de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Olá meus caros!

Esse mês foi publicada a 29 edição da Revista Advir, uma revista da ASDUERJ (Associação de Docentes de UERJ). O tema escolhido para essa edição foi  “Software livre na universidade, sociedade digital e a questão da autoria”. Entre os vários artigos que compõem a publicação está um de minha autoria, sob o título de “Software livre, direitos autorais e conhecimento livre: como a nossa sociedade está mudando sua relação com o conhecimento”.

 

CAPA29

 

Espero que apreciem a discussão feita pelos estudiosos que colaboraram na construção de pontos de vistas desse tema tão importante atualmente. O download da revista pode ser feito aqui. Divulguem por aí! ;-)




Uma sociedade digital livre – Parte 6 – Final

2 de Janeiro de 2013, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Ok, é chegada a hora de encerrarmos essa série de posts sobre as ameaças de uma sociedade digital sobre a nossa liberdade, segundo Richard Stallman. Foi inevitável me alongar neles, já que o texto em si, na verdade transcrição de uma palestra do @rms, é extenso.

[Leia também as partes 1, 2, 3, 4 e 5.]

Nessa parte final, Stallman fala sobre a guerra da indústria cultural ao compartilhamento, do apoio que precisamos dar aos artistas para que eles não sejam reféns dessa indústria e, por fim, dos nossos direitos no ciberespaço. No final do texto vocês vão encontrar algumas lacunas porque talvez o áudio da palestra não tenha saído bom, o que dificultou a sua transcrição, mas nada que prejudique o entendimento da fala dele. Espero que tenham apreciado os posts! ;-)

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Fonte da Imagem

A guerra ao compartilhamento

A próxima ameaça à nossa liberdade em uma sociedade digital vem da guerra ao compartilhamento.

Um dos grandes benefícios da tecnologia digital é que é fácil copiar obras publicadas e compartilhar estas cópias com os outros. Compartilhar é bom, e com a tecnologia digital, o compartilhamento é fácil. Assim, milhões de pessoas compartilham. Aqueles que lucram por ter poder sobre a distribuição dessas obras não querem que nós compartilhemos. E como são empresas, os governos que traíram seu povo e trabalham para o império de mega-corporações tentam servir as empresas, eles são contra o seu próprio povo, estão a favor das empresas, dos editores.

Bem, isso não é bom. E com a ajuda desses governos, as companhias têm travado uma guerra contra o compartilhamento, e eles têm proposto uma série de medidas drásticas. Porque eles propõem medidas drásticas? Porque nada menos tem uma chance de sucesso: quando algo é bom e fácil, as pessoas o fazem. A única forma de pará-los é sendo muito desagradável. Porque, é claro, o que eles propõem é desagradável, desagradável, e a próxima é mais desagradável ainda. Então, eles tentaram processar adolescentes por centenas de milhares de dólares – isso foi bastante desagradável. E eles tentaram colocar a nossa tecnologia contra nós, Gestão de Direitos Digitais (DRM), significa algemas digitais.

Mas, entre as pessoas haviam programadores inteligentes demais e eles encontraram maneiras de quebrar as algemas. Por exemplo, os DVDs foram projetados para ter filmes codificados em um formato de criptografia secreta, e a ideia era que todos os programas para decodificar o vídeo seriam proprietários, com algemas digitais. Todos eles seriam projetados para restringir os usuários. E o seu esquema funcionou bem por um tempo. Mas algumas pessoas na Europa descobriram a criptografia e lançaram um programa livre que realmente poderia reproduzir o vídeo em um DVD.

Bem, as empresas de cinema não deixaram ele lá. Elas foram para o Congresso dos EUA e compraram uma lei tornando esse software ilegal. Os Estados Unidos inventaram censura de software em 1998, com o Digital Millennium Copyright Act (DMCA). Assim, a distribuição desse programa livre foi proibida nos Estados Unidos. Infelizmente, isso não parou com os Estados Unidos. A União Europeia adotou uma directiva em 2003 exigindo tais leis. A directiva apenas diz que a distribuição comercial tem que ser proibida, mas cada país da União Europeia tem adotado uma lei mais desagradável ainda. Na França, a mera posse de uma cópia do programa é uma ofensa punida com pena de prisão, graças a Sarkozy. Creio que isso foi feito pela lei DADVSI. Eu acho que ele esperava que, com um nome impronunciável, as pessoas não seriam capazes de criticá-la.

Então, as eleições estão chegando. Pergunte aos candidatos dos partidos: você vai revogar a DADVSI? E se não, não apoie-os. Você não deve desistir do território moral perdido para sempre. Você tem que lutar para ganhá-lo de volta.

Então, nós ainda estamos lutando contra algemas digitais. O Amazon “Swindle” tem algemas digitais para tirar as tradicionais liberdades de leitores de fazer coisas como: dar um livro para outra pessoa, ou emprestar um livro para alguém. Isso é um ato de vital importância social. Isso é o que constrói a sociedade entre pessoas que lêem: emprestar livros. A Amazon não quer deixar as pessoas emprestarem livros livremente. E depois há também a possibilidade de vender um livro, talvez para um sebo. Você não pode fazer isso também.

Pareceu por um tempo que o DRM havia desaparecido na música, mas agora eles estão trazendo-o de volta com serviços de streaming como o Spotify. Todos esses serviços exigem um software cliente proprietário, e a razão é que eles podem colocar algemas digitais nos usuários. Então, rejeite-os! Eles já mostraram abertamente que não se pode confiar neles, porque primeiro eles disseram: “você pode ouvir tanto quanto você gostar”, e então disseram: “Oh, não! Você só pode ouvir um certo número de horas por mês”. A questão não é se a mudança em particular foi boa ou ruim, justa ou injusta, o ponto é, eles têm o poder de impor qualquer mudança nas políticas. Portanto, não deixe que eles tenham esse poder. Você deve ter a sua própria cópia de qualquer música que você quer ouvir.

E então veio o próximo assalto à nossa liberdade: HADOPI, basicamente punição sobre acusação. Ela foi criada na França, mas tem sido exportada para muitos outros países. Os Estados Unidos exigem agora essas políticas injustas em seus tratados de exploração livre. Há alguns meses atrás, a Columbia adotou tal lei sob as ordens de seus mestres em Washington. É claro, os de Washington não são os verdadeiros mestres, eles são apenas aqueles que controlam os Estados Unidos em nome do Império. Mas eles são os que também dão ordens à Columbia em nome do Império.

Na França, uma vez que o Conselho Constitucional se opôs explicitamente a punir as pessoas sem julgamento, eles inventaram um tipo de julgamento que não é um julgamento real, que é apenas uma forma de julgamento, para que eles possam fingir que as pessoas têm um julgamento antes de serem punidas. Mas em outros países eles não se incomodam com isso, é uma punição explícita a partir apenas da acusação. O que significa que, para o bem de sua guerra contra o compartilhamento, eles estão preparados para abolir os princípios básicos de justiça. Isso mostra como eles são completamente anti-liberdade e anti-justiça. Estes não são governos legítimos.

E eu tenho certeza que eles virão com mais ideias desagradáveis, porque eles são pagos para defender as pessoas, não importa o que aconteça. Agora, quando eles fazem isso, eles sempre dizem que é para o bem dos artistas, que eles têm que “proteger” os “criadores”. Agora, esses são dois termos de propaganda. Estou convencido de que a razão pela qual eles amam a palavra “criadores” é porque isso é uma comparação com uma divindade. Eles querem que nós pensemos os artistas como super-humanos, e, portanto, merecedores de privilégios especiais e poder sobre nós, o que é algo que eu discordo.

Na verdade, os únicos artistas que se beneficiam muito deste sistema são as grandes estrelas. Os outros artistas estão sendo esmagados no chão pelos calcanhares dessas mesmas empresas. Mas eles tratam as estrelas muito bem, porque as estrelas têm muita influência. Se uma estrela ameaça se mudar para outra empresa, a empresa diz: “oh, nós vamos dar a você o que quiser.” Mas para qualquer outro artista eles dizem: “você não importa, podemos tratá-lo de qualquer maneira que nós desejarmos.”

Assim, os astros têm sido corrompidos pelos milhões de dólares ou euros que recebem, até o ponto onde eles farão qualquer coisa para obter mais dinheiro. Por exemplo, J. K. Rowling é um bom exemplo. J. K. Rowling, há alguns anos atrás, foi ao tribunal no Canadá e conseguiu uma ordem para que as pessoas que compraram seus livros não pudessem lê-los. Ela conseguiu uma ordem dizendo às pessoas para não ler os seus livros.

Aqui está o que aconteceu. Uma livraria colocou os livros em exposição para venda muito cedo, antes do dia previsto para isso. E as pessoas entraram na livraria e disseram: “ah, eu quero esse!” e eles compraram e levaram suas cópias. Em seguida, eles descobriram o erro e tiraram as cópias da vitrine. Mas Rowling queria suprimir qualquer circulação de qualquer informação desses livros, então ela foi ao tribunal, e o tribunal ordenou que essas pessoas não lessem os livros que eles agora possuíam.

Em resposta, eu chamo um boicote total a Harry Potter. Mas eu não digo que você não deve ler os livros ou assistir aos filmes, eu apenas digo que você não deve comprar os livros ou pagar pelos filmes. Deixo a Rowling dizer às pessoas para não ler os livros. Até estou preocupado, se você emprestar o livro e lê-lo, isso está bem. Só não dê a ela nenhum dinheiro! Mas isso aconteceu com os livros de papel. O tribunal poderia fazer este pedido, mas não poderia tomar os livros de volta das pessoas que os compraram. Imagine se eles fossem ebooks. Imagine se eles fossem ebooks no “Swindle”. A Amazon poderia enviar comandos para apagá-los.

Então, eu não tenho muito respeito por estrelas que vão a tais extremos por mais dinheiro. Mas a maioria dos artistas não são assim, eles nunca conseguem dinheiro suficiente para serem corrompidos. Porque o atual sistema de copyright apoia muito mal a maioria dos artistas. E assim, quando essas empresas busca expandir a guerra ao compartilhamento, supostamente pelo bem dos artistas, eu sou contra o que eles querem, mas eu gostaria de apoiar os artistas melhores. Eu aprecio o seu trabalho e percebo que se quisermos que eles produzam mais, devemos apoiá-los.

Apoio às artes

Eu tenho duas propostas de como apoiar artistas, métodos que são compatíveis com o compartilhamento. Isso nos permitiria acabar com a guerra ao compartilhamento e ainda apoiar os artistas.

Um método usa dinheiro dos impostos. Nós temos uma certa quantidade de fundos públicos para distribuir entre os artistas. Mas, quanto deveria receber cada artista? Temos que medir a popularidade.

O sistema atual supostamente apoia artistas com base em sua popularidade. Então, eu estou dizendo que vamos manter isso, vamos continuar neste sistema baseado em popularidade. Podemos medir a popularidade de todos os artistas com algum tipo de sondagem ou amostragem, de modo que não temos de fazer vigilância. Podemos respeitar o anonimato das pessoas.

Nós temos um grau de popularidade para cada artista, como é que vamos converter isso em uma quantidade de dinheiro? A maneira mais óbvia é: distribuir o dinheiro na proporção de popularidade. Assim, se A é mil vezes mais popular que B, A terá mil vezes mais dinheiro que B. Isso não é uma distribuição eficiente do dinheiro. Não é fazer um bom uso do dinheiro. É fácil para uma estrela A ser mil vezes mais popular que um artista B razoavelmente bem sucedido. Se usamos proporção linear, nós daremos para A mil vezes mais dinheiro que damos a B. E isso significa que, temos que tornar A tremendamente rico, ou não estamos apoiando B o suficiente.

O dinheiro que usamos para tornar A tremendamente rico não está fazendo um trabalho eficaz de apoio às artes, por isso, é ineficiente. Por isso eu digo: vamos usar a raiz cúbica. Raiz cúbica parece mais ou menos assim. O ponto é: se A é mil vezes mais popular que B, com a raiz cúbica A receberá 10 vezes mais do que B, não mil vezes mais, apenas dez vezes mais. O uso da raiz cúbica move um monte de dinheiro das estrelas para os artistas de popularidade moderada. E isso significa que, com menos dinheiro nós podemos apoiar adequadamente um número maior de artistas.

Há duas razões pelas quais este sistema deverá utilizar menos dinheiro do que pagamos hoje. Em primeiro lugar, porque ele apoiaria os artistas, mas não as empresas, segundo porque deslocaria o dinheiro das estrelas para os artistas de popularidade moderada. Agora, continuaria a ser o caso de que quanto mais popular você é, mais dinheiro você recebe. Então, a estrela A ainda teria mais do que B, mas não astronomicamente mais.

Isso é um método, e porque ele não consumirá tanto dinheiro não importa muito como conseguiremos o dinheiro. Isso poderia ser a partir de uma taxa especial sobre a conexão da Internet, poderia ser apenas alguns dos [general budget] que alocaríamos para esse propósito. Nós não nos preocuparíamos porque não seria tanto dinheiro; muito menos do que estamos pagando agora.

O outro método que eu tenho proposto são pagamentos voluntários. Suponha que cada player tivesse um botão que você poderia usar para enviar um euro. Muita gente enviaria, afinal de contas isso não é muito dinheiro. Eu penso que muitos de vocês poderiam apertar esse botão todo dia, dar um euro para o artista que tivesse feito um trabalho que você gostou. Mas nada exigiria isso, você não seria obrigado ou ordenado ou pressionado a enviar o dinheiro; você faria isso porque você se sentiria à vontade. Mas há algumas pessoas que não fariam isso porque elas são pobres e elas não podem fazer esse esforço de dar um euro. E é bom que eles não vão dar, não queremos arrancar dinheiro dos pobres para apoiar os artistas. Há bastante pessoas não pobres que vão ficar felizes em fazer isso. Por que você não daria um euro a alguns artistas hoje, se você apreciado o seu trabalho? É muito inconveniente dar isso a eles. Então a minha proposta é remover o inconveniente. Se a única razão para não dar esse euro é [que] você teria um euro a menos, você faria isso com bastante frequência.

Então, essas são as minhas duas propostas de como apoiar artistas, ao mesmo tempo em que incentivamos o compartilhamento porque compartilhar é bom. Vamos colocar um fim à guerra ao compartilhamento, leis como DADVSI e HADOPI, não é apenas os métodos que elas propõem que são perversos, sua finalidade é perversa. É por isso que eles propõem medidas cruéis e draconianas. Eles estão tentando fazer algo que é desagradável por natureza. Então, vamos apoiar artistas de outras maneiras.

Direitos no ciberespaço

A última ameaça à nossa liberdade na sociedade digital é o fato de que não temos um sólido direito de fazer as coisas que fazemos, no ciberespaço. No mundo físico, se você tem certos pontos de vista e você quer dar às pessoas cópias de um texto que defende os pontos de vista, você é livre para fazê-lo. Você pode até mesmo comprar uma impressora para imprimi-los, e você está livre para entregá-los na rua, ou você está livre para alugar uma loja e entregá-los lá fora. Se você quer para recolher dinheiro para apoiar sua causa, você pode apenas ter uma lata e as pessoas podiam colocar dinheiro na lata. Você não precisa da aprovação de alguém mais ou a cooperação para fazer essas coisas.

Mas, na Internet, você precisa fazer isso. Por exemplo, se quiser distribuir um texto na Internet, você precisa de empresas para ajudar você a fazer isso. Você não pode fazer isso sozinho. Então, se você quer ter um site, é necessário o apoio de um provedor ou uma empresa de hospedagem, e você precisa de um registro de nomes de domínio. Você precisa deles para continuar a deixar você fazer o que você está fazendo. Então, você está fazendo isso efetivamente em resignação, não por direito.

E se você quiser receber o dinheiro, você não pode simplesmente segurar uma lata. Você precisa da cooperação de uma empresa de pagamento. E vimos que isso faz com que todas as nossas atividades digitais sejam vulneráveis à supressão. Nós aprendemos isso quando o governo dos Estados Unidos lançou um “ataque distribuído de negação de serviço” (DDoS) contra o WikiLeaks. Agora eu estou fazendo uma piada, porque as palavras “ataque distribuído de negação de serviço” geralmente se referem a um tipo diferente de ataque. Mas elas se encaixam perfeitamente com o que os Estados Unidos fizeram. Os Estados Unidos foram para os vários tipos de serviços de rede que WikiLeaks dependia, e disse a eles para cortar os serviços ao WikiLeaks. E eles o fizeram.

Por exemplo, o WikiLeaks tinha alugado um servidor virtual da Amazon, e o governo dos EUA disse para a Amazon: “corte os serviços para o WikiLeaks.” E ela o fez, de forma arbitrária. E então, a Amazon tinha determinados nomes de domínio, tais como wikileaks.org, o governo dos EUA tentou desligar todos esses domínios. Mas não teve sucesso, alguns deles estavam fora do seu controle e não foram desligados.

Em seguida foram as empresas de pagamento. Os EUA foram ao PayPal e disseram: “Parem de transferir dinheiro para o WikiLeaks ou vamos tornar a vida difícil para vocês.” E o PayPal suspendeu os pagamentos ao WikiLeaks. E em seguida, eles foram para a Visa e Mastercard e conseguiram que eles suspendessem os pagamentos ao WikiLeaks. Outros começaram a recolher dinheiro em nome WikiLeaks e suas contas também foram excluídas. Mas, neste caso, talvez algo pode ser feito. Há uma empresa na Islândia que começou a coletar o dinheiro em nome do WikiLeaks, e então Visa e Mastercard excluíram sua conta; ela não poderia receber o dinheiro de seus clientes também. Agora, essa empresa está processando Visa e Mastercard, aparentemente, sob leis da União Europeia, porque Visa e Mastercard têm juntos um quase-monopólio. Eles não estão autorizados a arbitrariamente negar serviço a qualquer pessoa.

Bem, este é um exemplo de como as coisas têm de ser para todos os tipos de serviços que usamos na Internet. Se você alugou uma loja para entregar declarações de que você pensa, ou qualquer outro tipo de informação que você pode legalmente distribuir, o locador não pode expulsá-lo só porque ele não gostou do que você estava dizendo. Enquanto você continuar a pagar o aluguel, você tem o direito de continuar nessa loja por um certo acordo sobre período de tempo que você assinou. Então você tem alguns direitos que você pode fazer cumprir. E não poderia desligar o seu telefone, porque a empresa de telefonia não gosta do que você disse, ou porque algum poderosa entidade não gostou do que você disse e ameaçou a empresa de telefonia. Não! Enquanto você pagar as contas e obedecer certas regras básicas, eles não podem desligar a sua linha telefônica. É isso que é ter alguns direitos!

Bem, se nós movemos nossas atividades do mundo físico para o mundo virtual, então, temos os mesmos direitos no mundo virtual, ou seremos prejudicados. Assim, a precariedade de todas as nossas atividades na Internet é a última das ameaças que eu queria falar.

Agora eu gostaria de dizer que para obter mais informações sobre software livre, procure em GNU.org. Também procure em fsf.org, que é o site da Free Software Foundation. Você pode ir lá e encontrar muitas maneiras através das quais você pode nos ajudar, por exemplo. Você também pode se tornar um membro da Free Software Foundation através desse site. [...] Há também a Free Software Foundation da Europa fsfe.org. Você pode se juntar a FSF Europa também. [...]

————-

E quem tiver com preguiça de ler os post separados, aqui tem o arquivo pdf do texto completo traduzido: Uma sociedade digital livre




Uma sociedade digital livre – Parte 5

11 de Dezembro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Oi meus caros leitores, aqui está mais um pedaço do enorme texto/palestra de Richard Stallman sobre as ameaças de uma sociedade digital.

[Acompanhe na sequência as partes 1, 2, 3 e 4.]

Quando pensei em publicar esse texto não imaginava que precisaria de tantos posts para isso, mas espero que vocês tenham paciência de acompanhar cada parte, pois o debate que Stallman faz é muito importante. Apesar dele concordar que as tecnologias digitais podem de alguma forma contribuir para a construção de um conhecimento livre, ele também se mostra bastante crítico em relação ao controle que essas tecnologias podem ajudar a exercer sobre nós.

Eis um trecho do texto de hoje onde ele alerta sobre isso:

“Como começamos a fazer coisas digitalmente em vez de fisicamente, não deveríamos perder nenhum dos nossos direitos, porque a tendência geral é que os percamos”.

big-brother-is-watching-you

Big Brother está assistindo você!

Crédito da imagem

Bem, continuando mais um post da série “Uma sociedade digital livre: o que torna a inclusão digital boa ou ruim?”, hoje trouxemos mais uma parte do texto onde Stallman fala sobre as ameaças dos serviços de internet. Não vou me alongar em introduções porque o texto já é grande o suficiente, então, vamos acompanhar o que ele diz sobre isso:

———————–

Serviços de internet

Então, passando para a próxima ameaça. Há duas questões que surgem a partir do uso de serviços de internet. Um delas é que o servidor poderia abusar de seus dados, e outra é que ele poderia assumir o controle da sua computação.

A primeira questão, as pessoas já conhecem. Elas estão conscientes de que, se você envia dados para um serviço de internet, há uma questão de o que vão fazer com esses dados. podem fazer coisas que prejudicam você. O que poderia acontecer? Eles podem perder os dados, eles poderiam mudar os dados, eles poderiam se recusar a deixar você conseguir os dados de volta. E eles também poderiam mostrar os dados para alguém que você não queria mostrar. Quatro diferentes coisas possíveis.

Agora, aqui, eu estou falando sobre os dados que você conscientemente deu a esse site. Naturalmente, muitos desses serviços fazem vigilância também.

Por exemplo, considere o Facebook. Os usuários enviam muitos dados para o Facebook, e uma das coisas ruins sobre Facebook é que ele mostra um monte desses dados para muitas outras pessoas, e mesmo que ele lhes ofereça uma configuração para dizer “não!”, isso pode realmente não funcionar. No final das contas, se você diz que “algumas outras pessoas podem ver este pedaço de informação”, uma delas pode publicá-la. Agora, isso não é culpa do Facebook, não há nada que eles possam fazer para evitar isso, mas eles devem avisar as pessoas. Em vez de dizer “marcar isto como apenas a seus supostos amigos”, eles deveriam dizer “ter em mente que seus supostos amigos não são realmente seus amigos, e se eles quiserem criar problemas para você, eles poderiam publicar isso”. Toda vez eles deveriam dizer isso, se eles querem lidar com as pessoas de forma ética.

Além de todos os dados que os usuários dão voluntariamente para o Facebook, o Facebook também está coletando dados sobre as atividades das pessoas na rede por meio de vários métodos de vigilância. Mas agora eu estou falando sobre os dados que as pessoas sabem que estão dando a esses sites.

A perda de dados é algo que sempre pode acontecer por acidente. Essa possibilidade sempre existe, não importa o quanto alguém seja cuidadoso. Portanto, você precisa manter várias cópias dos dados que são importantes. Se você fizer isso, então, mesmo que alguém decida excluir seus dados intencionalmente, ele não iria prejudicá-lo muito, porque você teria outras cópias do dados.

Então, enquanto você está mantendo várias cópias, você não tem que se preocupar muito com alguém perder seus dados. E sobre se você pode consegui-los de volta. Bem, alguns serviços tornam possível receber de volta todos os dados que você enviou, e alguns não. Serviços do Google permitirá ao usuário receber de volta os dados que o usuário colocou neles. Facebook, notoriamente, não.

É claro que no caso do Google isso só se aplica aos dados que o usuário sabe que o Google tem. O Google faz muita vigilância, também, e esses dados não estão incluídos.

Mas, em todo caso, se você pode conseguir os dados de volta, então você pode investigar se eles os alteraram. E eles não são muito propensos a começar a alterar os dados das pessoas se as pessoas podem dizer. Então, talvez possamos manter um controle sobre esse tipo particular de abuso.

Mas o abuso de mostrar os dados para alguém que você não quer que eles sejam mostrados é muito comum e quase impossível para você prevenir, especialmente se for uma empresa dos EUA. Você vê, a lei mais hipocritamente nomeada na história dos EUA foi a chamada Ato Patriota dos EUA, diz que a polícia do Big Brother pode recolher apenas todos os dados que as empresas mantêm sobre indivíduos. Não apenas empresas, mas outras organizações também, como bibliotecas públicas. A polícia pode conseguir isso massivamente, sem sequer ir ao tribunal. Agora, em um país que foi fundado sob uma ideia de liberdade, não há nada mais antipatriótico do que isso. Mas isso é o que eles fizeram. Então você não deve confiar nunca quaisquer dados seus para uma empresa dos EUA. E eles dizem que as filiais estrangeiras de empresas dos Estados Unidos estão sujeitas a isso também, então a empresa com a qual você está lidando diretamente pode estar na Europa, mas se for de propriedade de uma empresa dos EUA, você tem o mesmo problema ao lidar com ela.

No entanto, esta é uma preocupação principalmente quando os dados que você está enviando para o serviço não é para publicação. Existem alguns serviços onde você publica coisas. É claro que, se você publicar alguma coisa, você sabe que todo mundo vai ser capaz de vê-la. Assim, não há nenhuma maneira que eles possam prejudicá-lo mostrando para alguém que não devia ver. Não há ninguém que não era para ver se você publicasse. Assim, neste caso, o problema não existe.

Então, esses são quatro sub-temas de uma ameaça de abuso de nossos dados. A ideia do projeto Freedom Box é você ter seu próprio servidor em sua própria casa, e quando você quiser fazer algo remotamente, você faz com o seu próprio servidor, e os policiais têm de conseguir uma ordem judicial se quiserem realizar buscas no seu servidor . Então, dessa maneira, você tem os mesmos direitos que você teria tradicionalmente no mundo físico.

O ponto aqui e em tantas outras questões é: como começamos a fazer coisas digitalmente em vez de fisicamente, não deveríamos perder nenhum dos nossos direitos, porque a tendência geral é que os percamos.

Basicamente, a lei de Stallman diz que, em uma época em que os governos trabalham para as mega-corporações, em vez de se reportar a seus cidadãos, a cada mudança tecnológica ele pode estar aproveitando para reduzir a nossa liberdade. Porque reduzir a nossa liberdade é o que esses governos querem fazer. Então a pergunta é: quando eles têm uma oportunidade? Bem, qualquer mudança que acontece por algum outro motivo é uma possível oportunidade, e eles vão tirar proveito disso, se esse é o seu desejo geral..

Mas o outro problema com os serviços de internet é que eles podem assumir o controle de sua computação, e isso não é tão conhecido. Mas é cada vez mais comum. Há serviços que oferecem para fazer computação para você em dados que você fornece – coisas que você deve fazer em seu próprio computador, mas eles o convidam a deixar alguém fazer esse trabalho de computação para você. E o resultado é que você perde o controle sobre o trabalho. É como se você usasse um programa não-livre.

Dois cenários diferentes, mas eles levam para o mesmo problema. Se você faz a sua computação com um programa não-livre – bem, os usuários não controlam o programa não-livre, ele controla os usuários, o que inclui você. Então, você perdeu o controle da computação que está sendo feita. Mas se você fizer computação em seu servidor – bem, os programas que fazem isso são aqueles que ele escolheu. Você não pode tocá-los ou vê-los, então você não tem controle sobre eles. Ele tem controle sobre eles – talvez.

Se eles são software livre e ele instalá-los, então ele tem controle sobre eles. Mas até mesmo ele pode não ter controle. Ele pode estar executando um programa proprietário em seu servidor, neste caso é alguém mais que tem o controle da computação que está sendo feita em seu servidor. Ele não a controla e você também não.

Mas suponha que ele instale um programa livre, então ele tem controle sobre a computação que está sendo feita em seu computador, mas você não. Então, de qualquer forma, você não tem! Assim, a única maneira de você ter controle sobre a sua computação é fazê-la com a sua cópia de um programa livre.

Esta prática é chamada de “Software como um Serviço”. Significa fazer sua computação com seus dados no servidor de outra pessoa. E eu não sei de nada que pode tornar isso aceitável. É sempre algo que tira a sua liberdade, e a única solução que eu conheço é recusar. Por exemplo, há servidores que vão fazer tradução ou reconhecimento de voz, e você está deixando que eles tenham controle sobre essa atividade de computação, o que não deveríamos jamais fazer.

É claro, nós também estamos dando a eles dados sobre nós mesmos que eles não deveriam ter. Imagine se você tivesse uma conversa com alguém através de um sistema de tradução de reconhecimento de voz que fosse um Software como Serviço e ele fosse realmente executado em um servidor que pertence a alguma empresa. Essa empresa também conseguiria saber o que foi dito na conversa, e se for uma empresa dos EUA significa que o Big Brother também ficaria sabendo. Isso não é bom.

A próxima ameaça à nossa liberdade em uma sociedade digital é o uso de computadores para a votação. Você não pode confiar em computadores para votação. Quem controla o software nos computadores tem o poder para cometer fraude indetectável. Eleições são especiais. Porque não há ninguém envolvido nisso ousamos confiar plenamente. Todo mundo tem que ser verificada, verificação cruzada por outros, de modo que ninguém esteja em posição de falsificar os resultados sozinho. Porque, se alguém está em posição de fazer isso, ele pode fazê-lo! Assim, nossos sistemas tradicionais de votação foram projetados de modo que ninguém seja totalmente confiável, todo mundo fosse verificado pelos outros. De modo que ninguém poderia facilmente cometer fraudes. Mas uma vez que você introduza um programa, isso é impossível! Como você pode dizer se uma máquina de votar conta os votos de forma honesta? Você teria que estudar o programa que está sendo executado na mesma durante a eleição, o que é claro ninguém pode fazer, e a maioria das pessoas nem sequer saberia como fazer. Mas até mesmo os especialistas que poderiam, teoricamente, ser capazes de estudar o programa, eles não podem fazer isso enquanto as pessoas estão votando. Eles teriam que fazê-lo com antecedência, e, então, como é que eles sabem que o programa que eles estudaram é o que está em execução enquanto as pessoas votam? Talvez tenha sido alterado. Agora, se este programa é proprietário, isso significa que alguma empresa o controla. A autoridade eleitoral não pode nem mesmo dizer o que esse programa está fazendo. Bem, esta empresa, então, poderia fraudar a eleição. Há acusações de que isso foi feito nos EUA nos últimos dez anos, que os resultados eleitorais foram falsificados desta forma.

Mas e se o programa é software livre? Isso significa que a autoridade eleitoral que possui esta máquina de votação tem o controle sobre o software que está nela, portanto, a autoridade eleitoral pode fraudar a eleição. Você não pode confiar neles também. Não se aventure a confiar em ninguém na votação, e a razão é, não há nenhuma maneira pela qual os eleitores podem verificar por si mesmo que seus votos foram contados corretamente, nem que os votos falsos não foram adicionados.

Em outras atividades da vida, geralmente você pode dizer se alguém está tentando enganá-lo. Considere, por exemplo, comprar algo de uma loja. Você pede algo, talvez você dê um número de cartão de crédito. Se o produto não vem, você pode reclamar e você pode – é claro, se você tem uma boa memória suficiente você irá – notar que o produto não veio. Você não está apenas dando confiança cega total para a loja, porque você pode verificar. Mas nas eleições não se pode verificar.

Eu vi uma vez um artigo onde alguém descreveu um sistema teórico para a votação que utiliza algo de matemática sofisticada para que as pessoas pudessem verificar que seus votos foram contados, apesar do voto de todo mundo ser secreto, e eles também poderiam verificar que os votos falsos não tinham sido adicionados. Foi muito emocionante, matemática poderosa, mas mesmo que a matemática esteja correta, isso não significa que o sistema seria aceitável para usar na prática, porque as vulnerabilidades de um sistema real podem estar fora dessa matemática. Por exemplo, suponha que você está votando pela Internet e suponha que você está usando uma máquina que é um zumbi. Poderia dizer-lhe que a votação foi enviado para A, mas, na verdade, foi enviada para B. Quem sabe se você nunca descobriria? Na prática, a única maneira de ver se estes sistemas funcionam e são honestos é através dos anos, nas décadas de fatos, de experimentá-los e verificar de outras maneiras o que aconteceu.

Eu não gostaria que o meu país fosse o pioneiro nisso. Assim, use o papel para votação. Certifique-se de que haja cédulas que podem ser recontadas.




Take Action: Google faz campanha por liberdade na internet

22 de Novembro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

A Google acaba de lançar a campanha Take Action para defender a liberdade na internet. A campanha objetiva fazer pressão para impedir que os governos que se reunirão em dezembro durante a World Conference on International Telecommunications (WCIT)  imponham restrições e censura à internet. A reunião, que é organizada pelas Nações Unidas, promete tratar do futuro da internet e aprovar propostas secretas para o seu gerenciamento, que ferem o nosso direito à liberdade nesse espaço.

No site da campanha a Google afirma: “Apóie a Internet livre e aberta. Um mundo livre e aberto depende de uma Internet livre e aberta. Os governos por si sós não podem determinar o futuro da Internet. Os bilhões de pessoas em todo o mundo que usam a Internet, bem como os especialistas que a desenvolvem e a mantêm, devem ser incluídos.”

Também há um vídeo promocional no qual pessoas do mundo inteiro dizem em suas línguas nativas: “Uma web livre e aberta depende de mim”.

A campanha convida os internautas do mundo inteiro para defenderem seus direitos e  registrar no site sua opinião.
Não há dúvida de que a Google enquanto uma grande empresa de tecnologia está preocupada em defender seus interesses, mas campanhas como essas são sempre úteis e importantes para impedir o avanço da censura na internet, e devemos saber aproveitá-las ao nosso favor. Coisas como o Transparency Report e o apoio da Google ao protesto contra SOPA/PIPA ajudam nessa árdua batalha por uma internet livre e aberta. Toda ajuda aqui será importante! Até porque tentativas de controlar a internet são, e sempre serão, recorrentes, essa é uma guerra que talvez nunca cessará.
Aqui está um vídeo que esclarece melhor essa situação de ameaça. Esse vídeo foi produzido pela Fight for the future, que também trabalha em projetos de defesa da liberdade na internet:
Países como China, Irã e Rússia estão interessadíssimos em impor ainda mais censura ao conteúdo da web em seus territórios, é importante que nós nos mobilizemos para impedir que essa situação se agrave. Na verdade, é necessário uma mobilização para que a censura que já exista seja contornada e para que os governos não consigam estabelecer um controle sobre o ambiente aberto da internet. Seja através de apoio a campanhas como essa da Google, seja criando novas campanhas ou formas de resistência, precisamos nos opor!



Me, Konqi and KDE Brazil at Latinoware 2012

3 de Novembro de 2012, 0:00, por Software Livre Brasil - 0sem comentários ainda

Once again attending the Latinoware! Last year KDE celebrated 15 years of history and I presented it to event attendees. This year I presented a talk about “How to contribute with KDE without to write any code.”  The idea was to show people that you don’t need to be a developer to contribute to KDE or any other free software project. The talk was focused on general public and I tried to present the internacional community responsible for 16 years of KDE Project, and the various activities that are necessary to develop a project such this.

Photo: Jean Pavão/PTI

The event also was attended by our illustrious mascot Konqi! It was a success at the event and everyone wanted to touch it and take a picture with it.

KDE Brazil and Konqi! =)

I liked to present talk about KDE again. Next year I would like to contribute once more because will be especial, KDE will celebrate 5 years of participation at the Latinoware. :D Latinoware will celebrate ten years and half these KDE Brazil was present. It’s an indication that our community is growing stronger.

More pictures of Latinoware are here! ;-)




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